Mostrar mensagens com a etiqueta Artista: Bruce Springsteen. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Artista: Bruce Springsteen. Mostrar todas as mensagens

sábado, 7 de setembro de 2019

Bruce Springsteen — "The Promised Land" (Live at Passaic '78)

"There's a dark cloud rising from the desert floor, I packed my bags and I'm heading straight into the storm"


1. PIÈCE DE RÉSISTANCE

Já devem ter ouvido muitos contos e lendas acerca dos concertos de Bruce Springsteen. São todos verdade. Mas de todos os concertos, há um acima de todos os outros. E pluribus unum, como diz o emblema do Benfica; o unum aconteceu a 19 de Setembro de 1978 no Capitol Theater em Passaic, New Jersey e foi o primeiro de três concertos de "regresso a casa" para Bruce. Ele aparece na melhor forma de toda a sua carreira e com o melhor lote de canções, a promover o álbum "Darkness On The Edge Of Town".

A melhor noite de toda a carreira de Bruce Springsteen e uma das melhores gravações ao vivo de toda a história do Rock, que é finalmente editada oficialmente pelo Boss. O concerto foi transmitido nas rádios americanas, sendo mais tarde editado profusamente, mas em forma de bootleg, com o nome "Pièce de Résistance". "Pièce de Résistance" vem do francês e significa "obra-prima maior do artista" e não poderia haver nome melhor para esta gravação que resume todas as lendas já alguma vez contadas sobre os concertos de Bruce Springsteen. Ainda que tenha sido originalmente lançada em zona cinzenta da legalidade, a gravação ganhou tanta reputação, que se tornou num dos bootlegs mais vendidos de sempre e com ela Bruce ganhou fama de ser um animal de palco. 41 anos depois, Bruce decide recuperar as mastertapes e tirar o melhor desta lendária gravação. Tempo por isso de recordar como este bootleg mudou a minha vida há 10 anos e como deixou uma marca indelével para tudo o que se passaria a seguir.

2. THINGS THAT CAN ONLY BE FOUND IN THE DARKNESS ON THE EDGE OF TOWN

No final de 2008, a minha vida dava uma cambalhota completa. Ao mesmo tempo que acabava o curso no Técnico e começava uma vida rotineira de trabalho, estava prestes a sair da relação mais sólida e duradoura da minha vida, um amor que durou os 5 anos da minha estadia no Técnico. É um período que hoje relembro com enorme carinho e um passado com o qual estou em perfeita paz. Mas nem sempre foi assim. Nos meses que se seguiram àquele rompimento, vivi a agonia da dúvida se tinha feito o que era certo para mim. Não era uma agonia aguda, um sentimento que me fizesse disparar a marcação de um número de telefone. Era sim um ruído que se arrastava no dia-a-dia, uma interferência no sinal da minha rádio, um grão na imagem que persistia e teimava em não sair. Estava confuso, perdido e à procura de respostas sobre as grandes questões da vida. Nesse período, descobri Bruce Springsteen.

Já me conhecem, não sou de deixar os superlativos caídos no chão. Por isso vou ser directo: Bruce Springsteen salvou a minha vida entre 2008 e 2009, num exorcismo que começou em Dezembro de 2008 e culminou no dia 2 de Agosto de 2009, num Monte do Gozo a rebentar pelas costuras em Santiago de Compostela. Foi a primeira vez que vi Bruce Springsteen ao vivo e uma noite que definiu a minha vida e tudo o que eu queria dela daí em diante. Emoção. Honestidade. Seja ela em beleza, ou em bruteza. É isso que Bruce dá ao público nos seus concertos, porque é exactamente aquilo por que as pessoas estão esfomeadas.

Durante este período de exorcismo, havia um CD que rodava em loop no meu carro. Era a gravação do primeiro set do primeiro concerto de Passaic. Tudo o que eu tinha que ouvir de Bruce naquele momento estava condensado ali. Bruce tinha todas as respostas que eu procurava para as grandes questões da vida. Foi ele que me fez perceber porque é que eu tinha saído. E o que é que me esperava a seguir.
Saí, porque quis ver o que havia na escuridão da orla da cidade. E como Bruce avisou, tive que pagar o preço de querer coisas que só podem ser encontradas na escuridão da orla da cidade. Leiam aqui o que entenderem.

3. A LIGHT IN THE DARKNESS

Naquela gravação ao vivo de Passaic, Bruce enquadrou tudo o que eu sentia naquela altura. Deu nomes aos lugares metafóricos que existiam na minha cabeça ("the edge of town"). Deu nomes aos sentimentos de culpa que me assolavam ("When the night's quiet and you don't care anymore / Your eyes are tired and someone at your door / And you realize... you wanna let go") e resumiu o espírito da minha viagem de redenção, quando introduziu "Darkness On The Edge Of Town" em jeito de pregador: "At one time or another, everybody's gotta drive through the darkness on the edge of town".

Mas o conteúdo era apenas uma parte e não a parte fundamental desta gravação catártica. A forma, aqui, é tudo. A paixão que Bruce imprime nesta actuação é arrepiante. Desde a contagem para "Badlands" que entramos numa auto-estrada sensorial, onde nos agarram pelos colarinhos e somos submetidos a chuveiro de emoções que tão depressa nos imprimem excitação ("Badlands"), raiva ("Streets Of Fire"), alegria ("Spirit In The Night"), ambição ("Thunder Road", "The Promised Land"), desespero ("Meeting Across The River") e arrepios, quando Bruce Springsteen pergunta à audiência "New Jersey, are you ready to prove it all night?" e depois abre a guitarra. Tudo num espaço de 80 minutos.

4. MEETING ACROSS THE RIVER


O tempo passou e eu procurei refazer a minha vida, sempre carregando a tocha do Bruce no meu dia-a-dia. Foram os anos áureos do blog "Escolha Musical do Dia", que na altura escrevia quase diariamente (como era suposto) e que, não por acaso, tinha uma avalanche de posts de Bruce Springsteen. Para meu gáudio, em 2012 Bruce vem a Portugal, ao Rock In Rio, e eu tenho a oportunidade de o voltar a ver.

Nesta altura, uma "ex" que tinha sido uma má ideia desde o início (não é a do segundo capítulo, obviamente), tenta uma reaproximação com o pretexto de que queria também ver o Bruce Springsteen no Rock In Rio e como tal, pediu-me para eu a ajudar a preparar o concerto. Eu gravei-lhe o CD do Passaic e acordámos um encontro à beira rio, que eventualmente iria reatar a má ideia inicial.

Na semana seguinte, escrevi o mail:
"De: Nuno Bento
Enviado: 25 de maio de 2012 19:22
Para: (...)
Assunto: "Stuff this in your pocket, it will look like you're carrying a friend" 
Olá! Conforme te tinha prometido, aí está o alinhamento do CD que te gravei do tio Bruce, uma das minhas gravações ao vivo preferidas de sempre (só atrás do Live At Wembley '86 dos Queen): 
1. Intro (0:31)
2. Badlands (5:00)
3. Streets Of Fire (4:47)
4. Spirit In The Night (6:50)
5. Darkness On The Edge Of Town (4:14)
6. Independence Day (5:29)
7. The Promised Land (5:23)
8. Prove It All Night (9:30)
9. Racing In The Street (8:09)
10. Thunder Road (5:28)
11. Meeting Across The River (3:17)
12. Jungleland (9:39) 
Como podes ver pelo site, este CD é apenas o 1º set de um concerto de quase 4 horas que o Bruce deu na sua terra Natal (New Jersey) em 1978. Na altura, ele dava dois "sets" de hora e meia e depois voltava para mais meia-hora/uma hora de encores. Aquilo nunca mais acabava! 
No sábado não acabei de te contar a minha "história" sobre este concerto: há mais ou menos 4 anos fiquei apanhadinho pela música do tio Bruce e por acaso dei com este concerto. Foi daquelas coisas que mudou a minha vida. Durante 2 anos, esteve em constante repeat no meu carro e arrisco dizer que foi o álbum que mais ouvi (de sempre) no meu carro! Ok, eu tenho um uso muito fácil de superlativos, mas é verdade! Mudou a minha vida! Por isso, quando te gravei o CD, foi como se de uma "entrega" de algo importante e pessoal se tratasse. Agora que já foste apanhada também pela mística do tio Bruce, achei que estavas preparada para ouvir isto! 
E pronto, já tens aí tudo o que precisas para saber tudo do tio Bruce. O trabalho não me deixou enviar isto mais cedo, mas ainda vais bem a tempo!
Desejo-te um bom concerto e, uma vez que vais incentivada por mim, espero que gostes! 
Beijinhos,
Nuno"
Ai, ai, ai, Nuno. Que tontinho. O concerto do Bruce foi espectacular, como é óbvio. O retomar da má ideia é que foi um desastre. O que vale foi que a seguir a uma série de desastres, que culminaram num acidente de automóvel em Setembro desse ano, deu-se início à caminhada que me iria levar para a terra prometida.

5. THE PROMISED LAND


A continuação da história está contada aqui (por escrito) e aqui (na rádio). O caminho para a terra prometida continua. Sempre ao som do Bruce.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Bruce Springsteen - "For You" (Live at Hammersmith Odeon '75)

"I came for you, but you did not need my urgency"


Tenho uma teoria: acho que a minha vida pode ser contada através dos álbuns do Bruce Springsteen. Eliminando algumas incongruências e introduzindo algumas analepses e outras tantas prolepses, posso contar a minha história a partir do "Born To Run", quase cronologicamente. O mais engraçado é que os álbuns são biográficos, sim, mas naturalmente do próprio Bruce. Eles reflectem o seu estado de espírito na altura em que foram gravados e cada um desses álbuns entrou na minha vida em ordem cronológica no respectivo tempo em que eu passei esse mesmo estado de espírito ou condição de vida. Perdoem-me se tiverem que ler esta frase mais uma vez, mas é isto mesmo.

