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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Bruce Springsteen - "The Ties That Bind: The Story Of The River"

"Into the river we dive"




Na sequência do último post, em que dei conta da intenção de Bruce Springsteen de lançar uma edição de luxo alusiva a "The River", resolvi perder umas parcas 8 horas da minha vida (mais hora, menos hora) e ajudar Bruce na árdua tarefa de compilar uma caixa completa e satisfatória para os fãs.

Fica assim já feito o meu pedido para o Pai Natal, mesmo sabendo que ele só pode trazer para o ano.
Minhas Senhoras e Meus Senhores, mergulhem no rio comigo, num derradeiro olhar sobre "The River", com:

Bruce Springsteen - "The Ties That Bind: The Story Of The River" [5CD+4DVD] (2014) 


Discos 1 e 2 (2CD): "The River" (1983)
CD1 (LP 1 original):
1. "The Ties That Bind" (3:34)
2. "Sherry Darling" (4:03)
3. "Jackson Cage" (3:04)
4. "Two Hearts" (2:45)
5. "Independence Day" (4:50)
6. "Hungry Heart" (3:19)
7. "Out in the Street" (4:17)
8. "Crush on You" (3:10)
9. "You Can Look (But You Better Not Touch)" (2:37)
10. "I Wanna Marry You" (3:30)
11. "The River" (5:01)
CD2 (LP 2 original):
1. "Point Blank" (6:06)
2. "Cadillac Ranch" (3:03)
3. "I'm a Rocker" (3:36)
4. "Fade Away" (4:46)
5. "Stolen Car" (3:54)
6. "Ramrod" (4:05)
7. "The Price You Pay" (5:29)
8. "Drive All Night" (8:33)
9. "Wreck on the Highway" (3:54) 
Disco 3 (CD): "Deep Inside The River Vol. 1 - The River Tracks" (2014)
1. "Mary Lou" (3:24) - Gravado em 1979.05.30 - “Tracks”
2. "I Wanna Be With You" (3:25) - Gravado em 1979.05.31 - “Tracks”
3. "Bring On the Night" (2:42) - Gravado em 1979.06.13 - “Tracks”
4. "Ricky Wants a Man of Her Own" (2:49) - Gravado em 1979.07.16 - “Tracks”
5. "Dollhouse" (3:36) - Gravado em 1979.08.21 - “Tracks”
6. "From Small Things (Big Things One Day Come)" (2:42) - Gravado em 1979.09.02 - "The Essential"
7. "Where the Bands Are" (3:47) - Gravado em 1979.10.09 - “Tracks”
8. "Living on the Edge of the World" (4:21) - Gravado em 1979.12.07 - “Tracks”
9. "Take 'em as They Come" (4:32) - Gravado em 1980.04.10 - “Tracks”
10. "Restless Nights" (3:49) - Gravado em 1980.04.11 - “Tracks”
11. "Help Up Without A Gun (Live)" (1:21) - Gravado ao vivo em 1980.12.31 no Nassau Coliseum - "The Essential" 
Disco 4 (CD): "Deep Inside The River Vol. 2 - Loose Ends: The Ties That Bind Sessions" (2014)
1. "Roulette" (Rock Mix) (3:57) - Gravado 1979.04.03 - Lado B de "One Step Up"
2. "Point Blank" (Fast) (5:24) - Gravado em 1979.05.29-30 - Inédito
3. "Little White Lies" (2:42) - Gravado em 1979.06.01 - Inédito
4. "The Man Who Got Away" - Gravado em 1979.06.13 / 1979.07.05 - Inédito
5. "Night Fire" - Gravado em 1979.06.13 - Inédito
6. "Under The Gun" - Gravado em 1979.06.14 - Inédito
7. "Do You Want Me To Say Alright" - Gravado em 1979.06.14 - Inédito
8. "Stolen Car" (alternate lyrics) (4:48) - Gravado em 1979.06 - Inédito
9. "The Price You Pay" (additional verse) (5.54) - Gravado em 1979.06 - Previsto para “The Ties That Bind”
10. "Cindy" (2:18) - Gravado em 1979.07.16-17 - Previsto para “The Ties That Bind”
11. "Loose Ends" (4:05) - Gravado em 1979.07.18 - Previsto para “The Ties That Bind”
12. "To Be True" (3:43) - Gravado em 1979.07.21 - Previsto para “The Ties That Bind”
13. "You Can Look (But You Better Not Touch)" (Rockabilly)" (2:12) - Gravado em 1979.08.24-15 - Previsto para “The Ties That Bind” 
Disco 5 (CD): "Deep Inside The River Vol. 3 - Party Lights: The River Sessions" (2014)
1. "Party Lights" - Gravado em 1979.10.08 - Inédito
2. "Dedication" - Gravado em 1979.12.04/06 - Inédito
3. "A Thousand Tears (William Davis)" - Gravado em 1980.01.31-02.01 - Inédito
4. "Angelyne" - Gravado em 1980.02.01 - Inédito
5. "I Will Be The One" - Gravado em 1980.02.16/26 - Inédito
6. "Chain Lightning" - Gravado em 1980.01.17 - Inédito
7. "Help Up Without A Gun" (1:20) - Gravado em 1980.04 - Lado B de "Hungry Heart"
