Mostrar mensagens com a etiqueta 1981. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1981. Mostrar todas as mensagens

domingo, 20 de setembro de 2020

Scorpions — "Blackout"

 "I really had a blackout"

Vai fechar o Crobar, o último dos resistentes em Soho. Um bar fiel às suas raízes motards e metaleiras que nunca mudou, cruzando décadas de gentrificação e trendificação do bairro do Soho, sempre imune a tudo. Agora é mais uma das vítimas de 2020. Dave Grohl, Slash e o Alice Cooper eram fãs desta casa lendária, mas duvido que algum deles tenha uma história lendária como a minha primeira noite no Crobar — a noite do Blackout.

O ano era 2018 e numa sexta-feira à noite, já a bater nas 24 horas, recebo uma chamada do Diogo, um amigo que trabalhava como bartender em Soho: "Nuno, vamos aí dar um giro!", diz ele. Eu respondo que nem sequer tinha ainda jantado, tal era o nível de exaustão que trazia da semana que terminava. Tinha chegado a casa umas horas antes e deste então que estava estatelado no sofá, a destilar o stress do trabalho. Mas o Diogo insiste: "Não te preocupes, eu tenho aqui jantar para ti no pub". Bem, sendo assim, não havia desculpa. Borrifei-me com perfume, para disfarçar a roupa usada e pus-me a caminho, já passava da meia noite.

Quando cheguei ao Soho, já o Diogo estava a fechar o pub onde trabalhava. "Onde é que está a comida?!", perguntei eu já cheio de fome (sublinho aqui que a última coisa que tinha comido fora uma sandes ao meio-dia, 12 horas antes, portanto). Ele sorri e exclama "Toma aí!", enquanto me passa para a mão... um gin tónico. Eu nem sequer bebo gin, mas para além do estômago vazio, também já trazia sede, por isso foi tudo de enfiada. "Então onde é que vamos?", perguntei eu já com o gin a bater. "Vamos a uma casa que vais adorar!", responde o Diogo. Eu torci o nariz. 

Deixem-me falar-vos da noite de Londres — é uma merda. Amo Londres, mas para onde quer que vá, pareço sempre ser mergulhado num bidão de plástico liquidificado. É tudo tão fake, tudo tão estacionário, que nunca consegui apreciar a noite londrina como apreciava, por exemplo, a noite lisboeta. Mas o Crobar era diferente. Gente verdadeira, untrendy, zero fucks given. Senti-me imediatamente em casa.

As minhas melhores histórias na noite londrina sempre aconteceram em sítios e situações inesperados — como aquela vez que, sem fazer a menor ideia, entrei numa discoteca gay, fui dançar para a pista e, bem, o melhor é deixar essa história para outra altura. Chegados ao Crobar, numa curta viagem da qual já tenho memória difusa, junta-se mais um grupo de amigos do Diogo. "Round of shots!", grita um deles. A partir daqui, bem, já devem imaginar. Estômago vazio, gin tónico para jantar, seguido de quatro ou cinco (who's counting?) rodadas de shots de tequila. Curti à brava o Crobar.

Quando fomos despejados às 3 da manhã — hora de fecho do bar —, eu sentia-me como o (a) protagonista do vídeo do "Smack My Bitch Up" — visão em túnel e o túnel a rodar como uma mangueira solta a alta pressão. "Diogo, agora tenho mesmo que comer", supliquei-lhe. Ele fez-me finalmente a vontade. Só que de todos os restaurantes em Soho, levou-me para um restaurante chinês. Ora, eu não propriamente fã da cozinha do Extremo Oriente e passado 5 minutos de estarmos sentados, corri para a rua para e, como já era mais do que esperado, despejei o que tinha no estômago.

O problema é que já não podia voltar para dentro. Estava em modo super spinning e sem dizer mais uma palavra, deixei o Diogo e liguei automaticamente o Safe Mode — o modo de segurança em que o único objectivo é chegar a casa, custe o que custar. Chamar um Uber? Não, o metro é mesmo ali e são só 5 estações. E aí sim, começou a minha aventura.

Cheguei ao metro e estava tão quentinho e confortável, que disse para mim "vou só fechar os olhos um minuto". Quando esse minuto passou e eu voltei a abrir os olhos, estava em Heathrow. "Fuck. Vou ter que andar tudo para trás", pensei. Mudei de linha e lá fui eu em direcção a Earl's Court. Era supostamente uma viagem de 45 minutos, mas os olhos pesavam e quando acordei, já estava na outra ponta da Piccadilly Line. Nem queria acreditar.

