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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

U2 - "Love Is Blindness"

"A dangerous idea that almost makes sense."



Do amor.
Porque o amor é uma doença.

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"Love is blindness. I don't want to see."
Da cegueira. 
Porque o amor é a venda que nos tapa os olhos para a realidade que não queremos ver.
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"Won't you wrap the night around me? Take my heart... Love is blindness."
Da rendição. Da mentira.
Porque o amor é a aceitação voluntária de uma ilusão, um ideal que não existe.
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"In a parked car, in a crowded street, you see your love made complete."
Do terrorismo. 
Porque não existe mais cruel forma de terrorismo, do que destroçar um coração.
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"Thread is ripping, the knot is slipping... Love is blindness."
Do descontrolo.
Porque o amor é a corda de sanidade que rompe, a loucura que nos rouba o auto-controlo.
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"Love is clockworks and cold steel. Fingers too numb to feel."
Do desespero. 
Porque o amor é a vida a ferro e fogo, uma bomba-relógio que não sabemos quando vai rebentar.
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"Squeeze the handle, blow out the candle... Love is blindness."
Da escuridão.
Porque o amor é a entrada num quarto escuro de emoções fora do nosso controlo.
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"A little death, without mourning."
Da morte.
Porque morremos um pouco, sempre que o amor não é correspondido.
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"No call and no warning."
Do medo.
Porque o amor não avisa quando ataca.
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"A dangerous idea that almost makes sense."
Do perigo. 
Porque as ideias mais catastróficas são aquelas que quase fazem sentido.
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"Love is drowning in a deep well..."
Do fundo do poço.
Porque o amor nos pode atirar para a mais escura das profundezas.
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"All the secrets, and no one to tell."
Do isolamento.
Porque o amor é uma doença solitária, que mais ninguém pode compreender.
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"Take the money, honey... It's blindness."
Do vazio. 
Porque de nada serve ter os bolsos cheios, quando se tem o coração vazio.

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"Love Is Blindness" é uma canção que fala do amor, mas não de um amor qualquer. 
Fala da cegueira, da rendição, da ilusão, do terrorismo, do descontrolo, do desespero, da escuridão, da morte, do medo, do perigo, do fundo do poço, do isolamento, do vazio, de todos os estilhaços que nos atingem quando o amor rebenta na nossa cara. 
É uma ode ao amor cortante, ao amor atormentado.


Todo o álbum "Achtung Baby" explora a ideia do amor como uma fraqueza, uma deficiência. 
Para trás ficam as visões idílicas do amor que a banda deixara em temas como "All I Want Is You", onde Bono gritava a plenos pulmões que ela era tudo o que queria. Em "Achtung Baby", os U2 afirmam-se como uma banda adulta e retratam o lado escuro do mais complexo conceito da humanidade, da única forma de loucura socialmente aceitável: o amor.

"My heart is where it's always been, my head is something in between"  

"Even Better Than The Real Thing"

Em "Achtung Baby", os U2 mostram a natureza potencialmente destrutiva do amor, como uma força que nos desfigura, nos atemoriza (o medo de voltar a tentar), nos tenta pelo proibido ("Mysterious Ways") e nos leva ao limite do desespero.

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"Love Is Blindness" é uma das mais dilacerantes faixas de toda a carreira dos U2. O tema fecha "Achtung Baby" e resume na perfeição o ambiente escuro e sombrio para onde o álbum nos transporta. Escrito originalmente para Nina Simone, a banda não quis abrir mão do tema e decidiu incluí-lo no seu álbum de transformação. 
The Edge separou-se da sua mulher durante as gravações de "Achtung Baby" e o que ouvimos neste tema é o que o guitarrista dos U2 tinha para dizer sobre o assunto.
Reza a lenda que na gravação do solo presente no álbum, The Edge rebentou várias cordas da sua guitarra. O resultado foi de tal forma estrondoso, que a banda decidiu manter o solo tal como foi gravado.

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Para além de fechar o álbum, "Love Is Blindness" foi também utilizado para fechar os concertos da lendária digressão dos U2 - a ZooTV Tour (amplamente considerada como a melhor da banda, até hoje).


Ao tocar este tema no fim de um espectáculo enérgico como ZooTV, os U2 despediam-se do público da forma mais anti-climática possível. Porém, quando a digressão passou para os estádios, a banda decidiu acrescentar mais uma canção. Mas uma canção especial. Uma canção que fecha o arco de "Achtung Baby" da forma mais mais humana e verdadeira possível:


U2 - "Can't Help Falling In Love"

"Wise men say: 'Only fools rush in'. But I can't help falling in love with you"

Do amor.
Porque por pior doença que o amor seja, não conseguimos viver sem ele.

sábado, 22 de janeiro de 2011

U2 - "The Fly"

"It's no secret that ambition bites the nails of sucess"



Depois do enorme sucesso do álbum “The Joshua Tree” e do pretensioso “Rattle & Hum”, os U2 chegaram ao fim da década de 80 com o estatuto de uma das bandas mais importantes na cena pop/rock internacional, com sucesso em ambos os lados do Atlântico.

Foi nesta altura que os U2 mostraram a sua ambição. Quando facilmente poderiam repetir o sucesso de "The Joshua Tree" com um álbum semelhante, decidiram "desmanchar" e voltar a construir, fazendo algo de completamente novo e embarcando numa tourné megalómana. E assim nasceu "Achtung Baby", um álbum arrojado, com uma sonoridade a romper intencionalmente com o passado, alienando milhares de fãs no processo... mas trazendo outros tantos.