8. "Time That Never Was" - Gravado em 1980.04.16 - Inédito
9. "Down In White Town" - Gravado em 1980.04.16 - Inédito
10. "Your Love" - Gravado em 1980.07-08 durante as sessões com Gary US Bonds - Inédito
11. "This Little Girl" - Gravado em 1980.06-08 durante as sessões com Gary US Bonds - Inédito 
Disco 6 (DVD/Blu-Ray): "Nassau Year's Eve" (2014)
1980.12.31 Nassau Coliseum, Uniondale, NY, USA (audio)
1. "Night"
2. "Prove It All Night"
3. "Spirit In The Night"
4. "Darkness On The Edge Of Town"
5. "Independence Day"
6. "Who'll Stop The Rain"
7. "This Land Is Your Land"
8. "The Promised Land"
9. "Out In The Street"
10. "Racing In The Street"
11. "The River"
12. "Badlands"
13. "Thunder Road"
14. "Cadillac Ranch"
15. "Sherry Darling"
16. "Hungry Heart"
17. "Merry Christmas Baby"
18. "Fire"
19. "Candy's Room"
20. "Because The Night"
21. "4th Of July, Asbury Park (Sandy)"
22. "Rendezvous"
23. "Fade Away"
24. "The Price You Pay"
25. "Wreck On The Highway"
26. "Two Hearts"
27. "Ramrod"
28. "You Can Look (But You Better Not Touch)"
29. "Held Up Without A Gun"
30. "In The Midnight Hour"
31. "Rosalita (Come Out Tonight)"
32. "Santa Claus Is Coming To Town"
33. "Jungleland"
34. "Born To Run"
35. "Detroit Medley"
36. "I Hear A Train"
37. "Twist And Shout"
38. "Raise Your Hand"
Disco 7 (DVD/Blu-Ray): "Into The River We Dive - The River Live '09" (2014)
2009.11.08 Madison Square Garden, New York, NY, USA (audio)
1. "Wrecking Ball" (com Curt Ramm)
2. "The Ties That Bind"
3. "Sherry Darling"
4. "Jackson Cage"
5. "Two Hearts" / "It Takes Two"
6. "Independence Day"
7. "Hungry Heart"
8. "Out In The Street"
9. "Crush On You"
10. "You Can Look (But You Better Not Touch)"
11. "I Wanna Marry You"
12. "The River"
13. "Point Blank"
14. "Cadillac Ranch"
15. "I'm A Rocker" (com Curt Ramm)
16. "Fade Away"
17. "Stolen Car"
18. "Ramrod"
19. "The Price You Pay"
20. "Drive All Night"
21. "Wreck On The Highway"
22. "Waitin' On A Sunny Day"
23. "Atlantic City"
24. "Badlands"
25. "Born To Run"
26. "Seven Nights To Rock"
27. "Sweet Soul Music "(com Curt Ramm)
28. "No Surrender"
29. "American Land" (com Curt Ramm)
30. "Dancing In The Dark"
31. "Can't Help Falling In Love"
32. "(Your Love Keeps Lifting Me) Higher And Higher" 
Disco 8 (DVD/Blu-Ray): "Thrill Hill Vault - The River Video Extras" (2014)
"No Nukes concert" - 1979.09.21/22 Madison Square Garden, New York, NY, USA
1. "The River"
2. "Thunder Road"
3. "Quarter To Three"
"The River Tour rehearsals" - 1980.09 Claire Brothers Audio, Lititz, PA, USA (Parte 1, Parte 2, Parte 3)
1. "Born To Run"
2. "Prove It All Night"
3. "Tenth Avenue Freeze-Out"
4. "Out in the Street"
5. "The River"
6. "Darkness on the Edge of Town"
7. "Wreck on the Highway"
8. "The Ties That Bind"
9. "The Promised Land"
10. "Thunder Road"
11. "Racing in the Street"
12. "Cadillac Ranch"
13. "Fire"
"Survival Sunday concert" - 1981.06.14 Hollywood Bowl, Los Angeles, CA, USA
1. "This Land Is Your Land"
2. "The Promised Land" (com Jackson Browne)
3. "Jole Blon" (com Gary US Bonds)
4. "Hungry Heart"
5. "Brother John Is Gone" (com todos os artistas)

Disco 9 (DVD/Blu-Ray): "The Ties That Bind: The Story Of The River" (2014)
Documentário

São assim um total de 9 discos - 5 de áudio e 4 de vídeo - que podem mostrar finalmente a verdadeira dimensão do material que Bruce acumulou, nos 2 anos de gravações contínuas (1979 e 1980) que culminaram em "The River".
Na parte áudio, a juntar ao álbum duplo remasterizado, estão 3 discos de temas finalizados, que não couberam no álbum. Exacto. Ao contrário do que aconteceu com as faixas gravadas nas sessões de "Darkness On The Edge Of Town" (muitas delas tiveram que ser completadas para a sua inclusão em "The Promise"), todos os temas que estão nos discos 3, 4 e 5 (que baptizei de "Deep Inside The River") foram gravados nos estúdios The Power Station e estão terminados, ou em estado final de acabamento.

