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sexta-feira, 6 de julho de 2018

Roger Waters – "It's A Miracle"

"Miraculous you call it babe, you ain't seen nothing yet"


Faz um mês que tive uma inundação trágica. Não acredito em Deus nem no Diabo, mas a desgraça teve tais requintes de malvadez, que mais parecia ter sido obra do Demo.

Apesar de ter os meus discos de vinil devidamente arrumados nas prateleiras com rigor bibliotecário, uma vez que tenho que aceder às prateleiras de escadote (eles chegam ao tecto e o pé direito tem 4 metros de altura), tenho os que estão em rotação corrente cá em baixo, cuidadosamente guardados num banco; banco esse onde figura também o poster do "The Division Bell" assinado pelo David, Nick e Rick (já devia estar na parede, eu sei). Ora, alguns destes discos têm enorme valor sentimental e coleccionista, caso da primeira prensagem do "The Wall" que vêem na imagem. E do poster assinado, enfim, nem preciso dizer nada.


Pois que há um mês tive uma inundação vinda do apartamento de cima e de todos os sítios do apartamento onde a água podia ter caído, foi escolher precisamente o centímetro onde os meus discos preferidos estão encostados ao poster do meu álbum preferido.

Para tornar a situação mais dramática, isto aconteceu na hora em que estava na cozinha a fazer o jantar, pelo que demorei uns bons 10 ou 15 minutos até me aperceber da tragédia que se abatia sobre mim.

Quando cheguei ao local da catástrofe, gelei. Nem queria acreditar no que estava a acontecer. Aflito, tentei salvar os discos da maneira que pude e corri a buscar toalhas e um secador. Mas parecia que não havia nada a fazer. Imaginem água suja de infiltração a cair sobre papel com 40 anos de idade, mais velho que eu. As capas dos discos ficaram todas engelhadas. Uma tragédia, portanto.

Como não sou de ficar derrotado tão facilmente, passei horas a minimizar os estragos e para tentar restaurar as capas, meti-as debaixo de uma pilha de discos.

Um mês passou e o milagre aconteceu. Como o autocolante da Flashback mostrar, a água passou por ali, mas a cama do meu The Wall está agora lisinha, como nova há 40 anos. Como diria o Roger himself, it's a fucking miracle.

P.S.: A causa da inundação? Facilmente identificável. Era sábado à noite e os meus vizinhos de cima, um casal germânico-coreano, estavam na brincadeira na banheira e a água transbordou para o chão em quantidades que sabe-se lá. Como é que eu sei? Em primeiro lugar porque eles ouvem-se. Muito. E muito alto. Especialmente ela. E porque fui lá em cima e estavam os dois meio molhados e enrolados em toalhas. Não é preciso ser o Einstein para perceber o que se estava ali a passar.

P.P.S.: Hoje é dia de Roger no Hyde Park. E' o meu 6º concerto do Roger e o 15º Floyd related:

Roger 2002/05/04 Lisboa
David & Rick 2006/03/15 Paris
Roger 2006/06/02 Lisboa
Roger 2012/03/21 Lisboa
Roger 2013/09/13 Wembley Stadium
David 2015/09/12 Pula
David 2015/09/14 Verona
David 2015/09/15 Firenze
David 2016/03/24 Hollywood
David 2016/03/25 Hollywood
David 2016/07/08 Pompeii (front row!)
David 2016/09/30 Royal Albert Hall
Roger 2018/05/20 Lisboa
Nick 2018/05/24 Putney
Roger 2018/07/06 Hyde Park

O melhor do concerto de hoje? Pensar que vou ver o Roger no Hyde Park e vou a pé para casa. What a life.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Roger Waters - "Wait For Her" / "Oceans Apart" / "Part Of Me Died"

"When I laid eyes on her, a part of me died"


Ainda o novo álbum do Roger Waters. Confesso que tenho andado completamente vidrado em "Is This The Life We Really Want?". Para terem uma ideia da dimensão da obsessão, confidencio-vos o meu Top 10 dos mais ouvidos da última semana no Spotify:



... e isto obviamente não conta com o número de audições do vinil, que já levou umas valentes esfregas. Já agora, se usam o Spotify, aconselho-vos vivamente a fazerem a sincronização com a conta no Last.fm (e se não a têm, criem). Analisar estas estatísticas is half the fun da listening experience. É a banda sonora da nossa vida, right there, ali exposta. Mas voltemos ao Roger.

