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terça-feira, 21 de abril de 2020

10 Álbuns que influenciaram o meu gosto musical: #1 David Bowie - "Low" (1977)

«Escolher 10 álbuns que influenciaram o meu gosto musical. Um álbum por dia durante 10 dias consecutivos. Sem ordem cronológica, sem explicaç... 

Ah fuck it. Claro que tem que haver explicações, senão what’s the fucking point?
Bem. Depois de ter sido nomeado 3 vezes para entrar nesta corrente do Facebook, vou aceitar o desafio. Mas como isto é Rock’n’Roll, you gotta break the rules, e por isso, sim, vai haver explicações, não, não vão ser só capas de álbuns e não, não vou nomear mais ninguém. The madness stops here.
Também não vai ser só no Facebook. Vou aproveitar para fazer uma coisa que não faço há muito tempo, que é escrever no meu blog. No blog que começou tudo há 10 anos (o banner também está actualizado) e que entretanto foi esquecido para dar lugar a outros projectos. Mas como dizia o David, "where you start is where you end" e por isso aqui estou de volta. Vamos a isto.

Notem que "10 álbuns que influenciaram o meu gosto musical" não são os meus 10 álbuns preferidos, nem os 10 melhores álbuns de sempre. São os álbuns que, errh, influenciaram o meu gosto musical. Agora sim, bora.

#1. David Bowie — "Low" (1977)


Começamos então com “Low”, um álbum absolutamente pivotal na minha vida. Foi um disco que entrou na minha vida, como sempre acontece com a música, no momento certo. Estava saturado do meu quotidiano day-in-day-out (pun intended) de casa-trabalho-casa, recentemente fora de uma longa relação e a precisar desesperadamente de descarrilar, em nome da minha sanidade mental. Parece paradoxal, eu sei. Mas a fazer aquela vida certinha, eu sentia que eu não era eu. Sentia a necessidade de olhar para o abismo.

Não, esperem aí. Esse álbum foi o “Station To Station”. Pois. É um tópico para outro dia. Esse também poderia perfeitamente figurar aqui. Mas em vez da masterpiece cocainada do Bowie, decidi em favor do “Low”, o álbum concebido na ressaca desse mesmo ‘high’ (mais um pun intended) e que entrou na minha vida quando ela entrou em paralelo à vida do Bowie (menos a cocaína, atenção).

A influência do Bowie, e do "Low" em particular, foi tal, que às tantas fiquei obcecado com a ideia de emigrar para Berlim, para 'renascer' tal como Bowie fizera em 1977. Mas isto não foi uma daquelas conversas que nascem com um copo de whiskey na mão. Não. Eu fui mesmo ter aulas de alemão e ao fim de 6 meses apanhei um voo para Berlim, onde estive sozinho durante duas semanas para apanhar o ar da cidade. Era Fevereiro e por isso apanhei um ar bastante frio. Demasiado frio para quem só tinha levado t-shirts e um casaco de cabedal, com quem entretanto estabeleci uma ligação metafísica que na altura descrevia como "uma extensão do meu corpo". Mas divago.

A epifania de "Low" estava na certeza da validade da reinvenção, da regeneração do indivíduo. Eu podia perfeitamente não ser aquilo que estava predestinado para mim. Não precisava de ser o certinho. Percebi que o sucesso não era (nem podia ser) uma prisão, tal como o David Bowie não precisou de continuar a ser o Ziggy para continuar a ter sucesso. Percebi que não precisava de ser igual aos outros nem igual a nenhum modelo, tal como o Bowie deixou de ser o Ziggy e passou a ser o Thin White Duke e depois deixou de ser o Thin White Duke para passar a ser só o David Bowie e em nenhuma das iterações foi igual a mais ninguém. A semente do "Low" cresceu 'high' (mais um pun, estou on fire).

O "Low" é conhecido academicamente por ter sido o primeiro álbum de Rock 'alternativo', uma vez que o Bowie bebeu as influências alemãs do Krautrock e foi o primeiro artista mainstream ocidental a fundir a electrónica com o Rock. Eu não sou propriamente um gajo do dubstep e do minimal (correntes electrónicas vigentes em Berlim no momento), mas imaginem, o meu álbum preferido do David Bowie é o "Low". E foi o vinil que ouvi mais vezes na vida. Muitas garrafas de Jameson foram despejadas ao som "Always Crashing In The Same Car", a discutir geopolítica e geoestratégia económica e sentimental.

Para ilustrar este life-changing album, ficam uma foto com a minha colecção do "Low".
Em cima, à esquerda, o tal disco que terraplanei de tanto ouvir nas sextas-feiras à noite. Uma 1st UK pressing de orange label, que comprei por 7 euros e meio numa pawn shop em Bruxelas, imaginem. Na altura estava impecável, hoje nem tanto. E por isso mesmo, à direita está uma back-up copy da mesma primeira prensagem UK que só ouvi uma vez, mas que comprei porque nunca se sabe, não posso correr o risco de não ter um "Low" à mão se me apetecer encher um copo com Jameson. Continuo a ouvir a cópia terraplanada porque tem resquícios de Jameson nos grooves e acho que isso dá uma dimensão de realismo tridimensional ao álbum. Ah e a back-up copy ainda tem o panfleto para aderir ao fan club do David Bowie em 1977. Não mandei porque achei que já era capaz de ser um pouco tarde para isso.
No meio, à esquerda, está a minha primeira cópia do "Low" em CD — a remaster de 1991 da EMI, com 3 faixas bónus também essenciais. À direita está aquele que foi provavelmente o CD mais caro que já comprei — a primeira prensagem do "Low" em CD, lançada na Alemanha Ocidental em 1984.
Em baixo, à esquerda, a remaster da RCA International de 1981 de green label que, curiosamente, tem sido a minha versão go-to nos últimos tempos. Tem um soundstage mais amplo e maior claridade, faltando aquela sujidade da orange label de 1977. Mas a verdade é que ultimamente tenho ouvido o álbum sóbrio. Deve ser isso.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Pink Floyd - "Pigs (Three Different Ones)" (Live)

Pink Floyd: 40 anos depois de "Animals", os porcos triunfaram mesmo

O mais irado e niilista de todos os álbuns foi lançado há 40 anos. 



"Animals" foi a adaptação à música da visão distópica de George Orwell em "Animal Farm" ("O Triunfo dos Porcos", na sua spoiler tradução portuguesa). Foi também o álbum que fez implodir os Pink Floyd (como não?), mas não é disso que vos falo hoje, até porque esse assunto já está bem escapelizado aqui e aqui. Hoje falo-vos da carga política do álbum mais irado e niilista dos Pink Floyd.

Como todas as grandes obras de arte, "Animals" é tão relevante hoje como no dia em que foi desvendada. No caso em concreto, podemos até dizer que é mais relevante hoje do que há 40 anos.
Se é verdade que a profecia de Orwell estava lá desde 1945, ela parecia exageradamente dantesca para que alguém acreditasse que poderia ter fundamento para além da revolução pós-czar soviética. Ouvíamos "Animals" com a mesma candura que visionamos entre pipocas qualquer filme do "Matrix", demasiado longínquo e fantasioso para nos preocupar para além das duas horas em frente ao ecrã.

