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sábado, 9 de junho de 2018

Peter Gabriel - "Big Time"

"The place where I come from is a small town, they think so small, they use small words"

Castelo Branco

Sempre tive uma relação muito difícil com a minha cidade natal. Bem, chamar ao meu sentimento por Castelo Branco uma "relação difícil" é obviamente um eufemismo somente dado ao facto do texto ser público. Deixemo-nos de palavras pequenas. Na verdade, sempre odiei o sítio de onde vim. E o tempo não melhorou o meu desdém.

"I've been stretching my mouth, to let those big words come right out"

"So" foi o álbum onde Peter Gabriel quis ser grande. Depois de se libertar das amarras dos Genesis em 1975, Peter embarcou numa carreira a solo onde pôde fazer uso da liberdade que a caixa dos Genesis (que é como quem diz, o Tony Banks) não lhe permitiam gozar.

O próprio Peter não negou a sua vontade em disparar para outras alturas. Em 1985, quando gravou "So", já dez anos tinham passado desde a sua separação dos Genesis. Nesse espaço de tempo, viu a banda alcançar mais sucesso do que alguma vez havia conseguido com ele, ou do que ele conseguira a solo. E claro, viu o seu amigo Philip, o insuspeito baterista da banda, o homem atarracado da sombra a quem poucos davam crédito, a tornar-se uma superestrela internacional com milhões de discos vendidos, muitos mais do que ele ou a banda já tinham vendido. Era altura de ripostar.

"Big Time" é o espelho do que PG estava à procura naquela altura. É sátira. Foi o auto-retrato satírico que Peter Gabriel fez a si mesmo, no álbum que usou para, conscientemente, atingir o sucesso: "This drive for success is a basic part of human nature and my nature". Genial. Como não poderia deixar de ser, Peter foi acusado pelos puristas de fazer um sell out com este álbum (fucking Genesis fans), mas ele sabia exactamente o que estava a fazer. E é aqui que devemos atentar.

Peter é um homem muito inteligente. Não sei de níveis de QI, mas pela complexidade que sempre exigiu da sua música e respectivo significado, Peter Gabriel será muito provavelmente o homem mais inteligente da história do Rock. É fácil alguém se identificar com os conflitos de Roger Waters. Não é de todo tão fácil identificar-se com os traumas de um homem que desenvolve uma obsessão por alfaces.

"I worked it out"

No plano estritamente teórico, de certa forma entendo o encanto bucólico do campo, ou no caso de Castelo Branco, de uma cidade sem trânsito nem correrias, em que se demora 5 minutos a chegar a qualquer lado e em que hora de ponta significa adicionar 15 minutos aos 5 habituais.
Tenho a perfeita noção que o problema não é de Castelo Branco, é meu. Não que eu goste de entrar em lugares comuns, mas este é o caso proverbial de "It's not you, it's me". Não sou dali. Nunca pertenci ali. Nunca na minha vida estive em Castelo Branco e me passou pela cabeça um raciocínio como "este é o meu lugar", ou "é aqui que eu pertenço". Não senti isso nos 17 anos que eu lá vivi. Não senti isso nos 16 anos seguintes que vivi em Lisboa e visitava a cidade esporadicamente. Não senti isso agora que emigrei e regressei à terra onde nasci. Posso entender o fascínio teórico, mas não é para mim.

Nada disto tem a ver com patriotismo. A viver no estrangeiro, cada vez mais me me sinto português e cada vez menos albicastrense. É estranho, mas é o que é.

Sempre odiei a calmaria. Aliás, não há nada que me deixe mais nervoso do que quando me dizem "tem calma, Nuno". Até fico com suores frios. Quando a minha mãe me diz para "ver isso com calma", até tremo. Não, mãe. Não, não, não. Seguir os impulsos sempre foi a minha forma de viver. Sempre me alimentei do barulho e das multidões. Sempre me ferveu o sangue. Para mim, Castelo Branco era a antítese de tudo o que eu era. É um lugar estranho para mim.

"I've had enough, I'm getting out to the city, the big big city"

Sentia-me sufocado em Castelo Branco. Contava os dias para sair de lá. Mas contava mesmo. Literalmente. Era uma ansiedade indizível de sair, de me ir embora dali e ir em busca do meu próprio "Big Time". Tinha uma folha quadriculada onde fazia ticks diariamente no dia de ontem — menos um, menos um, já falta pouco. Estava lá marcado o dia 29 de setembro de 2003, o dia em que começava o ano lectivo no Instituto Superior Técnico. Sabia que a partir daquele dia, tudo seria diferente. E assim foi. Na manhã de domingo, 28, arrumei a minha colecção de CDs numa caixinha (na altura ainda cabia ali) e acondicionei-a ao meu lado no carro do meu Pai. Meti-me dentro do automóvel e nunca mais olhei para trás.

A partir daí, foi sempre a trabalhar em busca do "Big Time". Ou de todos os big times que tinha na cabeça. Dizem-me que já alcancei alguns, mas nunca deixei de sentir aquela ansiedade indizível. Nunca senti que cheguei ao "Big Time". E por isso aquela ansiedade permanece, lingering, a perseguir-me dia após dia.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Phil Collins - "Invisible Touch" (Live in Hyde Park 2017)

"And though SHE WILL FUCK UP YOUR LIFE, you want her just the same"


Não tenho muitos amigos. Nem quero. Os amigos dão muito trabalho e são uma grande responsabilidade. É preciso estar presente (mesmo quando distante), saber da vida deles e mimá-los. A amizade não é, aliás, uma coisa que eu dê como garantida. Tomo-a como uma distinção e tento estar à altura dela, provar dia após dia o merecimento de tal galardão. Em contrapartida, são os meus amigos que me enchem o coração e estão lá quando eu mais preciso.
Não conheço o Phil Collins pessoalmente, mas tenho-o como um amigo porque ele esteve lá sempre que eu precisei dele. Ele agora precisou de mim e eu fui para Londres a correr para o acudir.

Esta crónica é o último capítulo de uma trilogia que contou o regresso de Phil Collins à música e que começou a ser escrita na NiT em Janeiro de 2016. A primeira parte, por altura da reedição da sua obra a solo, centrou-se na absurda percepção plástica da sua obra. A segunda, aquando do anúncio da sua digressão –, sarcasticamente baptizada de 'Not Dead Yet Tour' – focou-se na queda de Phil que quase o levou ao suicídio. O capítulo final, este, conta a história do último concerto desta digressão terapêutica para Phil.


A 'Not Dead Yet Tour' terminou na última sexta-feira num Hyde Park esgotado com 65 mil pessoas, curiosamente o maior concerto da carreira a solo de Phil Collins. Foi muito estranho ver o Phil entrar lentamente em palco de bengala, aparentando uma fragilidade mais parecida com o Sr. Zé da Casa de Repouso das Sarnadas de Ródão (tratem bem da minha avó!!), do que o alegre e vivaço baterista que eu conheci. Os anos não foram meigos para com o tio Phil. Mas em boa hora os filhos o obrigaram a mexer o rabo e a sair de casa para voltar a ser recebido pelos seus amigos.

"Eu sei que prometi não voltar a fazer isto. Mas a verdade é que tive saudades vossas", começou Phil –  aludindo ao facto de se ter retirado da música há 10 anos –,  antes do seu filho Nicholas arrancar com a inconfundível batida para "Another Day In Paradise". Nicholas acabou de fazer 16 anos, mas já mostra uma habilidade e constância surpreendentes na bateria. Foi a grande surpresa do espectáculo. "Filho de peixe", já diz o povo.