Várias vezes senti que o Bruce estava "ali" a tomar notas sobre a minha vida e a escrever sobre isso, em canções com 30 e 40 anos. Mesmo admitindo algum (ou muito!) pretensiosismo associado a esta teoria, às vezes eu próprio fico pasmado com a capacidade que Bruce tem em descrever minuciosamente os eventos da minha vida e pôr em palavras o meu estado de alma.

É enquadrado nessa teoria que hoje me lembrei de "For You", tema que faz parte do primeiro álbum de Bruce Springsteen (teria que ser introduzido na minha história como uma analepse na sua discografia, portanto), mas que só levantou voo quando Bruce se sentou ao piano e deu asas ao que lhe ia na alma. A versão que resultou do concerto no Hammersmith Odeon em Londres, 1975 — o primeiro concerto da E Street Band na Europa — é das materializações mais bonitas de um sentimento em música. Como só Bruce Springsteen sabe fazer.
Princess cards she sends me, with her regards
Her bar room eyes shine vacancy, to see her you have to look hard
I was wounded deep in battle, but I stood stuffed like a soldier undaunted
To her Cheshire smile I'd stand on file, she was all I ever wanted
But you let your blue walls get in the way of these facts
And honey, get your carpetbaggers off my back
You wouldn't even give me time to cover my tracks
You said, "Here boy, here's your mirror, your ball and your jacks"
But they ain't what I came for, and I'm sure you know that's true

Baby, I came for you, for you, I came for you; but you did not need my urgency
For you, for you, I came for you, but your life was one long emergency
And the cloud line urges me, and my electric surges free

Oh, crawl into my ambulance, your pulse is getting weak
Reveal yourself just once for me baby, while you've got the strength to speak
'Cause they're waiting for you at Bellevue with their oxygen masks
But I could give it all to you here, if only you would ask...
And don't call for your surgeon, even he says it's too late
It ain't your lungs this time, baby, it's your heart that holds your fate
Don't give me my money, honey, I don't want it back
You and your pony face and your union jack
You can take that local joker and teach him how to act
You know I was never that way even, even when I really cracked
And didn't you think I knew that you were born with the power of a locomotive
You could leap tall buildings in a single bound
And your Chelsea suicide with no apparent motive
You could laugh and could cry in a single sound

Your strength is devastating in the face of all these odds
Remember how I kept you waiting when it was finally my turn to play the god?
And you were not quite half so proud when I found you broken on the beach
Remember how I poured salt on your tongue and hung just out of reach
And the band they played the homecoming theme as I caressed your cheek
And that ragged, ragged jagged melody, still clings to me like a leech
And you know that medal you wore on your chest, and how it always got in the way
You were like a little girl with a trophy, so soft to buy her way
We were both hitchhiking, but you had your ears tuned to the roar
Of some metal-tempered engine on an alien, distant shore
So you left to find a better reason than the one we were living for
And it ain't that nursery mouth that I came back for
And it ain't the way that you're stretched out on the floor
'Cause I've broken all your windows and rammed through all your doors
And who am I to ask you to lick my sores? 
You should know that's true

Baby, I came for you! But you did not need it...
For you, baby, I came for you, but your life was one long, long emergency
And your cloud line urges me, and my electric surges free

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Bruce Springsteen (The Castiles) - "You Can't Judge a Book by the Cover"




Ainda agora comecei a ler a autobiografia do Bruce Springsteen e já estou de coração cheio. Bastaram meia dúzia de capítulos para perceber como funciona o livro do Boss: todo ele está divididinho em pequenos capítulos de 4/5 páginas que se lêem como canções, uma vez que à semelhança das canções de Bruce, cada um destes actos conta uma história.


Bruce escreve em prosa na mesma linguagem épico-mundana que já conhecemos da sua música (descrevendo lugares, personagens e acontecimentos mundanos de forma épica) pelo que, juntando à estrutura projectada em pequenas short-stories, faz com que este pareça um álbum novo de Bruce Springsteen - a sua antologia definitiva, onde pôde contar a história da sua vida sem as restrições da duração de um disco. Para um fanático do Bruce como eu, é mesmo de deixar o coração cheio. No fim de cada capítulo, só apetece abraçar o livro.

O fim-de-semana está aí e agora que o Verão se foi embora e a escuridão ganha terreno nos dias, não há programa melhor para passar o tempo, se não a ler o novo álbum de Bruce Springsteen. Bem, na verdade até há literalmente um álbum novo - o "Chapter And Verse". Mas este será o caso raro em Bruce, em que é preferível ler o livrete que ouvir a música.

Mais uma nota: se puderem, leiam a versão original. As palavras do Bruce só devem ser lidas nas suas próprias palavras, não há volta a dar. De outra forma, deixa de ser Bruce Springsteen. Agora escusem-me este post rápido, que vou voltar para o meu livro (comprado em half-price na WHSmith do aeroporto de Luton! Sabe tão bem uma borla!).

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Bruce Springsteen - "Because The Night" (Live at Agora)

Na minha interminável busca pelo concerto perfeito de Bruce Springsteen, há meses que andava à procura da versão perfeita de "Because The Night".

A versão perfeita de "Because The Night" chegou-me originalmente num mp3 de qualidade duvidosa, há mais de 10 anos, via Kazaa - um programa de p2p, que se usava antes do advento das torrents e que serviu para eu construir a minha primeira discografia extensiva.
Na altura, não era ainda hábito "sacar" álbuns inteiros, a velocidade da ligação de internet não o permitia. Começava então por fazer o download das minhas faixas preferidas (normalmente aquelas que ouvia na rádio) e, caso gostasse, mais se seguiriam. A honra máxima para o artista seria levar-me à loja comprar o álbum para ouvir em qualidade decente, passível de levantar o volume ao máximo. Devo relembrar, a qualidade dos mp3 na altura era bastante duvidosa (não costumava ir além dos 128kbs). O dinheiro também não abundava no bolso de um estudante do liceu, por isso a escolha tinha que der criteriosa.

Mas tal era impossível com "Because The Night (Live)". Sacado por entre um molho de temas avulsos de Bruce, esta faixa vinha órfã, que é como quem diz, na linguagem nerdi-musical, sem tags.
Sem identificação, não podia comprar o álbum, porque não sabia de onde vinha. Na altura, presumi que esta era a versão usada no álbum ao vivo mais conhecido - "Live 1975-85".
Uns anos mais tarde, já com dinheiro em caixa para transformar toda aquela discografia digital construída ao longo dos anos em discos palpáveis, comprei o álbum. E choque: não, não era aquela versão.
Qual seria, então?
Anos passaram-se e nunca dei com ela. Ouvi os bootlegs dos concertos mais conhecidos e nunca lá estava. A "versão perfeita" de "Because The Night" parecia jogar às escondidas comigo. Até hoje.

Hoje à noite, vagueando pelo Youtube e pelo espólio aparentemente infindável que lá se pode encontrar, dei sem querer com ela.
Às vezes é assim que funciona a nossa vida: procuramos em vão algo durante muito tempo e depois, sem saber como, ela vem-nos parar às mãos. No caso, aos ouvidos.


Esqueçam a versão da Patti Smith. Esqueçam a versão polida de "The Promise", com a nova faixa vocal. Esqueçam a versão condensada de "Live 1975-85".
Se querem ouvir a verdadeira, a versão perfeita de "Because The Night", ela foi gravada ao vivo a 9 de Agosto de 1978 no Agora, em Cleveland, no lendário "Darkness Tour" e está aqui:



Puxem até ao segundo 17:12 et voilá.


Notem que, à hora que Bruce Springsteen arrancou para a versão perfeita de "Because The Night, ele já levava 3 horas e meia de concerto na garganta. Impressionante.
Que o diga o jornalista de Cleveland que fez a cobertura do concerto:


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Bruce Springsteen - "The Ties That Bind: The Story Of The River"

"Into the river we dive"




Na sequência do último post, em que dei conta da intenção de Bruce Springsteen de lançar uma edição de luxo alusiva a "The River", resolvi perder umas parcas 8 horas da minha vida (mais hora, menos hora) e ajudar Bruce na árdua tarefa de compilar uma caixa completa e satisfatória para os fãs.