Ninguém diria que chegaríamos aqui. Neste reality show 24/7 que mais se assemelha a um episódio de Black Mirror, os factos passaram a ser debatíveis (veja-se a secretária de imprensa de Trump a falar em "factos alternativos"), a ciência misturou-se com a opinião (Trump já expurgou todas as menções do aquecimento global do site da presidência) e a fronteira entre a realidade e a fantasia tornou-se difusa.



Todos somos culpados. Amolecidos por esta overdose tecnológica, demos as nossas regalias como garantidas, desprezámos a História e esquecemo-nos que as acções têm consequências. Começámos por tomar Trump como uma anedota; depois achámos que ele iria moderar o seu discurso no fim das primárias; depois durante a campanha; depois chegado à Casa Branca. Nunca o fez. Ignorámos o perigo que batia à porta e sem que nos déssemos conta, ele está aí. 40 anos depois de "Animals", 72 após "Animal Farm", os porcos triunfaram mesmo.

O que é que isto nos interessa? Deste lado do Atlântico, a cinco mil quilómetros e um oceano de distância, podemos olhar para tudo isto como um grande reality-show que acompanhamos todos os dias ao jantar; podemos fazer como os americanos e ignorar o perigo que representa uma criança de 5 anos num corpo de adulto chegar à presidência da maior potência económica mundial, ao dispor do maior arsenal bélico do planeta. Isso, ou então perceber que quando a América espirra, a Europa constipa-se e que tudo leva a crer que o futuro próximo é imprevisível.

O que fazer? Em primeiro lugar, evitar que o efeito dominó comece a fazer efeito e proteger as democracias europeias do populismo que levou os EUA a este ponto. O mundo mudou muito e muito rapidamente e é hoje um lugar diferente daquele que conhecemos há 10 ou 20 anos, quando quer que nos deixámos dormir e não percebemos que a precariedade do trabalho e da educação poderia levar o povo a tomar decisões inenarráveis, como eleger um pateta para seu líder. É preciso fazer uma purga na classe política e injectá-la com mais gente qualificada e menos demagogos jotinhas que só lá estão porque não tiveram capacidade de ganhar a vida em mais lado nenhum.
Já não basta andarmos com activismos de Facebook para depois ir para a praia em dias de eleições. Aliás, se há uma lição que se pode tirar destas eleições americanas é que o voto conta e que é fundamental votar. Só assim se protege a democracia. É capaz de ser hora de acordar.

...ou, como diz o Roger, a resistência começa hoje:




P.S.: O blog já leva 7 anos e este é o primeiro post sobre política. É revelador dos tempos em que vivemos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

David Bowie - "Speed Of Life"



Cinco anos. Parece impossível, mas o blog faz cinco anos. São cinco anos desde que comecei a escrever sobre música com alguma regularidade. São cinco anos em que tudo mudou, desde a minha vida, à minha escrita. São cinco anos que concorreram com a fase mais louca da minha vida. As histórias são imensas, algumas foram aqui relatadas, outras apenas insinuadas e muitas deliberadamente escondidas, com risco de perder emprego e namorada. Ui, dessas então, perdi inúmeras nestes cinco anos, mais do que um mero blog de fundo de rua na blogosfera poderia comportar. Mas deixemos essas epopeias de lado por hoje. Mais que histórias que não podem ser contadas, este blog foi um receptáculo de sentimentos e de emoções, porque são esses os impulsos neurológicos associados à música - a força motriz do meu blog e da minha vida. Em muitas ocasiões, ao longo destes cinco anos, ambos se confundiram.

São cinco anos a amaldiçoar a escolha do nome do blog. Escolha musical do dia? A sério? Poderia dizer em minha defesa que simplesmente não estava inspirado naquele dia; que mandei ao ar o primeiro nome que me veio à cabeça, como aquele e-mail que criámos quando tínhamos 14 anos e fomos buscar a um título de uma música, anexando a idade ou o ano de nascimento em sufixo. Mas não. Eu pensei mesmo nesta merda. Porque na verdade, o blog não faz cinco anos, mas sim SEIS ANOS. Tchi, que golpe de teatro! Pois é, foi exactamente HOJE, há seis anos que criei o (também genialmente baptizado) Rock na prateleira. O conceito desse blog era ligeiramente diferente do Escolha musical e bem mais ambicioso: desafiei-me a dissecar a fundo a criação, edição e reedições de todos os álbuns que já ouvira, classificando-os no fim. Foi um desafio que a mim próprio me recusei. Demasiado trabalho associado.

Rock na prateleira ficou na prateleira indefinidamente e durante um ano ruminei conceitos diferentes para um blog. Estávamos em 2010 e começava entretanto o advento do Facebook. Como a maior parte da população ocidental, deixei-me de hipsterices e também eu me alistei na rede social por esta altura. E como seria de esperar, comecei a expressar-me no Facebook através... de música. No meu grupo de amigos do Facebook (que na altura se limitavam mesmo aos amigos / conhecidos com quem me cruzava com frequência na vida real), era eu quem percebia mais do assunto e achava que tinha que partilhar com eles o meu conhecimento. Fazia-o todos os dias e por isso comecei a chamar-lhe Escolha musical do dia. Mas o interesse dentro do grupo era diminuto, pelo que regressei à ideia do blog para tentar encontrar quem me entendesse do lado de fora.

E foi assim que em 2010 refundei o blog, desta feita com o (genial...) nome de Escolha musical do dia. Qual não foi a minha surpresa quando percebi que afinal, do lado de fora da redoma onde vivia, estava uma multidão. Uma multidão de maluquinhos como eu, que amam a música como eu amo e sentem o que eu sinto. E nunca mais me senti sozinho.
A minha dívida para com o blog é enorme, o sentimento de pertença foi só uma das muitas coisas que ele me deu. De cabeça, o Escolha musical do dia deu-me um divã de confissão, deu-me uma coluna numa revista, deu-me amigos para a vida e até me deu uma namorada. Foi das melhores coisas que aconteceu na minha vida. Pena o nome. O nome que o blog devia ter foi mais tarde dado à minha coluna na NiT e depois ao blog onde publico os artigos que lá escrevo - Rapsódia Boémia. Curiosamente, criei o Rapsódia Boémia dias depois de ter fundado o Escolha musical do dia, mas como rapidamente ganhei aqui a notável média de um visitante por dia (que, ou vinham enganados, ou eram a minha mãe), achei que não podia defraudar os leitores e por isso nunca mudei o nome ao tasco. Enfim.

Pensei bastante no tema para acompanhar este post comemorativo. Primeiro considerei "Five Years" do David Bowie, mas esse é um tema que lamenta a tragédia de que a Humanidade só tem mais cinco anos de vida e eu espero que blog viva bem mais que isso. Em oposição a esse conceito, pensei em "Long May You Run" de Neil Young, mas esse é um tema demasiado luminoso para a escuridão que foram os últimos cinco anos. Voltei a Bowie. Se há artista que representa bem o que foram estes 5 anos, esse artista é David Bowie. Pensei então num álbum que assume um significado muito pessoal. Pensei no labirinto emocional de "Low", o álbum que, na sua loucura, na sua intensidade e na sua incongruência, melhor resume os últimos cinco anos. Amo os anos que passaram tanto como amo este álbum. Não os trocava por nada.