Seguiu-se um set – demasiado curto – de hora e meia carregada de êxitos como "You Can't Hurry Love", "Easy Lover" e, obviamente, "In The Air Tonight"; 14 temas no total. Não sei se por cansaço do Phil (ainda há umas semanas voltou a cair na casa de banho do hotel e a magoar-se à séria), se por limitações de horário do festival (os vizinhos do Hyde Park são milionários e muito chatos com o barulho, não é senhor Sting?), mas de fora ficou 1/3 do set normal da digressão, incluindo alguns dos temas que mais queria ouvir, como o pujante "I Don't Care Anymore" e o comovente "You Know What I Mean", com Nicholas ao piano e Phil na voz – um dueto de pai e filho.

Confesso que me soube a muito pouco, especialmente considerando as 95 libras que custava um bilhete para a zona da Plateia Geral que, atrás do Golden Circle e do Diamond Circle (onde é que isto parar?), começava a 120 metros do palco (confirmei pelo Google Earth). Mas o pior não foi isso. A grande desilusão foi o som vindo das colunas, que mal se ouvia. Já levo uns anitos de concertos (este foi o meu 178º) e confesso que nunca na minha vida estive num concerto Rock ao ar livre com o volume tão baixo. Eu estava à frente da zona da Plateia Geral, centrado com o palco e tinha imensas dificuldades em ouvir as guitarras e até a voz do Phil. Àquela distância, só o baixo e a bateria se salvavam.


Por outro lado, Phil cantou "Invisible Touch" e "Follow You, Follow Me", o que muito provavelmente será o mais perto que eu estarei de ver os Genesis ao vivo. Quase perdi a voz no "Invisible Touch" e julgando pelo volume do som vindo das colunas e o volume da minha voz, aposto que num raio de 5 metros à minha volta ouviram mais a minha voz que a do Phil. Pelo menos quando eu gritei "and though SHE WILL FUCK UP YOUR LIFE, you want her just the same!!!" a plenos pulmões, toda a gente se virou para mim. Mas o que importa é que deu para lavar a alma.

Do que me foi possível ouvir, a voz de Phil já não está em condições para estas andanças. Mas o propósito desta digressão era outro. O concerto não foi mais que a maior sessão de terapia alguma vez organizada. À minha volta, gente de todo o mundo que veio para, como eu, voltar a ver o Phil sorrir. Os mais velhos vieram matar saudades e os mais novos para o ver pela primeira (e última?) vez. É notável a paixão da geração mais nova pela música do Phil, depois de tantos anos de injustificado escárnio; e é engraçado perceber que os millennials se estão a encarregar de voltar a pôr as coisas no seu devido lugar. Grupos enormes de miúdos entre os 15 e os 25 anos que, quando acabou o concerto e começou a debandada geral, ficaram a cantar as músicas que faltaram na setlist. E foram muitas, como já vimos.

Sabe bem ver o Phil finalmente reconhecido pelo grande músico que é e pela minha parte, tenho que dizer que estou um pouco orgulhoso por fazer parte dessa mudança de mentalidade.  Phil merece todo o amor que estes 65 mil amigos que não o conhecem de lado nenhum lhe vieram mostrar. Para alguém que teve tanto sucesso e fez tanta gente feliz com o seu toque invisível, não faz sentido nenhum sentir-se tão mal com o seu passado. Espero que esta noite o tenha ajudado. No fim, Phil despediu-se com um "Obrigado por terem vindo, amo-vos a todos". Soltei uma lágrima e sussurrei baixinho: "I love you too, Phil. Always have, always will".

P.S.: Trouxe um souvenir do concerto para me motivar a (finalmente!) começar as minhas aulas de bateria. Mesmo manco, o Phil ainda é capaz de me ajudar a mexer. Se isto não é um amigo...


segunda-feira, 6 de abril de 2015

The Stone Roses - " I Wanna Be Adored"

"I wanna, I wanna, I wanna be adored"


"Ram On" – UK Spring Tour Journal 
(Part 1)

Eu sei que vos tenho andado a falhar, mas foi por uma boa causa. Com o pretexto inicial de visitar um amigo que se mudou para York (chamemos-lhe "Rui"), andei uma semana em digressão pelo UK, mas na verdade, andei mesmo atrás de música (foi fácil encontrá-la, respira-se música ali). Como todas as outras viagens que faço, acabou por se tornar num Rock Film, cheio de sexo, álcool e Rock N’ Roll. Mas sem a parte do sexo. A parte das drogas também foi omitida, que elas são caras e o dinheiro é preciso para comprar discos. Aliás, esse era o segundo propósito da viagem. O terceiro era o concerto do Noel Gallagher no Royal Albert Hall, em Londres. E quem sabe, a perspectiva de um concerto "secreto" do Noel no dia anterior. Mas lá chegaremos. Comecemos pelo início, em Manchester.

Dia 1 – Manchester / York
Chegado a Manchester, o frio. Muito frio. Nos ouvidos, o álbum de estreia dos Stone Roses. Que albão, uma banda sonora perfeita para dias de glória; mas dias de Verão. Como é que raio eles conseguiram fazer música tão quente, num clima tão gélido? Ah ok, os The Smiths também são daqui; e os Joy Division. Pensando bem, mesmo os Stone Roses pareciam estar sempre com frio:

Apanho o free bus de Manchester (autocarro de borla? Já estou a adorar isto) e vou para o Northern Quarter (a vermelho no mapa). Que bairro maravilhoso, tão british, tão charmoso, quem diz que Manchester é feio deve estar doido da cabeça.



Passo a pente fino todas as lojas de discos do bairro: Vinyl Exchange (tudo muito caro), Piccadilly Records (só vinil novo, muito caro também), Vinyl Revival (boa selecção de bandas de Manchester, já estamos a falar melhor), Beatin’ Rhythm (um espantoso espólio de singles 7’’; fixe, mas não é a minha cena), V Revolution (Punk), Eastern Bloc (Electronica), Empire Exchange (boas borlas, mas qualidade duvidosa) e Clampdown Records (melhor loja do Northern Quarter, com tudo o que é essencial). Uff... E tudo com uma mala de 20 kg atrás.

Trazia grandes esperanças, mas saio daqui frustrado. Vi bons discos, mas poucas pechinchas como em Camdem. Siga para York.
Nas palavras do "Rui", York é como Águeda, mas mais frio. Águeda uma porra, isto é mais como a Covilhã. Até já tenho saudades do frio de Manchester. Até o "Rui", que sempre disse que cachecóis eram para meninos, aqui está equipadíssimo com gorro, cachecol e múltiplas camadas de roupa. O que vale é que nos pubs está quente, bora para a noite.
O "Rui" quer mostrar-me todos os bares locais. Local pubs for local people. Em todos os bares por onde passo (e vão três!) toca o "Don’t Stop Me Now" dos Queen, para gáudio absoluto da pista. E eu pareço ser o único que sabe a letra de trás para a frente. Amadores... Mas é incrível, estamos em pleno 2015 e o Rei Freddie continua a dar cartas.
Entramos numa festa de estudantes. Não sei porquê, mas a figura do vestiário à entrada do bar, para um tipo deixar o casaco, aqui, não existe. Deixo o casaco numa cadeira e vou para a pista. Está-se mesmo a ver o que vai acontecer, não é? Pois claro: "Don’t Stop Me Now" passa outra vez e é o delírio da miudagem. Sinto-me quase traído, ao ver tanta gente em êxtase com a música dos Queen. Era suposto aquela música ser minha, só minha. Agora tenho que dividi-la com o Mundo. Mas o que é que estou para aqui a dizer? É muito melhor assim do que andar a levar com o David Guetta.
Ah, pois, e roubam-me o casaco. A noite de Águeda está a ficar perigosa. Sem o único casaco que trouxe na mala, começo a reavaliar se aqueles collants que a minha mãe me obrigava a usar na primária não eram, afinal, uma boa ideia. Acho que esta é a pior noite de sempre.