Voltar a mudar de linha aqui já foi um suplício de arrastar ossos indizível. De alguma maneira, encontrei forças para entrar em mais uma carruagem do metro. Seria a última. Mas a viagem estava longe ainda de terminar. Sabia que tinha a linha toda ainda pela frente e por isso, não faz mal nenhum dormir mais um bocadinho, certo? Errado, pois claro. Quando acordei, estava em Hounslow Central, novamente quase ao pé de Heathrow. Fiquei a morrer. 

Tentei recompor-me e pensar na viagem que tinha ainda pela frente — sair em Hounslow West, mudar de linha e voltar para trás em direcção a Earl's Court. Qual não é o meu espanto quando a senhora do Tube anuncia: "Next station, Hounslow East". "Oi? Hounslow East? Então eu já vou em direcção contrária?". Ou seja: o metro já tinha ido a Heathrow e já estava a voltar. E eu sempre a dormir na carruagem. Vá lá que o condutor teve pena da cena e me deixou a dormir no comboio.

A partir daí, não mais fechei os olhos. Cheguei a casa às 9 da manhã. Foi a minha primeira noite no Crobar.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Paul McCartney & Michael Jackson - "Say Say Say" (2015 Remix)

Dizem que a Segunda-Feira é o pior dia da semana, mas não para mim. Para mim, é a Terça-Feira que devia ser despejada numa sala às escuras com o Pedro Guerra e o Bruno Carvalho. Terça-Feira é o dia em que a ressaca do último fim-de-semana já desvaneceu e ainda estou demasiado longe de Sexta-Feira para pensar em abrir o Jameson. Terça-Feira é o dia em que passo a hora de almoço na aula de francês (desculpa lá, Gorete) - fala-se muito nas vítimas do holocausto, mas só fala nisso quem nunca teve aulas de francês quando devia estar a comer um bom bitoque.
A Terça-Feira é uma merda, ponto.
Serve este raciocínio para inferir que o que a minha Terça-Feira precisava era disto:

"Say, say, say what you want, but don't play games with my affection"

Paul McCartney and Michael Jackson 'Say Say Say [2015 Remix]'

Paul McCartney and Michael Jackson - '#SaySaySay [2015 Remix]'Song taken from 'Pipes of Peace 2015 Remaster' - in stores nowVideo directed by Ryan Heffington#PaulMcCartney #MichaelJackson #PipesOfPeace

Posted by Paul McCartney on Terça-feira, 6 de Outubro de 2015


aqui dissera que no fim da década de 70 e início da década de 80, Michael Jackson e Freddie Mercury eram bons amigos. Mas o verdadeiro mate de Michael nesta altura era mesmo Paul McCartney. Talvez o Cute Beatle se revisse na dureza da fama precoce de Michael e o quisesse ajudar, ajudando-se também a si mesmo, ao navegar na onda da maior superestrela mundial da época.
Paul já tinha sofrido com a Beatlemania e era de facto, a pessoa indicada para aconselhar Michael. E aconselhou-o bem: Paul persuadiu Michael a investir bem o seu dinheiro, aplicando-o em direitos de autor. Michael foi bem mandando e em 1985 investiu muitos milhões em direitos de autor de músicas... dos The Beatles (aproximadamente 47.5 milhões de dólares por 160 a 260 temas, incluindo "Yesterday" e "Let It Be"). E assim a amizade terminou abruptamente.
Paul só recuperaria os direitos das suas próprias canções em 2013, já depois da morte de Michael.

Mas voltemos aos tempos em que Mack and Jack eram best mates.
Uma amizade entre duas estrelas nos anos 80 significava a palavra mágica dueto (onde é que andam os duetos hoje em dia? Eram uma coisa tão boa nos 80s. Mas onde é que andam as estrelas, anyway?). Macca e Michael juntaram-se várias vezes em estúdio entre 1981 e 1982 e dessa colaboração nasceram dois temas: "Say Say Say" (1981) e "The Girl Is Mine" (1982). O primeiro tema a ver a luz do dia até seria o segundo a ser gravado - "The Girl Is Mine" - como o primeiro single do álbum megaseller "Thriller". "Say Say Say" só seria lançado em 1983, como single de avanço do álbum "Pipes Of Peace", de Paul McCartney.