Fica assim já feito o meu pedido para o Pai Natal, mesmo sabendo que ele só pode trazer para o ano.
Minhas Senhoras e Meus Senhores, mergulhem no rio comigo, num derradeiro olhar sobre "The River", com:

Bruce Springsteen - "The Ties That Bind: The Story Of The River" [5CD+4DVD] (2014) 


Discos 1 e 2 (2CD): "The River" (1983)
CD1 (LP 1 original):
1. "The Ties That Bind" (3:34)
2. "Sherry Darling" (4:03)
3. "Jackson Cage" (3:04)
4. "Two Hearts" (2:45)
5. "Independence Day" (4:50)
6. "Hungry Heart" (3:19)
7. "Out in the Street" (4:17)
8. "Crush on You" (3:10)
9. "You Can Look (But You Better Not Touch)" (2:37)
10. "I Wanna Marry You" (3:30)
11. "The River" (5:01)
CD2 (LP 2 original):
1. "Point Blank" (6:06)
2. "Cadillac Ranch" (3:03)
3. "I'm a Rocker" (3:36)
4. "Fade Away" (4:46)
5. "Stolen Car" (3:54)
6. "Ramrod" (4:05)
7. "The Price You Pay" (5:29)
8. "Drive All Night" (8:33)
9. "Wreck on the Highway" (3:54) 
Disco 3 (CD): "Deep Inside The River Vol. 1 - The River Tracks" (2014)
1. "Mary Lou" (3:24) - Gravado em 1979.05.30 - “Tracks”
2. "I Wanna Be With You" (3:25) - Gravado em 1979.05.31 - “Tracks”
3. "Bring On the Night" (2:42) - Gravado em 1979.06.13 - “Tracks”
4. "Ricky Wants a Man of Her Own" (2:49) - Gravado em 1979.07.16 - “Tracks”
5. "Dollhouse" (3:36) - Gravado em 1979.08.21 - “Tracks”
6. "From Small Things (Big Things One Day Come)" (2:42) - Gravado em 1979.09.02 - "The Essential"
7. "Where the Bands Are" (3:47) - Gravado em 1979.10.09 - “Tracks”
8. "Living on the Edge of the World" (4:21) - Gravado em 1979.12.07 - “Tracks”
9. "Take 'em as They Come" (4:32) - Gravado em 1980.04.10 - “Tracks”
10. "Restless Nights" (3:49) - Gravado em 1980.04.11 - “Tracks”
11. "Help Up Without A Gun (Live)" (1:21) - Gravado ao vivo em 1980.12.31 no Nassau Coliseum - "The Essential" 
Disco 4 (CD): "Deep Inside The River Vol. 2 - Loose Ends: The Ties That Bind Sessions" (2014)
1. "Roulette" (Rock Mix) (3:57) - Gravado 1979.04.03 - Lado B de "One Step Up"
2. "Point Blank" (Fast) (5:24) - Gravado em 1979.05.29-30 - Inédito
3. "Little White Lies" (2:42) - Gravado em 1979.06.01 - Inédito
4. "The Man Who Got Away" - Gravado em 1979.06.13 / 1979.07.05 - Inédito
5. "Night Fire" - Gravado em 1979.06.13 - Inédito
6. "Under The Gun" - Gravado em 1979.06.14 - Inédito
7. "Do You Want Me To Say Alright" - Gravado em 1979.06.14 - Inédito
8. "Stolen Car" (alternate lyrics) (4:48) - Gravado em 1979.06 - Inédito
9. "The Price You Pay" (additional verse) (5.54) - Gravado em 1979.06 - Previsto para “The Ties That Bind”
10. "Cindy" (2:18) - Gravado em 1979.07.16-17 - Previsto para “The Ties That Bind”
11. "Loose Ends" (4:05) - Gravado em 1979.07.18 - Previsto para “The Ties That Bind”
12. "To Be True" (3:43) - Gravado em 1979.07.21 - Previsto para “The Ties That Bind”
13. "You Can Look (But You Better Not Touch)" (Rockabilly)" (2:12) - Gravado em 1979.08.24-15 - Previsto para “The Ties That Bind” 
Disco 5 (CD): "Deep Inside The River Vol. 3 - Party Lights: The River Sessions" (2014)
1. "Party Lights" - Gravado em 1979.10.08 - Inédito
2. "Dedication" - Gravado em 1979.12.04/06 - Inédito
3. "A Thousand Tears (William Davis)" - Gravado em 1980.01.31-02.01 - Inédito
4. "Angelyne" - Gravado em 1980.02.01 - Inédito
5. "I Will Be The One" - Gravado em 1980.02.16/26 - Inédito
6. "Chain Lightning" - Gravado em 1980.01.17 - Inédito
7. "Help Up Without A Gun" (1:20) - Gravado em 1980.04 - Lado B de "Hungry Heart"
8. "Time That Never Was" - Gravado em 1980.04.16 - Inédito
9. "Down In White Town" - Gravado em 1980.04.16 - Inédito
10. "Your Love" - Gravado em 1980.07-08 durante as sessões com Gary US Bonds - Inédito
11. "This Little Girl" - Gravado em 1980.06-08 durante as sessões com Gary US Bonds - Inédito 
Disco 6 (DVD/Blu-Ray): "Nassau Year's Eve" (2014)
1980.12.31 Nassau Coliseum, Uniondale, NY, USA (audio)
1. "Night"
2. "Prove It All Night"
3. "Spirit In The Night"
4. "Darkness On The Edge Of Town"
5. "Independence Day"
6. "Who'll Stop The Rain"
7. "This Land Is Your Land"
8. "The Promised Land"
9. "Out In The Street"
10. "Racing In The Street"
11. "The River"
12. "Badlands"
13. "Thunder Road"
14. "Cadillac Ranch"
15. "Sherry Darling"
16. "Hungry Heart"
17. "Merry Christmas Baby"
18. "Fire"
19. "Candy's Room"
20. "Because The Night"
21. "4th Of July, Asbury Park (Sandy)"
22. "Rendezvous"
23. "Fade Away"
24. "The Price You Pay"
25. "Wreck On The Highway"
26. "Two Hearts"
27. "Ramrod"
28. "You Can Look (But You Better Not Touch)"
29. "Held Up Without A Gun"
30. "In The Midnight Hour"
31. "Rosalita (Come Out Tonight)"
32. "Santa Claus Is Coming To Town"
33. "Jungleland"
34. "Born To Run"
35. "Detroit Medley"
36. "I Hear A Train"
37. "Twist And Shout"
38. "Raise Your Hand"
Disco 7 (DVD/Blu-Ray): "Into The River We Dive - The River Live '09" (2014)
2009.11.08 Madison Square Garden, New York, NY, USA (audio)
1. "Wrecking Ball" (com Curt Ramm)
2. "The Ties That Bind"
3. "Sherry Darling"
4. "Jackson Cage"
5. "Two Hearts" / "It Takes Two"
6. "Independence Day"
7. "Hungry Heart"
8. "Out In The Street"
9. "Crush On You"
10. "You Can Look (But You Better Not Touch)"
11. "I Wanna Marry You"
12. "The River"
13. "Point Blank"
14. "Cadillac Ranch"
15. "I'm A Rocker" (com Curt Ramm)
16. "Fade Away"
17. "Stolen Car"
18. "Ramrod"
19. "The Price You Pay"
20. "Drive All Night"
21. "Wreck On The Highway"
22. "Waitin' On A Sunny Day"
23. "Atlantic City"
24. "Badlands"
25. "Born To Run"
26. "Seven Nights To Rock"
27. "Sweet Soul Music "(com Curt Ramm)
28. "No Surrender"
29. "American Land" (com Curt Ramm)
30. "Dancing In The Dark"
31. "Can't Help Falling In Love"
32. "(Your Love Keeps Lifting Me) Higher And Higher" 
Disco 8 (DVD/Blu-Ray): "Thrill Hill Vault - The River Video Extras" (2014)
"No Nukes concert" - 1979.09.21/22 Madison Square Garden, New York, NY, USA
1. "The River"
2. "Thunder Road"
3. "Quarter To Three"
"The River Tour rehearsals" - 1980.09 Claire Brothers Audio, Lititz, PA, USA (Parte 1, Parte 2, Parte 3)
1. "Born To Run"
2. "Prove It All Night"
3. "Tenth Avenue Freeze-Out"
4. "Out in the Street"
5. "The River"
6. "Darkness on the Edge of Town"
7. "Wreck on the Highway"
8. "The Ties That Bind"
9. "The Promised Land"
10. "Thunder Road"
11. "Racing in the Street"
12. "Cadillac Ranch"
13. "Fire"
"Survival Sunday concert" - 1981.06.14 Hollywood Bowl, Los Angeles, CA, USA
1. "This Land Is Your Land"
2. "The Promised Land" (com Jackson Browne)
3. "Jole Blon" (com Gary US Bonds)
4. "Hungry Heart"
5. "Brother John Is Gone" (com todos os artistas)

Disco 9 (DVD/Blu-Ray): "The Ties That Bind: The Story Of The River" (2014)
Documentário

São assim um total de 9 discos - 5 de áudio e 4 de vídeo - que podem mostrar finalmente a verdadeira dimensão do material que Bruce acumulou, nos 2 anos de gravações contínuas (1979 e 1980) que culminaram em "The River".
Na parte áudio, a juntar ao álbum duplo remasterizado, estão 3 discos de temas finalizados, que não couberam no álbum. Exacto. Ao contrário do que aconteceu com as faixas gravadas nas sessões de "Darkness On The Edge Of Town" (muitas delas tiveram que ser completadas para a sua inclusão em "The Promise"), todos os temas que estão nos discos 3, 4 e 5 (que baptizei de "Deep Inside The River") foram gravados nos estúdios The Power Station e estão terminados, ou em estado final de acabamento.

O Disco 3 ("Deep Inside The River Vol. 1 - The River Tracks") é uma espécie de "revisão da matéria dada", compilando os temas que já foram lançados das sessões de gravação de "The River" e que já são conhecidos na sua "versão definitiva". Estes temas apareceram na caixa "Tracks", de 1998 e na compilação "The Essential", de 2003.

O Disco 4 ("Deep Inside The River Vol. 2 - Loose Ends: The Ties That Bind Sessions") refere-se à 1ª fase de sessões de gravação, que decorreu entre Março e Setembro de 1979 e que produziram o álbum "The Ties That Bind". A 21 e 22 de Setembro, Bruce Springsteen deu 2 concertos com a E Street Band no Madison Square Garden, para apoiar os Musicians United for Safe Energy (mais conhecido por No Nukes) e por alguma razão, mudou de ideias. O álbum foi cancelado e a banda voltaria a estúdio para mais um ano de gravações.
A 2ª metade deste disco é composta, na prática, pelas faixas que não puderam ver a luz do dia em 1979.  Elas estão disponíveis em qualidade imaculada (basta carregar nos links para ouvir) e muitas delas representam as "versões definitivas"destes temas.
Pela quantidade de posts que já escrevi sobre a temática, é fácil perceber que o álbum "The Ties That Bind" tem reservado um cantinho no coração muito especial para mim.

O Disco 5 ("Deep Inside The River Vol. 3 - Party Lights: The River Sessions") refere-se à 2ª fase de sessões de gravação, que decorreu entre Outubro de 1979 e Maio de 1980 e que resultaram em "The River".  A maior parte destes temas são inéditos e desconhecidos do público, embora se saiba da sua existência pelos registos presentes nos estúdios The Power Station.

O Disco 6 ("Nassau Year's Eve") é um dos principais atractivos da caixa: um concerto completo em vídeo, da The River Tour. Para aqui escolhi a lendária noite de fim de ano (1980.12.31), ao vivo no Nassau Colisseum, onde Bruce tocou 38 (!!!) temas, num dos concertos mais longos de sempre. O áudio (pelo menos) foi gravado profissionalmente para o lançamento de um álbum ao vivo, sendo que alguns dos temas foram incluídos mais tarde na caixa "Live/1975-85" e outros apareceram noutras compilações. Se não houver vídeo desta noite e não for pedir muito, podem incluir o concerto de fim de ano nos discos 10, 11 e 12.
O único vídeo filmado profissionalmente que se conhece é de 1980.11.24 (Capital Centre, Landover, MD, USA), embora o áudio seja gravado na audiência e por isso de fraca qualidade. Espero uma agrádavel surpresa de Bruce neste capítulo.

O Disco 7 ("Into The River We Dive - The River Live '09") documenta a noite em que Bruce Springsteen tocou - pela primeira e única vez - o álbum "The River" completo e na sequência original, no Madison Square Garden, em 2009. Vale mais como registo histórico, do que outra coisa. Seria seguramente o item menos interessante da caixa.

O Disco 8 ("Thrill Hill Vault - The River Video Extras") resgata todo o vídeo "avulso" que Bruce tenha nos seus cofres. Está aqui o que sabe que existe do concerto de "No Nukes" (embora mais possa existir, quem sabe...), a sua aparição no Hollywood Bowl, para o concerto de beneficência Survival Sunday e ainda a filmagem dos ensaios para a The River Tour. Espero que Bruce nos reserve algumas surpresas para aqui também.

O Disco 9 ("The Ties That Bind: The Story Of The River") é o documentário, à imagem do que já tivemos com "Wings For Wheels" e "The Promise". Que Bruce nos conte a História, pelas suas palavras, de "The River".

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Bruce Springsteen - "The Ties That Bind"

"Now you can't break the ties that bind"



A Rolling Stone anda em polvorosa com a notícia do novo álbum de Bruce Springsteen - o seu artista fétiche. Eu sei que é irónico que eu me refira nestes termos à Rolling Stone, quando mais de 10% dos posts deste blog são dedicados a Bruce Springsteen; mas estamos a falar da malta que deu 5 estrelas a "Working On A Dream", num texto cheio de superlativos que compara o álbum a "Born To Run" e o classifica como o "mais rico da década". Ora, "Working On A Dream" é para mim (e, atrevo-me a dizer, para a maioria dos fãs) o mais fraco de todos os álbuns de Bruce com a E Street Band. Quando posto ao lado de "The Rising", ou mesmo de "Magic", "Dream" só pode corar de vergonha. Na minha opinião, é o álbum que (infelizmente) marca o declínio criativo de Bruce, que continuou com "Wrecking Ball" e se deverá prorrogar no próximo "High Hopes", a ser lançado em Janeiro (e que levará 4 1/2 estrelas da RS).
Mas voltarei a esse assunto mais tarde.

O que mais interessa nesta onda de entusiasmo da Rolling Stone, é que (para um dos artigos) entrevistaram Jon Landau - o manager de Bruce. E ele, talvez sem querer, desvendou o que aí vem para o que nesta altura realmente importa: o colossal filão de material que Bruce Springsteen tem guardado nos seus cofres. Neste artigo, Jon Landau faz a revelação:
"This year also marks the 30th anniversary of Springsteen’s smash Born in the U.S.A., but his manager, Jon Landau, says there are no plans to celebrate that with a deluxe reissue – at least not yet. "There's ongoing work on a River box set," says Landau. "Maybe we’ll do that first".

Ou seja, depois de "Darkness On The Edge Of Town", segue-se "The River" como objecto de um tratamento exaustivo para uma edição de luxo. Esta é a melhor notícia relacionada com Bruce Springsteen, desde que há exactamente 2 anos anunciou o concerto em Lisboa.

Recordo que em 2010, Bruce mostrou ao Mundo como é que se faz uma edição de luxo e lançou "The Promise: The Darkness on the Edge of Town Story" - um set composto por 3CD + 3Blu-Ray, que parou em (quase) todos os apeadeiros.
A caixa de "Darkness" é para mim um dos maiores (o maior?) triunfos artísticos de TODA a carreira do Bruce. A quantidade (e qualidade) do material audio e vídeo ali presentes são a prova da força e criatividade no pico da sua carreira.
Só faltou mesmo um álbum ao vivo, de preferência com o concerto de Passaic, em 1978/09/19, que é "só" uma das minhas performances ao vivo preferidas de sempre. Mas já estou a divagar.
Com a caixa de "Darkness", Bruce elevou a fasquia de tal forma, que será difícil competir com isso no álbum "The River".

Interessa agora pensar e cogitar o que nos espera nesta edição expandida do "The River". Com base no que tivemos em "Darkness", façamos então esse exercício:

- Álbum "The River" remasterizado:
Já não era sem tempo. A discografia do Bruce deixa bastante a desejar ao nível sónico, mas "The River" é de longe o pior exemplo.
Para além de parecer que é a música é transmitida em ondas AM, há um desequilíbrio de equalização que não se compreende. Talvez se deva ao facto do álbum ter sido gravado em 2 fases e de parte dos temas ter sido terminado e masterizado para o cancelado "The Ties That Bind", mas isso teria que ser corrigido na masterização da 2ª leva de temas. O álbum soa a uma compilação e isso é estranho.

- Documentário:
Se fizerem outro documentário para contar a história do álbum, já não vai poder contar com as imagens de estúdio, como tivemos no "The Promise". Infelizmente, o Bruce e o Steven disseram que essas filmagens só foram feitas na gravação do "Darkness".
Mesmo assim, se intercalarem as novas entrevistas com imagens de arquivo de concertos, penso que dá para fazer algo de muito bom.

- Concerto em vídeo:
É a "centerpiece" da caixa para a maioria dos fãs (eu incluído). Esta era a grande dúvida na caixa de "Darkness" e na altura falava-se dos vídeos de concertos que se conheciam (Roxy, Passaic, Phoenix), mas acabou por calhar Houston, que ninguém tinha ouvido falar. Foi uma agradável surpresa.
Na "The River Tour", o único concerto completo, filmado profissionalmente, que eu conheço é o de Landover em 1980.11.24. É este que tem maior probabilidade de calhar na caixa, mas quem sabe, que surpresas o Bruce tem reservadas no Thrill Hill? Como disse, prefiro algo de completamente novo e surpreendente.

- Extras vídeo:
Deve haver "n" filmagens avulsas nesta digressão - uma música aqui, outra ali - que devem facilmente fazer um DVD/BD de bónus. Imediatamente à cabeça vem-me os concertos de beneficência no Hollywood Bowl e no MSG (o tal que fez o Bruce mudar de ideias e cancelar o "The Ties That Bind"), todos filmados profissionalmente.

- Outtakes / Faixas que ficaram de fora do álbum:
Ui... Aqui de certeza que não haverá falta de material. "Darkness On The Edge Of Town" deu origem a um álbum duplo de outtakes ("The Promise") e este pode facilmente dar origem a outro. Já houve vários temas que foram parar ao "Tracks", mas há muito, muito, MUITO material que sobra.
Com a ajuda do Brucebase (a minha bíblia das sessões de gravação de Bruce Springsteen), reuni imediatamente 30 (!!!) temas que poderiam figurar aqui:
“Held Up Without A Gun”
“Cindy”
“Little White Lies”
“Janey Needs A Shooter”
“The Man Who Got Away”
“Chain Lightning”
“Find It Where You Can”
“Break My Heart”
“Out On The Run (Looking For Love) ”
“Love And Kisses”
“Night Fire”
“In The City Tonight”
“Under The Gun”
“I Don’t Wanna Be”
“Chevrolet Deluxe”
“Slow Fade”
“Jole Blon”
“Party Lights”
“Do You Want Me To Say Alright”
“Time That Never Was”
“Down In White Town”
“Angelyne”
“A Thousand Tears (William Davis)”
“I Will Be The One”
“Stray Bullet”
“Tonight”
“I’m Gonna Treat You Right”
“Dedication”
“Your Love”
“This Little Girl”

O nome da caixa? Obviamente:

"The Ties That Bind: The Story Of The River"



Digam lá se não soa maravilhosamente bem? E ainda se prestaria a devida homenagem ao álbum que nunca viu a luz do dia em 1979. Venha de lá essa caixa!


P.S.: Jon Landau não se ficou por aqui no campo das revelações:
"And we're doing some remastering work on his first two albums [1973's Greetings From Asbury Park, N.J. and The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle] as we speak. Those will be forthcoming.""
Ou seja, temos à nossa espera novas remasterizações para "Greetings From Asbury Park, N.J. e "The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle", abrindo a esperança para a abertura do gigantesco cofre de temas dos primeiros anos de carreira de Bruce. Sweet.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Bruce Springsteen - "State Trooper"

"License, registration, I ain't got none.
But I got a clear conscience 'bout the things that I done"


À custa deste texto, hoje voltei a ouvir o álbum "Nebraska". É o texto que eu sempre quis escrever sobre o álbum alienado de Bruce Springsteen e nunca fui capaz. De leitura obrigatória.

"Hey, somebody out there, listen to my last prayer: deliver me from nowhere."

"Alguém aí que ouça a minha última prece: livrem-me do nada."
Desde o primeiro sopro na harmónica de Bruce Springsteen no tema-título "Nebraska", passando pelos gritos de "State Trooper", até ao último suspiro na mesma harmónica em "Reason To Believe", que Bruce nos leva numa viagem por um túnel escuro, onde não encontramos quaisquer laivos de luminosidade; apenas morcegos, ratazanas e gotas de água gelada que condensou no tecto e que nos caem na nuca, ao passar.

Nada. É este o lugar para onde Bruce Springsteen nos leva em "Nebraska". O lugar do vazio, onde não há redenção, nem esperança; não há vida, nem morte; não há inocentes, nem culpados. Nada disso importa aqui, de qualquer forma. Aqui, só importam as histórias.



"Nebraska" é um álbum insípido, de muito difícil digestão. À falta de grandes adornos sonoros, a audição da música obriga-nos a tomar atenção às escassas melodias e às duras histórias que Bruce vai contando.
Tal como no túnel escuro, das ratazanas e morcegos, as histórias em "Nebraska" são de seres escondidos da luz do dia, exilados do mundo de fora, proscritos pela sociedade. São histórias de criminosos e fugitivos, pessoas a quem a vida virou as costas e que já não têm esperança na sua redenção. Para eles, já nada disso importa: “I guess there’s just a meanness in this world.”, suspira a personagem de Bruce em "Nebraska" (assunto para outro tópico).

Gravado numa cassete durante uma tarde fria de Janeiro, o álbum mostra-nos Bruce sozinho no seu quarto em New Jersey, com a sua guitarra, a sua harmónica e a sua depressão.
1982 foi um ano problemático para Bruce, altura em que foi obliterado por pensamentos suicidas.
Bruce conduzia o seu carro furiosamente de New Jersey até à Califórnia e da Califórnia, de volta a New Jersey, somando quilómetros de estrada na fuga dos seus próprios fantasmas.
(Faço exactamente o mesmo. É nestas pequenas coisas que eucomo homem, me sinto próximo de Bruce.)

"Mr. State Trooper, please don't stop me."

Em "State Trooper", ouvimos Bruce num raro grito histérico e despido, que soma ao desespero da história de um homem que, tal como ele, tal como eu, também conduzia para afastar os seus fantasmas. Sem carta de condução e sem documentos do carro, rogando apenas que a Brigada de Trânsito não o mande parar. Tudo o que ele quer é a solidão do volante, uma companhia que não ponha em causa a sua existência e a sua consciência tranquila.

Em busca da sua própria consciência tranquila, Bruce foi obrigado a fazer terapia para combater a depressão. O seu passado continuava a atormentá-lo: Bruce passava repetidamente em frente à casa dos seus pais, em New Jersey, 3 a 4 vezes por semana
Acerca deste comportamento obsessivo, o seu terapeuta ter-lhe-á dito:

"What you’re doing is that something bad happened, and you’re going back, thinking that you can make it right again. 
Something went wrong, and you keep going back to see if you can fix it or somehow make it right."

Ao que Bruce exclamou, em concordância: 

"Yes! That is what I’m doing!" 

E ao que o terapeuta terá respondido: 

"Well, you can’t."

(...)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Bruce Springsteen: Guess the song!

"O quê? Mais um post sobre o Bruce Springsteen?" perguntarão alguns de vós. Se estão surpreendidos, é porque não vêm cá muitas vezes.
Porém, hoje não vou dissertar sobre a música do Bruce, ou sobre os seus épicos concertos. Hoje o assunto hoje é outro. Vamos testar o vosso conhecimento do Bruce Springsteen com um desafio: a cada pictograma em baixo corresponde um tema do Boss, façamos então a correspondência. Quem consegue acertar em mais? Alguém consegue acertar em todos?



1 -
2 -
3 -
4 -
5 -
6 -
7 -
8 -
9 -
10 -
11 -
12 -
13 -
14 -
15 -
16 -
17 -
18 -
19 -
20 -
21 -
22 -
23 -
24 -
25 -

GO GO GO

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Bruce Springsteen - "The Rising"

"Come on up for the rising"


Hoje a cidade de Santiago de Compostela está nas notícias e está pelas piores razões.
Santiago não merecia tal tragédia. Adoro a Galiza e esta cidade em particular. Foi lá que vivi uma das melhores noites da minha vida, quando assistir ao concerto de Bruce Springsteen & The E Street Band no Monte do Gozo. Mais do que um concerto, foi uma experiência, como aqui descrevi no ano passado.



À conta deste dia e de muitos outros que passei em terras galegas, desenvolvi uma relação especial com aquele lugar e com aquelas pessoas. Não mereciam tal provação. Força para eles; que juntem as mãos, como Bruce cantou em "The Rising" e que recuperem rapidamente deste fatídico dia.

domingo, 21 de julho de 2013

Bruce Springsteen - "The Price You Pay"

"You learn to sleep at night with the price you pay"


Tinha 9 anos quando o meu Pai chegou a casa com um CD branco de um artista que nunca tinha ouvido falar. A capa mostrava um homem de costas, o que aumentava o mistério. "Vais gostar disto", assertou-me o meu Pai. Mal eu sabia que aquele álbum iria mudar a minha vida. Tratava-se do "Greatest Hits" do Bruce Springsteen:



Desde então que fui injectado ciclicamente em doses cavalares de Bruce. E ao contrário de outras bandas que adoro desde essa altura (como por exemplo, e que Freddie me perdoe a heresia, os Queen), à medida que os anos passam, eu gosto cada vez mais do Bruce. Cada vez mais o "percebo".
Quanto mais "vivo", mais sinto uma relação estreita, estranhamente próxima com o que ele escreve, com os sentimentos que ele transmite.  Porque são tais e quais os meus. Só não sei é se isso é bom ou não.

Toda a música de Bruce Springsteen reflecte essencialmente sobre 3 escolhas da nossa vida: o que fazemos; para onde vamos; com quem estamos.
A todas estas escolhas está associado um preço. É essa a consequência de "escolha". Preferimos uma opção em detrimento de outra. E pagamos um preço por isso.

_________________________________

"You make up your mind, you choose the chance you take"
"The Price You Pay" fala disto mesmo. Do preço que pagamos pelas escolhas que fazemos.
Já uns anos antes, em "Darkness On The Edge Of Town", Bruce fora lapidar relativamente ao preço que se paga por determinadas escolhas:
"I'll be on that hill with everything I've got (...) and I'll pay the cost for wanting things that can only be found in the darkness on the edge of town"
"The Price You Pay" surgiu das sessões para o álbum perdido de Bruce Springsteen - "The Ties That Bind"  -, aquele que deveria ter sido o primeiro álbum de Bruce sobre a difícil relação de um casal. Infelizmente, como aqui referi, Bruce cancelou o projecto, em favor de um álbum mais variado como aquele que tivemos em "The River".

Foi uma pena. Na minha opinião, de modo a exponenciar a importância da sua música que nesta fase lhe chegava em torrentes criativas, Bruce deveria ter lançado um a dois álbuns por ano, cada um obedecendo a uma determinada matriz, tal como fez com "Darkness On The Edge Of Town". Assim, "The Ties That Bind" poderia ter visto a luz do dia no Natal de 1979 e em 1980 poderíamos ter recebido um álbum festivo com "Out In The Street", "Ramrod", "Sherry Darling", "I'm A Rocker" e todos esses temas mais upbeat que acabaram por ir parar a "The River". E quem sabe, mais um álbum introspectivo, com  temas como "Independence Day", "Drive All Night", "Point Blank", ou "Wreck On The Highway". E já nem falo na astronómica quantidade de material das sessões de "Darkness"...

O que torna esta decisão de cancelar "The Ties That Bind" ainda mais frustrante é que para trás ficaram temas-chave como "To Be True", "Cindy" e "Loose Ends", bem como versões definitivas de temas como "Stolen Car" e "The Price You Pay". Na versão que chegou a "The River", Bruce decidiu inexplicavelmente cortar uma estrofe.

_________________________________

"Some say forget the past, and some say don't look back
But for every breath you take, you leave a track"
Normalmente, as escolhas da nossa vida são tomadas ao longo de um caminho que percorremos, de um processo contínuo; vamos sucessivamente chegando a diversos entroncamentos que nos obrigam a tomar decisões de vida, seja sobre a profissão, o lugar onde vivemos, a pessoa com quem fazemos este caminho.
Em raras ocasiões, este processo contínuo é interrompido, como se alguém carregasse num botão PAUSE da nossa vida; e todas escolhas concorrem num momento, numa encruzilhada que nos obriga a pensar o que, afinal, queremos fazer da vida. Depois é escolher. E pagar o preço dessa escolha.
"Now you can't walk away from the price you pay"
Não há volta a dar, não é possível fugir deste preço.
Será que podemos pagar esse preço, sem que nos arrependamos?
Será que estamos preparados para dormir com essa escolha?

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Bruce Springsteen - "Badlands"

"You spend your life waiting for a moment that just won't come"



Por vezes, deparamo-nos com aquele tema que descreve minuciosamente, palavra por palavra, o nosso estado de alma.
Mais raras vezes, esse tema é cantado da mesma forma que a nossa alma liberta o sentimento estampado nessas palavras.


Há uma razão que explica a minha devoção à arte de Bruce Springsteen. Ele, como nenhum outro artista consegue fazer, condensa o meu estado de alma em música. Especialmente neste álbum - "Darkness On The Edge Of Town" - que em dias é um periscópio para as profundezas do meu sub-consciente.


Tudo o que tenho a dizer por hoje, confio-o ao Bruce. Palavra a palavra:
"Lights out tonight, trouble in the heartland
Got a head-on collision, smashin' in my guts, man
I'm caught in a crossfire, that I don't understand
But there's one thing I know for sure, girl
I don't give a damn for the same old played out scenes
I don't give a damn for just the in-betweens
Honey, I want the heart, I want the soul, I want control, right now
You better listen to me baby
Talk about a dream, try to make it real
You wake up in the night with a fear so real
You spend your life waiting for a moment that just won't come
Well don't waste your time waiting

BADLANDS, you gotta live it everyday
Let the broken hearts stand
As the price you've gotta pay
We'll keep pushin' till it's understood
and these badlands start treating us good

Workin' in the fields 'til you get your back burned
Workin' 'neath the wheel 'til you get your facts learned
Baby, I got my facts learned real good right now,
You better get it straight, darling,
Poor man wanna be rich, rich man wanna be king
And a king ain't satisfied 'til he rules everything
I wanna go out tonight, I wanna find out what I got

I believe in the love that you gave me
I believe in the faith that can save me
I believe in the hope and I pray
That some day it may raise me, above these...

BADLANDS, you gotta live it everyday
Let the broken hearts stand
As the price you've gotta pay
We'll keep pushin' till it's understood
and these badlands start treating us good

For the ones who had a notion, a notion deep inside
That it ain't no sin to be glad you're alive
I wanna find one face that ain't looking through me
I wanna find one place,
I wanna spit in the face of these...


BADLANDS, you gotta live it everyday
Let the broken hearts stand
As the price you've gotta pay
We'll keep pushin' till it's understood
and these badlands start treating us good"

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Bruce Springsteen - "Rocky Ground"

"We've been traveling over rocky ground, rocky ground
There's a new day coming"



A próxima Escolha musical de 2012 é um habitué aqui no blog. Figura marcante da minha vida nos últimos 5 anos e vencedor em várias "categorias" neste ano, falo-vos de Bruce Springsteen que, com este post, soma já 15 entradas no blog.
Mesmo não sendo ouvido com tanta consistência como noutros anos, segundo a minha revisão, em 2012 Bruce foi o Artista no activo do ano; em grande parte devido a ter dado o Concerto do Ano (no Rock In Rio Lisboa) e a ter lançado o Tema original do ano ("Land Of Hopes And Dreams"), no seu álbum "Wrecking Ball".

"Wrecking Ball" pode ter perdido para "Shields" na categoria de Álbum original do ano, mas nem por isso Bruce Springsteen deixou de ter um papel importante no meu quotidiano, em 2012.
Uma vez que já tinha escrito um post sobre "Land Of Hopes And Dreams" (na véspera do concerto no Rock In Rio), hoje deixo aqui aquele que foi "o outro" grande tema do álbum.



"Rocky Ground" é um dos temas mais arriscados da carreira de Bruce Springsteen. Esta ofereceu-nos um filão quase inesgotável de boa música, mas sem grande diversidade. Bruce é muito forte no seu registo, mas arrisca pouco para além das suas incursões mais carregadamente folk.
Com "Rocky Ground", Bruce vai ao hip-hop (que heresia!) buscar uns loops e até põe um rap pelo meio; vai ao gospel buscar as vozes para uma paisagem harmoniosa edificante. No papel, nada disto parece ter a ver com Bruce Springsteen, mas a verdade é que em "Rocky Ground", esta mistura resulta.

Resulta ainda melhor no álbum "Wrecking Ball", com a passagem do fade-out gospel de "Rocky Ground" - tema de lamento em tempos difíceis, para o início a capella de "Land Of Hopes And Dreams" - hino de esperança. Os dois grandes temas de "Wrecking Ball" e dois temas que ilustram, e de que maneira, o meu 2012.

Se pensarmos no assunto, é incrível como a música pode ter um impacto tão grande nas nossas vidas:  conduz o nosso estado de espírito; ajuda-nos a levantar quando estamos no chão.
Mas mais que a ajuda pessoal, a música serve ainda como elo de ligação interpessoal: fortifica as amizades magoadas; dá-nos a conhecer amigos que ainda não o eram.
O concerto de Bruce Springsteen e da E Street Band no Rock In Rio foi um dos pontos mais altos do ano e foi tudo aquilo que referi. Para o bem e para o mal.

Neste post, já descrevi com bastante rigor aquilo que, para mim, foi ver Bruce Springsteen ao vivo no meu país. Mas não resisto a deixar só mais uma nota acerca da "experiência" que é um concerto da E Street Band e da autenticidade de Bruce.
James Hetfield - vocalista dos Metallica (banda de Thrash Metal, ou seja, longe do estilo de Bruce) - fala sobre a importância de ser verdadeiro na sua música:



"We went to see Bruce Springsteen the other night. I'm not the biggest fan of his music, but I watched him live and..." 
(James arregala os olhos) 
"My God, he means it!
He really means it! It's in his heart, it's in his face, it's in his eyes! 
You see him and you go.. WOW! He could go forever!"

A verdade. É isso que procuro na música de Bruce Springsteen. Não a verdade sobre Bruce, mas a verdade sobre mim. Como disse o Presidente dos EUA - Barack Obama (outro grande fã do Boss) - quando laureou Bruce Springsteen nos Kennedy Center Honors, citando o próprio:
"I’ve always believed that people listen to your music not to find out about you, but to find out about themselves."

Ao longo dos anos que a música de Bruce me acompanhou, muito já descobri sobre mim e 2012 não foi excepção. Para o bem e para o mal.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Bruce Springsteen - "Thunder Road"

"Why do we suffer? I got the answer to that one: because we have to! What would life be?"
"Porque é que sofremos? Eu sei a resposta: porque temos que o fazer! Como é que seria a vida?"

Quem mais poderia reproduzir estas palavras, se não Bruce Springsteen?
Quem mais nos poderia fazer reflectir sobre a importância, o valor, de um estado de espírito do qual fugimos toda uma vida?
O sofrimento. Porque ninguém sabe sofrer como Bruce Springsteen.

É com esta reflexão que Bruce abre o filme "Wings For Wheels - The Making Of Born To Run", o (fabuloso) documentário que mostra o making of de "Born To Run", o álbum que em 1975 lançou Bruce definitivamente para o estrelato. O filme de Thom Zimny (que acabaria por ganhar um Grammy em 2007) é uma ferramenta essencial para se perceber Bruce Springsteen e como este criou um dos álbuns que marcaram de forma indelével o Rock americano nos anos 70.

"Born To Run" foi a obra que deu a conhecer Bruce Springsteen ao Mundo, dando-lhe as capas das revistas Time e da Newsweek na mesma semana. Mas mais do que isso, "Born To Run" foi o álbum que definiu Bruce Springsteen, onde ele nos revelou ao que vinha. Foi também onde Bruce introduziu os personagens que o seguiram nas 3 décadas seguintes. Personagens que deram asas à nossa imaginação, com as quais nos pudemos identificar tantas e tantas vezes. Porque como disse Jon Stewart, no seu discurso, aquando da condecoração de Bruce para os Kennedy Center Honors:
"When you listen to Bruce’s music, you aren’t a loser. You are a character in an epic poem... about losers."
"Quando ouves a música do Bruce, não és um falhado. És um personagem num poema épico... sobre falhados."


O álbum "Born To Run" está na lista daqueles assuntos que me são extremamente difíceis de abordar aqui no blog. Difícil porque é um álbum de grande significado pessoal, que em tempos me marcou profundamente e difícil porque (também por isso) há tanta, TANTA coisa para dizer... Por onde começar?

Segundo Bruce Springsteen, "Born To Run" é um conjunto de histórias épicas, que poderiam decorrer todas "numa interminável noite de Verão". São histórias que dançam à volta de uma motivação, de uma vontade: fugir.
Há por todo o álbum um sentimento que uma jornada importante se aproxima, um momento que vai definir a nossa vida. O sentimento é de urgência, de fuga das raízes. É preciso fazer alguma coisa para mudar uma vida que não nos satisfaz e é preciso fazê-lo urgentemente.
Querer fugir, ir embora para outro lado, mas sem saber ainda para onde. Na verdade, isso não interessa, desde que seja para fora daqui.
Não há certezas, a não ser de que aqui, nesta vida, neste paradigma, não dá.

"Born To Run" é um álbum que me diz muito. Diz tanto como "Darkness On The Edge Of Town", mas de uma maneira diferente, porque eles marcaram a minha vida em fases diferentes, mais ou menos da mesma maneira que marcaram Bruce. Em "Darkness", Bruce desmonta os sonhos que desenhara em "Born To Run", mas aqui, a ingenuidade da sua juventude impede-o de prever o que se passará a seguir. Passou-se com Bruce em meados dos anos 70, passar-se-ia comigo 30 anos depois.

Penso que já deu para perceber: tive uma fase fortíssima de "Born To Run" quando era mais novo, nomeadamente quando aos 17 anos fiz as malas e vim viver sozinho para Lisboa. Achava que o Mundo ia ser meu, todos os meus sonhos se iam tornar realidade e nada, nem ninguém, me poderia parar. E a verdade é que a História (a minha), com os seus percalços, até correu bastante bem.
Mas ao fim de algum tempo, inevitavelmente, percebemos que NADA na vida corre como tínhamos planeado. Pode até correr "bem", mas não era "bem aquilo" que nós havíamos pensado. Por vezes, corre mesmo "mal" e outras vezes ainda, quando pensamos que "pior" não pode ficar, porque chegámos ao fundo do poço, alguém se lembra de pegar numa pá e começar a escavar.

É a vida. Somos obrigados a lidar com todas estas situações e a música de Bruce Springsteen parece servir de manual para saber como fazê-lo. Ou pelo menos para perceber que não estamos sozinhos. Que alguém, há muitos anos, muito longe de nós e em circunstâncias diferentes, passou pelo mesmo.
Bruce mostrou que o sofrimento é sentido por todos, da mesma forma. Porque ninguém sabe sofrer como Bruce Springsteen.




"It's a town for losers, but I'm pulling down here to win"

...grita Bruce Springsteen no clímax de "Thunder Road", tema de abertura do álbum "Born To Run" e que resultara de uma evolução de "Wings For Wheels" (nome que iria baptizar o documentário de Thom Zimmy sobre "Born To Run").
"Thunder Road" materializava, da cabeça à ponta dos pés, o que sentia no dia que cheguei a Lisboa. De facto, "Thunder Road" foi o primeiro tema que ouvi em Lisboa, imediatamente a seguir a ter montado a minha (hoje defunta) aparelhagem. Era a transcrição do que me ia na alma.
Tinha 17 anos e a mesma vontade, o mesmo sentido de urgência, que Bruce anunciava naquele tema. Eu ouvia "Thunder Road" e chegando àquele clímax, aumentava o volume dos altifalantes até ao máximo. Estava sozinho, no meu exíguo quarto em Lisboa (tão exíguo, que se eu esticasse os braços, tocava nas paredes de ambos os lados do quarto!) mas Bruce estava ali, a cantar para mim, sobre mim. Restava-me cumprir a profecia de Bruce Springsteen.

Naquele momento, era tudo tão claro. De tal forma que parecia que Bruce escrevera este álbum sobre mim, ou dirigido à minha pessoa, 10 anos antes de eu ter nascido. Claro que, como eu, milhões de pessoas espalhadas por todo o Mundo sentiam o mesmo.
Com "Born To Run", Bruce Springsteen uniu pela primeira vez milhões de pessoas à volta de um sentimento, de uma vontade, de uma urgência, de um sofrimento. É essa a força, é essa a magia de Bruce Springsteen.
Porque a verdade é que ninguém sabe sofrer como Bruce Springsteen.

domingo, 9 de setembro de 2012

Bruce Springsteen - "My City Of Ruins"

"Come on, rise up!"



Reza a História que logo a seguir aos atentados de 11 de Setembro de 2001, enquanto os orgulhosos Estados Unidos da América tentavam colar os cacos de um país despedaçado, alguém viu Bruce Springsteen na rua e gritou: "Bruce, we need you now!"

Bruce respondeu à chamada e reuniu a lendária E Street Band, para gravar o seu primeiro álbum desde "Born In The U.S.A." de 1984. Naquele momento, mais do que nunca, os EUA precisavam de Bruce Springsteen e o Boss não os desiludiu. O resultado foi "The Rising" - um álbum que serviu de catarse para o orgulho americano, um álbum que serviu não só para carpir as mágoas de todos os que perderam os seus entes queridos, mas também para lhes apontar um caminho.


Na ressaca dos atentados de 9/11, muitos foram os artistas que se inspiraram naqueles acontecimentos e lançaram álbuns sobre essa temática… e depois houve Bruce Springsteen.

"The Rising" é uma das mais cabais obras sobre a perseverança, é uma ode à esperança. Bruce convoca aquela força interior que desconhecíamos até nos depararmos com uma situação adversa, seja essa situação uma tragédia como a perda de um familiar ou de um amigo num atentado (como o 9/11), um acidente, ou a dissolução de uma relação. Ao longo de todo o álbum percorre-se um sentimento de perda. Mas "The Rising" é uma receita de como dar a volta por cima, rogar a verdadeira natureza humana, a força necessária para dobrar uma situação.

"My City Of Ruins" foi escrito em Novembro de 2000 para um evento de beneficência em Asbury Park, bairro natal de Bruce, que havia baptizado o seu primeiro álbum "Greetings From Asbury Park, NJ". O significado original do tema era o abandono a que o seu bairro tinha sido vetado, mas depois do 9/11, "Ruins" ganhou todo um novo significado.
Bruce tocou o tema no America: A Tribute to Heroes - o concerto de apoio aos familiares das vítimas do 11 de Setembro - apenas com a sua guitarra e a sua harmónica. "My City Of Ruins" serviu de abertura do programa, com Bruce a introduzir como "uma reza pelos nossos irmãos e irmãs perdidos". Foi um dos pontos altos da noite.



"Now tell me how do I begin again?"

Como é que eu começo de novo? O que é que eu faço? "The Rising" não se limita a fazer as perguntas, os dilemas que nos colocamos depois de uma tragédia. Mais do que isso, este álbum dá as respostas.
Com "The Rising", Bruce mostra também a sua faceta de messias, alguém que para além de saber apontar os problemas da sociedade (como fez ao longo da maior parte da sua carreira), sabe igualmente apontar as suas valências e mostrar o seu lado mais humano, mais redentor.
Áfinal, Bruce também sabe fazer canções de esperança.

sábado, 23 de junho de 2012

Bruce Springsteen - "The River" (Live)

"Is a dream a lie if it don't come true? Or is it something worse?"

A música de Bruce Springsteen é feita de histórias. Histórias com personagens, personagens como eu, tu ou qualquer outra pessoa que sinta, sofra e seja self-conscious (perdoem-me o anglicanismo, mas não consegui pensar numa palavra tão adequada em português).
Como nós, essas personagens têm sonhos, sonhos épicos... mas que na realidade nunca resultam como os tínhamos imaginado. Estas personagens foram introduzidas em 1975, no álbum "Born To Run", e acompanharam a música de Bruce ao longo de toda a sua carreira.

Será um sonho uma mentira se não se realizar? Ou será algo pior?

A vida não é um "mar de rosas". Temos que ter, à partida, essa noção, sempre que nos lançamos para um sonho, ou para um novo desafio. Mas a verdade é que, para quem tem uma natureza mais optimista, essa noção não existe e quando a realidade nos cai em cima, o embate é muito mais doloroso.
Será esse um motivo suficiente para deixarmos de sonhar? A resposta é negativa. Pelo menos, não é essa a minha opinião.
Nem é essa a opinião de Bruce Springsteen, cujas personagens (hoje já muito mais calejadas) foram do céu (em "Born To Run", assunto a que voltarei brevemente), ao inferno (em "Darkness On The Edge Of Town"), passaram pela desilusão (em "The River"), ou pela dissolução das suas relações sentimentais (em "Tunnel Of Love"), mas que sempre mantiveram a esperança e... o sonho (a mensagem forte dos álbuns da última década, desde "The Rising" a "Wrecking Ball").

As histórias que Bruce foi contando ao longo da sua carreira não foram um produto de geração espontânea do seu imaginário. Muitas delas tiveram origem em experiências pessoais e foram materializadas em música, de uma forma que todos que passámos por situações semelhantes nos podemos identificar. Como já aqui referi, é essa capacidade única, sem qualquer comparação que eu conheça, que eu tanto admiro nele.

Quando Bruce chegou ao fim da década de 70, já tinha passado pela sua dose de sofrimento, tanto com a família, nos seus anos de adolescente, como com a indústria da música, ao longo da sua carreira.
Os dramas que Bruce enfrentou ao longo da sua carreira, especialmente durante a gravação dos álbuns "Darkness On The Edge Of Town" e "The River", bem como dos que ficaram perdidos pelo meio, já foram aqui abordados.
Só ainda não falei nos dramas que Bruce enfrentou durante o seu crescimento.

E isto leva-me à difícil relação que Bruce tinha com o seu Pai, a qual funcionou como uma das principais forças motrizes da sua inspiração, especialmente na primeira metade da sua carreira.

Bruce não teve uma infância propriamente dramática. Filho de pais operários (a mãe era secretária e o pai fazia um pouco de tudo, para fugir ao desemprego e sustentar a sua família), de classe média e criado segundo uma educação católica rígida, os dramas de Bruce foram os mesmos de todos os adolescentes que tinham ideias diferentes dos pais (principalmente, do Pai) e que queriam seguir um caminho diferente, daquele que por eles tinha sido imaginado.

Afinal, Bruce estava, também ele, a desfazer um sonho do seu Pai.

O pai de Bruce não gostava da sua guitarra (referia-se a ela sempre como a "God-damned guitar") e detestava a ideia de ele fazer daquilo um modo de vida.
As discussões em casa eram uma constante.
Na introdução ao tema "The River", num concerto gravado no LA Coliseum, em Los Angeles, a 30 de Setembro de 1985, Bruce aborda esta tempestuosa relação:

"When I was growing up, me and my Dad used to go at it all the time, over almost anything.
I used to have really long hair, way down past my shoulders, when I was 17 or 18. Oh man he used to hate it...

We got to where we would fight so much that I would spent a lot of time out of the house. In the summertime it was not so bad, because it was warm and your friends were out. But in the winter, I remember standing downtown and it would get so cold... and when the wind would blow I had this phone booth that I used stand in. I used call my girl for hours at a time, just talking to her all night long...
Finally I would get my nerve up to go home, I'd stand there in the driveway and he would be waiting for me in the kitchen... And I'd tuck my hair down in my collar and I'd walk in... and he'd call me back to sit down with him... and the first thing that he always asked me was "What did I think I was doing with myself"?
And the worst part about it was I could never explain it to him.

I remember I got in a motorcycle accident once... I was laid up in bed, he had a barber come in and cut my hair and man... I can remember telling him that I hated him and that I would never ever forget.

He used to tell me:
"I can't wait till the army gets you... When the army gets you, they are gonna make a man out of you! They gonna cut all that hair off and they will make a man out of you!"
And this was in I guess '68... And there was a lot of guys from the neighborhood going to Vietnam. I remember the drummer in my first band coming over to my house with his marine uniform on, saying that he was going and that he did not know where it was. A lot of guys went and a lot of guys didn't came back and a lot that came back weren't the same anymore...

I remember the day I got my draft notice, I hit it from my folks and three days before my physical, me and my friends went out and we stayed up all night. We got on the bus to go that morning... Man, we were all so scared...
And I went... and I failed.

I remember coming home after I had been gone for three days, walking in the kitchen and my mother and father were sitting there and my dad said: "where you been?".
I said: "I went to take my physical."
He said: "What happened?"
I said: "They didn't take me"
And he said... "That's good.""




Bruce Springsteen é um óptimo contador de histórias. Esta, em especial, deixa-me sempre debaixo de um arrepio na espinha, principalmente no fim.
Afinal, o durão do Pai, que queria que o filho fosse um duro como ele, que queria que o exército o "amansasse", que queria que ele cortasse o cabelo, largasse a guitarra e fosse estudar Direito... Afinal, o Pai só queria o melhor para ele. O Pai amava-o e tudo o que fazia era na certeza que era o melhor para o filho. E estava no seu direito.
Porque afinal, Bruce estava, também ele, a desfazer um sonho do seu Pai.

Quando Bruce viu o alívio do pai, na altura que descobriu que o filho não vai para a guerra, terá sido aí que se apercebeu que tudo aquilo é o amor duro de um Pai. Tough love is, after all, true love.

O mais engraçado nisto tudo? É que Bruce se tornou, à sua maneira, de uma reflexão do seu Pai. Uma imagem reflectida num espelho diferente.
Bruce vestia-se com as roupas do seu Pai, cantava sobre as dificuldades da classe operária (que ele viu e viveu enquanto jovem) e assim tornou-se num estandarte da working class americana.
O Pai de Bruce queria que ele se tornasse um advogado, mas o que Bruce se tornou foi não mais que... o seu Pai, em cima de um palco.
Bruce falou sobre isso numa entrevista à Rolling Stone:

"When I went to work, I really went to work in my dad's clothes, and it became a way, I suppose, that I honored him and my parents' lives, and a part of my own young life. And then it just became who I was."

No fim de contas , apesar de não se dar com o seu pai durante o seu crescimento (e mostrou isso em temas como "Adam Raised A Cain"), Bruce acabou por reconhecer o mérito do trabalho árduo que o seu Pai tinha entre mãos, como "chefe" de uma família que não lhe deu facilidades.

Como em tantas outras ocasiões, a mensagem de Bruce ressoa na minha cabeça, como se estivesse a falar para mim.
Felizmente, não creio que o meu crescimento tivesse sido feito numa colisão tão forte com o meu Pai, até porque, ao contrário de Bruce, eu acabei por me tornar naquilo que ele desejava. Mas isso não significa que tenha sido fácil.
Os choques entre Pai e Filho em minha casa eram também frequentes e não raras vezes, muito duros. Mas como já referi aqui, tudo o que eu queria ser, afinal, era como o meu Pai.
Uma imagem reflectida num espelho diferente.



P.S.: Com isto tudo, ao fim de 12 parágrafos, acabei por nem abordar o tema "The River" e a sua história, para além da "realização do sonho". É uma pena, porque há muito mais para dizer. Ficará para outra ocasião.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Bruce Springsteen & The E Street Band - "Spirit In The Night" (Live in Lisboa 2012)

‎"Trust some of this, it'll show you where you're at, or at least it'll help you really feel it"

Nota prévia: Se não estão preparados para (mais) um texto cheio de superlativos e loas a Bruce Springsteen e à sua E Street Band, devem abandonar desde já este espaço. Aqui, sempre se adorou, adora-se e vai continuar a adorar-se o Boss.

Segunda nota prévia: Por volta das 21:30 de ontem, a meio do concerto dos James no Palco Mundo, o vocalista da banda - Tim Booth - deu o mote para o que se passaria umas horas mais tarde. Com aquele seu ar sério de ex-presidiário na tentativa de reinserção na sociedade, Tim Booth contou uma história que se passou com ele e que terá marcado o fim da sua adolescência "rebel without a cause":

"I was a 16 years old punk rocker, all my role models were self destructive.
I was into the Sex Pistols and Iggy Pop and a 100 other tortured artists who wished to come on stage and cut themselves for people's entertainment.
And then... when I was 17, a friend of mine bought me a ticket to see a concert in Birmingham, in England. I didn't wanna go, because I didn't like the guy's music. And they dragged me along to this guy's concert in Birmingham and after the 3rd song, I was standing up with the biggest smile on my face.
That was Bruce Springsteen & The E Street Band. That was the "Born To Run" tour.
They showed me another kind of artist that doesn't have to burn himself out... That doesn't have to cut themself for people's entertainment.
They showed me a new way of being onstage.
So it's a great pleasure to be here this evening, with you and with them.
We need more role models like Bruce Springsteen.
I needed one."

Bruce Springsteen & The E Street Band ao vivo, como uma life changing experience. Onde é que eu já ouvi isto?
De uma maneira ou de outra, esta é uma história cujos contornos são comuns a milhares de pessoas em todo o Mundo e que ontem foi partilhada por muitas outras.

Isto ignorando o facto que Tim Booth se trocou todo nas datas e/ou nos locais, uma vez que a E Street Band tocou pela primeira vez em Birmingham (UK) em 1981, na digressão de promoção ao álbum "The River". Na digressão de "Darkness On The Edge Of Town" (1978-1979), Bruce não saiu do espaço EUA / Canadá, por falta de verbas. Nas digressões de "Born To Run" (1974-1977), Bruce foi, efectivamente ao Reino Unido (Tim fez 17 anos em 1977), mas tocou apenas em Londres, no lendário Hammersmith Odeon.


Loas a Bruce Springsteen? Este espaço está longe de estar sozinho.
Especialmente desde ontem à noite, quando Bruce Springsteen trouxe finalmente a lendária E Street Band a Portugal. Depois do espectáculo sensaborão de Alvalade em 1993, com a Other Band (sim, a "outra" banda de Bruce foi mesmo baptizada de... Other Band), havia uma clara onda descrente em relação ao Boss no nosso país. Até ontem. Ou melhor, até hoje, porque o Boss demorou a chegar e quando entrou no Palco Mundo do Rock In Rio Lisboa 2012, já passavam das 0:00 de 4 de Junho.

Bruce demorou, mas quando chegou, não defraudou as expectativas e deu aquele que para mim foi o MELHOR (e mais longo?) concerto do festival. Como já esperava, foi mais que um concerto, foi uma experiência.

Por onde é que eu hei-de começar? Vou ter que escrever qualquer coisa sobre o que presenciei, mas não sei ao certo o quê, uma vez que ainda estou em êxtase pós-orgásmico.
Foram 2 horas e meia de masturbação emocional colectiva. Um turbilhão de emoções. Milhares de vidas que nunca mais serão as mesmas. Porque a partir de ontem, para essas pessoas houve qualquer coisa lá dentro que mudou, uma emoção que acordou.
Tal como aconteceu com Tim Booth, na sua juventude. Tal como aconteceu com o meu melhor amigo que, tal como acontecera com Tim Booth, também eu "arrastei" para o concerto de ontem. E tal como Tim, também ele, ao fim do 3º tema, deu por ele com um sorriso idiota na cara.
São muitos anos a arrancar sorrisos a carrancudos.
É o Boss. É inigualável.

Mas reitero: desde as 2:30 de hoje, que este espaço deixou de estar sozinho em Portugal.
Ao longo do dia, a imprensa multiplicou-se em loas ao Boss, elegendo a sua actuação como o grande concerto do Rock In Rio 2012. Mas não só. Hoje já li críticas que vão desde “o concerto do Rock In Rio”, passando pelo “concerto do ano”, até ao “concerto da década”.
Para ver alguns exemplos: aqui, aqui, aqui, aqui, ou aqui.
Como disse ontem Bruce, após arrancar um surpreendente "Twist And Shout" para fechar o concerto (até ontem "Tenth Avenue Freeze Out" tinha sido sempre o último tema): "You've just experienced the legendary E Street Band!". Indeed we did.

Ninguém se pode queixar que não foi avisado.
No início do concerto, como é seu hábito, Bruce profetizou a missão da E Street Band. Na introdução de "Spirit In The Night" - um dos meus temas preferidos de Bruce, do seu álbum de estreia de 1973: "Greetings From Asbury Park, NJ" - Bruce revelou ao que vinha:

"The E Street Band has come thousands of miles, just to be here in Lisbon tonight.
And we've come here on a mission!
We're gonna bring the power! We're gonna bring the glory! We're gonna bring the fun! We're gonna stimulate your sexual organs, with the power of Rock N' Roll!
Can you feel the spirit? Can you feel the spirit now?"



E assim foi.
Depois de 3 dias consecutivos de Rock In Rio, hoje estou de rastos. Sem voz, com a garganta rebentada e já não sinto pernas, pés e costas.
Estou mais morto que vivo, mas estou feliz. Com o tal sorriso idiota na cara.

Obrigado por tudo, Bruce. Vemo-nos por aí, numa estrada qualquer. De preferência brevemente.

"Together we move like spirits in the night!"