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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Noel Gallagher - "(It's Good) To Be Free" (Semi-Acoustic Live)

"The little things, they make me so happy. Well, it's good... Yes, it's good... It's good to be free"



"Head like a rock spinning round and round"
Volvido praticamente um mês, hoje voltei a ouvir no carro o "álbum do acidente". O álbum é "The Dreams We Have As Children", uma gravação semi-acústica de Noel Gallagher, ao vivo no Royal Albert Hall, no concerto de beneficiência para Teenage Cancer Trust.
Chamo-lhe o "álbum do acidente", mas sem quaisquer ressentimentos. Ao ouvi-lo, obviamente me lembrei do acidente, mas acho que isso vai ficar para sempre. O meu primeiro acidente de viação (muito menos grave que este, só "chapa") foi há quase 4 anos e deu-se ao som de "Candy's Room" de Bruce Springsteen. Não há vez nenhuma que eu ouça o tema e eu não me lembre dessa manhã azarada...
Mas dizia eu que não guardo ressentimentos da música de Noel Gallagher. Afinal, o acidente foi muito mais que um simples azar, foi uma chamada de atenção, um wake up call.

A vida testa-nos de muitas maneiras e às vezes dá-nos um valente abanão, que no mínimo serve para nos obrigar a repensar o nosso caminho. Não estou aqui a teorizar sobre o destino, ou sobre qualquer ordem que o Universo tenha sobre os acontecimentos caóticos da nossa vida, de modo a dar algum sentido a "tudo isto". Nada disso. À parte de toda a subjectividade de tais discussões, reitero apenas que alguns destes acontecimentos caóticos nos obrigam a parar... e a pensar.
E foi o que se passou comigo.

"So what would you say if I said to you: "it`s not in what you say, it`s in what you do!"...?"
Esta manhã, ao ouvir novamente o maravilhoso órgão na introdução de "(It's Good) To Be Free" - tema de abertura de "The Dreams We Have As Children" - mais do que recordar o acidente, lembrei-me que o abanão teve resultados práticos.
Lembrei-me de como é bom ser livre para operar uma revolução na nossa vida , sempre que tal seja necessário. ("so I start a revolution from my bed", como dizia Noel em "Don't Look Back In Anger")
Lembrei-me que, volvido um mês um mês do acidente, a palavra já deu lugar a acção.
A palavra escrita vai dar lugar à palavra falada.
A palavra lida vai dar lugar à palavra escutada.

Lembrei-me de tudo isso... e esbocei um sorriso.
Porque são as pequenas coisas que me fazem feliz.

"The little things, they make me so happy. All I wanna do is live by the sea Well, it's good... Yes, it's good... It's good to be free"


P.S.: "(It's Good) To Be Free" foi originalmente lançado pelos Oasis em 1994, como um Lado B do single "Whatever". Criminoso, como é que Noel relegou um tema da tarimba de "To Be Free" para a obscuridão de um lado B... Crime esse que repetiria mais vezes ao longo da sua carreira, tanto nos Oasis, como a solo, ao deixar temas de fora dos álbuns temas como "Fade Away", "Masterplan", "Idler's Dream", "Listen Up", "Alone On The Rope" e muitos outros.
À semelhança de "Fade Away", a versão original de "(It's Good) To Be Free" era cantada por Liam Gallagher, num registo bem mais eléctrico. Ambas foram incluídas em 1998 na colectânea de Lados B "The Masterplan".


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Noel Gallagher - "There Is A Light That Never Goes Out" (Live)

"There is a light and it never goes out..."



Já tive dias melhores. Não que o dia de regresso ao trabalho após as férias seja, alguma vez, um dia muito feliz, mas regressar ao trabalho com um acidente de automóvel é, digamos, um dia especialmente mau.
O que mais vos posso dizer acerca do dia de hoje? É que hoje é um dia tão bom como qualquer outro para se ser poético. E por isso mesmo vos digo que hoje, pela primeira vez em toda a minha vida, durante uma fugaz sequência de fracções de segundo... as luzes apagaram todas e eu vi a Velha Senhora. Fitei-a e olhei-a nos olhos, algo que espero nunca mais fazer durante muitos... muitos anos.
As luzes apagaram todas... todas menos uma. Porque para mim, há ainda uma luz que nunca se apaga.



Qual era a música que profeticamente tocava no auto-rádio no exacto momento do acidente?
Nem a propósito: "There Is a Light That Never Goes Out", tema original dos The Smiths, do seu álbum ex libris "The Queen Is Dead" (mas lançado em single apenas em 1992), na voz de Noel Gallagher.

"Driving in your car, I never never want to go home, because I haven't got one... Anymore."

Já tive dias melhores. Mas daqui vos continuo a escrever porque para mim, há ainda uma luz que nunca se apaga.

domingo, 23 de outubro de 2011

Daryl Stuermer - "Urbanista" (Live)



Já foi há mais de uma semana, mas só hoje tive tempo para escrever umas linhas sobre o concerto de Daryl Stuermer na Sexta-Feira, dia 14 de Outubro, na Aula Magna.