Dia 2 – York
A noite de ontem não foi assim tão má. Diria até que foi das mais épicas de sempre. Pena a cena do casaco. Mas que se lixe, as bifas do norte de Inglaterra são impecáveis e o filho de mil meretrizes que me levou o casaco, no final de contas, fez-me um favor. Comprei um casaco de pele muito mais cool e fiquei a ganhar com a mudança. Se agora aparecesse o antigo é que era. E já que estamos a pedir, também podia aparecer o outro blusão de pele que me roubaram no Bairro Alto em 2009. E a mala de CDs que me gamaram do carro no Arraial do Técnico em 2008. Ou talvez seja eu que tenho que começar a beber menos. Haha, beber menos, estava a brincar.
Já agora, um aparte: será que chamar as inglesas rosaditas de 'bifas' é racista, se eu gostar da raça? (e gosto) Fica a questão.
#estaroubeiaoSeinfeld

À procura do casaco novo, ainda dou com uma feira de discos, com aqueles preços apetitosos que tanto procurava e saio de braços carregados com uma selecção portentosa do bom vinil britânico; e ainda compro uma t-shirt dos Stone Roses. Mesmo a calhar, "I Wanna Be Adored" tem sido um dos hinos desta viagem. Também já aprendia a fechar a braguilha.
#oldhabitsdiehard
#estouaficarviciadonoshashtags
#omelhorépararcomestamerda






Dia 3 – Manchester
Regresso a Manchester para uma jornada de descoberta. Descubro que a Haçienda (clube histórico da cena Madchester) é agora um complexo de apartamentos. Descubro que o Salford Lads Club (onde os The Smiths posaram para a artwork do "The Queen Is Dead") continua a ser o que sempre foi. Faço uma visita guiada pela mancuniana mais simpática e católica que eu já conheci, que me mostra todos os cantos à casa. O sonho dela é ir a Fátima. Quando lhe digo que já lá fui várias vezes, os seus olhos brilham. Fixe, nunca pensei que ter ido a Fátima me desse um leverage com uma miúda. Estou mesmo a gostar de Inglaterra. Descubro que o Lads Club tem hoje uma sala indescritível – mais parece um altar – dedicada aos The Smiths, com paredes forradas do chão ao tecto com lembranças e post-its deixados por fãs que por ali passaram. Só estando lá é que se tem noção do nível de devoção que uma banda como os The Smiths provoca. Indescritível, mesmo.



No fim, deixo o meu post-it, tiro a clássica foto em frente à entrada do Lads Club e sigo viagem.


De regresso ao centro, faço uma paragem técnica no Manchester Arndale (ao lado do Northern Quarter) para comer e descubro uma das lojas mais cool de sempre, com um nome não menos cool: Pulp – uma loja com tudo para rockers. Carrego uma t-shirt dos Guns e outra dos Stones. Vir ao UK para mim é caro, mas não é pelo preço da viagem; não consigo parar de gastar dinheiro.
Ao fim da noite, descubro ainda que as miúdas do norte de Inglaterra não lidam muito bem com a rejeição: quando tento explicar a uma loirita num bar que estou demasiado cansado para uma noite triunfal de Domingo (não sejam farrombas, já contava com 50 kms nas pernas em 3 dias e não há heróis), levo uma joelhada épica nas partes baixas. Não faz mal, estou a adorar isto e parece que o sentimento é correspondido.
Mas hoje já chega, vou dormir, que amanhã os Beatles esperam-me em Liverpool.

Não percam amanhã a segunda parte do diário de bordo, porque eu também não. Até porque sou eu quem a vai escrever.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Wham! - "I'm Your Man"

"If you're gonna do it, do it right! Do it with me!"


Este fim-de-semana foi de reflexão. Olhei à minha volta e pensei, o que é o Mundo precisa?
A resposta estava logo ali, naquele CD azul que entrou pela minha casa no Inverno de 1997 e que tornou a minha adolescência numa fase bastante menos penosa: o Mundo precisa de mais Wham!.

Apanhando o balanço dos últimos anos, que viram a edição de várias edições de luxo fabulosas, incluindo uma versão expandida de "Faith" - o 1º álbum a solo de George Michael, a Sony deveria mergulhar nos arquivos dos Wham! e fazer uma campanha completa de reedições dos álbuns da banda.
Com isto, aproveitaria também para lançar uma série de pérolas que nunca mais viram a luz do dia, depois dos lançamentos originais em vinil ou em VHS.

O formato de "edição de luxo" já nem é estranho aos Wham!. Em 1986, a banda lançou o seu álbum de despedida "The Final" (um álbum duplo, com um disco de êxitos e outro de material novo) e para os seus fãs mais devotos, os Wham! projectaram uma edição limitada - de 25 mil unidades - de "The Final":


A caixa incluía o duplo LP de "The Final" em vinil dourado, um calendário, uma T-Shirt, um lápis e um bloco de notas, tudo alusivo aos Wham!. Numa era diferente da música e da sua indústria, em que o formato de "edição de luxo" ainda não existia, os Wham! foram pioneiros.

Escusado será dizer que esta edição mora orgulhosamente na minha colecção. Não acreditam? Ora vejam aqui o je, com o duplo LP dourado nas mãos. Sweet.


Mas já me estou a afastar do assunto do post: a reflexão.
Nesta minha onda de meditação, decidi ajudar a Sony a compilar um documento abrangente e definitivo sobre a história dos Wham! e assim nasceu a caixa de 8 discos: "The Final Collection!"(obviamente inspirado na nomenclatura cheia de pontos de exclamação, normalmente utilizada pela banda).