Este post vem acompanhado, como não poderia deixar de ser, de uma edição remasterizada do banner do blog.


Edit: E não é que Bowie desvendou hoje o seu novo single do álbum "Blackstar" a ser lançado em Janeiro? Coincidências.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

David Bowie - "Beauty And The Beast"

Outubro de 1977.
Subúrbios de uma qualquer cidade americana. Digamos que Detroit.
Um rapaz de 22 anos - digamos que Mike - é nesta altura, um (resistente) fã convicto de David Bowie e chega a casa com o novo álbum do seu artista preferido. Mike tira o enorme disco de vinyl da enigmática capa verde, com grande expectativa.


Afinal de contas, ao longo dos meses que se antecederam, Mike defendera o seu artista preferido acerrimamente, perante o seu grupo de amigos. Todos eles foram, em tempos, enormes fãs de David Bowie, mas todos haviam perdido a fé no seu ídolo.  Todos menos Mike.
Corrijo: todos foram enormes fãs de Ziggy Stardust. Com a tenra e impressionável idade de 17 anos, em Outubro de 1972, o Mundo daqueles miúdos fora abanado pela chegada do extra-terrestre ao seu pequeno planeta suburbano. Pintaram o cabelo de vermelho, foram ver Bowie ao Fisher Theatre e saíram convertidos.

Poucos meses mais tarde, chegou Aladdin Sane - o expoente americano de Ziggy - e perante o novo trabalho de Bowie, o grupo de amigos fez-lhe juras de amor eterno. Público e artista estavam em sintonia. Mike e os amigos pintaram a cara como Aladdin e foram ver David Bowie Ziggy Stardust ao Masonic Temple, onde renovaram os votos de uma paixão que parecia ser para sempre. Bowie era um ídolo, uma referência, um símbolo de que nada era impossível.

Mas, como em muitas histórias de amor... Existe um "mas".
Com os anos, Bowie mudara. A sua música também. Em 1977, já muito pouco do que ligara Bowie ao grupo de amigos de Mike se mantinha na sua música e a gota de água fora o lançamento do álbum "Low", no início desse ano.

Todos recordavam vivamente aquele fatídico dia, em que se juntaram na casa de Mike para ouvir "Low" pela primeira vez e que acabou com uma gigantesca queimada de discos laranja no seu quintal.
Que raio era aquilo, afinal? Um álbum de electronica? Um lado integralmente instrumental?
Para o grupo, ouvir "Low" era como espetar unhas em mármore não polido. O artista que outrora veneravam já não estava em sintonia com eles.

Mas para Mike, com este novo álbum tudo seria diferente.
Depois da recepção difícil de "Low", a editora de Bowie - a RCA - fez uma promoção agressiva ao seu novo álbum:

"There's Old Wave. 
There's New Wave. 
And there's David Bowie."


""Heroes"" (as duplas aspas são propositadas) estava a ser bem recebido pela crítica. O Melody Maker e a NME teciam loas ao "regresso à grande forma" de David Bowie. Bom sinal. Mike estava mesmo convencido que tudo seria diferente.

E assim, Mike colocou ""Heroes"" no gira-discos. O que ouviu foi isto:


“Anyone who's playing "Beauty And The Beast"... You know they get erections.”
Robert Fripp, guitarrista convidado de David Bowie para o álbum ""Heroes""


O disco começa a tocar e mal sai aquele "weeeunnn" da guitarra de Robert Fripp - aquela primeira nota distorcida, erótica, perigosa - Mike estava outra vez com a cabeça a andar à roda.
"What the f...."
Gostava de estar presente no quarto de Mike neste momento. Ver a cavalgada de emoções a galope na sua cara: da desilusão, ao fascínio; da estupefacção, à euforia.
Não era isto que ele estava à espera. Ainda não era desta que David Bowie finalmente ressuscitava Ziggy Stardust... Mas foi desta que Mike teve a epifania que lhe permitiu perceber o seu artista preferido: Bowie nunca mais iria ressuscitar Ziggy.
E no fim de contas, Mike estava bem com isso. Afinal de contas, também ele crescera.

Daí em diante, ""Heroes"" seria o álbum preferido do Mike. Já os amigos, estes passariam a odiar Bowie e tudo o que de novo fez; compraram calças à boca de sino e foram ao cinema ver o "Saturday Night Fever". Nunca mais falaram ao Mike. E no fim de contas, Mike estava bem com isso.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Scorpions - "We'll Burn The Sky"

"We´ll burn the sky, when it´s time for me to die!"



Nos idos anos 70, os Scorpions eram um animal (pun intended) bastante diferente.
Antes de ser domesticado no final dos anos 80 e vulgarizado no final dos anos 90, o escorpião era um animal selvagem, que espalhava o seu veneno pelas salas escuras dos 70's, um pouco por todo o Mundo.
Nesta altura, os Scorpions eram uma banda de culto; uma banda que tocava puro metal, do mais pesado e inventivo que se fazia então. Foi assim que ganharam uma visibilidade notável, principalmente se tivermos em conta que estavam fora dos pólos comerciais US / UK. É que é preciso lembrar que os Scorpions são uma banda alemã que em tempos triunfou em TODO o Mundo, sem excepção. A tocar metal e a cantar em inglês, não houve mercado que os Scorpions não dominassem, mais tarde ou mais cedo. Em suma, triunfaram a jogar fora de casa e submetendo-se às regras do mercado adversário.
É verdade que esse triunfo se deu em muitos lugares à custa da já referida domesticação a posteriori, mas não deixa de ser um feito notável.

A carreira dos Scorpions está nesta altura prestes a terminar (ou pelo menos é o que eles apregoam desde 2010, ano de lançamento do suposto álbum de despedida "Sting In The Tail") e a banda parece já correr em modo automático. Mas a História dos Scorpions já vai longa, remontando ao ano de 1965, ainda os The Beatles não tinham lançado "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", altura em que o jovem guitarrista Rudolph Schenker decidiu formar uma banda.
Porém, só em 1970 é que os Scorpions começaram a tomar a sua forma, quando o também guitarrista Michael Schenker (irmão mais novo de Rudolph) e o vocalista Klaus Meine se juntaram ao grupo. A banda procurou tocar num registo semelhante ao que os Led Zeppelin faziam na época, e em 1972 lançaram o seu primeiro álbum "Lonesome Crow".

Após o 1º álbum, Michael Schenker saiu e entrou Ulrich Roth (que mais tarde "internacionalizou-se" como Uli Jon Roth). Com esta troca, os Scorpions endureceram e assim encontraram o seu caminho. À medida que foram lançando sucessivos trabalhos de enorme qualidade, ganharam notoriedade no panorama europeu do metal, culminando na extraordinária sequência de álbuns "In Trance" / "Virgin Killer" / "Taken By Force" que, de 1975 a 1977, elevaram os Scorpions ao status de banda de metal internacional.

Foi aqui que os Scorpions atingiram aquele que foi, na minha opinião, o ponto mais alto de toda a sua carreira, com o fabuloso "We'll Burn The Sky". O tema foi escrito por Rudolph Schenker e a lírica foi emprestada por Monika Dannemann - última namorada de Jimi Hendrix, que após a sua morte se envolveu com Uli Jon Roth - que dedicou a Hendrix o poema que serviu de base à canção.