O Disco 3 ("Deep Inside The River Vol. 1 - The River Tracks") é uma espécie de "revisão da matéria dada", compilando os temas que já foram lançados das sessões de gravação de "The River" e que já são conhecidos na sua "versão definitiva". Estes temas apareceram na caixa "Tracks", de 1998 e na compilação "The Essential", de 2003.

O Disco 4 ("Deep Inside The River Vol. 2 - Loose Ends: The Ties That Bind Sessions") refere-se à 1ª fase de sessões de gravação, que decorreu entre Março e Setembro de 1979 e que produziram o álbum "The Ties That Bind". A 21 e 22 de Setembro, Bruce Springsteen deu 2 concertos com a E Street Band no Madison Square Garden, para apoiar os Musicians United for Safe Energy (mais conhecido por No Nukes) e por alguma razão, mudou de ideias. O álbum foi cancelado e a banda voltaria a estúdio para mais um ano de gravações.
A 2ª metade deste disco é composta, na prática, pelas faixas que não puderam ver a luz do dia em 1979.  Elas estão disponíveis em qualidade imaculada (basta carregar nos links para ouvir) e muitas delas representam as "versões definitivas"destes temas.
Pela quantidade de posts que já escrevi sobre a temática, é fácil perceber que o álbum "The Ties That Bind" tem reservado um cantinho no coração muito especial para mim.

O Disco 5 ("Deep Inside The River Vol. 3 - Party Lights: The River Sessions") refere-se à 2ª fase de sessões de gravação, que decorreu entre Outubro de 1979 e Maio de 1980 e que resultaram em "The River".  A maior parte destes temas são inéditos e desconhecidos do público, embora se saiba da sua existência pelos registos presentes nos estúdios The Power Station.

O Disco 6 ("Nassau Year's Eve") é um dos principais atractivos da caixa: um concerto completo em vídeo, da The River Tour. Para aqui escolhi a lendária noite de fim de ano (1980.12.31), ao vivo no Nassau Colisseum, onde Bruce tocou 38 (!!!) temas, num dos concertos mais longos de sempre. O áudio (pelo menos) foi gravado profissionalmente para o lançamento de um álbum ao vivo, sendo que alguns dos temas foram incluídos mais tarde na caixa "Live/1975-85" e outros apareceram noutras compilações. Se não houver vídeo desta noite e não for pedir muito, podem incluir o concerto de fim de ano nos discos 10, 11 e 12.
O único vídeo filmado profissionalmente que se conhece é de 1980.11.24 (Capital Centre, Landover, MD, USA), embora o áudio seja gravado na audiência e por isso de fraca qualidade. Espero uma agrádavel surpresa de Bruce neste capítulo.

O Disco 7 ("Into The River We Dive - The River Live '09") documenta a noite em que Bruce Springsteen tocou - pela primeira e única vez - o álbum "The River" completo e na sequência original, no Madison Square Garden, em 2009. Vale mais como registo histórico, do que outra coisa. Seria seguramente o item menos interessante da caixa.

O Disco 8 ("Thrill Hill Vault - The River Video Extras") resgata todo o vídeo "avulso" que Bruce tenha nos seus cofres. Está aqui o que sabe que existe do concerto de "No Nukes" (embora mais possa existir, quem sabe...), a sua aparição no Hollywood Bowl, para o concerto de beneficência Survival Sunday e ainda a filmagem dos ensaios para a The River Tour. Espero que Bruce nos reserve algumas surpresas para aqui também.

O Disco 9 ("The Ties That Bind: The Story Of The River") é o documentário, à imagem do que já tivemos com "Wings For Wheels" e "The Promise". Que Bruce nos conte a História, pelas suas palavras, de "The River".

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Bruce Springsteen - "The Ties That Bind"

"Now you can't break the ties that bind"



A Rolling Stone anda em polvorosa com a notícia do novo álbum de Bruce Springsteen - o seu artista fétiche. Eu sei que é irónico que eu me refira nestes termos à Rolling Stone, quando mais de 10% dos posts deste blog são dedicados a Bruce Springsteen; mas estamos a falar da malta que deu 5 estrelas a "Working On A Dream", num texto cheio de superlativos que compara o álbum a "Born To Run" e o classifica como o "mais rico da década". Ora, "Working On A Dream" é para mim (e, atrevo-me a dizer, para a maioria dos fãs) o mais fraco de todos os álbuns de Bruce com a E Street Band. Quando posto ao lado de "The Rising", ou mesmo de "Magic", "Dream" só pode corar de vergonha. Na minha opinião, é o álbum que (infelizmente) marca o declínio criativo de Bruce, que continuou com "Wrecking Ball" e se deverá prorrogar no próximo "High Hopes", a ser lançado em Janeiro (e que levará 4 1/2 estrelas da RS).
Mas voltarei a esse assunto mais tarde.