O exemplo mais claro deste rompimento com as raízes está neste “The Fly”, o tema mais "heavy” até à data, propositadamente escolhido para single de avanço deste álbum. "The Fly" foi descrito por Bono como o "som de quatro homens a destruir "The Joshua Tree"".
Para mim, esta é a prova cabal de que quando os U2 querem fazer rock, sabem fazê-lo como poucos.


O resto é História. Os U2 criaram aquela que é, na minha opinião, a sua grande obra-prima: o álbum "Achtung Baby". Um álbum radicalmente diferente de tudo o que tinham feito antes, mas que conseguiu manter (aumentar?) a bitola de qualidade de "The Joshua Tree".
Mais do que isso, teve o condão de exponenciar as expectativas do público para tudo o que os U2 fizessem daí em diante. Uma banda com a capacidade de se reinventar, submetendo-se a uma transformação de som e imagem tão grande e mesmo assim elevando a qualidade da sua oferta... só pode ser uma banda muito especial.



A outra face da moeda foi mesmo a alienação de milhares de fãs, traídos por uma inesperada revolução na sua banda preferida. Se é verdade que, em contrapartida, foram angariados outros tantos milhares de ouvintes, mais importante que isso, os U2 ganharam o respeito do público e da indústria musical.

Questionado sobre a hipótese da mudança radical na música e na imagem dos U2 afastar alguns fãs, Bono não se mostrou preocupado e respondeu da seguinte forma lapidar:

"I'm into it, we're into it and the real U2 fans that have been around, they'll be into it.
We might lose some of the pop kids... but we don't need them"



Soberana a resposta por parte de Bono (pode ser vista no final do vídeo em cima). Como alguém já disse, os U2 passaram da banda mais quente dos anos 80, à banda mais fixe dos anos 90, pelo menos até sermos brindados com "Pop"...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

U2 - "Ultraviolet (Light My Way)"

"When I was all messed up and had opera in my head, your love was a light bulb hanging over my bed"



E pronto. Hoje chegamos ao fim da linha de 2010. Terminado que está 2010, fica aqui hoje o tema que mais me marcou este ano. O tema é "Ultraviolet (Light My Way)" dos U2, retirado do álbum "Achtung Baby" de 1991.


Sometimes I feel like I don't know
Sometimes I feel like checkin' out
I want to get it wrong
Can't always be strong
And love it won't be long...

"Ultraviolet (Light My Way)" é um tema sobre amor e a dependência que o amor pode causar. Relata o desespero de um homem cuja vida está na escuridão, à espera de encontrar uma luz que o guie.
É a história de um homem que cometeu erros no passado, erros que o levaram à situação actual. E que está disposto a tudo para encontrar esta luz.

"I guess that's the price of love, I know it's not cheap"

Este é o tema que faz a transição entre as sonoridade dos U2 dos anos 80 e dos anos 90, combinando elementos de ambas as partes. A estrutura básica da música, com o inconfundível riff de The Edge, é semelhante ao que os U2 faziam nos 80's. Já os arranjos e a produção do tema é característica da inovação vincada no álbum "Acthung Baby".

Os U2 revolucionaram a sua música em 1991. E essa revolução não foi nada pacífica. Influenciados pela música de dança que proliferava no início dos anos 90 e pela cena Industrial, Bono e The Edge queriam inovar a música dos U2, experimentando novas sonoridades. Por outro lado, Mullen e Clayton estavam satisfeitos e confortáveis com o tipo de música que a banda fazia nos 80. Assim, os conflitos no seio da banda não se fizeram esperar e os U2 estiveram mesmo à beira da separação, devido a diferenças criativas.

Alegadamente, o consenso chegou quando The Edge estava a tentar escrever a bridge para "Ultraviolet (Light My Way)" e começou a tocar aquele que viria a ser o riff de "One". Ao ouvir esta descoberta de The Edge, todos concordaram que essa seria a nova sonoridade dos U2.

Uma das grandes novidades que os U2 trouxeram em 1991 foi a digressão de promoção a Acthung Baby: a espectacular "ZooTV Tour".
"Ultraviolet (Light My Way)" tinha um papel chave nos concertos da légua americana desta digressão: o tema figurava no encore da setlist e antes da entrada da banda, Bono telefonava para a Casa Branca e pedia para falar com o então Presidente dos EUA George Bush.
Ao ser confrontado com a indisponibilidade do Presidente, Bono responde:

"The President of the United States is not available TO ME?!
Oh... Well, I guess I mustn't be so important as I thought I was..."




"Ultraviolet (Light My Way)" esteve sempre lá. Mas encadeado pelo brilho dos singles dos U2, nunca tinha prestado particular atenção a este tema, até ver a sua performance no Blu-Ray "U2 360° at the Rose Bowl".




É impossível ficar indiferente à performance de "Ultraviolet (Light My Way)" na "360º Tour". Aqui, este tema volta a ter um papel fundamental na setlist, mais uma vez no encore. Depois de uma longa sequência em vídeo, Bono entra em palco usando um casaco de lasers (também quero um destes!) e canta para um volante iluminado que desce do cimo da estrutura. Espectacular.

Eu próprio pude testemunhar tudo isto, quando vi os U2 em Coimbra no dia 3 de Outubro deste ano, naquele que para mim foi o concerto do ano.


Rapidamente "Ultraviolet (Light My Way)" se juntou ao lote dos meus temas preferidos dos U2, juntamente com outras malhas como "Where The Streets Have No Name", "The Fly" , ou "Pride (In The Name Of Love)". Mais do que isso, o tema teve alta rotação durante um longo período de tempo. O suficiente para fazer "Ultraviolet (Light My Way)" o tema mais importante de 2010.

"Baby, baby, baby, light my way"

FELIZ 2011!