"Pipes Of Peace" foi esta semana lançado em formato de luxo, conjuntamente com "Tug Of War" - o álbum que juntou Paul e Chris Martin (o produtor dos Beatles) novamente. E que grande álbum.
É nessa campanha que agora surge a nova remistura de "Say Say Say", com honras de novo vídeo. E que grande remistura foi feita aqui. O conceito foi simples, mas eficaz: pegaram nas faixas vocais originais de Michael e de Paul e trocaram as linhas que cada um cantava, relativamente à versão original. Podemos assim praticamente afirmar que as versões de 2015 e 1983 são complementares.
Eis o original:



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Simple Minds - "Theme For Great Cities"



Tal como prometido, hoje volto aos Simple Minds, para falar um pouco do período mais obscuro e mais fascinante da banda: os primeiros álbuns.

Desde "Life In A Day" em 1979, a "New Gold Dream (81-82-83-84)" em 1982, a sonoridade dos Simple Minds conheceu uma lenta e gradual evolução interessantíssima. Quando ainda eram apenas uma banda de culto, mais influenciável que influente, os Simple Minds foram moldando a sua música à imagem do que ia acontecendo à sua volta.

Nascendo da onda post-punk, os Simple Minds embarcaram na típica metamorfose para a New Wave / Electro Pop, pela qual outras bandas da época também passaram, caso dos Joy Division / New Order.
Foi uma evolução osmótica, de acordo com o que estava "na berra", mas sempre mantendo uma sonoridade muito característica, fruto das texturas construídas entre as sequências nas teclas de Mick MacNeil, as pulsantes linhas de baixo de Derek Forbes e a guitarra ambiente de Charlie Burchill. Uma secção rítmica invejável e uma combinação que ajudaria os Simple Minds a encontrarem o "seu som", algures entre 1981 e 1982, na véspera da gravação do álbum "New Gold Dream (81-82-83-84)". Seria essa matriz, com uma coloração mais radio friendly que daria aos Simple Minds os seus grandes êxitos em meados dos 80.

O que a maioria do público não sabe, é que o sucesso comercial para os Simple Minds só foi atingido entre o 6º e o 7º álbum, com a banda sonora de "The Breakfast Club" e "Don't You (Forget About Me)". O que ouvem em "Alive And Kicking" é o resultado polido de um amadurecimento que durou muitos anos e foi expresso em diversos álbuns. O sucesso dos Simple Minds foi tão grande por alturas de 1985/1986 (arrisco dizer que, na altura, eles eram maiores que os U2), que tudo o que se passou antes ficou esquecido pela banda e desconhecido pelo público.

Mas vamos então recuar ao princípio.

Os Simple Minds são uma banda escocesa formada em Novembro de 1977 por Jim Kerr (na voz) e Charlie Burchill (na guitarra), depois de terem dissolvido a sua banda Punk: os Johnny and the Self Abusers.
Kerr e Burchill queriam seguir numa direcção diferente e para isso foram buscar o nome da sua nova banda ao verso do tema de David Bowie "Jean Genie": "He's so simple minded, he can't drive his module". A escolha do artista já fazia adivinhar para onde iam os Simple Minds.


Foi preciso esperar 1 ano para a banda conseguir entrar entrar em estúdio e gravar o seu 1º álbum "Life In A Day", um álbum Post-Punk visto por muitos fãs como uma falsa partida. Apesar de alguma oscilação qualitativa, já se vislumbram momentos interessantes neste álbum, como o tema-título, "Chelsea Girl" (ambos lançados em single), ou o épico "Pleasantly Disturbed".


"Life In A Day" trouxe-nos boas indicações, mas é no 2º álbum "Real to Real Cacophony", de 1980, que os Simple Minds mostram ao que vêm. Com experimentalismos à volta de loops sombrios, as influências de Bowie e da sua trilogia de Berlim começam a ser aqui mais visíveis, de tal forma que por vezes penso que o 2º álbum deveria ser chamado qualquer coisa como "Music inspired on Low"... o que não tem que ser algo mau.


