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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Paul McCartney & Michael Jackson - "Say Say Say" (2015 Remix)

Dizem que a Segunda-Feira é o pior dia da semana, mas não para mim. Para mim, é a Terça-Feira que devia ser despejada numa sala às escuras com o Pedro Guerra e o Bruno Carvalho. Terça-Feira é o dia em que a ressaca do último fim-de-semana já desvaneceu e ainda estou demasiado longe de Sexta-Feira para pensar em abrir o Jameson. Terça-Feira é o dia em que passo a hora de almoço na aula de francês (desculpa lá, Gorete) - fala-se muito nas vítimas do holocausto, mas só fala nisso quem nunca teve aulas de francês quando devia estar a comer um bom bitoque.
A Terça-Feira é uma merda, ponto.
Serve este raciocínio para inferir que o que a minha Terça-Feira precisava era disto:

"Say, say, say what you want, but don't play games with my affection"

Paul McCartney and Michael Jackson 'Say Say Say [2015 Remix]'

Paul McCartney and Michael Jackson - '#SaySaySay [2015 Remix]'Song taken from 'Pipes of Peace 2015 Remaster' - in stores nowVideo directed by Ryan Heffington#PaulMcCartney #MichaelJackson #PipesOfPeace

Posted by Paul McCartney on Terça-feira, 6 de Outubro de 2015


aqui dissera que no fim da década de 70 e início da década de 80, Michael Jackson e Freddie Mercury eram bons amigos. Mas o verdadeiro mate de Michael nesta altura era mesmo Paul McCartney. Talvez o Cute Beatle se revisse na dureza da fama precoce de Michael e o quisesse ajudar, ajudando-se também a si mesmo, ao navegar na onda da maior superestrela mundial da época.
Paul já tinha sofrido com a Beatlemania e era de facto, a pessoa indicada para aconselhar Michael. E aconselhou-o bem: Paul persuadiu Michael a investir bem o seu dinheiro, aplicando-o em direitos de autor. Michael foi bem mandando e em 1985 investiu muitos milhões em direitos de autor de músicas... dos The Beatles (aproximadamente 47.5 milhões de dólares por 160 a 260 temas, incluindo "Yesterday" e "Let It Be"). E assim a amizade terminou abruptamente.
Paul só recuperaria os direitos das suas próprias canções em 2013, já depois da morte de Michael.

Mas voltemos aos tempos em que Mack and Jack eram best mates.
Uma amizade entre duas estrelas nos anos 80 significava a palavra mágica dueto (onde é que andam os duetos hoje em dia? Eram uma coisa tão boa nos 80s. Mas onde é que andam as estrelas, anyway?). Macca e Michael juntaram-se várias vezes em estúdio entre 1981 e 1982 e dessa colaboração nasceram dois temas: "Say Say Say" (1981) e "The Girl Is Mine" (1982). O primeiro tema a ver a luz do dia até seria o segundo a ser gravado - "The Girl Is Mine" - como o primeiro single do álbum megaseller "Thriller". "Say Say Say" só seria lançado em 1983, como single de avanço do álbum "Pipes Of Peace", de Paul McCartney.


"Pipes Of Peace" foi esta semana lançado em formato de luxo, conjuntamente com "Tug Of War" - o álbum que juntou Paul e Chris Martin (o produtor dos Beatles) novamente. E que grande álbum.
É nessa campanha que agora surge a nova remistura de "Say Say Say", com honras de novo vídeo. E que grande remistura foi feita aqui. O conceito foi simples, mas eficaz: pegaram nas faixas vocais originais de Michael e de Paul e trocaram as linhas que cada um cantava, relativamente à versão original. Podemos assim praticamente afirmar que as versões de 2015 e 1983 são complementares.
Eis o original:



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Queen - "Let Me In Your Heart Again"

"You took my heart and soul away with you, but now I stand alone and dream I'm in your heart again"


Muito se tem passado nos últimos dias, sem que eu tivesse tempo para actualizar devidamente este espaço com todas as boas novas. Mas o blog não corre ao mesmo ritmo do mundo lá fora, "aqui o tempo não é tempo, é só um chão que ninguém pisou" (já dizia o Pedro Abrunhosa) e como tal, nunca houve grande preocupação em seguir as tendências. Mas agora há muito chão para pisar.

Uma das grandes notícias dos últimos dias foi a revelação de 3 novas faixas dos Queen com Freddie Mercury na voz, para inclusão em  "Queen Forever" - compilação que pretende recolher algumas das melhores baladas dos Queen e assim dar a conhecer esse lado do grupo à geração mais nova.
Espera aí, faixas novas dos Queen, com Freddie Mercury na voz?! Então mas esse barril não tinha já sido esvaziado com o "Made In Heaven" em 1995? Parece que não.

Há cerca de um ano, Brian May fez uma revelação avassaladora para os fãs dos Queen (para mim, pelo menos, foi com certeza): havia mais faixas vocais de Freddie Mercury, inauditas, passíveis de serem utilizadas para um novo álbum dos Queen, à imagem de "Made In Heaven". Um Made In Heaven II, portanto. Êxtase completo.

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Deixem-me enquadrar-vos na matéria: "Made In Heaven" foi o único álbum que eu vivi dos Queen.
Houve outros que foram lançados no meu tempo de vida ("One Vision" foi lançado no dia em que vim ao Mundo), mas era demasiado novo na altura. Apesar do meu Pai me contar que eu já vibrava com a música dos Queen desde os 2 anos - altura em que comprou o álbum "Live Magic" e gravou o concerto dos Queen no Wembley e eu não queria ver outra coisa senão a cassete VHS com aquelas 2 horas mágicas - eu era muito novo para ter noção do que era aquilo.