O que mais interessa nesta onda de entusiasmo da Rolling Stone, é que (para um dos artigos) entrevistaram Jon Landau - o manager de Bruce. E ele, talvez sem querer, desvendou o que aí vem para o que nesta altura realmente importa: o colossal filão de material que Bruce Springsteen tem guardado nos seus cofres. Neste artigo, Jon Landau faz a revelação:
"This year also marks the 30th anniversary of Springsteen’s smash Born in the U.S.A., but his manager, Jon Landau, says there are no plans to celebrate that with a deluxe reissue – at least not yet. "There's ongoing work on a River box set," says Landau. "Maybe we’ll do that first".

Ou seja, depois de "Darkness On The Edge Of Town", segue-se "The River" como objecto de um tratamento exaustivo para uma edição de luxo. Esta é a melhor notícia relacionada com Bruce Springsteen, desde que há exactamente 2 anos anunciou o concerto em Lisboa.

Recordo que em 2010, Bruce mostrou ao Mundo como é que se faz uma edição de luxo e lançou "The Promise: The Darkness on the Edge of Town Story" - um set composto por 3CD + 3Blu-Ray, que parou em (quase) todos os apeadeiros.
A caixa de "Darkness" é para mim um dos maiores (o maior?) triunfos artísticos de TODA a carreira do Bruce. A quantidade (e qualidade) do material audio e vídeo ali presentes são a prova da força e criatividade no pico da sua carreira.
Só faltou mesmo um álbum ao vivo, de preferência com o concerto de Passaic, em 1978/09/19, que é "só" uma das minhas performances ao vivo preferidas de sempre. Mas já estou a divagar.
Com a caixa de "Darkness", Bruce elevou a fasquia de tal forma, que será difícil competir com isso no álbum "The River".

Interessa agora pensar e cogitar o que nos espera nesta edição expandida do "The River". Com base no que tivemos em "Darkness", façamos então esse exercício:

- Álbum "The River" remasterizado:
Já não era sem tempo. A discografia do Bruce deixa bastante a desejar ao nível sónico, mas "The River" é de longe o pior exemplo.
Para além de parecer que é a música é transmitida em ondas AM, há um desequilíbrio de equalização que não se compreende. Talvez se deva ao facto do álbum ter sido gravado em 2 fases e de parte dos temas ter sido terminado e masterizado para o cancelado "The Ties That Bind", mas isso teria que ser corrigido na masterização da 2ª leva de temas. O álbum soa a uma compilação e isso é estranho.

- Documentário:
Se fizerem outro documentário para contar a história do álbum, já não vai poder contar com as imagens de estúdio, como tivemos no "The Promise". Infelizmente, o Bruce e o Steven disseram que essas filmagens só foram feitas na gravação do "Darkness".
Mesmo assim, se intercalarem as novas entrevistas com imagens de arquivo de concertos, penso que dá para fazer algo de muito bom.

- Concerto em vídeo:
É a "centerpiece" da caixa para a maioria dos fãs (eu incluído). Esta era a grande dúvida na caixa de "Darkness" e na altura falava-se dos vídeos de concertos que se conheciam (Roxy, Passaic, Phoenix), mas acabou por calhar Houston, que ninguém tinha ouvido falar. Foi uma agradável surpresa.
Na "The River Tour", o único concerto completo, filmado profissionalmente, que eu conheço é o de Landover em 1980.11.24. É este que tem maior probabilidade de calhar na caixa, mas quem sabe, que surpresas o Bruce tem reservadas no Thrill Hill? Como disse, prefiro algo de completamente novo e surpreendente.

- Extras vídeo:
Deve haver "n" filmagens avulsas nesta digressão - uma música aqui, outra ali - que devem facilmente fazer um DVD/BD de bónus. Imediatamente à cabeça vem-me os concertos de beneficência no Hollywood Bowl e no MSG (o tal que fez o Bruce mudar de ideias e cancelar o "The Ties That Bind"), todos filmados profissionalmente.

- Outtakes / Faixas que ficaram de fora do álbum:
Ui... Aqui de certeza que não haverá falta de material. "Darkness On The Edge Of Town" deu origem a um álbum duplo de outtakes ("The Promise") e este pode facilmente dar origem a outro. Já houve vários temas que foram parar ao "Tracks", mas há muito, muito, MUITO material que sobra.
Com a ajuda do Brucebase (a minha bíblia das sessões de gravação de Bruce Springsteen), reuni imediatamente 30 (!!!) temas que poderiam figurar aqui:
“Held Up Without A Gun”
“Cindy”
“Little White Lies”
“Janey Needs A Shooter”
“The Man Who Got Away”
“Chain Lightning”
“Find It Where You Can”
“Break My Heart”
“Out On The Run (Looking For Love) ”
“Love And Kisses”
“Night Fire”
“In The City Tonight”
“Under The Gun”
“I Don’t Wanna Be”
“Chevrolet Deluxe”
“Slow Fade”
“Jole Blon”
“Party Lights”
“Do You Want Me To Say Alright”
“Time That Never Was”
“Down In White Town”
“Angelyne”
“A Thousand Tears (William Davis)”
“I Will Be The One”
“Stray Bullet”
“Tonight”
“I’m Gonna Treat You Right”
“Dedication”
“Your Love”
“This Little Girl”

O nome da caixa? Obviamente:

"The Ties That Bind: The Story Of The River"



Digam lá se não soa maravilhosamente bem? E ainda se prestaria a devida homenagem ao álbum que nunca viu a luz do dia em 1979. Venha de lá essa caixa!