Após uma pesquisa exaustiva nos últimos dias, por sites "especializados" nos Wham! (por razões que me escapam, há muito poucos), pela Wikipedia e pelo Youtube, apresento-vos:

WHAM! - "The Final Collection!" [4CD+4DVD] (2013)

Disco 1 (CD): "Fantastic" (1983)
LP original:
1. "Bad Boys" (3:19)
2. "A Ray Of Sunshine" (4:43)
3. "Love Machine" (3:19)
4. "Wham Rap! (Enjoy What You Do?)" (6:41)
5. "Club Tropicana" (4:28)
6. "Nothing Looks The Same In The Light" (5:53)
7. "Come On!" (4:24)
8. "Young Guns (Go For It!)" (3:55)
Singles + Extras:
9. "Wham Rap!" [7'' Mix - 1982 Single] (3:30) - "Wham Rap! (Enjoy What You Do)" 7": Innervision (UK)
10. "Young Guns (Go For It)" [UK 12'' Mix] (5:10) - "Young Guns (Go For It)" 12": Innervision / IVL A13 2766 (UK); "The Final" Album
11.  "Bad Boys" [12'' Mix] (4:52) - "Bad Boys" 12": Innervision / TA 3143 (UK)
12.  "Wham Rap! (Enjoy What You Do) (Special US Remix Part 1)" [12'' Mix - 1983 Single]  (6:43) - "Wham Rap! (Enjoy What You Do)" 12": Innervision (UK)
13. "A Ray of Sunshine" (Live on The Tube) (4:58) - "Wake Me Up Before You Go-Go"   12": Epic / TA 4440 (UK); Columbia US
14. "Going For It!" (Instrumental) [US 12'' Mix] (4:49) - "Young Guns (Go For It)" 12": Columbia/Innervision 44-03501 (US)
15. "Wham Rap! (Unsocial Mix)" [1982 Single] (6:36) - "Wham Rap! (Enjoy What You Do)" 12": Innervision (UK)


Disco 2 (CD): "Make It Big" (1984)
LP original:
1. "Wake Me Up Before You Go-Go" (3:50)
2. "Everything She Wants" (5:01)
3. "Heartbeat" (4:42)
4. "Like a Baby" (4:12)
5. "Freedom" (5:20)
6. "If You Were There" (3:38)
7. "Credit Card Baby" (5:08)
8. "Careless Whisper" (6:30)
Singles + Extras:
9. "Freedom" ("The Final" Mix ft. trumpets) (5:20) - "The Final" album 
10. "Everything She Wants" (12" Remix) (6:34) - "Everything She Wants" 12": Epic / QTA 4949 (UK)
11. "Wake Me Up Before You Go-Go (Instrumental)" (4:03) - "Wake Me Up Before You Go-Go" 7" / 12": Epic / A / TA 4440 (UK); Columbia US
12. "Hearbeat" (Instrumental)" (4:42) - "Freedom" 12" Maxi Single: Columbia / 44-05238 (US)
13. "Freedom (Long Version)" (7:14) - "Freedom" 12": Epic / TA 4743 (UK)
14. "Everything She Wants (Live in China)" (6:32) - "Foreign Skies" video 
15. "Careless Whisper (Jerry Wexler Special Version)" (5:34) - "Careless Whisper" 12" Maxi: Epic / QTA 4603 (UK) - Special Edition


Disco 3 (CD): "Music from the Edge of Heaven" (1986)
LP original:
1. "The Edge of Heaven"   (4:37)
2. "Battlestations"   (5:25)
3. "I'm Your Man" (6:05)
4. "Wham Rap '86" (6:33)
5. "A Different Corner" (4:33)
6. "Blue (Live in China)" (5:43)
7. "Where Did Your Heart Go? " (5:43)
8. "Last Christmas" (6:44)
Singles + Extras:
9. "I'm Your Man" [7'' Mix] (4:05) - "I'm Your Man" 7": Epic / A 6716 (UK)
10.  "Blue (Armed With Love)" (3:54) - "Club Tropicana" 7": Innervision / A 3613 (UK)
11. "Last Christmas" [1991 Solo Version (Extra Verse)] - "Don't Let The Sun Go Down On Me" (ft Elton John) 12" (US/UK)
12. "I'm Your Man (Extended Stimulation)" (6:53) - "I'm Your Man" 12": Epic / TA 6716 (UK)
13. "A Different Corner (Instrumental)" (4:13) - "A Different Corner" 7" / 12": Epic / A / GTA 7033 (UK)
14. "I'm Your Man (A Cappella)" (4:17) - "I'm Your Man" 12": Epic / TA 6716 (UK)


Disco 4 (CD): "The Edge Of Extras" (2013)
1. "Careless Whisper" (Radio Edit) (5:04) - "Careless Whisper" 7": Epic / A 4603 (UK)
2. "Last Christmas" (Single Mix) (4:24) - "Last Christmas" / "Everything She Wants" 7": Epic / QA 4949 (UK)
3.  "Wham Rap! (Club Mix)" [1982 Single] (4:02) - "Wham Rap! (Enjoy What You Do)" 7": Innervision (UK)
4. "Young Guns (Go For It)" [US 12'' Mix] (6:53) - "Young Guns (Go For It)" 12": Columbia/Innervision 44-03501 (US)
5. "Bad Boys (Instrumental)" (3:25) - "Bad Boys" 7" / 12'': Innervision / A / TA 3143 (UK)
6.  "A Ray Of Sunshine (Instrumental Remix)" (5:40) - "Club Fantastic Megamix" 12": Innervision / TA 3586 (UK)
7.  "Love Machine (Instrumental Remix)" (3:28) - "Fantastic" CD / Cassete 
8.  "Club Tropicana (Instrumental)" (3:31) - "Club Tropicana" 12": Innervision / TA 3613 (UK)
9.  "Nothing Looks The Same In The Light (Instrumental Remix)" (6:40) - "Fantastic" CD / Cassete 
10. "Going For It" (Instrumental) [7'' Mix] (3:40) - "Young Guns (Go For It)" 7": Innervision / IVL A2766 (UK)
11 "Freedom (Instrumental)" (5:10) - 7" / 12'': Epic / A / TA 4743 (UK); 12" Maxi Single: Columbia / 44-05238 (US) 
12. "Do It Right"  (Instrumental) (4:05) - "I'm Your Man" 7" / 12": Epic / A / TA 6716 (UK)
12 "Careless Whisper (Instrumental)" (5:02) - "Careless Whisper" 7": Epic / A 4603 (UK)
13. "Club Fantastic Megamix" [12'' Mix] (8:35) - "Club Fantastic Megamix" 12": Innervision / TA 3586 (UK)
14.  "Soul Boy" [Inédito]
15. "Message from Wham!" - "Everything She Wants" 7": Epic / 07-5p-336 (Japão)


Disco 5 (DVD): "Fantastic Videos"
Videoclips:
1. "Wham Rap! (Enjoy What You Do?)"
2. "Young Guns (Go For It!)"
3. "Bad Boys"
4. "Bad Boys" (alternate)
5. "Club Tropicana"
6. "Wake Me Up Before You Go-Go"
7. "Everything She Wants"
8. "Freedom"
9. "Careless Whisper"
10. "Last Christmas"
11. "I'm Your Man" (Long version)
12. "Where Did Your Heart Go?"
13. "The Edge Of Heaven"
14. "A Different Corner"
Bonus:
15. "Careless Whisper" (Motown at the Apollo 1985.05.04)


Disco 6 (DVD): "Make It Big On The TV"
"Top Of The Pops": 
1. "Young Guns" (1982.11.04)
2. "Wham Rap!" (1983.02.17)
3. "Bad Boys" (1983.05)
4. "Club Tropicana" (1983.08.04)
5. "Wake Me Before You Go-Go" (1984.05.24)
6. "Wake Me Before You Go-Go" (1984.06.07)
7. "Careless Whisper" (1984.08.23)
8. "Freedom" (1984.10.11)
9. "Everything She Wants" (1985.01.03)
10. "Last Christmas" (1985.12.12)
11. "Where Did Your Heart Go?" (1986)
12. "The Edge Of Heaven" (1986)
13. "A Different Corner" (1986)
"The Tube":
1. "Ray Of Sunshine" (1983)
2. "Love Machine" (1983)
3. Entrevista no "The Tube" (1983)
4. "Wham! Wrap" ("The Tube" 1986 special) (Parte 1; Parte 2)
Outros programas: 
1. "Blue (Armed With Love)" ("The Russell Harty Show")
2. "Wham Rap!" ("Disco Ring" TV Show)
3. Entrevista no programa "Show Business" (1983)
4. "Wham! Special - Fantastic Tour!!" (Parte 1; Parte 2)
5. "Freedom" (Tony Wogan 1984 performance)
6. Entrevista no programa de Tony Wogan (1984)
7. Saturday Superstore (November 1984 Appearance)