Só quando o Freddie Mercury morreu a 24 de Novembro de 1991 - tinha eu acabado de fazer 6 anos - é que eu me apercebi: isto não era como os desenhados animados das outras cassetes que eu via; isto era um ser humano, real, que desaparecera naquele dia.
Com o choque com que a notícia foi dada na televisão, chorei.
Chorei, como se de um tio se tratasse. Não um tio afastado; mas sim um tio que vivia ali ao lado e que eu via e ouvia todos os dias; que falava comigo numa língua estranha que eu não entendia, mas de alguma forma percebia o que ele me queria dizer.
Chorei, sem perceber bem o impacto que teria o desaparecimento de uma pessoa.

Quando 4 anos mais tarde, já com 10 anos de idade e totalmente seguro do meu know-how dos Queen, é anunciado o lançamento de "Made In Heaven" - o álbum com as últimas gravações de Freddie Mercury, rejubilei.
A promoção ao álbum foi forte e eu sabia bem o que queria para os meus anos, em 1995. No dia em que chegou à loja de discos de Castelo Branco, o meu Pai foi lá e trouxe o CD mágico para casa.

Devorei positivamente o álbum naquele Inverno e no Verão seguinte e no Inverno seguinte e no Verão posterior. Era como se não existisse mais nada.
Apesar do soslaio com que é olhado por alguma crítica (sempre os mesmos idiotas), eu grito-o sem reservas: eu amo o "Made In Heaven". Sem ses, nem mas, nem apesares.
"Made In Heaven" é um álbum muito especial para mim e tem lugar no meu Top 5 de álbuns de sempre.

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Agora que já vos enquadrei na matéria, podem imaginar a excitação que me induziu a revelação de Brian May. Só me restava esperar para ver o que daí vinha.

Não é que eu não imaginasse que temas poderiam vir aí. O Freddie já cá não está desde 1991 e depois de "Made In Heaven", o poço da água que ele nos deixou para beber já estaria com certeza quase seco. Mas sabia que havia ainda algumas faixas no arquivo dos Queen que poderiam levar o mesmo toque de Midas que acontecera no álbum "Made In Heaven".

A Wikipedia tem um levantamento bastante abrangente e assertivo do que se sabia haver nos arquivos dos Queen.
Aprofundarei o assunto dos arquivos mais tarde, mas já no último post dos Queen referi que "se há uma banda que ao longo da história inexplicavelmente ignorou os seus arquivos - tanto em áudio, como em vídeo - essa banda são os Queen.".
É verdade. Esperava-se então que este pecado fosse parcialmente corrigido com Made In Heaven II. Contava ver neste álbum, numa forma completa e renovada, as faixas vocais gravadas para temas como:

"Man On Fire" (deixado à última hora de fora de "The Works" e depois lançado a solo por Roger)
"I Guess We're Falling Out" (das sessões de "The Miracle")
"Dog With A Bone" (das sessões de "The Miracle")
"Face It Alone" (das sessões de "The Miracle" e "Innuendo")

Note-se que o que se ouve em cima são apenas demos, são pedras sem acabamento e o produto polido não teria nada a ver com isto. Contava para isso com o tal toque de Midas dos Queen.

Havia ainda o espólio a solo de Freddie que poderia ser aproveitado: desde as faixas inutilizadas do seu álbum a solo "Mr. Bad Guy" ("I Was Born To Love You" e "Made In Heaven" já tinham aparecido em "Made In Heaven"), as lindíssimas faixas do musical "Time" ("Time" e "In My Defense") e claro, os infames duetos com Michael Jackson, desde há 30 anos à espera para ver a luz do dia.


Resumindo a história, Freddie e Michael juntaram-se entre 1982 e 1983 e gravaram o esqueleto de 3 temas: "There Must Be More To Life Than This", "State Of Shock" e "Victory". As faixas nunca seriam terminadas porque Freddie perdeu a paciência com Michael - que levava um lama (sim, um lama) para o estúdio todos os dias - e teriam assim gestações distintas.
"State Of Shock" foi regravado com Mick Jagger e lançado no álbum dos The Jacksons "Victory" (faixa que deu nome ao álbum, mas que nunca foi lançada oficialmente).
Freddie, por seu lado, gravou "There Must Be More To Life Than This" a solo e incluiu-a no seu álbum "Mr. Bad Guy".

Uns anos mais tarde, a parte vocal de Michael Jackson em "There Must Be More To Life Than This" apareceu na internet e um fã fez o magnífico trabalho de juntar as duas vozes, criando esta maravilha.
Só de pensar no que os Queen tinham feito em "Made In Heaven", eu ficava aguado a imaginar o que poderia fazer o toque de Midas de Brian May e Roger Taylor a este tema.

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Bem me enganei.
5ª feira à noite chegou a grande revelação: vem aí novo álbum dos Queen, mas não é bem aquilo que estavam à espera. Afinal, o novo álbum é uma compilação e as novas faixas são apenas 3. É melhor que nada, é verdade. Mas não deixa de ficar um amargo na boca, sabendo do que poderia aí vir.



Mas o pior de tudo foi perceber que talvez o tal toque de Midas dos Queen já se tenha desvanecido.
A nova versão de "There Must Be More To Life Than This" - que agora aparecerá creditada a Queen + Michael Jackson - é inferior à versão maravilhosa criada por um mero fã, há mais de 10 anos.
A nova versão de "Love Kills" - que agora se apresenta com o subtítulo The Ballad - também fica a quilómetros de distância da assombrosa versão original de Freddie Mercury, que entrou na banda sonora de "Metropolis" de Giorgio Moroder.

Tanto os Queen quiseram polir as suas pedras, que elas ficaram sem nenhum edge.
(Esta observação resulta muito melhor em inglês: "Queen wanted so much to polish their rock, that they lost their edge" - veem? Muito melhor.)
Que pena...
Mas nem tudo está perdido.