"I know we´ve never been apart, your love sets fire to my heart
We´ll burn the sky, when it´s time for me to die! We´ll burn the sky!"

Capitalizando o sucesso retumbante que tinham no Japão (à semelhança de outras bandas pesadas da época como os Queen e os Deep Purple), os Scorpions viajaram para a "Terra do Sol Nascente" para gravar o álbum ao vivo "Tokyo Tapes" em 1978 (os Deep Purple também já o tinham feito, com "Made In Japan"). O álbum documentava as últimas actuações ao vivo da banda com Uli Jon Roth, que já tinha anunciado a sua saída depois do lançamento de "Taken By Force".
"We'll Burn The Sky" aparece em "Tokyo Tapes" com um solo prolongado de Uli Jon Roth, dando-lhe a oportunidade para brilhar intensamente na sua despedida dos Scorpions.



Para substituir Uli Jon Roth, entrou Matthias Jabs, guitarrista que se mantém até hoje na banda. Com esta mudança, o registo dos Scoprions foi amolecendo a pouco e pouco, tornando a sonoridade da banda mais "amigável" e consequentemente, o sucesso nas tabelas foi aumentando.
Os álbuns de qualidade continuaram a suceder-se até a meados dos anos 80, mas quando surgiu "Love At First Sting" e os Scorpions encontraram o sucesso, o escorpião deixou em definitivo a selva e o animal nunca mais foi o mesmo...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Pink Floyd - "Pigs (Three Different Ones)"

«Pink Floyd de "Animals" a "The Wall" - Um muro ao fundo do túnel» (Parte 2)

Capítulo IV - Um porco na estrada

O nascimento de "Animals" foi um processo difícil e moroso, que deixou mazelas anímicas nos membros dos Pink Floyd, mas foi apenas o início: o início do fim.
Uma vez lançado o monstro para a rua, era preciso alimentá-lo, levá-lo à estrada. Mas isso, nesta altura do "campeonato", com os Pink Floyd no topo do Mundo, só poderia ser feito em larga escala. Assim, os Pink Floyd decidiram que, dando resposta à elevada procura em algumas cidades, estava na hora de sair do conforto das arenas e aí levar o seu espectáculo para grandes estádios.

A fome de sucesso (e de dinheiro) da máquina dos Pink Floyd era enorme, pelo que foi lançada uma campanha de promoção muito agressiva para a digressão de promoção a "Animals", enchendo páginas dos jornais com maior tiragem nos países que visitou. Embora o álbum não tenha sido comercialmente tão bem sucedido como os dois anteriores, os Pink Floyd bateram recordes de escala, de demanda e de vendas de bilhetes, esgotando arenas e estádios na Europa e nos EUA.
A procura era imensa e a ganância dos promotores ainda maior, de tal forma que, para fazer face à elevada demanda de bilhetes, as salas estavam muitas vezes claramente sobrelotadas. Foi o caso do Soldier Field Stadium em Chicago, para onde deveriam ter sido vendidos 67 000 bilhetes, mas foram na realidade emitidos mais de 95 000, lesando a banda em centenas de milhares de dólares.

"You're nearly a good laugh, almost a joker
With your head down in the pig bin saying 'Keep on digging'"



Dentro do espírito megalómano que já estava intrínseco a tudo o que os Pink Floyd faziam, a banda decidiu levar consigo Algie (em baixo, à esquerda), o grande ícone de "Animals" - um porco insuflável gigante, que flutuava sobre a audiência e se tornaria numa das imagens de marca da banda. Foi projectado um palco mais elaborado e foram ainda criados outros insufláveis, como a "Família Nuclear" (em baixo, à direita), para completar o cenário. Mas o que ficou para a História foi mesmo o porco insuflável, que passou a presença assídua nos concertos dos Pink Floyd e, mais tarde, de Roger Waters a solo.


E foi assim que nasceu a "In The Flesh Tour" (ou "Animals Tour"), que espalhou raiva e desdém pela Europa e os EUA fora, desde Janeiro a Julho de 1977, em 55 concertos.
Musicalmente e energicamente, a banda estava melhor do que nunca: coesa e confiante. Pela primeira vez desde 1972, foram dispensadas as backup singers, mas foi recrutado o guitarrista Snowy White (que já tinha estado nas gravações de "Animals"), bem como o saxofonista Dick Parry, que preenchiam a paisagem sonora da banda em palco.

A estrutura do espectáculo era fixa: no 1º Set, o álbum "Animals" completo, numa sequência diferente da original; no 2º Set, o álbum "Wish You Were Here" completo, na sequência original; nos encores, o normal era a banda tocar "Money" ou "Us And Them", do álbum "the Dark Side Of The Moon", embora nalgumas ocasiões tocassem os dois. Com a interpretação dos 2 últimos álbuns completos, muitas vezes reforçados por longas passagem de improviso, mais um encore (por vezes alargado), os espectáculos desta digressão foram uma demonstração de força dos Pink Floyd como "banda de palco", para além do espectáculo que os rodeava.
Embora as digressões anteriores já tivessem utilizado lasers, projecções e insufláveis, foi especialmente a partir daqui (começando com a digressão "The Wall Live" original), que os concertos dos Pink Floyd começaram a atirar os intérpretes da música para um plano quase "complementar" do espectáculo.

Por tudo isto e por ser a última digressão com maior "liberdade de improviso", a "In The Flesh Tour" é amplamente reconhecida como uma das mais memoráveis digressões da História dos Pink Floyd e ainda hoje é vista com saudade pelos fãs da banda. Mas esteve longe de ser uma digressão fácil. Começando pela escala monumental dos concertos.
Outrora intimistas e em salas pequenas, os concertos dos Pink Floyd eram agora um espectáculo teatral imenso - à imagem da megalomania de Waters - servido para dezenas de milhares de espectadores, onde a música representava apenas uma parte do entretenimento. O mais curioso é que quem estava a ter mais problemas em lidar com este novo paradigma, era o próprio Roger, cujo comportamento foi ficando sucessivamente mais agressivo, à medida que a digressão foi avançando.

As faíscas dentro da banda não tardaram a surgir e as relações entre os membros dos Pink Floyd foram-se deteriorando. Foi nos EUA que a situação piorou e a determinada altura, Richard Wright chegou mesmo a apanhar um avião para a Inglaterra, ameaçando deixar a banda a meio da digressão. Waters, mais uma vez ele, começou a isolar-se do resto da banda, chegando às salas sozinho e saindo imediatamente a seguir ao fim dos concertos. Para piorar, a sua nova namorada não se dava com Ginger Gilmour - a mulher de David na época (não eram só os homens que se davam mal...) e aí surgiu mais um ponto de discórdia entre os dois. Nesta altura, David Gilmour já não via futuro nos Pink Floyd, uma vez que já tinham atingido tudo o que sonharam e partir daí seria sempre a descer.

O ambiente estava muito difícil.
Quando finalmente chegaram as últimas noites da "In The Flesh Tour" em Julho, na Costa Leste dos EUA e Canadá, o copo transbordou.