Disco 7 (DVD): "Foreign Skies - Wham! In China"
1. "Bad Boys"
2. "Club Tropicana"
3. "Blue (Armed With Love)"
4. "Wake Me Up Before You Go-Go"
5. "A Ray Of Sunshine"
6. "Young Guns (Go For It)"
7. "Careless Whisper"
8. "Everything She Wants"
9. "Like a Baby"
10. "If You Were There"
11. "Runaway"
12. "Love Machine"


Disco 8 (DVD): "The Final Concert - Live At Wembley"
1. "Everything She Wants"
2. "Club Tropicana"
3. "Heartbeat"
4. "Battlestations"
5. "Bad Boys"
6. "If You Were There"
7. "The Edge Of Heaven"
8. "Candle In The Wind" (com Elton John)
9. "Credit Card Baby"
10. "Like A Baby"
11. "Love Machine"
12. "Where Did Your Heart Go?"
13. "Why" (Carly Simon cover)
14. "Last Christmas"
15. "Wham Rap!"
16. "A Different Corner"
17. "Freedom"
18. "Careless Whisper"
19. "Young Guns (Go for It!)"
20. "Wake Me Up Before You Go-Go"
21. "I'm Your Man" (com Simon Le Bon)

Eliminando as redundâncias, está aqui quase tudo o que os Wham! lançaram em vinil (LP e singles 7" e 12"), CD, cassete e VHS, ao longo da sua curta existência. Para além disso, está ainda o vídeo do lendário concerto de despedida da banda (apropriadamente chamado The Final Concert), no Estádio do Wembley, desde sempre desejado pelos fãs dos Wham! e de George Michael.

O Mundo já merecia uma caixa assim.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Quim Barreiros - "Bacalhau à Portuguesa"‏

"Mariazinha deixa-me ir à cozinha p'ra cheirar teu bacalhau."




Contra a minha vontade, o blog tem nos últimos tempos conhecido um hiato prolongado, principalmente devido à comédia. Infelizmente, o tempo não estica e já não dá para vir aqui tantas vezes deixar as minhas dissertações musicais.
Mas hoje vamos regressar à música e assim passar a assuntos sérios. Vamos falar de Quim Barreiros.

"Teu bacalhau é mesmo uma beleza, és a portuguesa com teu prato especial"
A ascensão de Quim Barreiros ao mainstream foi feita na sequência do lançamento da colectânea “Disco D’Ouro” em 1991, a qual tinha sido impulsionada pelo mega-sucesso de “Bacalhau à Portuguesa”. "Bacalhau" é um tema cuja melodia é apoiada na matriz do Vira - estilo do folclore português característico do Minho.
Antes disso, Quim já contava com uma carreira de enorme longevidade, com várias décadas de actuações em bailes (Quim já tocava bateria nos anos 50!), com muitos quilómetros de estrada e uma discografia a solo cujo início já remontava a 1971.

Assim, o estrondoso sucesso do tema “Bacalhau à Portuguesa”, em 1991, foi o corolário de uma carreira já longa e que Quim dificilmente poderia prever que se estenderia até aos dias de hoje, volvidas duas décadas.

Curiosamente, este foi um sucesso fora de tempo para "Bacalhau à Portuguesa”, uma vez que tinha sido originalmente lançado em single em 1986, num Double A-Side com o tema “Riacho da Pedreira”.
O single teve um sucesso modesto na época e só com a sua inclusão na colectânea “Disco D’Ouro” é que alcançou a notoriedade que reconhecemos hoje, fazendo a carreira de Quim finalmente levantar voo.



A fórmula é simples e foi aperfeiçoada ao longo dos anos: pegar numa melodia facilmente reconhecível do folcore português, adicionar uma letra brejeira, normalmente com duplo sentido (aqui lanço o exemplo paradigmático do tema "Adolfo Dias"), et voilá, mais um sucesso de Quim Barreiros.

A partir daí, foram sucessos atrás de sucessos, com temas como “Mestre da Culinária”, “Garagem da Vizinha”, “A Cabritinha” ou, o meu preferido:  “O Sorveteiro (Chupa Teresa)”. Este tema é retirado do seu álbum de 1992 “O Sorveteiro”, lançado um ano depois do breakthrough de Quim, com o "Disco D'Ouro" e o já referido "Bacalhau à Portuguesa".
O que vos posso garantir é que se há um nome que nunca darei a uma filha minha, esse nome é Teresa. É fatal: sempre que conheço uma Teresa, este tema automaticamente dispara na minha cabeça. Obrigado Quim, por arruinares a relação com quaisquer Teresas que apareçam na minha vida.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Queen - "Tavaszi Szél Vizet Áraszt"

"Tavaszi szél vizet áraszt, virágom, virágom"




«Rapsódia Húngara - Um fã dos Queen em Budapeste»


Capítulo I - A magia dos Queen

Esta história tem início a 27 de Julho de 1986, data em que os Queen actuaram no Népstadion, em Budapeste.  O concerto fez parte da última e maior digressão dos Queen - a Magic Tour - que terminaria poucos dias depois no Knebworth Park, para um triunfante final, perante 120 mil fãs.

Mas o concerto do Népstadion era especial: marcava a primeira vez que uma banda Rock ocidental organizava um concerto para lá da Cortina de Ferro. O evento era de tal ordem significativo para a Hungria, que os Queen foram recebidos com honras de Estado e o concerto foi gravado em filme (e não em vídeo, como por exemplo, o famoso concerto no Estádio do Wembley) por 17 câmaras de 35 mm, utilizando TODO o equipamento disponível no país.

A 3 anos da queda do Muro de Berlim, o Mundo era um lugar bem diferente na época. Para o público residente no (então denominado) Bloco de Leste, ver os Queen ao vivo era uma oportunidade única. Gente de todo o Bloco comunista, desde a Checoslováquia, à Polónia, ou à URSS, foi a Budapeste para ver aquele que ainda hoje é o maior concerto realizado no Népstadion, onde os Queen tocaram para 80 mil pessoas.

Os Queen já tinham tentado tocar na URSS durante a The Works Tour - a mais "global" de todas as digressões da banda - mas tinham sido negados. Numa entrevista em 1985, Freddie referiu-se ao falhanço, alegando que as autoridades russas achavam que os Queen "iriam corromper a sua juventude". Para a Magic Tour, os Queen tentaram marcar datas na Checoslováquia e na URSS, mas acabaram por ir apenas à Hungria. E já não foi pêra doce.

Como é possível perceber no filme "Live In Budapest" (em 2012 relançado nos cinemas e em Blu-Ray/DVD como "Hungarian Rhapsody: Queen Live In Budapest"), o concerto de Budapeste foi uma espécie de "caixa negra" para os Queen. A banda foi lá sem saber para quantas pessoas iria actuar, como iriam ser distribuídos os bilhetes e até a perder dinheiro.
Para Roger Taylor, o que levou os Queen a Budapeste foi um "tremendo sentimento de satisfação profissional":




27 anos depois do concerto dos Queen no Népstadion, um grande fã da banda agarra num amigo e decide ir ao local onde um dia a magia dos Queen (pun intended) aconteceu.
Escusado será dizer que o protagonista desta história sou eu.


Capítulo II - The Népstadion Epic

A viagem a Budapeste foi planeada com vários atractivos em mente, visuais e sentimentais. O ponto de intersecção destas duas funções e ponto de interesse máximo da cidade era, para mim, a visita ao Népstadion.
Na marcação da viagem, desde logo avisei o meu amigo que aquele seria um local obrigatório de passagem. Esse e obviamente, o cruzeiro no Danúbio, onde Freddie Mercury alvitrou a ideia de comprar o edifício do Parlamento (a partir do segundo 1:11), perguntando quantos quartos tinha:




Domingo.
De manhã, tínhamos ido fazer o referido cruzeiro no Danúbio, ao som de "Tavaszi Szél Vizet Áraszt" - tema popular húngaro que os Queen tocaram no Népstadion - e que eu tocava em repeat no iPhone.
À tarde, apanhámos a linha vermelha de metro e fomos em direcção ao Népstadion (hoje rebaptizado de Puskás Ferenc Stadion).

Tudo o que eu queria era entrar no estádio e tirar umas fotografias junto ao local onde os Queen haviam tocado 27 anos antes. Mas não fazia a mínima ideia como. Sabia que entrar no estádio seria muito difícil, a não ser que...

Aparentemente, era o nosso dia de sorte. Noutro dia qualquer, o estádio estaria fechado, mas nesta tarde de Domingo, sem sabermos, havia futebol no estádio e havia jogo grande: o Ferencváros recebia o Videoton, num jogo para disputa dos lugares cimeiros da liga húngara.

O jogo já estava no fim e a equipa da casa (Ferencváros) estava a perder. Nós não sabíamos disto, só sabíamos que as pessoas que víamos junto ao estádio não estavam satisfeitas. E sabíamos que queríamos entrar. Tínhamos de entrar.

À chegada aos portões de entrada, perguntei aos seguranças se poderia entrar durante alguns minutos para tirar umas fotografias (lembro que o jogo estava já nos minutos finais), mas ninguém falava inglês.
Depois veio alguém que me percebia e que aceitou levar-nos lá dentro por alguns minutos, mas... Afinal, NÃO. Afinal não podíamos entrar.
Apontando para o meu amigo, com um olhar triste mas contundente, o segurança disse em inglês arcaico: "Desculpem, mas não podem entrar. White Power lá dentro. Desculpem..."

Importa referir que o meu amigo é de descendência indiana e eu, sendo português, também não sou assim tão branco quanto isso. Basicamente, fomos barrados porque não éramos brancos, ou tão brancos como eles gostariam que fôssemos. Foi como se nos teleportassem para um tempo e um espaço onde o Apartheid vigorava. De uma forma quase mórbida, até estava a ser uma experiência sociologicamente interessante.


Virei-me então para o meu amigo e disse:
"Olha, afinal não podemos entrar"
E ele, que tinha percebido a ideia da conversa, com ar de estupefacção:
"Porquê? Por causa de mim?!"

Entretanto, um dos amigos White Power's, visivelmente embriagado e enfurecido, aproximou-se por trás de nós, gritando a plenos pulmões algo semelhante a "KURVA!! KURVA!!!".
Ora bem, eu estou longe de ser um especialista no Magyar, mas reconheci imediatamente aquela palavra das minhas visitas à Polónia, uns anos antes. Também aí tinha tido o "prazer" de me cruzar com os amigos White Power's. Percebi imediatamente que aquela era a nossa deixa para bater em retirada.


No entanto, eu fiquei tão revoltado com aquela merda que lhe disse:
"Co*** ma fo***, mas nós VAMOS entrar lá dentro! Escreve o que eu te digo!"

A história não poderia acabar ali. Já estávamos em Budapeste há uns dias e até então o povo húngaro não tinham sido nada se não caloroso e hospitaleiro para connosco. Aquilo não fazia sentido nenhum.
Os amigos White Power's podiam ser mais fortes e em maior número que nós, mas nunca poderiam ser mais espertos. Afinal, estavam a lidar com tugas.

Depois de atravessar a estrada, demos então uma volta em redor do (enorme) quarteirão onde se situava o Complexo do estádio. Encontrámos uma 2ª porta, onde ainda se podia ler o nome antigo do estádio: Népstadion. Hora para mais uma fotografia.
No entanto, esta porta era vedada ao público, por isso não foi desta que conseguimos entrar.


Continuámos a andar.

Entretanto o jogo terminou e começámos a ver os adeptos a sair do estádio. Nesta altura, encontrámos um 3º portão, por onde saíam os adeptos mais "normais" do Ferencváros, com aquelas horríveis camisolas às listas verticais, verdes e brancas.
Estava ali a nossa oportunidade.

Enquanto os adeptos saíam pelos portões, nós fizemos o caminho inverso. Passámos por entre os seguranças e a polícia, subimos as escadas aparentemente intermináveis e voilá: estávamos dentro do Népstadion, apenas a alguns metros de distância de onde os Queen tocaram há 27 anos.


E esta é a vossa lição de hoje: o ódio não vos leva a nenhum lado; a inteligência vai sempre ganhar.



Capítulo III - Virágom, Virágom

"Tavaszi szél vizet áraszt, virágom, virágom*.
Minden madár társat választ virágom, virágom.
Hát én immár kit válasszak? Virágom, virágom.
Te engemet, én tégedet, virágom, virágom."

Como expliquei em cima, a data do concerto de Budapeste teve enorme importância para os Queen. De tal forma, que a banda ofereceu ao público um presente muito especial, interpretando o tema "Tavaszi Szél Vizet Áraszt" - uma canção popular húngara - algo único na concertografia dos Queen.
Aqui vemos Freddie e Brian a ensaiarem o tema no terraço do hotel (arrisco que seja o Marriott), junto ao Danúbio:


Desde os 6 anos de idade, quando vi pela primeira vez no documentário "Freddie Mercury - A Tribute" (um programa apressadamente compilado pela BBC, para transmissão no próprio dia da sua morte), a interpretação dos Queen de "Tavaszi Szél Vizet Áraszt", que me apaixonei pelo tema. Mesmo tendo em conta que a língua húngara era completamente indecifrável para mim (na época a língua inglesa também era), o tema ficou para sempre na minha cabeça.
Para os curiosos, a tradução da letra não deve fugir muito disto:
"O vento da primavera derrete o gelo, minha flor, minha flor.
Todos os pássaros procuram um parceiro, minha flor, minha flor.
E eu, quem hei-de escolher, minha flor, minha flor.
Escolho-te a ti e tu escolhes-me a mim, minha flor, minha flor."

Uns anos mais tarde, vi o filme "Live In Budapest", com todas estas imagens que coloquei ao longo do tópico. Sempre na minha cabeça, ficou também a ida a Budapeste, para visitar os maravilhosos locais que via naquelas imagens.
Se aos 6 anos me apaixonei por "Tavaszi Szél Vizet Áraszt", aos 27 apaixonei-me por Budapeste. Budapest, virágom, virágom.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Noel Gallagher - "There Is A Light That Never Goes Out" (Live)

"There is a light and it never goes out..."



Já tive dias melhores. Não que o dia de regresso ao trabalho após as férias seja, alguma vez, um dia muito feliz, mas regressar ao trabalho com um acidente de automóvel é, digamos, um dia especialmente mau.
O que mais vos posso dizer acerca do dia de hoje? É que hoje é um dia tão bom como qualquer outro para se ser poético. E por isso mesmo vos digo que hoje, pela primeira vez em toda a minha vida, durante uma fugaz sequência de fracções de segundo... as luzes apagaram todas e eu vi a Velha Senhora. Fitei-a e olhei-a nos olhos, algo que espero nunca mais fazer durante muitos... muitos anos.
As luzes apagaram todas... todas menos uma. Porque para mim, há ainda uma luz que nunca se apaga.



Qual era a música que profeticamente tocava no auto-rádio no exacto momento do acidente?
Nem a propósito: "There Is a Light That Never Goes Out", tema original dos The Smiths, do seu álbum ex libris "The Queen Is Dead" (mas lançado em single apenas em 1992), na voz de Noel Gallagher.

"Driving in your car, I never never want to go home, because I haven't got one... Anymore."

Já tive dias melhores. Mas daqui vos continuo a escrever porque para mim, há ainda uma luz que nunca se apaga.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Queen - "One Year Of Love"

Ainda o efeito terapêutico da música dos Queen.
Hoje sobre a terapia do amor.



"All I can do is surrender to the moment, just surrender..."

Pois é, outra vez os Queen. Eu não sou grande adepto de repetir bandas num curto espaço de tempo (se verificarem na barra do lado direito, percebem que não há muitos marcadores repetidos), mas como já aqui expliquei, os Queen são os Queen.

Hoje acordei com vontade de ouvir Queen. Até aqui nada de novo.
O que decidi colocar? O álbum "A Kind Of Magic" de 1986. Este é para mim um álbum especial, porque retirando as compilações "Greatest Hits I & II" e os álbuns ao vivo "Live Magic" e "Live At Wembley '86", "A Kind Of Magic" foi o meu primeiro álbum de originais dos Queen. Na verdade, era uma velhinha cassete, cuja fita desafiou as leis dos materiais, de tanto uso que teve. E que ainda hoje vive.


Logo depois do fabuloso "One Vision" a abrir (um single lançado a 4 de Novembro de 1985, um dia de enorme relevância para a Humanidade) e do hit "A Kind Of Magic", surge "One Year Of Love".
E o coração fica apertado.

"One sentimental moment in your arms is like a shooting star right through my heart"

Há coisas que não se esquecem. "One Year Of Love" foi a minha primeira balada, andava eu na escola primária. Foi a primeira terapia de amor que conheci.
Foi mais uma, entre tantas outras sensações, que os Queen me proporcionaram ao longo da minha vida com a sua música. Não é à toa que eram a minha banda de eleição quando eu tinha 3 anos e ainda o são hoje.

"Just one year of love is better than a lifetime alone"

"One Year Of Love" é uma das grandes baladas desconhecidas dos Queen. E até foi lançada como o 7º (!!!!!) single do álbum "A Kind Of Magic", mas apenas em Espanha e França, provavelmente aproveitando o buzz criado pelo mega-sucesso da digressão "Magic Tour", que seria a última dos Queen. Em todo o caso, não conseguiu ganhar a notoriedade de outras baladas dos Queen.


"One Year Of Love" é um tema atípico. É um dos poucos temas dos Queen que não tem a presença do seu guitarrista Brian May. No lugar da sua parte de guitarra (e do seu solo) aparece o saxofone de Steve Gregory, o mesmo que tocou o famoso riff de saxofone em "Careless Whisper" de George Michael.

Não deixa de ser cómico que "A Kind Of Magic" seja visto pela maioria da crítica e por muitos fãs, como um dos álbuns mais fracos dos Queen. Ora, um álbum com apenas 9 temas, que pretendeu ser simultaneamente um novo álbum de originais dos Queen e a "banda sonora não oficial" do filme "Highlander", de onde são retirados 7 singles (sim, leram bem: sete!), alguns deles de ENORME sucesso como o tema-título "A Kind Of Magic", "One Vision", "Who Wants To Live Forever", ou "Friends Will Be Friends" e que, mesmo assim, é considerado um produto subpar na discografia dos Queen... É no mínimo notável.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Freddie Mercury - "Time (Nile Rodgers 1992 Remix)"

"Time waits for nobody..."



O dia em que o Rei faz anos. É hoje.

Foi há 65 anos que, em Zanzibar, numa pequena ilha ao largo da Tanzânia, nasceu o Rei. O Rei, claro está, é Freddie Mercury. O único, o mais genial e mais completo artista da História do Rock, o meu ídolo de sempre, o Rei Freddie Mercury.

Freddie nasceu pacatamente sob a cultura Parsi, muito longe dos palcos que viria a pisar uns anos mais tarde.
Muito cedo Freddie se mudou para a Índia, onde frequentou escolas britânicas na zona de Bombaim (hoje Mumbai), as quais lhe incutiram formação musical, principalmente de piano, instrumento onde já revelava capacidades notáveis.

Aos 17 anos, Freddie e a sua família mudaram-se para o Middlesex no Reino Unido. Freddie integrou alguns projectos musicais sem sucesso, até que em 1970 se junta a Brian May e Roger Taylor dos Smile e, mais tarde com John Deacon, formam os Queen.
O resto é História. A História que todos conhecemos.

Para festejar esta data, o tema que aqui deixo é "Time", um dos meus preferidos da curta carreira a solo de Freddie Mercury. "Time" foi originalmente gravado em 1986, juntamente com "In My Defence" (outro tema fabuloso), para o musical de Dave Clark com o mesmo nome.
Para a promoção do musical e do respectivo álbum, "Time" foi lançado em single no Reino Unido, atingindo o modesto 32º lugar.


As versões originais de "Time" e "In My Defence" ficariam de fora dos álbuns a solo de Freddie Mercury. Em 1992, diferentes remisturas de ambos os temas apareceriam nas compilações póstumas "The Great Pretender" (lançada nos Estados Unidos) e "The Freddie Mercury Album" (lançado na Europa). Os originais apareceriam apenas mais tarde na megalómana caixa "Solo" de 2000 e na compilação "Lover of Life, Singer of Songs: The Very Best of Freddie Mercury Solo" de 2006.

A versão que aqui fica é a remistura de Nile Rodgers (dos Chic) em 1992, uma vez que foi aquela que eu sempre conheci e aprendi a gostar. E é nada menos que fantástica.

A verdade é que parece que todo o Mundo hoje presta homenagem ao Rei. Basta abrir a página do Google, para darmos com o doodle:



A equipa da banda decidiu também criar um "vídeo oficial" de homenagem ao Rei:



Aqui vemos Freddie em vários momentos ao longo da sua carreira, seja ao vivo, em entrevistas, ou mesmo em estúdio. Destaco as imagens (absolutamente inéditas) de Freddie a gravar a lindíssima balada "My Melancholy Blues", nas sessões de "News Of The World". Adorei.
Neste vídeo, Freddie profere algumas frases fortes (a maioria já conhecia), onde fala também da sua pessoa:

"I think I am a man of extremes, I don't think I have that much in the middle"

Como eu te compreendo, Freddie!