Continuando na sua transição electrónica, em direcção ao New Wave europeu, o 3º álbum "Empires And Dance", de 1980, parece ir buscar influências à base de sempre dos pioneiros electrónicos: a Alemanha e bandas como os Neu!, ou os Kraftwerk.
O álbum "Empires And Dance" impressionou de tal forma Peter Gabriel - na altura também entusiasmado com a revolução electrónica do início dos anos 80 - que este resolveu convidar os Simple Minds para o acompanhar na sua digressão europeia.


O ano de 1981 marcou mais um ponto de viragem para os Simple Minds. Depois de assinarem pela Virgin, uma editora que os poderia levar a mais altos voos (e levou mesmo), a banda entrou em estúdio motivadíssima e gravou um impressionante lote de música, tanto em quantidade como em qualidade. Um lote tão grande que era suficiente para um duplo álbum, uma ideia que não foi muito bem vista pela editora, vinda de uma banda ainda sem créditos firmados.
Mas os Simple Minds pareciam estar melhores que nunca e assim nasceu a ideia de lançar dois álbuns simultaneamente: "Sons and Fascination" e "Sisters Feelings Call".
O mais coerente "Sons and Fascination" seria o cabeça de cartaz e "Sisters Feelings Call", composto por sobras do primeiro, seria lançado apenas em edição limitada, juntamente com "Sons and Fascination".
O tempo acabaria por ditar que ambos os álbuns fossem vistos (e lançados) como apenas um só: o 4º da discografia dos Simple Minds.


"Sons and Fascination" incluía no seu alinhamento aquele que seria o primeiro êxito (moderado) dos Simple Minds: "Love Song". Mas foi o instrumental "Theme For Great Cities" (que podemos ouvir em cima), trazida em "Sisters Feelings Call", que definiu o tal ponto de viragem que referi em cima.
A composição electrónica minimalista, reminiscente do krautrock, num jogo de parada-resposta entre os vários elementos da secção rítmica dos Simple Minds, daria o mote para o que viria a seguir.

E a seguir, o que veio... foi História.
Os Simple Minds tornar-se-iam no grupo escocês mais popular de sempre, com 6 álbuns no nº 1 das tabelas do Reino Unido, conquistando também os lugares cimeiros em países como os EUA, a Alemanha, a Itália, a França, a Espanha, a Austrália, ou a Nova Zelândia.

terça-feira, 22 de março de 2011

Pink Floyd - "Comfortably Numb" (Live at Earls Court '80/'81)

"The child is grown, the dream is gone... I have become comfortably numb"



Volvidas 24 horas, ainda estou siderado com o espectáculo "The Wall Live" de Roger Waters em Lisboa.
Faltam-me as palavras. Todos os superlativos me parecem redutores. A língua portuguesa é muito rica, mas não sei se o suficiente para descrever o que presenciei ontem no Pavilhão Atlântico. E mesmo tendo essa riqueza, seria preciso chamar um Fernando Pessoa para obter uma imagem fiel do que se passou.

De forma muito simples e directa, afirmo que "The Wall Live" foi o maior espectáculo Rock que já assisti em toda a minha vida. Ponto. Pode não ter sido o melhor concerto (aí Roger Waters terá que dar o flanco a outro Pink Floyd - David Gilmour ao vivo no Grand Rex em Paris ainda é o concerto da minha vida), mas ficou muito perto disso. Mas em termos de espectáculo, foi simplesmente avassalador. Porcos a voar (tive um porco gigante diante dos meus olhos durante vários minutos), aviões a despenhar-se, guitarristas em gruas, pirotecnia, projecções em vídeo e o muro... o muro! Um muro físico em frente ao palco, escondendo a banda da audiência durante metade do concerto. Sublime.
Tudo isto acompanhado da maravilhosa música de um dos meus álbuns preferidos de sempre: "The Wall", o qual já abordei ontem.

Como referi, ainda estou a digerir tudo o que vi e por isso ainda me faltam as palavras. Pode ser que dentro de algum tempo consiga estruturar um texto com o retrato do que foi o espectáculo "The Wall Live".
Para já, enquanto procuro recuperar o fôlego do carrossel de emoções da última noite, deixo aqui "Comfortably Numb" ao vivo na mítica digressão original de "The Wall", em 1980/1981. Esta digressão terá mesmo dado prejuízo, tal a extravagância do conceito e a dificuldade de aplicação e rentabilização naquela época.


A versão que aqui fica é assim uma mistura das gravações de "Comfortably Numb" ao vivo no Earls Court em Londres, nos dias 9 de Agosto de 1980 e 15 de Junho de 1981, figurando no álbum oficial "Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980–81", que eu recomendo vivamente.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Duran Duran - "Girls On Film" (Uncensored)



Depois das escolhas da última semana terem caído maioritariamente sobre temas mais introspectivos e depressivos, hoje vamos mudar radicalmente o registo. E que melhor maneira de mudar o registo que recuar até aos loucos anos 80?
Não é por acaso que esta década é sinónimo de diversão. Na cultura dos 80's, ninguém se levava demasiado a sério e essa também não é a ideia deste blog. Aqui, adora-se os anos 80 por aquilo que eles representam: diversão!

E se existe um leque de bandas que encaixam na perfeição neste lema, uma delas é com certeza os Duran Duran.

Na tentativa de atrair as atenções para o 3º single do seu primeiro álbum e criar um buzz à volta da banda, os Duran Duran filmaram um vídeo muitíssimo ousado para o tema "Girls On Film", com imagens tão sugestivas como lutas de meninas na lama... A própria banda admitiu que o objectivo do vídeo era passar apenas em bares e discotecas e em canais para adultos. Assim, este foi obviamente banido da MTV e de todos os canais generalistas.



A verdade é que o vídeo de "Girls On Film" foi apenas um catalisador do sucesso do primeiro álbum dos Duran Duran e deste single em particular, uma vez que foi igualmente um grande êxito na rádio e nas tabelas, chegando ao Top 10. Assim, a MTV acabou por criar uma versão severamente editada do vídeo original, para a exibição no canal em horário normal.
Começava aqui uma longa relação de interesse mútuo entre a MTV e os Duran Duran. Os espectadores ligavam o canal porque queriam ver os vídeos de alta produção da banda (para aquela época, claro está) e os Duran Duran vendiam discos porque tinham alta rotação na MTV.

Aviso desde já que o vídeo em cima tem imagens explícitas e que não deve se visionado por pessoas sensíveis, com falta de humor, ou adversas à cultura dos anos 80... O vídeo em baixo é o que passa habitualmente na TV, não tem imagens explícitas, mas leva os mesmos avisos para quem não se consegue abstrair dos irresistíveis elementos 80's.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Phil Collins - "In The Air Tonight"

"The hurt doesn't show, but the pain still grows... it's no stranger to you or me!"



Dizer que Phil Collins foi um dos melhores bateristas da sua geração é redutor, para descrever o impacto de Phil, como artista.

Phil foi pioneiro de vários estilos diferentes e influenciou os colegas de instrumento como muito poucos o fizeram. Foi pioneiro no estilo progressivo nos anos 70 (o seu álbum de estreia nos Genesis - "Nursery Crime" - é uma pérola no que à bateria diz respeito), onde usou o seu único sentido melódico para criar um estilo muito próprio.

Foi também pioneiro no estilo no cymbals (isto é: sem pratos) dos anos 80, que ele próprio inventou em conjunto com Peter Gabriel e Hugh Padgham. Em 1979, Peter procurava uma nova sonororidade para a bateria no seu álbum "Melt" e convidou o "mestre" para uma participação especial no seu disco. Sem saber, Phil Collins inventara um estilo que marcaria toda a música dos anos 80 (nomeadamente as famosas "power ballads") e a primeira amostra disso seria com o seu smash hit "In The Air Tonight".

Mas não foi só na bateria que PC foi genial... Quando saltou para o microfone em 1976 deu aos Genesis uma nova vida, universalizou a banda com êxitos atrás de êxitos e ainda teve tempo para embarcar numa carreira a solo de que poucos se podem orgulhar.

É claro que isto foi feito através de uma mudança de estilo, mas alguém esperaria álbuns progressivos no mainstream dos anos 80 ou 90? Nem o próprio Peter Gabriel voltou ao Prog.
Na minha opinião, a música pode ser "Pop" e ter qualidade e os Genesis são a prova disso mesmo.

Espero com isto transmitir que o aspecto técnico na música não é tudo, nem sequer é o mais importante. Os The Beatles iniciaram a sua carreira com temas com 3 acordes e não é por isso que são maus. Como em tudo, há pop boa e má, como também há rock progressivo bom e mau.
A música é um veículo de emoções e Phil tem o ónus de ter conseguido ao longo da sua longa carreira utilizar esse veículo de diversas formas.