P.S.: Jon Landau não se ficou por aqui no campo das revelações:
"And we're doing some remastering work on his first two albums [1973's Greetings From Asbury Park, N.J. and The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle] as we speak. Those will be forthcoming.""
Ou seja, temos à nossa espera novas remasterizações para "Greetings From Asbury Park, N.J. e "The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle", abrindo a esperança para a abertura do gigantesco cofre de temas dos primeiros anos de carreira de Bruce. Sweet.

domingo, 21 de julho de 2013

Bruce Springsteen - "The Price You Pay"

"You learn to sleep at night with the price you pay"


Tinha 9 anos quando o meu Pai chegou a casa com um CD branco de um artista que nunca tinha ouvido falar. A capa mostrava um homem de costas, o que aumentava o mistério. "Vais gostar disto", assertou-me o meu Pai. Mal eu sabia que aquele álbum iria mudar a minha vida. Tratava-se do "Greatest Hits" do Bruce Springsteen:



Desde então que fui injectado ciclicamente em doses cavalares de Bruce. E ao contrário de outras bandas que adoro desde essa altura (como por exemplo, e que Freddie me perdoe a heresia, os Queen), à medida que os anos passam, eu gosto cada vez mais do Bruce. Cada vez mais o "percebo".
Quanto mais "vivo", mais sinto uma relação estreita, estranhamente próxima com o que ele escreve, com os sentimentos que ele transmite.  Porque são tais e quais os meus. Só não sei é se isso é bom ou não.

Toda a música de Bruce Springsteen reflecte essencialmente sobre 3 escolhas da nossa vida: o que fazemos; para onde vamos; com quem estamos.
A todas estas escolhas está associado um preço. É essa a consequência de "escolha". Preferimos uma opção em detrimento de outra. E pagamos um preço por isso.

_________________________________

"You make up your mind, you choose the chance you take"
"The Price You Pay" fala disto mesmo. Do preço que pagamos pelas escolhas que fazemos.
Já uns anos antes, em "Darkness On The Edge Of Town", Bruce fora lapidar relativamente ao preço que se paga por determinadas escolhas:
"I'll be on that hill with everything I've got (...) and I'll pay the cost for wanting things that can only be found in the darkness on the edge of town"
"The Price You Pay" surgiu das sessões para o álbum perdido de Bruce Springsteen - "The Ties That Bind"  -, aquele que deveria ter sido o primeiro álbum de Bruce sobre a difícil relação de um casal. Infelizmente, como aqui referi, Bruce cancelou o projecto, em favor de um álbum mais variado como aquele que tivemos em "The River".

Foi uma pena. Na minha opinião, de modo a exponenciar a importância da sua música que nesta fase lhe chegava em torrentes criativas, Bruce deveria ter lançado um a dois álbuns por ano, cada um obedecendo a uma determinada matriz, tal como fez com "Darkness On The Edge Of Town". Assim, "The Ties That Bind" poderia ter visto a luz do dia no Natal de 1979 e em 1980 poderíamos ter recebido um álbum festivo com "Out In The Street", "Ramrod", "Sherry Darling", "I'm A Rocker" e todos esses temas mais upbeat que acabaram por ir parar a "The River". E quem sabe, mais um álbum introspectivo, com  temas como "Independence Day", "Drive All Night", "Point Blank", ou "Wreck On The Highway". E já nem falo na astronómica quantidade de material das sessões de "Darkness"...

O que torna esta decisão de cancelar "The Ties That Bind" ainda mais frustrante é que para trás ficaram temas-chave como "To Be True", "Cindy" e "Loose Ends", bem como versões definitivas de temas como "Stolen Car" e "The Price You Pay". Na versão que chegou a "The River", Bruce decidiu inexplicavelmente cortar uma estrofe.

_________________________________

"Some say forget the past, and some say don't look back
But for every breath you take, you leave a track"
Normalmente, as escolhas da nossa vida são tomadas ao longo de um caminho que percorremos, de um processo contínuo; vamos sucessivamente chegando a diversos entroncamentos que nos obrigam a tomar decisões de vida, seja sobre a profissão, o lugar onde vivemos, a pessoa com quem fazemos este caminho.
Em raras ocasiões, este processo contínuo é interrompido, como se alguém carregasse num botão PAUSE da nossa vida; e todas escolhas concorrem num momento, numa encruzilhada que nos obriga a pensar o que, afinal, queremos fazer da vida. Depois é escolher. E pagar o preço dessa escolha.
"Now you can't walk away from the price you pay"
Não há volta a dar, não é possível fugir deste preço.
Será que podemos pagar esse preço, sem que nos arrependamos?
Será que estamos preparados para dormir com essa escolha?

sábado, 23 de junho de 2012

Bruce Springsteen - "The River" (Live)

"Is a dream a lie if it don't come true? Or is it something worse?"