"Everybody looks at me on stage and they think that's the way I am, arrogant and all...
And you look at me now and you see that actually I'm quite boring"

E aqui está aquilo que, para muitos, pode ser uma revelação. Freddie Mercury era mesmo um homem de extremos e se em palco era a bola de fogo que conhecemos, fora dele podia ser uma pessoa calma, até mesmo enfadonha.

"When I'm dead, who cares? I don't"

I do Freddie! I still do...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Bon Jovi - "Livin' On A Prayer"

"Ooooohhh We're half way there! Oaaaahhh ha! Livin' on a prayer!!"



O tímido sucesso dos dois primeiros álbuns dos Bon Jovi ("Bon Jovi" e "7800° Fahrenheit") deixaram a banda reticente quanto à direcção que escolheram para a sua carreira. Para o 3º álbum, decidiram fazer uma abordagem diferente: trouxeram para o estúdio Desmond Child (escritor e produtor Pop/Rock profissional e hoje amigo de longa data da banda), escreveram aproximadamente 30 temas e deram-nos a conhecer a um grupo de adolescentes da zona.
A opinião do público alvo principal dos Bon Jovi, ajudou a banda a perceber qual a direcção a seguir, mas nem por isso o trabalho doravante foi fácil.

Neste processo de decidir o que sai e o que fica, o mais curioso é que Jon Bon Jovi queria deixar "Livin' On A Prayer" de fora de "Slippery When Wet", convencido que o tema não tinha qualidade suficiente para figurar no álbum. O guitarrista Richie Sambora tinha outra opinião e acreditando que os Bon Jovi tinham nas suas mãos um potencial êxito, levou a banda a re-gravar o tema, desta vez usando a talk-box e criando o hoje lendário riff de "Livin' On A Prayer".
Em boa hora Richie convenceu a restante banda do potencial de "Livin' On A Prayer", uma vez que a gravação original (que se pode ouvir em "100 000 000 Bon Jovi Fans Can't Be Wrong") deixa mesmo muito a desejar:



...e porque o resultado final é o clássico que todos conhecemos.
Cumprindo a profecia de Richie Sambora, "Livin' On A Prayer" foi lançado como o 2º single de "Slippery When Wet" e facturou o 2º nº 1 consecutivo nas tabelas americanas para os Bon Jovi, depois de "You Give Love A Bad Name".
O single foi um sucesso de proporções colossais, tornando-se no ex-libris dos Bon Jovi, com rodagem contínua nas rádios e nas discotecas durante os 25 anos que se seguiram e atingindo o lugar cimeiro das tabelas em todo o Mundo, durante várias vezes neste período.


O sucesso de "Livin' On A Prayer" é de tal forma consistente no tempo, que os Bon Jovi se deram ao luxo de replicar em 1999, quando gravaram uma recriação deste tema, sob a forma do smash hit "It's My Life", lançado no ano seguinte. O tema do álbum "Crush" apresenta indisfarçáveis paralelismos, sendo que até o riff da Talk-Box é o mesmo...

Tal como em tantos outros temas dos Bon Jovi, em "Livin' On A Prayer" as onomatopeias assumem uma importância lírica ao nível da letra. A introdução na talk-box, os "Ooooohhh!" e "Oaaaahhh ha!" do refrão... são estes os grandes hooks do tema. E é nada menos do que maravilhoso.
Quando estamos dentro do carro, cansados no fim de um dia, e aparece "Livin' On A Prayer" na rádio, gritar a plenos pulmões o refrão do tema chega a ser terapêutico. Isto é apenas um exemplo do brutal poder anímico da música, concretamente deste "Livin' On A Prayer".

"Livin' On A Prayer" é provavelmente um daqueles temas que TODOS conhecem, em TODO o Mundo. A sério.
Acredito piamente que se encontrarmos um ermita budista no Tibete, alguém que pode nem sequer saber quem é Obama, e se lhe falarmos em Bon Jovi, ele nos vai responder com o inconfundível "Uooh Uooh" da talk-box de Richie Sambora.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Wham! - "The Edge Of Heaven"

"One last time might be forever!"



Ao ler as novidades de hoje no Facebook, cruzei-me com este brilhante artigo no fantástico blog "The Second Disc" e assim dei conta que fez ontem 25 anos que os Wham! deram o seu último concerto (apropriadamente chamado "The Final Concert") para um esgotado Estádio do Wembley, com uma assistência entre as 80 e as 100 mil pessoas. Estávamos a 28 de Junho de 1986.
Desde então que os fãs dos Wham! esperam ansiosamente por algum documento desta noite histórica, mas essa vontade acaba invariavelmente esbarrada na casmurrice de George Michael, que se recusou a lançar qualquer registo ao vivo ao longo da sua carreira. As únicas excepções foram o vídeo "Wham In China: Foreign Skies" de 1986 (nunca lançado em DVD) e o DVD/Blu-Ray "Live In London" de 2009, gravado em 2008 no Earls Court. GM terá mesmo afirmado que este seria o último documento ao vivo que ele lançará.

Muito oportunamente, o blog sugere uma edição de luxo para o álbum de despedida dos Wham!, também apropriadamente baptizado de "The Final" ("Music From The Edge Of Heaven" nos EUA). A sugestão indica que o álbum se deve fazer acompanhar de um registo áudio e/ou vídeo do "The Final Concert" no Estádio do Wembley. Embora duvide que tal seja possível, devido à irredutibilidade de George Michael, apoio totalmente a sugestão!
Apenas acrescento que se deve completar o alinhamento do álbum com as correspondentes versões 7'' e 12'' dos temas, sempre que tal seja aplicável.

É por isso altura de recordar aquele que foi promovido como o single de despedida dos Wham! em 1986 e que é também o meu tema preferido da banda: o vibrante "The Edge Of Heaven". O single acompanhou a álbum "The Final" e foi um tremendo sucesso em todo o mundo, atingindo naturalmente o 1º lugar no Reino Unido.
Aliás, o registo dos Wham! no Reino Unido é verdadeiramente avassalador: de 1982 a 1986, os Wham! lançaram 9 singles (não contando com "Club Fantastic Megamix") e todos, repito TODOS, entraram para o Top 10 das tabelas britânicas, sendo que 4 deles chegaram ao #1. Impressionante!




"The Edge Of Heaven" é um tema upbeat, com mais espaço para a guitarra de Andrew Ridgeley (ou que ele finge tocar) que o normal nos Wham!, o que dá um travo mais agressivo ao tema, em relação ao seu restante reportório.

Na minha opinião, foi desta fase da carreira de George Michael, que saíram os seus melhores temas pop, marcados pela irreverência e despreocupação da sua juventude. "The Edge Of Heaven", "Freedom" (o original), "I'm Your Man", "Everything She Wants"... são apenas alguns exemplos que provam nos temas upbeat, os Wham! são imbatíveis.
Quando seguiu uma carreira a solo e juntou, entre outras, as influências Jazz à sua música, George Michael tornou-se indiscutivelmente um artista mais maduro e mais completo, mas nalguns aspectos, discutivelmente melhor.
Nos anos 90, George Michael esteve "quase lá" com "Too Funky", "Fastlove" e "Outside", temas liricamente muito mais evoluídos, mas sem aquela alegria dos temas pop dos Wham!.

Quanto a "The Edge Of Heaven", este acabaria por não ser o último single dos Wham! nalguns países, cabendo essa honra ao fabuloso cover dos Was (Not Was) "Where Did Your Heart Go?", com sucesso bem mais reduzido.