Capítulo V - Um porco no estádio

Se é verdade que a "In The Flesh Tour" deve a sua especial mística à agressividade com os Pink Floyd interpretavam as suas músicas no palco, não é menos verdade que foi essa agressividade que matou a banda. Com ferros matou, com ferros morreu.
Roger Waters, sempre ele, era nesta altura a figura central da banda, quer como força criativa, quer como força anímica. O seu comportamento cada vez mais agressivo ao longo da digressão foi a faísca demasiado incandescente, que acabou por consumir a banda em lume forte, uns anos mais tarde. Até lá, Roger ainda foi a tempo de criar uma das maiores obras primas da História do Rock: "The Wall".
Grande parte do caminho pelo túnel tenebroso que levou Roger Waters ao muro de "The Wall" foi percorrido ao longo da "In The Flesh Tour" e terminou na noite de 6 Julho, no Estádio Olímpico de Montreal, a última data da digressão de "Animals".


Poucas noites antes, no Madison Square Garden em New York, Roger já tinha perdido a cabeça com os técnicos de luz, contratados localmente devido à greve dos técnicos da comitiva dos Pink Floyd. Dando-se conta da dificuldade em manusearem o equipamento da banda e acertarem com as luzes no palco, Roger mandou parar a banda e gritou: "I think you New York lighting guys are a fucking load of shit!".

Em plena era de rebentamento do punk, par uma banda de massas como os Pink Floyd, o público era um "bicho" difícil de lidar, para quem estava habituado às audiências mais contemplativas do início da década de 70.
Durante a digressão, especialmente nos concertos americanos, com audiências mais barulhentas, era frequente Waters insultar os espectadores das primeiras filas que não paravam de gritar nos temas mais calmos, bem como os que levavam petardos para rebentar na sala, desconcentrando a banda.
Na noite de 6 Julho, em Montreal, diante de aproximadamente 90 mil pessoas, Roger não aguentou mais. Um grupo de miúdos mais entusiasmados da fila da frente irritou Roger ao ponto de... já lá vamos.


Com a prática e a confiança acumulada ao longo da digressão (para além das já referidas tensões), o último concerto da "In The Flesh Tour" foi musicalmente muito forte. A banda mostrava forte coesão e durante os primeiros temas do álbum "Animals" ("Sheep", "Pigs on the Wing (Part I)" e "Dogs") tudo parecia correr dentro do normal em cima do palco. Fora dele... nem por isso. A audiência mostrava-se particularmente faladora e barulhenta, ouvindo-se uma série de petardos a rebentar, aqui e ali. Era impossível esperar que 90 mil pessoas se mantivessem quietas.



Quando chegou "Pigs on the Wing (Part II)", Roger Waters perdeu a paciência. Depois de tentar tocar os primeiros acordes do tema, por 3 vezes, na sua guitarra acústica, rebentou mais um petardo e Roger parou de tocar, dirigindo-se assim ao público:



"Aww, for fuck's sake, stop lettin' off fireworks and shouting and screaming, I'm trying to sing the song!
I mean, I don't care.. If you don't want to hear it, you know... Fuck you! I'm sure there's a lot of people here who do want to hear it. So why don't you just be quiet!
If you want to let your fireworks off, go outside and let them off there, and if you want to shout and holler, go and do it out there...
I'm trying to sing a song that some people want to listen to! I want to listen to it..."

Estava assim feita uma declaração de guerra à audiência, não só do Estádio Olímpico de Montreal, mas também de todos os concertos dos Pink Floyd. Pelo disparo de raiva contra o seu próprio público, como um pai para um filho mal comportado, percebe-se que Roger estava farto de tudo e tinha chegado ao seu limite.

A banda continuou, mas Roger não tinha ainda terminado de despejar a sua amargura no público de Montreal. Quando chegou "Pigs (Three Different Ones)", Roger cumpriu a profecia que o próprio lançara num verso do tema "Dogs", chocando a audiência, a banda e, principalmente, ele próprio. Durante a secção de improviso no final do tema, Roger chamou um dos fãs da fila da frente para cima do palco e cuspiu-lhe na cara. "Who was trained not to spit in fan", indeed.



É impossível dizer exactamente quando é que foi a cuspidela, mas pelo destempero que Roger mostra no fim do tema, percebe-se que perdeu o controlo e ficou perturbado com o que acabou de fazer. Depois de ter cuspido no rapaz, Roger grita:

"Come back pig! All is forgiven! Come on, boy!"
(assobia, como se estivesse a chamar um animal)
"Come on, son! YEEEAAAH"

Tudo o que se passa no palco ganha contornos ainda mais macabros com a música sinistra de improviso, de "Pigs (Three Different Ones)", que a banda está a tocar neste momento.

Este foi o momento de epifania de Roger Waters, quando chegou à conclusão que nada daquilo fazia sentido: "Afterwards I became really depressed and thought, ‘My God, what have I been reduced to?'"
No fim da noite, de volta ao quarto de hotel, Roger percebeu que a audiência era um perigo para ele, uma vez que o estava a alienar do Mundo real e, mais que isso, ele próprio se tornara um perigo para a audiência, como ficou demonstrado pela famosa cuspidela.
Foi desta ideia de perigo mútuo que Roger Waters formulou a ideia do muro, um muro que separasse a banda e a audiência, garantindo que ninguém fizesse mal a ninguém.
Foi esta a base de construção do muro, foi esta a origem da ideia por trás do álbum "The Wall".

Epílogo - Um muro...

Se é habitual ouvir que os álbuns dos Pink Floyd são uma viagem, eu diria que "Animals" nos leva para um túnel escuro, numa fábrica abandonada. Como a que vemos nas fotos que acompanharam a edição original do álbum, em vinyl. No fundo desse túnel, um muro: "The Wall".
Deixo a última palavra a Roger Waters:

"In the Old Days, pre-Dark Side of the Moon, Pink Floyd played to audiences which, by virtue of their size, allowed an intimacy of connection that was magical.
However, success overtook us and by 1977 we were playing in football stadiums. The magic was crushed beneath the weight of numbers. We were becoming addicted to the trappings of popularity.
I found myself increasingly alienated in that atmosphere of avarice and ego until one night in the Olympic Stadium, Montreal, the boil of my frustrations burst.
Some crazed teenage fan was clawing his way up the storm netting that separated us from the human cattle pen in front of the stage screaming his devotion to the demi-gods beyond his reach. Incensed by his misunderstanding and my own connivance, I spat my frustration in his face.
Later that night, back at the hotel, shocked by my behavior, I was faced with a choice. To deny my addiction and embrace that comfortably numb but magic-less existence or accept the burden of insight, take the road less traveled and embark on the often painful journey to discover who I was and where I fit.
THE WALL was the picture I drew for myself to help me make that choice."



quinta-feira, 5 de julho de 2012

Pink Floyd - "Dogs"

«Pink Floyd de "Animals" a "The Wall" - Um muro ao fundo do túnel» (Parte 1)

Prólogo - ...ao fundo do túnel

O álbum "The Wall" já foi assunto aqui no blog quando Roger Waters trouxe a Lisboa a sua megalómana digressão "The Wall Live", em Março de 2011.
Entretanto, Waters levou esse conceito uns passos mais além, expandido o espectáculo para uma escala ainda maior e levando-o a estádios um pouco por toda a América do Sul e do Norte. A digressão tem sido um sucesso retumbante, dando-lhe a visibilidade que lhe escapava desde que deixou os Pink Floyd, em 1985. De tal forma que o histórico baixista dos Pink Floyd foi entrevistado pela CBS, no popular programa "60 Minutes".