Em contrapartida, os Queen desvendam em "Queen Forever" aquela que poderá ser a última pérola saída dos seus arquivos: "Let Me In Your Heart Again".
O tema foi gravado durante o ano de 1983, em Los Angeles, para o álbum "The Works" e emula exactamente aquilo que eu mais ansiava ouvir num Made In Heaven II. É um final de ciclo perfeito.
Naquela que pode ser a última vez que fala connosco, Freddie pede para entrar novamente no nosso coração.
Claro que sim, Freddie. Ele esteve sempre aqui para ti.

"Let Me In Your Heart Again" é mais um triunfo dos Queen. Possivelmente o último.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Pink Floyd - "The Final Cut"

i'm spiralling down to the hole in the ground where i hide
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ponto prévio: "the final cut" não é o melhor álbum dos pink floyd. longe disso. tão longe, que quase parece uma banda diferente.

"the final cut" é a cristalização dos pink floyd segundo roger waters, tal como "the division bell" seria mais tarde a cristalização do som da banda segundo david gilmour, ou "the piper at the gates of dawn" fora a materialização dos pink floyd segundo syd barrett.


"the final cut" mostra roger waters como um eucalipto que secara tudo à sua volta na banda. richard wright (o teclista) fora despedido por roger depois da gravação de "the wall" e até nick mason (o baterista) teve uma participação diminuta neste trabalho.




se olharmos para "the final cut" como um álbum a solo de waters, mas um álbum que conta com a participação de david gilmour, então até podemos dizer que é o melhor deles todos. 
para os outros álbuns a solo, roger tentou repetir a fórmula do "grande guitarrista": convidou eric clapton para "the pros and cons of hitchhiking" de 1984; andy fairweather low para "radio kaos" (a besta negra da sua discografia a a solo) de 1987 e jeff beck para "amused to death" de 1992. 
nunca mais teve o mesmo sucesso. afinal, david gilmour é david gilmour e só david gilmour é pink floyd.

mas se compararmos "the final cut" com os outros álbuns dos pink floyd, ele empalidece.

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if i show you my dark side, will you still hold me tonight?
if i open my heart to you and show you my weak side, what would you do?

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"the final cut" não é um trabalho de fácil digestão. o álbum é dedicado a eric fletcher waters - o pai de roger e a temática obsessiva ao longo de toda a sua carreira, principalmente na parte final. 
a música é demasiado apoiada na letra e as melodias praticamente inexistentes, síndrome geral dos trabalhos a solo de waters.
pelo resultado que aqui ouvimos e comparando, por exemplo, com "wish you were here" - o álbum mais ecuménico da banda - é fácil perceber quem é a facção mais musical dos pink floyd.

como ficou aqui provado, quer queira, quer não, roger waters precisa mesmo dos restantes pink floyd para poder deitar cá para fora todo o seu (inequívoco) génio criativo. ao fim de muitos anos, acho que já percebeu isso e terá mesmo tentado fazer as pazes, mas já foi tarde demais.
infelizmente, demorou demasiado tempo a perceber o que o meu pai percebeu à primeira audição de "the final cut". ele, que nunca entendeu uma frase de inglês e sempre se reviu na música dos pink floyd, ao ser deparado com este álbum, demasiado wordy, percebeu logo que ali faltava o toque de david. de david gilmour, pois claro.

a marca de david gilmour é ténue ao longo do álbum, mas quando aparece, bate com força e a música levita para uma nova dimensão.
é o caso do tema-título de "the final cut". quando rebenta a guitarra de gilmour, imediatamente sabemos que estamos a ouvir pink floyd.

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thought i oughta bare my naked feelings
thought i oughta tear the curtain down
i held the blade in trembling hands
prepared to make it but just then the phone rang
i never had the nerve to make the final cut

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Tears For Fears - "Pale Shelter (You Don't Give Me Love)"

"When you don't give me love, you give me pale shelter"


Foi ao som da faixa instrumental de "Pale Shelter" e com a icónica imagem do rapaz descalço, a chorar no vazio (capa do álbum "The Hurting"), como pano de fundo, que em Março deste ano, os Tears For Fears deixaram o aviso - "Este ano vai ser em grande. Preparem-se!".
Nessa semana, logo me apressei a conjecturar neste tópico o que é que poderia vir aí. Uma digressão mundial para relembrar "The Hurting"? Uma edição expandida do álbum de estreia dos TFF? Um novo álbum da banda? Não sabia, mas os níveis de entusiasmo já batiam no tecto.

Ao longo destes meses, foi sendo levantado o véu que tapava estes mistérios, muito por culpa de Curt Smith, que felizmente anda sempre activo nas redes sociais, para nos dar as últimas novidades em primeira mão. E o que é que nos espera, então? Ao que parece, TUDO.

A primeira grande revelação de Curt Smith é que voou até Bath, onde estava Roland Orzabal, para começar as gravações do novo álbum dos Tears For Fears. Alguns temas foram escritos e gravados e entretanto as sessões foram interrompidas, devendo ser reatadas ainda este Verão em Los Angeles, desta feita em território de Curt. Conhecendo a história da banda e o seu modus operandi na criação, gravação e produção de novo material, diria que, na melhor das hipóteses, poderemos esperar o álbum daqui a sensivelmente um ano. Aguardemos.

Antes disso, os Tears For Fears irão voltar certamente à estrada e, julgando pela dica de Curt Smith há umas semanas no Twitter, fazer o seu tão aguardado regresso à Europa, para uma digressão. quase 10 anos depois.
Faço desde já a promessa: a não ser que me seja, de todo, impossível, lá estarei presente, seja onde for.

Finalmente e antes disso ainda, esperar-nos-á uma pérola já há muito aguardada pelos fãs dos Tears For Fears: uma reedição de luxo, expandida e remasterizada do 1º álbum da banda "The Hurting". Tal como eu havia projectado aqui.