A música de Bruce Springsteen é feita de histórias. Histórias com personagens, personagens como eu, tu ou qualquer outra pessoa que sinta, sofra e seja self-conscious (perdoem-me o anglicanismo, mas não consegui pensar numa palavra tão adequada em português).
Como nós, essas personagens têm sonhos, sonhos épicos... mas que na realidade nunca resultam como os tínhamos imaginado. Estas personagens foram introduzidas em 1975, no álbum "Born To Run", e acompanharam a música de Bruce ao longo de toda a sua carreira.

Será um sonho uma mentira se não se realizar? Ou será algo pior?

A vida não é um "mar de rosas". Temos que ter, à partida, essa noção, sempre que nos lançamos para um sonho, ou para um novo desafio. Mas a verdade é que, para quem tem uma natureza mais optimista, essa noção não existe e quando a realidade nos cai em cima, o embate é muito mais doloroso.
Será esse um motivo suficiente para deixarmos de sonhar? A resposta é negativa. Pelo menos, não é essa a minha opinião.
Nem é essa a opinião de Bruce Springsteen, cujas personagens (hoje já muito mais calejadas) foram do céu (em "Born To Run", assunto a que voltarei brevemente), ao inferno (em "Darkness On The Edge Of Town"), passaram pela desilusão (em "The River"), ou pela dissolução das suas relações sentimentais (em "Tunnel Of Love"), mas que sempre mantiveram a esperança e... o sonho (a mensagem forte dos álbuns da última década, desde "The Rising" a "Wrecking Ball").

As histórias que Bruce foi contando ao longo da sua carreira não foram um produto de geração espontânea do seu imaginário. Muitas delas tiveram origem em experiências pessoais e foram materializadas em música, de uma forma que todos que passámos por situações semelhantes nos podemos identificar. Como já aqui referi, é essa capacidade única, sem qualquer comparação que eu conheça, que eu tanto admiro nele.

Quando Bruce chegou ao fim da década de 70, já tinha passado pela sua dose de sofrimento, tanto com a família, nos seus anos de adolescente, como com a indústria da música, ao longo da sua carreira.
Os dramas que Bruce enfrentou ao longo da sua carreira, especialmente durante a gravação dos álbuns "Darkness On The Edge Of Town" e "The River", bem como dos que ficaram perdidos pelo meio, já foram aqui abordados.
Só ainda não falei nos dramas que Bruce enfrentou durante o seu crescimento.

E isto leva-me à difícil relação que Bruce tinha com o seu Pai, a qual funcionou como uma das principais forças motrizes da sua inspiração, especialmente na primeira metade da sua carreira.

Bruce não teve uma infância propriamente dramática. Filho de pais operários (a mãe era secretária e o pai fazia um pouco de tudo, para fugir ao desemprego e sustentar a sua família), de classe média e criado segundo uma educação católica rígida, os dramas de Bruce foram os mesmos de todos os adolescentes que tinham ideias diferentes dos pais (principalmente, do Pai) e que queriam seguir um caminho diferente, daquele que por eles tinha sido imaginado.

Afinal, Bruce estava, também ele, a desfazer um sonho do seu Pai.

O pai de Bruce não gostava da sua guitarra (referia-se a ela sempre como a "God-damned guitar") e detestava a ideia de ele fazer daquilo um modo de vida.
As discussões em casa eram uma constante.
Na introdução ao tema "The River", num concerto gravado no LA Coliseum, em Los Angeles, a 30 de Setembro de 1985, Bruce aborda esta tempestuosa relação:

"When I was growing up, me and my Dad used to go at it all the time, over almost anything.
I used to have really long hair, way down past my shoulders, when I was 17 or 18. Oh man he used to hate it...

We got to where we would fight so much that I would spent a lot of time out of the house. In the summertime it was not so bad, because it was warm and your friends were out. But in the winter, I remember standing downtown and it would get so cold... and when the wind would blow I had this phone booth that I used stand in. I used call my girl for hours at a time, just talking to her all night long...
Finally I would get my nerve up to go home, I'd stand there in the driveway and he would be waiting for me in the kitchen... And I'd tuck my hair down in my collar and I'd walk in... and he'd call me back to sit down with him... and the first thing that he always asked me was "What did I think I was doing with myself"?
And the worst part about it was I could never explain it to him.

I remember I got in a motorcycle accident once... I was laid up in bed, he had a barber come in and cut my hair and man... I can remember telling him that I hated him and that I would never ever forget.

He used to tell me:
"I can't wait till the army gets you... When the army gets you, they are gonna make a man out of you! They gonna cut all that hair off and they will make a man out of you!"
And this was in I guess '68... And there was a lot of guys from the neighborhood going to Vietnam. I remember the drummer in my first band coming over to my house with his marine uniform on, saying that he was going and that he did not know where it was. A lot of guys went and a lot of guys didn't came back and a lot that came back weren't the same anymore...

I remember the day I got my draft notice, I hit it from my folks and three days before my physical, me and my friends went out and we stayed up all night. We got on the bus to go that morning... Man, we were all so scared...
And I went... and I failed.

I remember coming home after I had been gone for three days, walking in the kitchen and my mother and father were sitting there and my dad said: "where you been?".
I said: "I went to take my physical."
He said: "What happened?"
I said: "They didn't take me"
And he said... "That's good.""




Bruce Springsteen é um óptimo contador de histórias. Esta, em especial, deixa-me sempre debaixo de um arrepio na espinha, principalmente no fim.
Afinal, o durão do Pai, que queria que o filho fosse um duro como ele, que queria que o exército o "amansasse", que queria que ele cortasse o cabelo, largasse a guitarra e fosse estudar Direito... Afinal, o Pai só queria o melhor para ele. O Pai amava-o e tudo o que fazia era na certeza que era o melhor para o filho. E estava no seu direito.
Porque afinal, Bruce estava, também ele, a desfazer um sonho do seu Pai.

Quando Bruce viu o alívio do pai, na altura que descobriu que o filho não vai para a guerra, terá sido aí que se apercebeu que tudo aquilo é o amor duro de um Pai. Tough love is, after all, true love.

O mais engraçado nisto tudo? É que Bruce se tornou, à sua maneira, de uma reflexão do seu Pai. Uma imagem reflectida num espelho diferente.
Bruce vestia-se com as roupas do seu Pai, cantava sobre as dificuldades da classe operária (que ele viu e viveu enquanto jovem) e assim tornou-se num estandarte da working class americana.
O Pai de Bruce queria que ele se tornasse um advogado, mas o que Bruce se tornou foi não mais que... o seu Pai, em cima de um palco.
Bruce falou sobre isso numa entrevista à Rolling Stone:

"When I went to work, I really went to work in my dad's clothes, and it became a way, I suppose, that I honored him and my parents' lives, and a part of my own young life. And then it just became who I was."

No fim de contas , apesar de não se dar com o seu pai durante o seu crescimento (e mostrou isso em temas como "Adam Raised A Cain"), Bruce acabou por reconhecer o mérito do trabalho árduo que o seu Pai tinha entre mãos, como "chefe" de uma família que não lhe deu facilidades.

Como em tantas outras ocasiões, a mensagem de Bruce ressoa na minha cabeça, como se estivesse a falar para mim.
Felizmente, não creio que o meu crescimento tivesse sido feito numa colisão tão forte com o meu Pai, até porque, ao contrário de Bruce, eu acabei por me tornar naquilo que ele desejava. Mas isso não significa que tenha sido fácil.
Os choques entre Pai e Filho em minha casa eram também frequentes e não raras vezes, muito duros. Mas como já referi aqui, tudo o que eu queria ser, afinal, era como o meu Pai.
Uma imagem reflectida num espelho diferente.



P.S.: Com isto tudo, ao fim de 12 parágrafos, acabei por nem abordar o tema "The River" e a sua história, para além da "realização do sonho". É uma pena, porque há muito mais para dizer. Ficará para outra ocasião.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Bruce Springsteen - "To Be True"

"Don't make us some little girl's dream that can't ever come true, that only serves to hurt and make you cry like you do"



Na ressaca da dolorosa experiência da concepção e promoção do álbum "Darkness On Edge Of Town", Bruce Springsteen regressou ao estúdio em Março de 1979 para gravar o seu 5º álbum.

Desta vez, o processo de gravação parecia correr de forma menos conturbada e a CBS (editora de Bruce) já fazia planos para o lançamento natalício do novo álbum de originais de Bruce Sprinsgteen.
Até ao final de Agosto, Bruce Springsteen já tinha escrito e/ou gravado os seguintes temas:

"Roulette"
"White Lies"
"Hungry Heart"
"The Ties That Bind"

"Find It Where You Can"
"Break My Heart"
"Out On The Run (Looking For Love)"
"In The City"
"The Man Who Got Away"
"Chain Lightning"
"Night Fire"
"Under The Gun"
"Mary Lou"
"I Wanna Be With You"
"Bring On The Night"
"Ramrod"
"The Price You Pay"

"Ricky Wants A Man Of Her Own"
"Loose Ends"
"Cindy"
"I Want To Marry You"
"To Be True"
"Stolen Car"
"The River"
"You Can Look (But You Better Not Touch)"

"Dollhouse"
"Point Blank"

Nem mais nem menos 27 temas.
27 temas em diversas versões diferentes, que formam um lote considerável de material de qualidade, em quantidade mais que suficiente para compôr um álbum.
O título para o álbum foi escolhido e foram seleccionadas e masterizadas 10 faixas, que formariam "The Ties That Bind", o álbum perdido de Bruce Springsteen:

LADO A
"1. The Ties That Bind" (3:37)
2. "Cindy" (2:28)
3. "Hungry Heart" (3:28)
4. "Stolen Car" (4:33)
5. "To Be True" (3:54)
LADO B
6. "The River" (4:54)
7. "You Can Look (But You Better Not Touch)" (2:12)
8. "The Price You Pay" (5:51)
9. "I Wanna Marry You" (3:31)
10. "Loose Ends" (4:08)

"The Ties That Bind" seria um álbum conceptual, o primeiro álbum de Bruce Springsteen a abordar a temática das relações entre o homem e a mulher: a responsabilidade do compromisso e a dificuldade da manutenção dessa ligação.
São usadas várias metáforas como o rio, o e até uma viagem de carro, para ilustrar estes sentimentos. Era um álbum com uma orientação um pouco mais leve do que "Darkness On the Edge Of Town", mas que ainda assim carregava um importante significado.

"Baby you be true to me and I´ll be true to you!"
"So how about it?"

No entanto, após a actuação em dois concertos de beneficiência, em Setembro de 1979 Bruce mudou de ideias e decidiu que queria seguir uma direcção diferente. Bruce queria incluir uma série de outros estilos musicais que ele também gostava, mas que até então tinham sempre sido estrangulados pela rigidez da matriz dos seus álbuns conceptuais. Isso já tinha ocorrido na criação do álbum "Darkness On Edge Of Town" e Bruce não queria repetir o formato para o seu 5º álbum. O significado perdera a sua importância.

Assim, o álbum "The Ties That Bind" foi cancelado por completo e Bruce Springsteen e a E Street Band regressaram ao estúdio em Outubro de 1979 para uma longa 2ª fase de sessões de gravação. Essas sessões durariam até ao Verão de 1980 e dariam lugar ao multifacetado álbum "The River", que apresentava uma diversiade de estilos à imagem do que Bruce tinha em mente. Dos 27 temas da 1ª fase de gravações, apenas 8 chegaram a "The River" (assinalados a negrito na lista em cima), alguns deles com versões drasticamente diferentes.

Volvidos 15 anos, em 1994 chegou aos fãs um cópia da master tape de "The Ties That Bind", directamente dos estúdios Power Station, local onde tiveram lugar as sessões de gravação em 1979. Os fãs puderam finalmente ouvir o álbum perdido de Bruce Springsteen.


Com isto, levantou-se a questão: será que Bruce Springsteen fez bem em cancelar o projecto "The Ties That Bind"? Será porventura "The Ties That Bind" melhor que "The River"?

Em primeiro lugar, devo sublinhar que "The Ties That Bind" é, sem sombra de dúvida, sonicamente superior a "The River". Tendo em conta que todas as prensagens já lançadas de "The River" são um verdadeiro desastre sonoro e que "The Ties That Bind" chegou às mãos dos fãs directamente da master tape original, isso não era difícil.

Quanto à comparação entre os dois projectos... São coisas diferentes.
Não diria que "The Ties That Bind" é superior a "The River", porque o primeiro é uma parte do segundo e o primeiro tem 10 faixas, contra 20 do segundo. Seria injusto comparar assim os álbuns.

No entanto, diria que Bruce Springsteen cometeu um erro em ter cancelado o lançamento de "The Ties That Bind". Este álbum, tal como foi formulado, resulta muitíssimo bem. É um álbum que, ao contrário de "The River", segue uma linha de raciocínio e que tem temas excelentes, alguns deles abortados para "The River". Isso foi uma pena.

Na minha opinião, é verdade que há algum material supérfluo em "The Ties That Bind", nomeadamente "You Can Look (But You Better Not Touch)" e "I Wanna Marry You". Contudo, ambos os temas acabaram por figurar em "The River", tal como uma série de outros temas que nada acrescentam àquele álbum.

Em suma, para mim Bruce deveria ter lançado em 1979 o mais sólido e mais coerente "The Ties That Bind" e logo depois, como era sua vontade, lançar um party album, com temas mais leves e desconexos.
O resultado em "The River" acabou por ser um cruzamento destes dois conceitos, com um conjunto de material muito bom misturado com material bastante fraco, sem se vislumbrar qualquer fio condutor.

Do conjunto de 10 temas que figuravam em "The Ties That Bind", 3 deles não foram incluídos em "The River": "Cindy", "To Be True" e "Loose Ends". Todos são grandes temas, inexplicavelmente postos de parte.

O tema que aqui fica é "To Be True", uma versão arcaica de "Be True", que seria lançado em 1980 como o Lado B do single "Fade Away", retirado de "The River". Segundo Bruce Springsteen, "Be True" ficou de fora do álbum em favor do tema "Crush On You", uma decisão que, ao fim de alguns anos, o próprio tem dificuldade em perceber.

"To Be True" é mais que um tema criminosamente deixado de lado em "The River" (seguindo a tradição de outros temas como "The Promise" em "Darkness On The Edge Of Town"), é uma das minhas gravações preferidas de Bruce Springsteen, onde destaco o fabuloso solo de saxofone de Clarence Clemons no fim do tema.

Em 2010, pelo segundo ano consecutivo, Bruce Springsteen foi o artista que mais ouvi. A descoberta da sua obra significa a entrada num túnel cheio de tesouros, que parece não ter fim à vista. A quantidade de temas que ele gravou vai muito para além da (já respeitável) quantidade que está editada.
E eu continuo fascinado na descoberta destes tesouros.