Muitos perguntarão quem é, afinal, este Daryl Stuermer?
Muito sucintamente, Daryl Stuermer é um músico americano, que ficou famoso por tocar guitarra e baixo ao vivo com os Genesis e por ser o guitarrista principal que acompanhou Phil Collins, ao longo da sua carreira a solo.
Um sideman, portanto.
O próprio reconhece este desconhecimento geral acerca da sua pessoa, uma vez que a sua digressão foi promovida como "Daryl Stuermer of Genesis".


Foi assim, naturalmente, uma plateia de fãs de Genesis e Phil Collins que acorreu à Aula Magna, para ver a estreia de Daryl Stuermer a solo, fora dos Estados Unidos. Não contando com os concertos em que Daryl Stuermer tocou com os Genesis, nunca ninguém na sua banda tinha tocado ao vivo fora de portas, o que tornou esta noite muito especial para os artistas no palco.
Infelizmente, a crise, a falta de promoção do espectáculo, ou simplesmente a falta de apelo para ver um sideman dos Genesis, fez com que a plateia estivesse a apenas 1/3 da lotação esgotada.
Não deixa de ser surpreendente para quem, como eu, foi há 2 anos à Aula Magna ver os The Musical Box - uma banda de covers dos Genesis - para uma sala a rebentar pelas costuras.

Aparentemente, a falta de adesão do público não afectou a prestação, nem o bom humor, de Daryl Stuemer, que esteve bem disposto e comunicativo ao longo de todo o espectáculo.
Quanto à música, foi Genesis e foi por isso fabuloso.

A setlist completa foi a seguinte:

- "Duke's Intro" ("Behind the Lines" / "Duke's End") [Instrumental] (Genesis - Album: "Duke")
- "Just A Job To Do" [Instrumental] (Genesis - Album: "Genesis")
- "Throwing It All Away" (Genesis - Album: "Invisible Touch")
- "No Son of Mine" (Genesis - Album: "We Can't Dance")
- "Land of Confusion" [Instrumental] (Genesis - Album: "Invisible Touch")
- "Heavy Heart" (Daryl Stuermer - Album: "Go")
- "Deep In The Motherlode" (Genesis - Album: "…And Then There Were Three…")
- "Your Own Special Way" (Genesis - Album: "Wind And Wuthering")
- "...In That Quiet Earth" / "Ripples" [Instrumental] (Genesis - Album: "Wind And Wuthering" / "A - Trick Of The Tail")
- "Urbanista" (Daryl Stuermer - Album: "Go")
- "Squonk" (Genesis - Album: "A Trick Of The Tail")
- Drum Solo
- "Los Endos" / "The Cinema Show" / "Firth of Fifth" / "Squonk" (reprise) / "Los Endos" (reprise) [Instrumental] (Genesis - Album: "A Trick Of The Tail" / "Selling England By The Pound")
- "Something Happened On The Way To Heaven" (Phil Collins - Album: "…But Seriously")
- "Invisible Touch" (Genesis - Album: "Invisible Touch")

Encore:
- "I Can't Dance" (Genesis - Album: "We Can't Dance")
- "Turn It on Again" (Genesis - Album: "Duke")

Como se pode verificar, com a excepção de dois temas a solo, um tema de Phil Collins (que Daryl escreveu com Phil e que, segundo o que ele disse no concerto, lhe permitiu comprar uma casa nova), só deu Genesis na Aula Magna!

Como o próprio Daryl confessou, habituado a tocar o baixo com os Genesis (Michael Rutherford fica, na maioria das vezes, com a guitarra principal), esta foi uma oportunidade para ser ele a tocar as partes de lead dos Genesis, a música que ele mais admira e mais gosta.

O vídeo que aqui fica é de um dos temas a solo que Daryl Stuermer tocou: "Urbanista", retirado do álbum "Go" de 2007, o qual Daryl ainda está a tentar promover e vender nos stands das salas de espectáculos onde actua.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Noel Gallagher - "Fade Away" (Semi-Acoustic Live)

"Fade away while we're living the dreams we have as children"



Depois do fim dos Oasis em 2009, a carreira a solo de Noel Gallagher está neste momento a arrancar a sério.
Em Outubro teremos o lançamento do álbum homónimo da sua nova banda - os "Noel Gallagher's High Flying Birds" - e entretanto o single de avanço "The Death Of You And Me" foi lançado dia 21 de Agosto, chegando ao (discreto) 15º lugar das tabelas britânicas. Uma desilusão, tendo em conta que Noel Gallagher é ainda uma das referências do Rock britânico.
Veremos como é que o álbum será recebido no mês que vem.

No entanto, o primeiro lançamento oficial de Noel Gallagher a solo data de Março de 2009, uns meses antes da famosa discussão em Paris, que ditaria o fim dos Oasis. Trata-se de "The Dreams We Have As Children", um álbum gravado ao vivo no Royal Albert Hall em 2007, para a instituição de caridade "Teenage Cancer Trust".


"The Dreams We Have As Children" tem sido o meu álbum de eleição nas últimas semanas, tocando repetidamente em qualquer lado onde esteja: seja em casa na minha aparelhagem, ou na rua no meu Creative (sim, porque em termos de compatibilidade e de qualidade sonora, a Creative é muito melhor que a Apple e o seu iPod).

O que mais me impressiona em "The Dreams We Have As Children" é a forma como os temas clássicos dos Oasis ganham uma nova vida, uma vez submetidos à transformação semi-acústica imposta por uma banda formada por Noel na guitarra acústica, Gem na guitarra eléctrica ou nas teclas e "the mysterious Terry" na percussão.



É esse o caso deste fabuloso "Fade Away", que dá nome a este álbum numa das suas linhas.
"Fade Away" é um tema da autoria do próprio Noel, originalmente gravado em 1994 como um Lado B para o Single de "Cigarrettes And Alcohol".


A versão original de "Fade Away" era cantada por Liam Gallagher e situava-se no território mais próximo do Punk que os Oasis pisaram. Ao ouvir "Fade Away" novamente em "The Dreams We Have As Children", este tema transforma-se, de repente, numa melódica balada.
Fabuloso.

Curiosamente, "Fade Away" já tinha conhecido um tratamento semelhante, quando em 1998 foi gravada a "Warchild Version", para uma compilação de ajuda à caridade e incluída como lado B no single japonês de "Don't Go Away". Esta versão conta com Noel na voz, Johnny Depp na guitarra e Lisa Moorish e Liam nos backing vocals.



Na altura em que Noel escreveu "Fade Away", supostamente com o propósito definido de ser um lado B, era habitual este ter a arrogância de atirar grandes temas para lados B dos singles, não os guardando para futuros álbuns. Embora constantemente avisado que os temas que escrevia eram bons demais para serem relegados para lados B, Noel teimava que "se foram escritos para serem lados B, lados B devem ser". E assim foi.

"Now my life has turned another corner, I think it`s only best that I should warn you: Dream it while you can, maybe someday I`ll make you understand"

Noel julgava que a inspiração que carregava consigo nos anos dourados dos Oasis duraria para sempre. Como seria de esperar, uns anos mais tarde Noel já se confessava arrependido destas decisões.
Outro exemplo desta arrogância é o fabuloso "Listen Up", que curiosamente também foi deixado como um Lado B de "Cigarrettes And Alcohol". Estes temas, juntamente com outros lados B de qualidade semelhante, foram reunidos em 1998 para a compilação "The Masterplan" - provavelmente a mais sólida compilação de lados B da História.


O vídeo que se apresenta em cima foi gravado na Union Chapel (em Londres), em Novembro de 2006. Este foi um concerto inserido numa pequena digressão semi-acústica pela Europa, que Noel Gallagher e Gem Archer fizeram para promover a compilação "Stop The Clocks" dos Oasis.
Esta actuação na Union Chapel seria posteriormente editada para transmissão televisiva, dando lugar ao especial "Sitting Here In Silence", numa alusão a "Sittin' Here In Silence (On My Own)", outro lado B dos Oasis, também escrito por Noel Gallagher, para o single de "Let There Be Love".

sábado, 2 de julho de 2011

Foo Fighters - "The Pretender"

"So who are you?"




A poucos dias do muito antecipado concerto dos Foo Fighters no festival "Alive", deixo aqui o grande vídeo de "The Pretender". "The Pretender" foi o single de avanço do álbum "Echoes, Silence, Patience And Grace" (grande nome para um álbum) de 2007 e tornou-se um dos temas chave dos Foo Fighters. O álbum também teve grande sucesso, entrando directamente para o topo das tabelas britânicas.

"The Pretender" é, provavelmente, o meu tema preferido dos Foo Fighters. Desde a introdução melódica, a entrada da bateria, ou a explosão no refrão... Todas as peças parecem cair no sítio certo. Mas é a progressão de acordes no refrão que me atinge sempre que ouço este tema. Fabuloso.

Mais do que isso, no que toca à lírica, este tema parece cair que nem uma luva naquela forma raivosa de cantar característica de Dave Grohl.


Nas tabelas americanas, só "Best Of You" e "Learn To Fly" obtiveram maior sucesso que "The Pretender". Curiosamente, são estes os meus 3 temas preferidos dos Foo Fighters. Não sendo propriamente um fã dos Foo Fighters, noto com agrado a evolução que eles tiveram como banda ao longo dos anos. Ao fim de mais de 15 anos, já levam uma respeitosa carreira, solidificando continuamente a sua posição no panorama do Rock.

O álbum mais recente é deste ano e chama-se "Wasting Light". É este o álbum que traz os Foo Fighters a Portugal na próxima semana. Com as expectativas em alta, lá estarei no concerto para ver o que têm para dizer com o seu último trabalho e também ouvir todos os clássicos.