A história que vos quero contar (hoje numa primeira parte, que terá continuação mais tarde) explica qual é a origem da ideia por trás do icónico álbum dos Pink Floyd, um dos mais vendidos da História da música.

Mas para perceber a origem de "The Wall", temos que recuar até "Animals", mais precisamente até à noite de 6 de Julho de 1977, a última noite da lendária "In The Flesh Tour" - a digressão de promoção ao álbum "Animals". Mas já lá vamos.
Antes disso, atentemos no álbum "Animals", lançado em 1977, possivelmente o conjunto de temas mais agressivo de todo o catálogo dos Pink Floyd.

Capítulo I - Uma faísca perigosamente incandescente

Na ressaca do mega-sucesso dos álbuns "The Dark Side Of The Moon" (também um dos álbuns mais vendidos de sempre, ainda mais que "The Wall", ficando nas tabelas dos EUA durante mais de 15 anos (!!) consecutivos (!!!)) e "Wish You Were Here", os Pink Floyd estavam, em 1976, no topo do Mundo. No entanto, a gravação do álbum seguinte seria tudo menos pacífica.

Nesta altura, os Pink Floyd já tinham alcançado tudo o que poderiam sonhar, como artistas e como estrelas Rock. Desde o sucesso, primeiro localmente como banda de culto e depois internacionalmente como banda de massas, passando pelas vendas monumentais, a aclamação por parte da crítica, a enorme legião de fãs, que enchia estádios em toda a Europa e toda a América, o hedonismo e, como é óbvio... muito, muito, MUITO... dinheiro. Depois de tudo isto, já não havia muito mais que fazer para uma banda como os Pink Floyd, que neste momento já era um monstro fora do controlo de qualquer dos seus membros. A estes, restava continuar com o espectáculo.

O problema é que as tensões dentro dos Pink Floyd já faziam faíscas perigosamente incandescentes. À cabeça destes atritos, estavam as 2 questões clássicas que se levantam, sempre que se cria um monstro de popularidade: poder e dinheiro.
O dinheiro, apesar dos lucros obscenos que a banda apresentava, já começava a ser um problema, uma vez que em 1976, os Pink Floyd decidiram investir em capitais de alto risco, os quais fizeram a banda perder milhões de libras.
Já o poder, esse tinha um nome: Roger Waters.
Foi nesta altura que Waters começou a ganhar cada vez maior proeminência na banda. O novo álbum "Animals" tinha 5 faixas e com a excepção de "Dogs" (escrita com David Gilmour), todas as faixas foram escritas por Roger Waters, sendo a primeira vez que Richard Wright não contribui com qualquer tema num álbum dos Pink Floyd. "Pigs on the Wing", um curto tema acústico, foi dividido em dois, de modo a abrir e fechar o álbum. Porém, como as royalties (dividendos por direitos de autor) eram distribuídas de acordo com o número de faixas e não com a duração das mesmas ("Dogs" ocupava o Lado 1 praticamente todo), Waters recebia muito mais dividendos que Gilmour. Poder e dinheiro, portanto.

Capítulo II - O Triunfo dos Porcos

""Animals" was a slog. It wasn't a fun record to make, but this was when Roger really started to believe that he was the sole writer for the band. He believed that it was only because of him that the band was still going, and obviously, when he started to develop his ego trips, the person he would have his conflicts with would be me."

Richard Wright

A verdade é que Roger Waters era, de facto, a grande força criativa da banda. Pelo menos no que concerne ao lado conceptual. Tal como tinha sucedido com "The Dark Side Of The Moon", também "Animals" nasceu de uma ideia de Roger Waters: fazer um álbum conceptual baseado na obra "Animal Farm" (em português: "O Triunfo dos Porcos") de George Orwell.
"Animal Farm" é uma fábula politico-social, onde as várias classes da sociedade são equiparadas a diferentes espécies de animais: os cães, como forças de combate (exército); os porcos, como forças dominantes, déspotas e cruéis (classe política); as ovelhas, como seguidores cegos e acéfalos das forças dominantes (o povo).
Na alutra do seu lançamento, o livro de Orwell serviu como uma crítica ao Comunismo (mais precisamente o Estalinismo, em vigor na URSS), mas Waters usa as mesmas alegorias para desconstruir a sociedade capitalista em que vivia. Ao comparar a condição humana à de meros animais de quinta, Waters pretendia pôr a nu a dissolução moral e social da sociedade de então.
Sendo o capitalismo e o comunismo duas doutrinas teoricamente antagónicas, não deixa de ser curioso que as mesmas metáforas encaixem que nem uma luva na crítica a qualquer uma delas.

"Animals" é um álbum duro, raivoso, revoltado. Um álbum que bebeu a sua inspiração da raiva e da revolta que os membros dos Pink Floyd sentiam na época, seja em relação à sociedade (Waters), seja uns pelos outros. Estes sentimentos estão bem patentes ao longo de todo o álbum, quer na lírica e na forma irada como Roger e David cantam, quer na música e na forma furiosa como os Pink Floyd a tocam.
Ouçam os solos de David Gilmour em "Dogs" e no final de "Sheep" e digam-me se ele não estava fod**** da vida quando os tocou em estúdio. David vivia um dos momentos mais inspirados da sua carreira e, neste caso, não importa se a sua inspiração veio do (eterno) conflito/rivalidade que mantinha com Roger Waters, ou do nascimento do seu 1º filho. O que importa é o que ouvimos e o que ouvimos é fabuloso. Se é recorrente ouvirmos que Gilmour faz a guitarra falar, em "Animals" a guitarra de Gilmour fala alto e... com palavrões.

"It's too late to lose the weight you used to need to throw around.
So have a good drown, as you go down, all alone, dragged down by the stone."



Para materializar o álbum conceptual baseado em "Animal Farm", os Pink Floyd pegaram em 2 temas de 1974, deixados de fora de "Wish You Were Here", e desenvolveram-nos para a temática do álbum. Os temas em questão são "Raving and Drooling" e "You Gotta Be Crazy", peças longas já conhecidas pelo público que assistiu a qualquer concerto da digressão de promoção a "Wish You Were Here". "Raving and Drooling" deu origem a "Sheep" e "You Gotta Be Crazy" foi rebaptizado e reformulado para "Dogs", a única composição de David Gilmour (conjuntamente com Roger Waters) em "Animals".
"Dogs" e "Sheep" foram separados por "Pigs (Three Different Ones)" - um tema novo de Roger Waters - e, como referi em cima, a curta peça acústica "Pigs On The Wing" abria e fechava o álbum. Estava assim feito mais um álbum "à Pink Floyd", com apenas 5 temas, sendo que as duas partes de "Pigs On The Wing" não chegavam a 2 minutos e meio.

O tema que aqui deixo hoje é "Dogs", um dos temas mais furiosos deste álbum. Aqui ouvimos a receita para a criação de um bom homem de negócios, um homem que triunfe num mundo de porcos. Para tal, este homem deve estar sempre de sobreaviso em relação aos colegas, ser obediente à chefia (qual cão amestrado), não ter amigos e estar sempre preparado para lhes "espetar a faca".

"You have to be trusted by the people that you lie to, so that when they turn their backs on you, you'll get the chance to put the knife in"

Capítulo III - Um porco a voar

Apesar de não ter sido comercialmente tão bem sucedido como os seus antecessores, o álbum "Animals" deixou uma marca iconográfica indelével na cultura Rock. E isso deve-se a Algie (o porco a voar), à Battersea Power Station em Londres e a uma fotografia sublime, que ficará para sempre como uma das melhores capas de um álbum na História do Rock.


Sombrio e intrigante. Fabuloso.
Lembro-me perfeitamente de, quando miúdo, olhar para a capa do vinyl do meu Pai e ficar assustado. Era uma mistura de sensações sui generis: por um lado, intrigado com o porco a voar junto às chaminés, por outro estarrecido com o poder sombrio desta imagem. Assustava-me, mas eu tinha que olhar. Uma atracção fatal.

A ideia do porco a voar sobre a Battersea Power Station foi também de Roger Waters. Nessa época, Roger passava pela estação regularmente e terá achado que aquela era uma imagem muito forte. E com razão.

"I’d always loved Battersea Power Station, just as a piece of architecture. And I thought it had some good symbolic connections with Pink Floyd as it was at that point:

A) It was a power station, that’s pretty obvious.
B) It had four legs. If you inverted it, it was like a table. And there were four bits to it, representing the four members of the band. But it was upside down, so it was like a tortoise on its back — not going anywhere, really.
I had already started thinking about using inflatables during a live show. Parachuting sheep and floating pigs and all of that. And so I thought why not combine the ideas for the live show with this symbol of a decaying rock group, and put them together? Added to all that, kind of simple stuff about pigs flying, the unlikely nature of that."

Roger Waters

Ainda mais forte, era a primeira ideia de Roger para a capa de "Animals": um rapaz a entrar no quarto dos seus pais, de urso de peluche na mão, apanhando-os a fazer sexo. Segundo Roger: "copulating, like animals!"
Felizmente para nós e para a banda, a ideia que vingou foi a do porco a voar sobre a estação.


O porco original, ao qual foi dado o nome de Algie, foi projectado por Waters e construído em Dezembro de 1976, com mais de 12 metros de comprimento. A ideia era fazer subir o porco a meia-altura das chaminés da estação, fotografar e fazê-lo descer. Para o caso do porco se soltar, os Pink Floyd contrataram um sniper para atirar sobre o insuflável e assim evitar que este voasse, literalmente, sobre os céus de Londres. Com tudo pronto, faltava apenas pôr a ideia em prática.
Porém, a tarefa não se revelou nada fácil. A sessão fotográfica prolongou-se ao longo de 3 penosos dias, em que tudo parecia correr mal.
No 1º dia, com o sniper preparado, e o céu ameaçador, o cenário foi fotografado, mas o porco não subiu.
No 2º dia, o porco subiu, mas uma rajada de vento forte soltou-o das chaminés e, por azar, tinham-se esquecido de avisar o sniper para regressar no 2º dia. Assim, o porco voo mesmo, desaparecendo no horizonte até se atravessar na rota aérea de alguns aviões que iam aterrar no Aeroporto de Heathrow, levando ao cancelamento de vários voos. O porco acabaria por aterrar numa quinta em Kent, a aproximadamente 100 km de distância de Battersea.
O porco foi assim recuperado e reparado para o 3º dia de sessão fotográfica, em que finalmente se conseguiu a tão desejada fotografia. No entanto, neste dia o céu estava azul, faltando-lhe a personalidade que tinha, por exemplo, no 1º dia.
Desta forma, a capa do álbum acabou por ser uma montagem do cenário do 1º dia, com o porco do 3º dia.

O céu escuro e ameaçador na capa de "Animals" reflecte aquilo que ouvimos no álbum. É um casamento perfeito entre a imagem e a música.

P.S.: O próximo post vai continuar a história de "Animals" e fazer a ligação à origem de "The Wall". O mote é uma frase do tema "Dogs", que podemos ouvir em cima:

"Who was trained not to spit in the fan"


Edit : Parte 2 aqui.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Pink Floyd - "Pigs on the Wing (Part I)"

"If you didn't care what happened to me...
And I didn't care for you..."




Quando surgiu a ideia de criar este blog já tinha, à partida, uma lista mental com meia dúzia de histórias que queria contar. Volvidos quase 2 anos e mais de 100 posts depois, algumas das histórias que encabeçavam a minha lista ainda estão enigmaticamente à espera.
Amanhã, vou contar uma delas.

Amanhã, vão voar porcos na Escolha musical do dia.

"Watching for pigs on the wing"

domingo, 22 de abril de 2012

Elton John - "Are You Ready For Love"

"Are you ready, are you ready for love? Yes I am!"




"I'll write a symphony, just for you and me, if you let me love you!"

Hoje termino a Semana Elton com o 5º e último tema que "ninguém ouviu" de Elton John e mais um dos que fazem dele muito mais do que aquilo que é ventilado na nossa paupérrima imprensa. Aliás, depois de ouvir estes 5 temas (e tantos outros de que queria falar, mas que terão que ficar para próximas oportunidades), isso nem deveria ser posto em causa.

O tema que aqui deixo é este uplifting "Are You Ready For Love", mais uma incursão de Elton por terrenos desconhecidos.
"Are You Ready For Love" é um dos temas resultantes das Thom Bell Sessions, gravado por Elton John na segunda metade de 1977. Mas já lá chegaremos.

Entre o lançamento do álbum "Elton John" em 1970 e de "Blue Moves" em 1976, Elton John cumpriu uma esgotante rotina de 2 álbuns por ano (!!), com infindáveis digressões pelo meio.
Estúdio / Estrada / Estúdio / Estrada... e por aí fora. Durante 6 anos, Elton foi exprimido até ao tutano e isso teve um reflexo natural na qualidade do seu trabalho.

Chegado a 1977, Elton estava decidido a mudar a sua rotina e a procurar outras formas de trabalho. Nesse sentido, influenciado pelo sempre absorvente paradigma americano, Elton decidiu ir ao Soul procurar inspiração, tal como David Bowie tinha feito em 1975 (sem grande sucesso comercial) no seu álbum "Young Americans".
Para isso, Elton deixou a sua banda, bem como Bernie Taupin e o seu produtor Gus Dudgeon e chamou o lendário compositor e produtor R&B Thom Bell.
Nasciam assim as Thom Bell Sessions.

O problema é que Elton não se sentiu confortável com os métodos de trabalho de Thom Bell e a relação entre ambos rapidamente fez fricção. Embora Elton estivesse entusiasmado com a ideia de trabalhar no registo do Philadelphia Soul, as sessões foram abortadas antes que se conseguisse angariar material suficiente para um álbum.

Elton ficou desolado com esta primeira tentativa falhada de afastamento do seu registo habitual e em Novembro de 1977 anunciou, pela primeira vez, a sua decisão de se retirar dos palcos. Essa seria apenas a primeira de muitas vezes que Elton tomaria tal decisão, mas como sabemos hoje, tal nunca teve resultados práticos.

Mas nem tudo foi perdido nas Thom Bell Sessions.
Durante as gravações com Thom Bell em Seattle, ainda houve tempo para produzir 6 faixas, 3 delas lançadas em em Junho de 1979, no EP "The Thom Bell Sessions".
Para além disso, Elton revelaria mais tarde que Thom Bell foi a premeira pessoa que lhe deu lições de colocação de voz, encorajando-o a cantar num registo mais grave, algo novo para Elton e que podemos ouvir perfeitamente nas faixas resultantes destas sessões.

No EP "The Thom Bell Sessions" podemos encontrar a "versão original" de "Are You Ready For Love" (numa versão que atinge os 8 minutos e meio!), o single "Mama Can't Buy You Love" (que chegou ao Top 10 nas tabelas americanas) e o tema "Three Way Love Affair". Todos os temas foram compostos pela super-equipa Soul LeRoy Bell / Thom Bell / Casey James.


Curiosamente, "Mama Can't Buy You Love" tinha sido rejeitado pela editora em 1977, quando Elton propôs o tema para single. Só em 1979, numa fase muito menos profícua de Elton, é que estes temas viram a luz do dia.

Só mais de 10 anos depois das gravações originais, em 1989, é que a editora MCA decidiu reunir todo o material resultante das Thom Bell Sessions, num CD com as 6 faixas adequadamente intitulado "The Complete Thom Bell Sessions".


Note-se que a "versão original" (incluída no EP de 1979) e a baptizada "versão longa" (incluída no álbum "The Complete Thom Bell Sessions") de "Are You Ready For Love" têm a mesma duração, mas são resultados de misturas diferentes. Em baixo, podemos ouvir a "versão longa", onde Elton partilha a voz com os The Spinners:



Os anos passaram e algumas das faixas das Thom Bell Sessions nunca puderam ter o reconhecimento que mereciam. Primeiro devido aos conflitos entre Elton John e Thom Bell, depois devido à intransigência da MCA em lançar um tema de Elton fora da sua praia e culminando num esquecimento generalizado, temas como "Are You Ready For Love" e "Mama Can't Buy You Love" passaram sempre ao lado do mainstream. Até 2003.


No ano de 2003, 26 anos depois das Thom Bell Sessions, "Are You Ready For Love" foi remisturado por Ashley Beedle e lançado em Single. O tema teve finalmente a atenção que merecia, atingindo o primeiro lugar nas tabelas do Reino Unido, a última vez que tal aconteceu até hoje.
Este é o vídeo que acompanhou o single de 2003 e que eu apanhei em alta rotação no VH1, nos anos dourados do cabo.


Are You Ready For Love? - Elton John

danny bailey | Myspace Video


A referida "versão original" é bastante rara (para além do EP de 1979, só pode ser encontrada num single promocional de 2003) e apresenta apenas Elton na voz. Em baixo, podemos ver um vídeo com a equipa das Thom Bell Sessions, numa audição da "versão original" de "Are You Ready For Love".



"Catch a star, if you can, wish for something special... Let it be me, my love is free..."

domingo, 21 de novembro de 2010

Bruce Springsteen - "The Promise" (I)

"When the promise was broken, I cashed in a few of my own dreams"
"A promessa". "A promessa" é um tema que fala de uma história de desilusão, traição e isolamento. É um tema que descreve a situação que Bruce Springsteen passava naquela altura.

Quem quebrou "a promessa" foi Mike Appel, o manager de Bruce Springsteen na época. Em 1972, Mike deu a assinar a Bruce um contrato, que estipulava que este recebesse uma ínfima parte dos direitos de autor das suas músicas e que os direitos de publicação fossem exclusivamente da editora. Reza a lenda que este contrato foi assinado por Bruce Springsteen num parque de estacionamento em New Jersey, sem sequer o ler.

Só em 1976, quando Bruce Springsteen decidiu que Jon Landau estivesse envolvido nas suas decisões artísticas e Landau aconselhou-o a analisar este documento, Bruce se apercebeu do que tinha feito. Na sequência, Bruce despede Mike Appel e dão início a uma longa batalha jurídica que se arrastou pelos tribunais até 1977, sem que Bruce pudesse voltar ao estúdio, uma vez que Mike o tinha impedido de gravar com Landau.

"When the promise was broken I was far away from home, sleeping in the back seat of a borrowed car"
"A promessa". "A promessa" não só é um dos melhores temas que Bruce Springsteen nunca lançou (e são muitos), como também é dos momentos mais brilhantes da carreira de Bruce. Um momento tão brilhante e ao mesmo tempo tão pessoal, que Bruce tinha receio de o submeter ao juízo do público e da crítica. Medo esse que, em boa verdade, nunca terá perdido, uma vez que mais de 30 anos depois do lançamento do álbum, a versão mais aclamada deste tema continua sem ver a luz dia, em forma oficial:



"I followed that dream just like those guys do up on the screen"

A performance vocal de Bruce Springsteen neste take específico é tão profunda e tão emocional, que consegue materializar o sentimento de desilusão como nenhum outro tema que eu já ouvi. E parece-me que foi o seu cunho pessoal na interpretação do tema, que o impediu de lançar este take nas várias oportunidades que teve ao longo dos anos.

Vejamos: em 1978, Bruce deixa "The Promise" de fora do álbum "Darkness On the Edge of Town", muito embora este tema se encaixe na perfeição no espírito do álbum. Em 1998, Bruce deixa-o de fora da caixa "Tracks", a qual pretendia reunir em 4CD, os melhores temas de Bruce que tinham ficado de fora dos álbuns. Em 1999, pressionado pelos fãs que ficaram surpreendidos com a exclusão de "The Promise" da caixa, Bruce lança finalmente o tema em "18 Tracks", uma compilação com o melhor de "Tracks". No entanto, Bruce volta a surpreender, ao lançar uma regravação de 1999, excluindo os vários takes existentes no arquivo, de 1976 a 1978. Esta regravação é nomeada para um Grammy, mas voltou a não deixar os fãs satisfeitos. Finalmente, em 2010, Bruce lança um duplo álbum com os melhores temas gravados entre 1976 e 1978, que ficaram de fora de "Darkness On the Edge Of Town". A compilção chama-se "The Promise" e finalmente é incluído um take gravado na época. Mas ainda não não foi desta que "o take" que os fãs querem viu a luz do dia.



"We're gonna take it all and throw it all away"

domingo, 31 de outubro de 2010

Peter Gabriel - "Solsbury Hill"

"Grab your things, I'm gonna take you home"



Em 1975, Peter Gabriel era o vocalista dos Genesis e o responsável pela aposta em níveis de teatralidade nunca antes vistos no Rock.

Após a digressão do álbum "The Lamb Lies Down On Broadway", os Genesis eram uma banda de referência na cena do Rock Progressivo e começavam a ganhar um estatuto mais ambicioso do que uma banda de culto, de um género musical pretensioso.

É nesta altura que Peter Gabriel decide abandonar a banda, em busca de uma carreira mais calma, com mais liberdade criativa, sem as tensões da ligação a uma banda e com mais tempo para a família.

"Solsbury Hill" é o single de estreia da sua carreira a solo e o seu primeiro e único êxito durante muito tempo (mais exactamente até 1986 e o álbum "So").


O tema fala de uma decisão de mudança de vida e do nervosismo que daí advém ("My heart going boom boom boom"). No caso de Peter Gabriel, explica as razões que o levaram a sair dos Genesis.