Êxtase... Puro êxtase. Diz o povo que "cada maluco com a sua mania" e eu, certamente, tenho as minhas.
Foi assim, em puro êxtase, que eu me senti quando dei de caras com a notícia, no fabuloso blog Super Deluxe Edition, cujo autor contribuiu para a compilação da caixa (o que significa que ainda há esperança para o meu dream job).
O entusiasmo era tanto, que à primeira leitura que dei do texto consegui ler muito pouco. Tive que ler 3 a 3 vezes para conseguir processar toda aquela informação. Que mais não seja, porque fiquei vidrado com esta imagem:


Deixemo-nos de rodeios e vamos então aos pormenores sobre o conteúdo da caixa de "The Hurting", que nos chegará pelas mãos da Universal a 21 de Outubro de 2013:

Tears For Fears - "The Hurting" [3CD+DVD] (2013)

Disco 1: "The Hurting" [Álbum original] (1983)
1. "The Hurting" (4:20)
2. "Mad World" (3:55)
3. "Pale Shelter" (4:34)
4. "Ideas As Opiates" (3:46)
5. "Memories Fade" (5:08)
6. "Suffer the Children" (3:53)
7. "Watch Me Bleed" (4:18)
8. "Change" (4:15)
9. "The Prisoner" (2:55)
10. "Start of the Breakdown" (5:00)


Disco 2: B-Sides And Remixes
1. "Suffer the Children" [7" Version] (3:36)
2. "Pale Shelter (You Don’t Give Me Love)" [Single Version] (3:55)
3. "The Prisoner" [Single Version] (2:40)
4. "Ideas As Opiates" [Single Version] [Lado B de "Pale Shelter"] (3:54)
5. "Change (New Version)" (4:33)
6. "Suffer the Children (Remix)" (4:15)
7. "Pale Shelter (You Don’t Give Me Love) (Extended Version)"  (6:25)
8. "Mad World (World Remix)" [Lado B de  "Pale Shelter"] (3:30)
9. "Change (Extended Version)" (5:54)
10. "Pale Shelter (New Extended Version)" (6:41)
11. "Suffer the Children [Instrumental]" (4:26)
12. "Change" [Single Version] (3:52)
13. "Wino" [Lado B de “Suffer the Children”] (2:17)
14. "The Conflict" [Lado B de “Change”] (4:02)
15. "We Are Broken" [Lado B de  "Pale Shelter (You Don’t Give Me Love)"] (4:03)
16. "Suffer The Children (Promo CD Version)"


Disco 3: Live Sessions
John Peel Sessions (1982.09.01):
1. "Ideas As Opiates" (3:51)
2. "Suffer The Children" (4:00)
3. "The Prisoner"
4. "The Hurting" (3:51)
Kid Jensen Sessions (1982.10.20):
5. "Memories Fade" (4:21)
6. "The Prisoner"
7. "Start Of The Breakdown" (3:45)
8. "The Hurting" (3:47)
"The Way You Are" single:
9. "Start of the Breakdown (Live in Oxford)" (5:53)
10. "Change (Live in Oxford)" (4:36)


Disco 4 (DVD): "In My Mind’s Eye"
1. "Start of the Breakdown"
2. "Mothers Talk"
3. "Pale Shelter"
4. "The Working Hour"
5. "The Prisoner"
6. "Ideas As Opiates"
7. "Mad World"
8. "We Are Broken"
9. "Head Over Heels"
10. "Suffer the Children"
11. "The Hurting"
12. "Memories Fade"
13. "Change"
Nota: A duração das faixas não é oficial, foi retirada da Wikipedia e dos meus registos.


Para além da música, a caixa irá conter também uma réplica do livro da digressão (tour programme) de 1983 dos Tears For Fears, bem como um livro de capa dura, de 34 páginas, com detalhes sobre a gravação do álbum e algumas fotos nunca antes vistas publicamente.

O vídeo já tinha sido lançado em 1984 em VHS e vê agora a sua 1ª aparição em DVD. Infelizmente, parece que vamos ter novamente aqueles irritantes efeitos especiais dos anos 80. Mas não se pode pedir tudo.

"I ask for more and more. How can I be sure?"

A música, essa foi toda remasterizada a partir das fitas "master" (master tapes) no estúdios de Abbey Road, pelo conceituado engenheiro acústico Peter Mew. Mew é conceituado, mas nos últimos anos não necessariamente pelas melhores razões. No fim dos anos 90 / início dos 00, foi responsável pelas remasterizações do catálogo de David Bowie na Virgin e da compilação "1" dos The Beatles.
As remasterizações de Bowie fizeram a sua música soar estéril, digital, sem o afago que as gravações analógicas nos proporcionam. Já a compilação "1" tem o volume estupidamente alto, com a consequente perda de dinâmica e sensibilidade. Uma bagunça auditiva.

Esperemos que Peter Mew largue as ferramentas de redução de ruído das fitas originais de "The Hurting" e nos traga uma remasterização aconchegante, como se estivéssemos a ouvir o velhinho vinil do álbum.

Já vimos o que a caixa tem, falta saber o que não tem. Relativamente às minhas sugestões neste post, o que é que foi deixado de fora? Muito pouco.
Quanto aos singles lançados na época, de fora desta caixa ficaram apenas a versão Extended de "The Way You Are" (um dos temas mais fracos que já foi gravado pelos TFF), e (infelizmente) "Saxophones As Opiates" - um lado B de "Mad World", que é uma versão de "Ideas As Opiates", mas onde a voz é substituída pelo saxofone. Segundo Paul Sinclair, foi a própria banda que vetou "Saxophones", o que é uma pena.
O saxofone é um dos meus instrumentos preferidos e o seu uso nesta faixa resulta muito bem. Era uma das preciosidades que me faltava. Com esta ausência, penso que "Saxophones" passa a ser o único tema dos TFF que nunca foi lançado em CD.

Para além destas 2 faixas, a Universal não incluiu também o concerto gravado para a BBC no Hammersmith Palais, nem o vídeo do programa alemão Rockpalast. Paciência, ao menos temos este material disponível à borla, para quem procurar devidamente.
Em contrapartida, temos uma versão de "Suffer The Children" que eu desconhecia, lançada num disco promocional em 1989, para fechar o disco de raridades deste set.

"How can I be sure? When your intrusion is my illusion
How can I be sure? When all the time you changed my mind"

Uma das faixas que aparece mais vezes na caixa é "Pale Shelter", tema que foi lançado em single, em versões diferentes, por 3 vezes (!!) entre 1982 e 1983. "Pale Shelter" foi gravado originalmente em 1982 e lançado em single com o nome de "Pale Shelter (You Don't Give Me Love)", ainda antes da gravação do álbum "The Hurting", numa versão mistura por Mike Howlett.
Para o álbum, o tema seria regravado e rebaptizado para apenas "Pale Shelter".

O facto de terem nomes diferentes ajuda a perceber qual é qual, por entre a confusa discografia dos TFF nesta altura, mas eu prefiro muito mais o nome "Pale Shelter (You Don't Give Me Love)", do que o abreviado "Pale Shelter". Manias.

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ADENDA:

Em baixo, fica o resumo das faixas lançadas em Single pelos Tears For Fears na era de "The Hurting". A verde estão indicadas as faixas incluídas no material bónus da caixa, sendo que as versões de álbum de "Mad World" e "Pale Shelter" estarão, obviamente, também incluídas.
Note-se que a versão canadiana de "Pale Shelter (You Don't Give Me Love)", lançada em 1985 (para capitalizar o sucesso de "Songs From The Big Chair") não é mais que um novo edit da versão Extended deste tema lançada em 1982.








Sim, eu tenho uma folha de Excel com isto tudo. Sim, eu sei que isso pode indicar um problema. Manias.

terça-feira, 26 de março de 2013

Tears For Fears - "The Hurting"

"Is it an horrific dream? Am I sinking fast?"


Um rapaz descalço, a chorar, no vazio. Foi assim que os Tears For Fears se deram a conhecer ao Mundo em 1983:


"Could you understand a child, when he cries in pain?"

É esta a capa de "The Hurting", o 1º álbum dos Tears For Fears. Uma imagem que assenta na perfeição ao nome da banda (Tears For Fears - lágrimas para medos), ao título do álbum ("The Hurting" - a mágoa) e, mais que tudo, ao conteúdo do álbum.

"The Hurting" é um dos álbuns mais depressivos que já ouvi. Corrijo: é o álbum mais maravilhosamente depressivo que já ouvi. É um mergulho na escuridão da psique de 2 recém-adultos (tanto Roland Orzabal como Curt Smith tinham 21 anos, à data de lançamento de "The Hurting"), a carpir mágoas de infâncias dolorosas.

Roland e Curt inspiraram-se largamente na terapia de Arthur Janov (psicólogo/psicoterapeuta), cujo livro "The Primal Scream" ("A terapia primal") deu, inclusivamente, o nome à banda. Em "The Primal Scream", Janov defende que os traumas de infância deveriam ser tratados, incitando o paciente a expressar, sentir, e relembrar as dores outrora reprimidas.
O álbum "The Hurting" é isto. Terapia primal, em música.

"Learn to cry like a baby, then the hurting won't come back"

A componente da psicologia e a influência de Arthur Janov é tão forte e tão ampla por todo o álbum, que "The Hurting" aproxima-se do modelo clássico do "álbum conceptual". Neste caso, um álbum conceptual sobre depressão.

A roupa que veste este difícil conceito é sui generis. Em vez dos trejeitos góticos, mais apoiados no Rock, do Post-Punk / Urbano-depressivo em voga na altura (para as bandas que abordavam estas temáticas), os Tears For Fears preferiram experimentar com os sintetizadores, numa produção mais New Wave.

Mas estabeleça-se agora um paralelismo entre "The Hurting" e, por exemplo, o que faziam os Duran Duran ou os Simple Minds, duas bandas referência do New Wave na época, no UK. Em ambos casos, este tipo de produção é utilizada para conferir um estilo atraente e upbeat. Já em "The Hurting", os sintetizadores são aplicados para sugerir ao ouvinte uma ambiente de drama e angústia. E nem assim deixa de ser lindíssimo, nem assim deixa de dar prazer ao ouvinte.

Ouçam "The Hurting" e experimentem mergulhar na sua essência. Prestem atenção às letras e aos arranjos sonoros, numa rara simbiose entre a electrónica e a guitarra acústica. É um álbum maravilhosamente depressivo.

"Could you see my pain? Could you please explain the hurting?"

"The Hurting" fez este mês 30 anos. Para comemorar a data, os Tears For Fears lançaram (finalmente!) o seu website e a sua página no Facebook, onde deixaram o seguinte anúncio:

"Thanks for an amazing 30 years. This year is gonna be a big one. Get ready!"
Curt Smith e Roland Orzabal


O que é que Curt e Roland querem dizer com isto? Não faço a mínima ideia. Uma coisa parece certa: terá algo a ver com "The Hurting".
Será uma digressão mundial para relembrar o álbum de 1983? Ou será uma edição especial, daquelas que eu adoro, cheia de extras e coisas boas, para comemorar a data?

O excelente site The Second Disc já fez uma previsão do que poderia sair numa edição especial de "The Hurting". Eu pego na sugestão do site, mas se é para pedir, eu vou mais longe:

Tears For Fears - "The Hurting [30th Anniversary Edition]" (2013)

Disco 1: Álbum original (1983) + Lados B
1. "The Hurting" (4:20)
2. "Mad World" (3:55)
3. "Pale Shelter" (4:34)
4. "Ideas As Opiates" (3:46)
5. "Memories Fade" (5:08)
6. "Suffer the Children" (3:53)
7. "Watch Me Bleed" (4:18)
8. "Change" (4:15)
9. "The Prisoner" (2:55)
10. "Start of the Breakdown" (5:00)
11. "Wino" [Lado B de “Suffer the Children”] (2:17)
12. "Saxophones As Opiates" [Lado B de “Mad World”] (3:54)
13. "The Conflict" [Lado B de “Change”] (4:02)
14. "We Are Broken" [Lado B de  "Pale Shelter (You Don’t Give Me Love)"] (4:03)

Disco 2: Singles (1981-1983)
1. "Suffer the Children" [Single Version] (3:36)
2. "Change (New Version)" (4:33)
3. "Suffer the Children [Remix]" (4:15)
4. "Suffer the Children [Instrumental]" (4:26)
5. "Pale Shelter (You Don’t Give Me Love)" [Single Version] (3:55)
6. "The Prisoner [Single Version]" (2:40)
7. "Pale Shelter (You Don’t Give Me Love) [Extended Version]"  (6:25)
8. "Change [Extended Version]" (5:54)
9. "Mad World [World Remix]" [Lado B de  "Pale Shelter"] (3:30)
10. "Ideas As Opiates [Single Version]" [Lado B de  "Pale Shelter"] (3:54)
11. "Pale Shelter [New Extended Version]" (6:41)
12. "Change [Live in Oxford]" (4:36)
13. "Start of the Breakdown [Live in Oxford]" (5:53)
14. "The Way You Are [Extended Version]" (7:33)

Disco 3: Live
"BBC In Concert":
1. "Memories Fade" [BBC In Concert - Live at Hammersmith Palais] (6:01)
2. "The Way You Are" [BBC In Concert - Live at Hammersmith Palais] (5:21)
3. "Suffer the Children" [BBC In Concert - Live at Hammersmith Palais] (4:53)
4. "Pale Shelter" [BBC In Concert - Live at Hammersmith Palais] (6:47)
5. "Ideas As Opiates" [BBC In Concert - Live at Hammersmith Palais] (3:46)
6. "Mad World" [BBC In Concert - Live at Hammersmith Palais] (3:42)
7. "Watch Me Bleed" [BBC In Concert - Live at Hammersmith Palais] (4:14)
8. "Change" [BBC In Concert - Live at Hammersmith Palais] (4:43)
9. "Start of the Breakdown" [BBC In Concert - Live at Hammersmith Palais] (6:28)
10. "The Hurting" [BBC In Concert - Live at Hammersmith Palais] (4:09)
Kid Jensen Sessions:
11. "Start Of The Breakdown" [Jensen Session] (3:45)
12. "The Hurting" [Jensen Session] (3:47)
13. "Memories Fade" [Jensen Session] (4:21)
John Peel Sessions:
14. "Ideas As Opiates" [14/08/1982 Peel Session] (3:51)
15. "The Hurting" [14/08/1982 Peel Session] (3:51)
16. "Suffer The Children" [14/08/1982 Peel Session] (4:00)
17. "The Prisoner" [14/08/1982 Peel Session]

Disco 4: DVD - "In My Mind’s Eye" + Videoclips
"In My Mind's Eye":
1. "Start of the Breakdown"
2. "Mothers Talk"
3. "Pale Shelter"
4. "The Working Hour"
5. "The Prisoner"
6. "Ideas As Opiates"
7. "Mad World"
8. "We Are Broken"
9. "Head Over Heels"
10. "Suffer the Children"
11. "The Hurting"
12. "Memories Fade"
13. "Change"
Videoclips:
1. "Mad World"
2. "Change"
3. "Pale Shelter"
4. "Mad World" (Top of the Pops, 1982)
5. "Pale Shelter" (Top of the Pops, 1983)
Disco 5: DVD - Rockpalast (Sartory-Säle Köln 12.05.1983)
1. "Memories Fade"
2. "The Way You Are"
3. "Suffer the Children"
4. "Pale Shelter"
5. "The Prisoner"
6. "Ideas As Opiates"
7. "The Hurting"
8. "Mad World"
9. "Watch Me Bleed"
10. "Change"
11. "Start of the Breakdown"
12. "Mad World"
13. "Pale Shelter"

Sonhar não custa, pois não?

quinta-feira, 21 de março de 2013

Wham! - "Club Tropicana"

"Club Tropicana, drinks are free!"


Agora que o blog parecia ter ganho alguma reputação como um espaço de antologia do Rock Alternativo, chega a altura de voltar a baixar os níveis de snobismo e distinção. Chega a altura de voltar a puxar pela minha banda fetiche dos anos 80 e aquela que é, na minha opinião, a melhor banda Pop de sempre: os Wham!.

"Melhor banda Pop de sempre? Que heresia!"... já estou a ouvir. Calma, eu explico.
Os Wham! foram um duo britânico formado por George Michael e Andrew Ridgeley, um duo de vida curta, mas meteórica, brilhando incandescentemente na sua passagem. Como já referi aqui, de 1982 a 1986, os Wham! lançaram 9 singles no Reino Unido e TODOS, entraram para o Top 10 das tabelas, sendo que 4 deles chegaram ao 1º lugar.
É um registo avassalador, que ilustra o impacto das músicas de George Michael no Mundo de então.

Perguntem a qualquer "quarentona" de hoje, como é que era com as meninas na escola e os Wham! (principalmente o George Michael), na primeira metade dos anos 80. Era a loucura. Justin Bieber, Tokio Hotel e quejandos não têm paralelo com o fenómeno da época. Basta fazer um exercício simples de observação das tabelas para o confirmar.

Mas eu sei que agora toquei num assunto delicado: será que a popularidade e a qualidade são duas variáveis directamente relacionáveis? Claro que não.
Os Wham! foram um fenómeno de popularidade, é um facto; mas foram muito mais do que isso. Artistas Pop de hoje como a Rihanna, ou o já referido Justin Bieber, são puros produtos de venda ao público, de mérito artístico ínfimo. São "artistas" (as aspas são devido ao abuso linguístico da derivação da palavra "arte") cujas carreiras são milimetricamente projectadas ao detalhe, desde a escolha dos grooves, passando pelas letras, pela produção, pela imagem e claro, pela promoção. É como o fabrico de um carro, ou de um qualquer produto de produção em série: tudo resulta de decisões de um conjunto "executivos", com propósito puramente comercial. No fim de contas, "arte" é coisa que ali não mora e o "artista" pouco tem a ver com o processo, a não ser dar a cara para o público.

E quanto aos Wham!? Não eram eles também um produto comercial, com forte componente de imagem? Em parte, claro que sim. Também os The Beatles tinham sido nos anos 60, no auge da Beatlemania. Mas ao invés de serem um produto concebido por "executivos" da editora, sentados num escritório, os Wham! eram um produto saído somente da cabeça de George Michael. Parecendo que não, é diferente: chama-se criatividade.
George era o cantor, o compositor e o produtor da banda; e ainda tocava vários instrumentos nos discos. Tudo isto quando tinha ainda 18 anos.
Andrew Ridgeley, o outro membro do duo, estava lá basicamente a "fazer número", servindo para atrair uma faixa etária mais velha. Ainda hoje se pergunta exactamente o que é que Andrew fez, ou contribuiu realmente pelos Wham!.
Em suma, o George Michael era os Wham!.

Na primeira metade dos anos 80, os Wham! disputavam o trono de maior banda Pop do UK com os Duran Duran e os Culture Club (de Boy George). Mas enquanto os Culture Club (nunca consegui apreciar esta banda) se apoiavam mais no Reggae e os Duran Duran eram uma banda da onda New Wave e Synthpop, com um travo de Rock, os Wham! trouxeram outro prato para a mesa: o Soul e a Disco.
Os Wham! foram uma espécie de Motown britânica dos anos 80. Música negra americana, para jovens brancos britânicos.
Ainda arrisco mais: George Michael, sozinho, foi a Motown britânica dos anos 80. Com a histórica editora Soul em fase de declínio (Lionel Richie e o seu "Can't Slow Down" foi um caso raro, que manteve a Motown no topo no UK), George Michael assumia o papel principal de voz do Soul no Reino Unido. O prémio pessoal viria em 1987, quando foi "galardoado" com um dueto com uma das suas referências: Aretha Franklin, em "I Knew You Were Waiting (For Me)".

Mas já me estou a afastar do assunto.
Tudo o que está em cima serve apenas para reiterar que os Wham! tinham muito mais sumo do que vos possam fazer querer. Gostar dos Wham! pode ser visto como foleiro, mas não gostar deles por causa disso só pode ser visto como estúpido.

O tema que aqui deixo é "Club Tropicana", 3º single retirado de "Fantastic" - o álbum de estreia dos Wham!. O tema chegou ao 4º lugar e foi o último antes da grande explosão dos Wham! com o lançamento de "Wake Me Up Before You Go-Go".


Mas se é verdade que eu não nutro grande simpatia por "Wake Me Up", já sou um grande apreciador de "Club Tropicana". Afinal, no "Club Tropicana", as bebidas são à borla ("drinks are free!") e não há como não gostar disso.

O vídeo, filmado em Ibiza, prova que os Wham! eram imbatíveis também no kitsch. Nesta pérola da boa disposição, temos um pouco de tudo.

George e Andrew a tocar trompete:

George a beber cocktails na piscina:

George de tanga na praia:

George no chuveiro:



(Este espaço foi propositadamente deixado em branco,
uma vez que até este blog tem limites no kitsch)





Mas acima de tudo, temos este Senhor com um espectacular bigode:



Conhecem a expressão "é tão mau que é bom?" A origem dela pode ter vindo do vídeo de "Club Tropicana". Aqui, o "mau" é "bom" e é tão bom, que é óptimo.
Não tenham medo de gostar dos Wham!. A sério, vão ver que é fantastico e vão ver que não dói nada.

sexta-feira, 1 de março de 2013

The Smiths - "Hand In Glove"

"And if the people stare, then the people stare...
Oh I really don't know, I really don't care!"



Há uns anos atrás, tive uma namorada que dizia não compreender a minha atracção "por tudo o que fosse Brit". Confesso que eu também nunca lhe consegui explicar, sabia apenas que ela tinha razão.
De facto, o meu gosto musical tinha sido, ao longo dos anos, adubado por tudo o que fosse oriundo do UK e o resultado foi isto. Basta olharem para a barra lateral do blog para terem uma ideia.

Esta tendência começou cedo, devido à influência do meu Pai. As suas bandas preferidas sempre foram os Queen e os Pink Floyd, curiosamente, ou não, também as minhas bandas preferidas de sempre. Foi (principalmente) a música deles que compôs a banda sonora da minha infância. Tratou-se de uma transmissão por osmose, portanto.

Como se tal não bastasse, na última metade dos anos 90, vivia eu a pivotal entrada na adolescência - fase fundamental na modelação do "gosto musical independente" (chamemos-lhe assim) - fui alimentado por toda a onda Britpop / Britrock, que na época dominava as playlists das rádios. Stereophonics, The Verve, Travis, Pulp, Blur, Oasis, Suede, Radiohead... Devorava praticamente tudo.

Os anos passaram e a tendência manteve-se: a fome pela descoberta de mais e mais música britânica. Desde a fornada psicadélica dos anos 60 (The Beatles, The Rolling Stones, The Who...), passando pelo Heavy-Glam-Prog Rock dos anos 70 (Led Zeppelin, Deep Purple, Genesis, Bowie...), o Post-Punk e o New Wave dos anos 80 (Joy Division/New Order, Simple Minds, Tears For Fears, Pet Shop Boys...) e claro, a Britpop dos anos 90. Com o tempo, bati todos os géneros Pop/Rock da Grande Ilha, de uma ponta à outra.
Enfim, como dizia a minha ex-namorada: "tudo o que fosse Brit".

Viram a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres? Repararam no infindável desfile luxuoso de música britânica que eles tinham para apresentar? Dá para ter uma ideia do que estou a falar.



Mas então porque é que fui buscar aquela história da namorada antiga e da sua dúvida acerca da minha atracção compulsiva pela música britânica? Porque acho que a resposta para essa dúvida reside algures aqui, na música dos The Smiths.

Na altura, ainda não conhecia os The Smiths, estes só chegaram mais tarde (no ano passado para ser mais preciso). Mas estou convencido que se eu lhe desse a conhecer os The Smiths, uma dúzia de temas que fosse, ela, de alguma forma, me perceberia finalmente.
Porquê? Não sei, continuo sem conseguir explicar exactamente esta atracção pela música Brit. Mas estou convicto que a resposta está algures nas melodias saídas da guitarra de Johny Marr, ou nas letras traumatizadas de Morrissey.

______________________________


Tive imensa dificuldade em optar por um tema dos The Smiths para ilustrar este texto. Decidi-me por "Hand In Glove", o primeiro single da carreira dos The Smiths, lançado em Maio de 1983. Foi um dos primeiros temas dos The Smiths que eu conheci e que despertou o meu interesse na banda.




A primeira aparição da versão single de "Hand In Glove" num álbum dos The Smiths foi em "Hatful Of Hollow" (Novembro de 1984), compilação que reuniu temas gravados ao vivo para a BBC (as BBC Sessions) e 3 singles que não apareceram no 1º álbum da banda ("The Smiths"): "Hand In Glove" , "Heaven Knows I'm Miserable Now", e "William, It Was Really Nothing", com os respectivos Lados B "Girl Afraid", "How Soon Is Now?" e "Please, Please, Please Let Me Get What I Want".
"Hand In Glove" fora incluído no álbum "The Smiths", mas numa versão diferente, na minha opinião mais plástica, mais estéril, à imagem do que havia sido feito com "What Difference Does It Make?".



O tema não conseguiu entrar nas tabelas de singles britânicas, mas atingiu o nº 3 na tabela Indie, vendendo consistentemente durante o ano e meio seguinte, época de ascensão da banda. Este sucesso em "banho-maria" valeu aos The Smiths um registo no livro do Guinness em Janeiro de 1984, quando "Hand In Glove", "This Charming Man" e "What Difference Does It Make?" ocuparam os 3 primeiros lugares da tabela Indie britânica.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Donna Summer - "She Works Hard For The Money"

"She works hard for the money, so you better treat her right!"



RIP Donna Summer, a proclamada "Rainha da Disco".

Fica aqui o meu tema preferido da Donna: "She Works Hard For The Money".
O tema tem uma clara injecção Rock, com um proeminente solo de guitarra. Talvez ainda ecos do álbum Disco que mais marcou os anos 80, lançado no ano anterior pelo, na época, também proclamado "Rei da Disco" Michael Jackson. Falo, obviamente, de "Thriller" e de temas como "Beat It", onde Eddie Van Halen foi chamado para um solo de guitarra que "fez" o tema.

Citando o sempre eloquente Slash:

"Although I pretty much loathed Disco, I always thought she was pretty cool."

Tal como para o Slash, o Disco não é bem a minha praia. Mas isso não significa que não consiga apreciar alguns trabalhos neste registo.
Como vimos, "She Works Hard For The Money" chegou apropriadamente numa fase já pós-disco. É 80's em estado puro. E é óptimo.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

The Romantics - "Talking In Your Sleep"

"When you close your eyes and you fall asleep, everything about you is a mystery"



5 dias... 5 temas. Os 5 temas que mais me marcaram em 2010. Se o tema de ontem metaforizava viagens entre espaços da vida, o tema de hoje não deixa grande margem de análise. O que se ouve é o que se tem. E o que se tem é um grande tema 80's.

Sem mais introduções, o próximo tema desta retrospectiva pessoal de 2010 é o vibrante "Talking In Your Sleep" dos americanos The Romantics. Este tema foi originalmente lançado em single pelos The Romantics em 1983 e foi incluído no seu álbum "In Heat". O single tornou-se o maior êxito da banda, chegando mesmo ao 1º lugar da tabela de dança americana, onde permaneceu por 2 semanas. Este single não teve grande sucesso no Reino Unido em 1983, onde o tema só obteve notoriedade no ano seguinte, quando foi gravado pelos Bucks Fizz.


"Talking In Your Sleep" é um tema que condensa quase tudo o que de melhor tem a Pop dos anos 80. A frase é hiperbólica, mas é o que sinto quando ouço este tema. "Talking In Your Sleep" é 80's. Diversão pura.
Atentem na estrutura simples da música, cuja base é uma vibrante linha de baixo. A guitarra, a bateria e mesmo a voz são apenas acompanhamentos para esta espectacular linha de baixo. Tal como em tantos outros tema da época, é o baixo que faz "Talking In Your Sleep".

Também o vídeo é um standard daquela época. Foleiro? Talvez. Mas está aqui o charme dos anos 80. E eu adoro.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Duran Duran - "The Reflex"

"fle-fle-fle-FLE-FLEX!!!"



Na ressaca do mega-sucesso do álbum "Rio" e do lucro pornográfico que estavam a fazer, os Duran Duran emigraram para o sul de França para a gravação do seu 3º álbum "Seven and the Ragged Tiger", de modo a fugirem aos impostos do seu país.

O resultado de um processo de gravação conturbado (seria o último álbum com os membros originais da banda até á sua reunião em 2004 para "Astronaut") foi um álbum muito heterogéneo e globalmente mais fraco que os dois primeiros.

Ainda assim, na sequência da loucura que os Duran Duran arrastavam naquela altura (eram chamados os "fab-five" em alusão aos The Beatles), alguns temas tiveram enorme sucesso, como é o caso the "Union Of the Snake" ou deste "The Reflex".

O vídeo é muito conhecido, especialmente pela sua alta rotação no VH1 e pelos seus efeitos visuais que foram inovadores na altura, mas hoje de gosto bastante duvidoso...