Tenho grande estima pelos álbuns a solo do Roger. Todos os três anteriores ("The Pros And Cons Of Hitch Hiking", "Radio KAOS" e "Amused To Death") fizeram parte da minha vida de uma forma ou de outra, mas "Is This The Life We Really Want?" aterrou aqui como um pára-quedas humanitário numa zona de catástrofe. Nenhum álbum me moveu assim nos últimos anos, talvez desde que descobri "All Things Must Pass" em 2011. Por isso este é especial. Este sim, é o melhor álbum de sempre do Roger; e nesta segunda parte da minha review vou continuar a explicar-vos porquê.

Hoje vou falar do outro lado do novo álbum de Roger Waters. Para lá da visão niilista da vida e do mundo, "Is This The Life We Really Want?" é um exercício de introspecção implacável. Roger despe-se por completo, olha para dentro e escava a fundo em si mesmo. Nu e cru. Sem medos. E desta vez, não é só a interminável saga do pai que morreu na guerra; é o Roger himself, que morreu por dentro, bocadinho a bocadinho e quer falar sobre isso. Este é o álbum mais pessoal de toda a sua carreira. E se eu tivesse que apostar, diria que este álbum confessional só chegou agora, porque só agora é que Roger aprendeu a olhar para dentro.

Roger Waters tem 73 anos e por esta altura já está ciente do que é. Após 4 casamentos e outros tantos divórcios, Roger já percebeu loud and clear que é unloveable — melhor, sabe que pode até chegar alguém que o ame, mas nunca quererá partilhar a sua vida com ele; nunca ninguém o vai aturar. Já o Freddie se queixava do mesmo.
Roger é um homem muito intenso e não é fácil encontrar alguém que saiba (e queira) lidar com alguém assim (eu também sei um bocadinho do que é isso e talvez por isso me tenha identificado tanto com o Roger ao longo dos anos). Mas aquilo que falta ao Roger em inteligência emocional, sobra-lhe no domínio com as palavras (e às vezes com a música). O novo álbum foi a forma que ele encontrou para expressar o que lhe ia na alma e quiçá estabelecer comunicação com alguém importante.

Como a sua personalidade, "Is This The Life We Really Want?" é uma audição extenuante. É o perfeito espelho da intensidade de Roger, tanto quando fala de política, como quando fala de amor. Atentemos, pois, na intensa trilogia que fecha o álbum: "Wait For Her" / "Oceans Apart" / "Part Of Me Died". Esta sequência é de partir o coração, tão pessoal que chega a ser desconfortável.

"Wait For Her" é baseado num poema do autor palestiniano Mahmoud Darwish e fala de como o "verdadeiro amor espera" (e o produtor Nigel Godrich sabe acerca disso): "And if she comes soon, wait for her / And if she comes late, wait". "Oceans Apart" fala sobre o momento mágico do primeiro encontro e serve de introdução para a declaração de amor que vem a seguir.

A última parte é "Part Of Me Died", que parece tudo menos o título de uma canção de amor (um pouco como o "If I Had A Gun" do Noel Gallagher). É porém tão somente uma das mais bonitas, mais sinceras e mais despidas canções de amor de sempre. Despida é mesmo a palavra. Porque só quando nos despimos (por dentro e por fora, obviamente) é que o amor pode funcionar. Roger abre o coração e confessa todos os seus pecados, um por um:
The part that is envious; Cold hearted and devious; Greedy, mischievous; Global, colonial; Bloodthirsty, blind; Mindless and cheap; Focused on borders; And slaughter and sheep; Burning of books; Bulldozing of homes; Giving to targeted killing with drones; Lethal injections; Arrest without trial; Monocular vision; Gangrene and slime; Unction, sarcasm; Common assault; Self-satisfied heroic killers; Lifted on high: Piracy adverts; