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terça-feira, 27 de novembro de 2018

George Michael & Elton John - "This Kind Of Love" (Bento Mix)

"You just have to believe in this kind of love"
"THIS KIND OF LOVE" - O DUETO PERDIDO DE GEORGE MICHAEL E ELTON JOHN



Em 1993, depois do cancelamento do projecto "Listen Without Prejudice Vol. 2" e em pleno conflito com a Sony, George decidiu que queria escrever para outros artistas para não dar dinheiro à sua editora. Fez então um acordo com a Warner Bros e conseguiu 1 milhão de dólares para a sua nova ideia. O projecto, de nome "The Trojan Souls", evoluiu para um álbum de duetos com artistas de nomeada como Elton John, Sade, Seal, Janet Jackson, Stevie Wonder, Aretha Franklin e Bryan Ferry.

O álbum prometia ser um instant hit, mas a morte do seu namorado Anselmo Feleppa devastou o nosso George de tal forma, que o projecto foi abandonado por completo. Pelo meio, ficaram algumas faixas quase completas, outras em versão instrumental, mas nenhuma terminada e misturada para lançamento.

Nos anos mais recentes, estas faixas inacabadas apareceram na internet e David Austin, amigo de George, já explicou que isto se deve ao facto das masters terem desaparecido, o que inviabiliza que este projecto alguma vez se materialize. Por exemplo, a faixa "This Kind Of Love" era suposto ser um dueto com Elton John, mas o que existe na net são dois takes vocais separados, um de George e um de Elton.

Uma vez que o próximo London Calling dará pelo nome de "Something To Save - As canções perdidas de George Michael" e como o próprio nome indica, terá como objectivo dar a conhecer ao mundo algumas das canções menos conhecidas de George, fui a caça do que restava de "The Trojan Souls". Sabendo da existência destas preciosidades, procurei na net uma versão do dueto que combinasse os dois take vocais de George e Elton e que alguém já tivesse remisturado, para incluir no programa. Não encontrei.

Decidi então que eu próprio tinha que pôr as mãos à obra e dar ao mundo o dueto nunca ouvido entre George Michael e Elton John. E eis que com os meus limitados skills de mixer e ainda mais limitada disponibilidade, em duas horas fiz aquilo que podem ver como uma amostra do que poderia ter sido "The Trojan Souls".

Senhoras e senhores, pela primeira vez na história, eis "This Kind Of Love" (Bento Mix), o dueto de George Michael e Elton John.

Legenda:
George Michael
Elton John
George & Elton


George Michael & Elton John - "This Kind Of Love" (Bento Mix)

You don't have to think about it
You don't have to do without it
Just have to believe
In this kind of love

You don't have to be so scared
You don't have to hide that you care
You just have to believe
In this kind of love

Everybody's telling me that these are dangerous times
But you and me, can't you see baby?
Maybe we have better take a little care with this love

Oh I know
Cause I can't be happy without you
Then I'll be the one

Now that I've found you
Now that I've found you
Now that I've found you

I don't have to hold you down
I don't need to push you around 
I just want you to be
This kind of love

And if someone hurt you before
Can't you see, all that I wanna give you much more
Just have faith in me  
This kind of love   

Everybody's telling me that these are dangerous times
For you and me, can't you see baby?
People got to take a little bit of care when they got doubt
Don't let it go, no, never, no

And all I know
I have no reason to doubt you
Don't you think it's time to believe in someone?
So I'm telling you

Now that I've found you
Now that I've found you
I can't let you go
Found you

Nobody's perfect, we all have a past
When you look at me
How can you ask if I love you?
Is it so hard to see?
Now everyone has to get older I know
But this empty house seems to get colder and colder
So, won't you stay here with me?

And all I know is
I have no reason to doubt you
Don't you think it's time to believe in someone?
So I'm telling you

Now that I've found you
Now that I've found you I can't let you go
Found you


Escusado será dizer que é muito difícil conter o meu entusiasmo com o programa que aí vem.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Elton John – "Sixty Years On"

"I've no wish to be living sixty years on"



"The next song we're gonna do holds a great deal to the arrangement by Paul Buckmaster. This is called 'Sixty years On'"
Elton John live at the BBC


Reavivo o blog para uma homenagem que me obrigo a fazer.

Hoje perdemos mais uma lenda – o grande Paul Buckmaster. "Quem?", perguntarão os mais incautos.
Paul foi o responsável pelos arranjos orquestrais dos primeiros álbuns de Elton John e um dos principais obreiros da superlativa discografia do seu início de carreira e até, por que não, do big break do próprio Elton John.

Elton nunca se coibiu de sublinhar a importância de Paul na sua música (como podemos ouvir em cima numa performance para a a BBC), ao ponto de vermos Paul listado como membro da banda nos primeiros álbuns. Pela minha parte, que amo com toda a força "Elton John" e "Tumbleweed Connection" – álbuns que me fizeram companhia quando morria de saudades de casa quando vivia na Polónia –, tenho a perfeita noção que se não fosse por Paul, a música que eu amo não teria sido a mesma.

"Space Oddity" foi a primeira vez que Paul Buckmaster apareceu num grande hit. Ganhou nome e daí saltou para os discos de Elton John (que já era grande fã de Bowie, ainda antes de ele ter sucesso). Depois ganhou reconhecimento tal, que lhe permitiu fazer música com centenas de artistas nas décadas seguintes, entre eles os Rolling Stones, os Guns N' Roses e mais recentemente, os Tears For Fears, no magnífico "Secret World". A ele se deve muito do feeling épico do tema.

Mas ainda não ouvimos tudo da obra de Paul Buckmaster. Ficou a faltar ouvir a banda sonora original que Paul produziu com Bowie para o filme "The Man Who Fell to Earth", cancelada à última hora por falta de tempo de Bowie. Só posso imaginar a obra prima que ali pode estar.

Fica a minha homenagem ao eterno Paul Buckmaster, sem o qual a minha vida teria sido um bocadinho menos feliz.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Elton John vs Pnau - "Sad"

"Sad... So sad..."



Quando soube que Elton John iria lançar um álbum de remisturas produzidas por um duo de música electrónica, confesso que a minha primeira reacção foi torcer o nariz. Geralmente, não sou apreciador de remisturas. Em primeiro lugar, porque desvirtuam a essência criativa do tema original. Depois, porque esta violação é normalmente feita em virtude de uma componente "dançável", que possa promover a reprodução do tema nas pistas de dança. O que costuma sair destas remisturas electrónicas é um híbrido que não funciona para os seguidores do artista original, nem para os apreciadores da música electrónica. Com algumas excepções, é isto.
Objectivamente, a função das remisturas (falo, obviamente, daquelas que são promovidas pelos próprios artistas originais e habitualmente lançadas nos singles) é comercializar os seus temas noutros mercados, que não o do seu target mais óbvio. Dessa (absurda) necessidade, às vezes saem verdadeiras hecatombes, como o caso da versão de Wycleaf Jean de "Another One Bites The Dust" dos Queen. (Por respeito a mim mesmo, não coloco aqui o link desse assassinato musical. Se quiserem, procurem vocês por vossa conta e risco...)

Voltando a Elton, a História reza que em 2007, enquanto estava preso no trânsito em Sydney, Elton ouviu na rádio "Wild Strawberries" - tema do duo electrónico Pnau, retirado do álbum baptizado com o nome da banda - e o tema chamou a sua atenção. Ao ouvir o restante álbum, Elton proclamou que "aquele era o melhor álbum que ouvira nos últimos 10 anos" e ofereceu aos Pnau um contrato discográfico. A colaboração entre ambos começou no álbum de 2008 dos Pnau "Soft Universe", um álbum com forte input de Elton. Mas Elton tinha guardado para os Pnau um projecto bem mais ambicioso.

O projecto foi desvendado na semana passada e dá pelo nome de "Good Morning To The Night" - um álbum de mashups de temas de Elton John, gravados entre 1970 e 1976. E é um trabalho notável. Mas já lá vamos.
Primeiro, vou ter que sublinhar uma diferença fundamental que faço entre um remix e um mashup: enquanto que o primeiro se limita a "dar uma nova cara" a um determinado tema (eventualmente adicionando alguns elementos novos, mas partindo sempre com base num tema), o segundo combina elementos de diversos temas e resulta num tema completamente novo. Atenção que isto não são são definições semânticas absolutas, são apenas as minhas.

Um álbum de mashups de um grande artista Rock não é uma coisa completamente nova. Já em 2006, os The Beatles (os que ainda estão vivos, mais as famílias dos que já não estão) concordaram com a utilização das fitas multipistas para a criação de "Love" - um álbum de trabalhos totalmente novos, produzidos exclusivamente a partir das gravações originais da banda, com uma única excepção: os arranjos orquestrais em "While My Guitar Gently Weeps". Totalmente novos... ou quase.
Em "Love", os The Beatles jogaram pelo seguro. O álbum foi compilado com um objectivo concreto: servir de banda sonora para o espectáculo "Love" do Cirque de Soleil e quem fez as remisturas foi Sir George Martin - o lendário produtor da banda - e Giles Martin - o seu filho. O resultado foi muito interessante, com novos elementos a sobressaírem de temas que já conhecíamos, com passagens inesperadas feitas por snippets de outros temas, mas com muito poucos riscos assumidos. Curiosamente, "Love" resulta melhor onde os Martin arriscam mais, nomeadamente na passagem de "Being for the Benefit of Mr. Kite!" para o solo final de "I Want You (She's So Heavy)", acompanhado pelos berros de Paul McCartney em "Helter Skelter". Fabuloso. A linha "and tonight Mr. Kite is topping the bill" passou a ser um dos grande momentos da discografia dos The Beatles e não foi ideia de nenhum dos quatro.

O caso de Elton é completamente diferente. O risco aqui é assumido, em jeito de mergulho profundo, como Elton tão bem sabe fazer. Não é ao acaso que a sua carreira é marcada por quase tantos falhanços estrondosos, como por sucessos. Mas isso só acontece porque Elton arrisca e quando o faz, joga tudo. Neste caso, jogou brilhantemente.
Sem meias medidas, Elton deu aos Pnau livre acesso ao seu filão de ouro: o reportório gravado entre 1970 e 1976. Os Pnau evitaram a tentação dos êxitos e ao invés pegaram em temas menos conhecidos do catálogo de Elton, dissolvendo-os em várias matrizes completamente novas. O resultado foram 8 temas surpreendentemente originais, que combinam numa medida idílica a magia das gravações clássicas de Elton, com a face moderna da música electrónica, que assenta que nem uma luva às pistas de dança.
O tema-título "Good Morning To The Night" já é um êxito e o álbum teve uma ascensão meteórica ao 1º (primeiro!) lugar da tabelas de álbuns no Reino Unido. Isto marca "apenas" a primeira vez que Elton lidera esta tabela com um álbum de originais em 23 anos, desde "Sleeping With The Past" de 1989. Depois disso, só mesmo a compilação "The Very Best Of" de 1990 chegou ao topo das tabelas britânicas. Incrível.

Na generalidade, apesar de utilizarem elementos de vários temas (até um máximo de 9 (!!) em "Phoenix"), cada tema de "Good Morning To The Night" toma como inspiração um determinado tema. Por exemplo, "Good Morning To The Night" parte de uma linha de "Mona Lisas And Mad Hatters"; "Sad" serve-se do lamento "so sad..." de "Sorry Seems To Be The Hardest Word" como punchline de um tema Chill-Out; "Phoenix" pega numa linha de "Grey Seal" ("If the Phoenix bird can fly, then so can I"), sem nunca chegar ao refrão; "Telegraph To The Afterlife" parte do "Hello, baby hello" de "Harmony" para um tema psicadélico, a fazer lembrar os Pink Floyd. Mas mesmo nestes casos, os elementos originais estão tão difusos na matriz do tema novo, que tudo ganha nova vida.
É esta a chave de "Good Morning To The Night": os Pnau deram mesmo nova vida a Elton John. E a partir daqui, tudo é possível. Arrisco a dizer que este álbum, ao estar a tornar-se num caso de sucesso, pode abrir muitas portas para o mundo novo dos mashups.

Elton John nas pistas de dança? Ouçam o álbum "Good Morning To The Night" com os vossos próprios (descomplexados) ouvidos e digam de vossa justiça.
O álbum que mais me surpreendeu este ano e até ver, a minha banda sonora do Verão.


Em baixo fica a lista completa dos elementos utilizados pelos Pnau em cada tema de "Good Morning To The Night":

1. "Good Morning To The Night"
Contém elementos dos seguintes temas:
"Philadelphia Freedom"
"Mona Lisas and Mad Hatters"
"Funeral for a Friend"
"Tonight"
"Gulliver / Hay Chewed"
"Sixty Years On" ("Live in Australia")
"Goodbye Yellow Brick Road"
"Someone Saved my Life Tonight"



2. "Sad"
Contém elementos dos seguintes temas:
"Nice and Slow"
"Crazy Water"
"Curtains"
"Sorry Seems To Be the Hardest Word"
"Friends"

3. "Black Icy Stare"
Contém elementos dos seguintes temas:
"Cold Highway"
"You’re So Static"
"Solar Prestige a Gammon"

4. "Foreign Fields"
Contém elementos dos seguintes temas:
"Pinky"
"Someone Saved My Life Tonight"
"High Flying Bird"
"Sweet Painted Lady"
"Cage the Songbird"
"Chameleon"

5. "Telegraph to the Afterlife"
Contém elementos dos seguintes temas:
"Harmony"
"We All Fall in Love Sometimes"
"Funeral for a Friend"
"Sweet Painted Lady"
"I've Seen That Movie Too"
"Love Song"
"Indian Sunset"

6. "Phoenix"
Contém elementos dos seguintes temas:
"Grey Seal"
"Are You Ready for Love"
"Bennie and the Jets"
"Someone Saved My Life Tonight"
"Where to Now St Peter?"
"Love Lies Bleeding"
"Border Song"
"Country Love Song"

7. "Karmatron"
Contém elementos dos seguintes temas:
"Madman Across The Water"
"Funeral for a Friend"
"Stinker"
"The Ballad of Danny Bailey (1909-1934)"
"Tonight"
"One Horse Town"
"Screw You"

8. "Sixty"
Contém elementos dos seguintes temas:
"Sixty Years On"
"Sixty Years On" ("Live in Australia")
"Sixty Years On" ("17-11-70")
"Indian Sunset"

domingo, 22 de abril de 2012

Elton John - "Are You Ready For Love"

"Are you ready, are you ready for love? Yes I am!"




"I'll write a symphony, just for you and me, if you let me love you!"

Hoje termino a Semana Elton com o 5º e último tema que "ninguém ouviu" de Elton John e mais um dos que fazem dele muito mais do que aquilo que é ventilado na nossa paupérrima imprensa. Aliás, depois de ouvir estes 5 temas (e tantos outros de que queria falar, mas que terão que ficar para próximas oportunidades), isso nem deveria ser posto em causa.

O tema que aqui deixo é este uplifting "Are You Ready For Love", mais uma incursão de Elton por terrenos desconhecidos.
"Are You Ready For Love" é um dos temas resultantes das Thom Bell Sessions, gravado por Elton John na segunda metade de 1977. Mas já lá chegaremos.

Entre o lançamento do álbum "Elton John" em 1970 e de "Blue Moves" em 1976, Elton John cumpriu uma esgotante rotina de 2 álbuns por ano (!!), com infindáveis digressões pelo meio.
Estúdio / Estrada / Estúdio / Estrada... e por aí fora. Durante 6 anos, Elton foi exprimido até ao tutano e isso teve um reflexo natural na qualidade do seu trabalho.

Chegado a 1977, Elton estava decidido a mudar a sua rotina e a procurar outras formas de trabalho. Nesse sentido, influenciado pelo sempre absorvente paradigma americano, Elton decidiu ir ao Soul procurar inspiração, tal como David Bowie tinha feito em 1975 (sem grande sucesso comercial) no seu álbum "Young Americans".
Para isso, Elton deixou a sua banda, bem como Bernie Taupin e o seu produtor Gus Dudgeon e chamou o lendário compositor e produtor R&B Thom Bell.
Nasciam assim as Thom Bell Sessions.

O problema é que Elton não se sentiu confortável com os métodos de trabalho de Thom Bell e a relação entre ambos rapidamente fez fricção. Embora Elton estivesse entusiasmado com a ideia de trabalhar no registo do Philadelphia Soul, as sessões foram abortadas antes que se conseguisse angariar material suficiente para um álbum.

Elton ficou desolado com esta primeira tentativa falhada de afastamento do seu registo habitual e em Novembro de 1977 anunciou, pela primeira vez, a sua decisão de se retirar dos palcos. Essa seria apenas a primeira de muitas vezes que Elton tomaria tal decisão, mas como sabemos hoje, tal nunca teve resultados práticos.

Mas nem tudo foi perdido nas Thom Bell Sessions.
Durante as gravações com Thom Bell em Seattle, ainda houve tempo para produzir 6 faixas, 3 delas lançadas em em Junho de 1979, no EP "The Thom Bell Sessions".
Para além disso, Elton revelaria mais tarde que Thom Bell foi a premeira pessoa que lhe deu lições de colocação de voz, encorajando-o a cantar num registo mais grave, algo novo para Elton e que podemos ouvir perfeitamente nas faixas resultantes destas sessões.

No EP "The Thom Bell Sessions" podemos encontrar a "versão original" de "Are You Ready For Love" (numa versão que atinge os 8 minutos e meio!), o single "Mama Can't Buy You Love" (que chegou ao Top 10 nas tabelas americanas) e o tema "Three Way Love Affair". Todos os temas foram compostos pela super-equipa Soul LeRoy Bell / Thom Bell / Casey James.


Curiosamente, "Mama Can't Buy You Love" tinha sido rejeitado pela editora em 1977, quando Elton propôs o tema para single. Só em 1979, numa fase muito menos profícua de Elton, é que estes temas viram a luz do dia.

Só mais de 10 anos depois das gravações originais, em 1989, é que a editora MCA decidiu reunir todo o material resultante das Thom Bell Sessions, num CD com as 6 faixas adequadamente intitulado "The Complete Thom Bell Sessions".


Note-se que a "versão original" (incluída no EP de 1979) e a baptizada "versão longa" (incluída no álbum "The Complete Thom Bell Sessions") de "Are You Ready For Love" têm a mesma duração, mas são resultados de misturas diferentes. Em baixo, podemos ouvir a "versão longa", onde Elton partilha a voz com os The Spinners:



Os anos passaram e algumas das faixas das Thom Bell Sessions nunca puderam ter o reconhecimento que mereciam. Primeiro devido aos conflitos entre Elton John e Thom Bell, depois devido à intransigência da MCA em lançar um tema de Elton fora da sua praia e culminando num esquecimento generalizado, temas como "Are You Ready For Love" e "Mama Can't Buy You Love" passaram sempre ao lado do mainstream. Até 2003.


No ano de 2003, 26 anos depois das Thom Bell Sessions, "Are You Ready For Love" foi remisturado por Ashley Beedle e lançado em Single. O tema teve finalmente a atenção que merecia, atingindo o primeiro lugar nas tabelas do Reino Unido, a última vez que tal aconteceu até hoje.
Este é o vídeo que acompanhou o single de 2003 e que eu apanhei em alta rotação no VH1, nos anos dourados do cabo.


Are You Ready For Love? - Elton John

danny bailey | Myspace Video


A referida "versão original" é bastante rara (para além do EP de 1979, só pode ser encontrada num single promocional de 2003) e apresenta apenas Elton na voz. Em baixo, podemos ver um vídeo com a equipa das Thom Bell Sessions, numa audição da "versão original" de "Are You Ready For Love".



"Catch a star, if you can, wish for something special... Let it be me, my love is free..."

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Elton John - "The Ballad of Danny Bailey (1909-34)"


‎"Born and raised a proper, I guess life just bugged him
He found faith in danger, a lifestyle he lived by...
A running gun youngster in a sad restless age"





Mais um dia na semana Elton e hoje chegamos a um dos meus temas preferidos. Se tivesse que escolher 5 temas de toda a carreira de EJ (segundo o Eltonography são mais de 620 temas!), com certeza que "The Ballad of Danny Bailey (1909-34)" estaria presente nesse lote. E no entanto, fora da fanbase de Elton, não é dos temas mais populares, uma vez que não foi promovido como single.

“The Ballad of Danny Bailey (1909-34)” faz parte do álbum “Goodbye Yellow Brick Road”, a obra-prima de Elton John e segue o mesmo padrão lírico que Bernie Taupin já tinha explorado no álbum "Tumbleweed Connection" de 1970: o Faroeste Americano.
O tema conta a história da curta vida errante do gangster Danny Bailey, um pistoleiro no Oeste americano. Danny Bailey é um personagem criado por Berie Taupin, na linha de outros célebres foras-da-lei como John Dillinger, ou Pretty Boy Floyd.

“Goodbye Yellow Brick Road” foi gravado em Maio de 1973 no Château d'Hérouville, na pequena localidade de Hérouville, em França. Num espaço rústico, tranquilo e isolado da civilização, Elton e a sua banda encontraram a inspiração que precisavam para produzir um lote notável de música (em quantidade e muita, muita qualidade), num curto espaço de tempo.

O Château foi uma lufada de ar fresco para a banda de Elton, que vinha traumatizada depois de umas sessões abortadas em Kingston, na Jamaica, onde tudo correu mal. A ideia foi de Elton, inspirado pelos The Rolling Stones, que tinham acabado de gravar ali o álbum "Goats Heads Soup", mas depressa se revelou uma má ideia. Desde forças armadas na rua, falta de microfones no estúdio, a energia era claramente negativa para Elton e a sua banda.

“Goodbye Yellow Brick Road” foi também o álbum onde a Elton John Band assumiu, pela primeira vez, a sua "formação clássica" completa: Elton John, no piano; Dee Murray, no baixo; Davey Johnstone, nas guitarras; Nigel Olsson, na bateria; Ray Cooper, na percussão.

Regressados ao Château (onde já tinham sido gravados "Honky Château" e "Don't Shoot Me I'm Only the Piano Player"), no total foram 22 as faixas compostas pela dupla Elton John / Bernie Taupin, das quais 18 chegaram a "Goodbye Yellow Brick Road", materializando o primeiro duplo álbum da carreira de Elton. Segundo o produtor do álbum Gus Dudgeon, a ideia não era fazer um álbum duplo, mas a quantidade de material era tanta e com tanta qualidade, que foram se tornava impossível rejeitar tanta coisa.

No vídeo em baixo, vemos a banda de Elton no Château a ouvir uma mistura de “The Ballad of Danny Bailey (1909-34)”, imagens do documentário "Goodbye Norma Jean":



Os temas de "Goodbye Yellow Brick Road" andam à voltam do desencantamento com a fama e da nostalgia dos tempos de uma infância mais humilde, em contraponto com a vida hedonística que John e Taupin levavam na época. Chegados ao auge do sucesso, surge a velha questão: "É isto?".

"Now it's all over Danny Bailey and the harvest is in"

“The Ballad of Danny Bailey (1909-34)” vai numa direcção ligeiramente diferente. A efemeridade da vida de um herói, em oposição a uma vida longa e, na sua maioria, desinteressante. O que é preferível? Para personagens como Danny Bailey, a questão nem se coloca. A única forma de viver é mesmo nos limites.
Embora a situação óptima esteja no meio de ambos os paradigmas, é inegável que a vida efémera de um homem como Danny Bailey (morte aos 25 anos, segundo o título do tema) é sempre mais interessante.

A produção de “The Ballad of Danny Bailey (1909-34)” é do melhor que é possível ouvir num álbum Rock. Somos disparados para uma outra dimensão quando ouvimos os coloridos arranjos orquestrais de Del Newman na parte final do tema. Fabuloso.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Elton John - "Burn Down The Mission"

"It's time we put the flame torch to their keep"




Hoje a semana Elton segue com um pequeníssimo salto temporal, de Abril de 1970 (aquando do lançamento de "Elton John"), para Outubro do mesmo ano, data do lançamento de "Tumbleweed Connection".

Não se pense que um intervalo tão curto entre álbuns significa um decréscimo de qualidade.
Bem pelo contrário.
Se "Elton John" é um álbum brilhantemente produzido, mas ainda naive, é notável ver um amadurecimento tão grande, em tão curto espaço de tempo. Em "Tumbleweed Connection", a dupla Elton John / Bernie Taupin achou que já tinha bagagem para fazer um álbum temático, sobre um dos assuntos predilectos de Taupin: o Faroeste Americano. E assim foi.
Não foram muitos os álbuns temáticos de Elton John, mas este terá sido provavelmente o mais sólido e mais focado da sua carreira.


"Tumbleweed Connection" é um dos meus álbum predilectos de Elton John, apenas atrás do tour de force "Goodbye Yellow Brick Road". Contudo, por razões que me ultrapassam, a editora cometeu a proeza de não retirar nenhum single do álbum. A única explicação que eu encontro para este disparate é a proximidade entre as datas de lançamento dos álbuns de Elton John.
Quando "Tumbleweed" foi lançado, em Outubro de 1970, ainda "Your Song" (do álbum anterior) estava a ser promovido. E a banda sonora para o filme "Friends" estava logo ali ao virar da esquina.
Note-se que Elton John tinha na época um acordo com a editora para 2 álbuns por ano, algo impensável nos dias de hoje para um artista de topo.

"Burn down the mission, if we're gonna stay alive
Watch the black smoke fly to heaven, see the red flame light the sky"

O tema que aqui fica é o épico "Burn Down The Mission" - o ponto alto do álbum de "Tumbleweed Connection", que aparece só no epílogo do álbum. É um dos melhores temas de Elton John, mas nunca foi um êxito.
A estrutura de "Burn Down The Mission" traz uma impressionante demonstração de maturidade por parte da equipa de Elton John. Num tema já carregado de Soul, as constantes mudanças de andamento injectam uma alma ainda mais cheia aos clímaxes orquestrais, mais uma vez a cargo de Paul Buckmaster.

Mais uma vez, podemos ouvir em cima "Burn Down The Mission" na versão de estúdio e em baixo ao vivo na BBC, na mesma actuação de ontem.



"Burn down the mission, burn it down to stay alive
It's our only chance of living, take all you need to live inside"

terça-feira, 17 de abril de 2012

Elton John - "Take Me To The Pilot"

"Through a glass eye your throne is the one danger zone, take me to the pilot for control... Take me to the pilot of your soul!"




A semana Elton continua e se ontem começámos com o álbum icónico de Elton - "Goodbye Yeallow Brick Road" - hoje vamos fazer uma pequena analepse até 1970, ano em que a sua carreira começou a levantar voo.

Mas recuemos ainda mais um pouco.
Segundo o próprio Elton John, a sua carreira como artista começou "por obrigação", devido à impossibilidade de encontrar alguém que interpretasse os temas da dupla Elton John / Bernie Taupin, o primeiro na música e o segundo nas letras.

A estreia de Elton John em gravações de estúdio seria em 1969 com o álbum "Empty Sky", uma ovelha tresmalhada no cartório mais antigo de Elton. Sem grande sucesso, a dupla Elton / Taupin foi buscar Gus Dudgeon para produtor e Paul Buckmaster para os arranjos orquestrais, equipa que se manteria por muitos mais álbuns.

O resultado do trabalho da nova equipa foi o homónimo "Elton John", lançado em 1970. Um álbum fantástico, que lançou Elton John para as mais altas esferas comerciais tanto nos EUA, como no Reino Unido.
Aliás, o mais curioso é que, apesar de ser uma equipa britânica, o frisson de volta de Elton John começou na América e só daí teve feedback no UK, fazendo um "efeito boomerang", que fez com que muitos nas ilhas pensassem que Elton era americano.


Meticuloso e polido, o álbum "Elton John" está repleto de grandes canções pintadas com laivos de uma grandiosa produção. Um feito notável para um álbum de "quase-estreia" (considerando "Empty Sky" uma falsa partida), que estabeleceu uma altíssima bitola para o que viria a seguir. E Elton cumpriu essa bitola... e de que maneira. Mas voltaremos a isso mais tarde.

O grande êxito deste álbum é, claro está, "Your Song". Um tema que dispensa apresentações e que se tornaria no ex-libris de Elton.

O tema que aqui fica é "Take Me To The Pilot", o segundo single retirado de "Elton John" (o primeiro havia sido o religioso "Border Song"), cujo lado B era... "Your Song".
Claro está que "Your Song" recebeu muito mais airplay nas rádios que "Take Me To The Pilot", substituindo este como o lado A do Single e disparando para o Top 10 das tabelas no Reino Unido e nos EUA.

Apesar disso, o meu tema preferido de "Elton John" é este "Take Me To The Pilot", que podemos ouvir em cima na versão de estúdio e em baixo numa magnífica versão ao vivo na BBC, completa com uma pequena orquestra conduzida por... Paul Buckmaster.



"Take Me To The Pilot" é um tema que entra facilmente no ouvido, com o seu refrão de "na na na" 's, mas de muito difícil compreensão. Tanto Bernie Taupin (autor da letra), como Elton, já confessaram diversas vezes não fazer a mínima idea sobre o que significa o tema.
Nas palavras de Elton:

"And in the early days, there were a lot of inquiries about 'What does this song mean? What does that song mean?' and in the case of 'Take me to the pilot/Lead me through the chamber/Take me to the pilot/I am but a stranger', I have no idea! You're on your own, I tell you."

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Elton John - "Funeral For A Friend / Love Lies Bleeding"

"The roses in the window box have tilted to one side"



Esqueçam tudo o que pensavam que sabiam acerca de Elton John.

Nos próximos dias, vou apresentar 5 temas "que ninguém ouviu" de Elton John, 5 razões que provam que Elton John é muito mais que o "velho gay gordo" que alguma comunicação social (principalmente a portuguesa) quer fazer passar. Aliás, a má imprensa que Elton John tem em Portugal é (quase) um caso de estudo, de tão desligada da realidade de outros países na Europa e nos EUA. Digo "quase" já que, para além do inevitável factor homofóbico (sempre importante numa análise musical), a única razão que pode explicar esta incompreensão geral em Portugal para com EJ redunda no famoso incidente do Casino Estoril.

Pois, o incidente do Casino Estoril... Todos já ouvimos falar dele, mas poucos sabem o que realmente se passou.
A 13 de Setembro de 2000, Elton John faria supostamente o seu regresso a Portugal, depois do grande concerto no Estádio de Alvalade em 1992, na digressão de promoção ao álbum "The One". Mas desta feita, quem trouxe EJ a Portugal foram os euros de um casino (na época já se transaccionava o Euro) e não uma comum promotora. Assim, o concerto estava reservado à "nata" socialite portuguesa, mais preocupada em fumar os seus charutos, do que em ouvir o espectáculo que aí vinha.

Chegada a hora de entrar em palco, Elton reparou que o Salão Preto e Prata do Casino Estoril, onde iria actuar, estava repleto por uma densa nuvem de fumo, o que iria dificultar a sua tarefa de... cantar. Porque na verdade, até era para isso que ele ali estava.
Preocupado com as condições da sala, Elton pediu ao Casino para tratar do assunto e durante 2 horas, Júlio César (o Director Artístico do Casino) pediu encarecidamente aos presentes para guardarem os seus cachimbos e apagarem os seus charutos, com risco de que Elton não pudesse actuar.

Claro que sim. Donos da sua razão, com a força de um convite na mão, o Jet-set português manteve a sua postura e a nuvem de fumo não desvaneceu.
Resultado? Elton pega no cachet e apanha o primeiro charter para fora do país. Só voltaria em 2009, para um (fabuloso) concerto de quase 3 horas no Pavilhão Atlântico.

No dia seguinte ao "incidente do Casino Estoril" não faltaram teorias para explicar o desaparecimento de Elton. Se bem me recordo, a mais popular dizia que um massagista musculado português tinha despertado um ataque de ciúmes no namorado e por isso Elton "teve" que sair imediatamente do país.

Claro que sim. Um artista que já levava mais de 30 anos de palcos e a quem não são conhecidos comportamentos deste tipo, cancelava um concerto e guardava o cachet, porque o namorado teve um ataque de ciúmes. A história pegava no inevitável factor homofóbico e a partir daí alimentava um ódio de estimação a Elton John. A perfeita fuga para a frente do Casino Estoril, protegendo a imagem dos seus nobres (e, como se viu, respeitosos) clientes.

Agora que esclarecemos este ponto, fiquemos então com o primeiro tema da semana Elton aqui no blog: "Funeral For A Friend / Love Lies Bleeding", que abre o magnífico álbum "Goodbye Yellow Brick Road".


Um tema que, na verdade, são dois. A primeira parte ("Funeral For A Friend") é uma faixa instrumental, em sintetizador, criada a partir da ideia da música que Elton desejava no seu próprio funeral. "Funeral For A Friend" segue naturalmente para "Love Lies Bleeding", um tema que lida com os destroços de uma relação que terminou.

Esta sequência marca uma ligeira incursão de Elton no Rock Progressivo. Não é por acaso que bandas como os Dream Theater (que lançaram um cover deste tema no seu álbum "A Change Of Seasons") citam Elton como uma das suas influências.
"Funeral For A Friend / Love Lies Bleeding" passa a marca dos 11 minutos, sendo o tema mais extenso da já longa carreira de Elton John. Apesar de, por razões óbvias de duração, nunca ter sido lançada como single, o tema foi ganhando ao longo dos anos uma notável projecção, precisamente por mostrar Elton em territórios menos usuais.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

George Michael - "Idol" (Live)

"He was an idol then, now he's an idol here.
But his face has changed, he's not the same no more and I have to say that I like the way his music sounded before..."



Lindo. Simplesmente lindo.
É a melhor, mais simples e mais exacta definição do que foi presenciar ao vivo o concerto em Madrid, da digressão "Symphonica" de George Michael.

Escrevo este texto já em Lisboa, com pouco mais de uma hora de sono, nesta altura apenas movido pela adrenalina que o concerto me injectou. Poucas horas de sono, mas com o coração cheio.
Porém, isto não significa, de maneira nenhuma, que o concerto foi uma experiência particularmente mexida.
Paradoxal? Passo a explicar: nesta digressão, George Michael resolveu brindar-nos com um alinhamento composto pelos temas mais calmos do seu reportório, muitos deles desconhecidos do público em geral, bem como uma série de covers.

Para o conhecedor generalista de George Michael, aquele que conhece apenas os singles da rádio e que esperava ouvir uma selecção dos seus êxitos (como foi com a sua digressão "25 Live"), esta poderá ter sido uma noite decepcionante. Para mim, que conheço o repertório de George de trás para a frente, foi o corolário de quase 14 anos a ouvir a sua música, desde que no Inverno de 1997 chegou às minha mãos a compilação "If You Were There (The Best of Wham!)".

Conforme já tinha sido veiculado pela crítica, confirmei que a voz de George Michael ainda está praticamente intacta. Não raras vezes, ele foge das notas mais difíceis que ouvimos em disco, mas é preciso lembrar que George está numa digressão longa, onde a sua voz é o instrumento frontal de uma orquestra sinfónica, por isso não é de admirar que se proteja.

Já disse que foi lindo?
Foi lindo. A música de George Michael assentou que nem uma luva nos arranjos orquestrais.
Ao longo da noite, a música pôs o meu coração repetidamente em vias de derreter. Foram tantos os momentos de êxtase: "Cowboys And Angels", "You Have Been Loved", "Understand", "You've Changed"... Poderia continuar.
Mas o momento alto da noite, o momento da estocada final, aconteceu quando George Michael sacou de "Idol", um fabuloso cover de Elton John, que George já tinha cantado algumas vezes na digressão "25 Live" (quando veio a Coimbra cantou "Ticking", também de Elton).

"Idol" é um tema retirado do duplo álbum "Blue Moves" de Elton John, em 1976. "Blue Moves" foi a última colaboração de Elton John com o seu letrista Bernie Taupin nos anos 70 e é visto como um dos álbuns mais heterogéneos de Elton, no que à qualidade diz respeito. De facto, para um álbum que estabelece uma alta bitola com temas como "Sorry Seems To Be The Hardest Word", "Tonight" e "Idol", esperava-se um pouco mais do restante material, especialmente tratando-se de um álbum duplo.
Fica a promessa de mais tarde voltar a "Blue Moves".


Voltando a "Idol", este é um tema que se encaixa na perfeição no conceito de "Symphonica" e na voz de George Michael. Minimalista e jazzy, com aquele toque urbano conferido pelo saxofone de David Sanborn, "Idol" é um tema que facilmente poderia ter entrado num álbum de GM, especialmente nos anos 90.



"He was a light star, tripping on a high wire
Bulldog stubborn, born uneven"

"Idol" fala sobre a queda de uma estrela frágil. Um homem como outro qualquer, que ascendeu ao patamar mais alto que sonhara, mas que não aguentou a vertigem dessas alturas. Um homem que triunfou no seu meio e que assim concretizou o sonho de passar para outro meio, o meio onde está a "lion's share".
"Era um ídolo então, agora é um um ídolo aqui".
O problema é que o ídolo não prosperou no outro meio. A sua música soava melhor antigamente.
Agora que o brilho da estrela já não é tão cintilante, o ídolo é um peixe fora de água em qualquer um dos meios. Já não pertence ao lugar de onde veio, mas não é bem-vindo ao lugar onde queria estar.

"But don't pretend that it won't end, in the depth of your despair"

A performance de "Idol" (que vemos em cima no concerto de inauguração do novo Estádio do Wembley, na digressão "25 Live") foi o momento em que George Michael me atingiu com maior intensidade.
Foi lindo. Já o tinha dito?

EDIT: Alguém gravou o momento de que falava! Eis a sequência "Your Have Been Loved" / "Idol" ao vivo em Madrid: