i'm spiralling down to the hole in the ground where i hide
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ponto prévio: "the final cut" não é o melhor álbum dos pink floyd. longe disso. tão longe, que quase parece uma banda diferente.
"the final cut" é a cristalização dos pink floyd segundo roger waters, tal como "the division bell" seria mais tarde a cristalização do som da banda segundo david gilmour, ou "the piper at the gates of dawn" fora a materialização dos pink floyd segundo syd barrett.
"the final cut" mostra roger waters como um eucalipto que secara tudo à sua volta na banda. richard wright (o teclista) fora despedido por roger depois da gravação de "the wall" e até nick mason (o baterista) teve uma participação diminuta neste trabalho.
se olharmos para "the final cut" como um álbum a solo de waters, mas um álbum que conta com a participação de david gilmour, então até podemos dizer que é o melhor deles todos.
para os outros álbuns a solo, roger tentou repetir a fórmula do "grande guitarrista": convidou eric clapton para "the pros and cons of hitchhiking" de 1984; andy fairweather low para "radio kaos" (a besta negra da sua discografia a a solo) de 1987 e jeff beck para "amused to death" de 1992.
nunca mais teve o mesmo sucesso. afinal, david gilmour é david gilmour e só david gilmour é pink floyd.
mas se compararmos "the final cut" com os outros álbuns dos pink floyd, ele empalidece.
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if i show you my dark side, will you still hold me tonight?
if i open my heart to you and show you my weak side, what would you do?
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"the final cut" não é um trabalho de fácil digestão. o álbum é dedicado a eric fletcher waters - o pai de roger e a temática obsessiva ao longo de toda a sua carreira, principalmente na parte final.
a música é demasiado apoiada na letra e as melodias praticamente inexistentes, síndrome geral dos trabalhos a solo de waters.
pelo resultado que aqui ouvimos e comparando, por exemplo, com "wish you were here" - o álbum mais ecuménico da banda - é fácil perceber quem é a facção mais musical dos pink floyd.
como ficou aqui provado, quer queira, quer não, roger waters precisa mesmo dos restantes pink floyd para poder deitar cá para fora todo o seu (inequívoco) génio criativo. ao fim de muitos anos, acho que já percebeu isso e terá mesmo tentado fazer as pazes, mas já foi tarde demais.
infelizmente, demorou demasiado tempo a perceber o que o meu pai percebeu à primeira audição de "the final cut". ele, que nunca entendeu uma frase de inglês e sempre se reviu na música dos pink floyd, ao ser deparado com este álbum, demasiado wordy, percebeu logo que ali faltava o toque de david. de david gilmour, pois claro.
a marca de david gilmour é ténue ao longo do álbum, mas quando aparece, bate com força e a música levita para uma nova dimensão.
é o caso do tema-título de "the final cut". quando rebenta a guitarra de gilmour, imediatamente sabemos que estamos a ouvir pink floyd.
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thought i oughta bare my naked feelings
thought i oughta tear the curtain down
i held the blade in trembling hands
prepared to make it but just then the phone rang
i never had the nerve to make the final cut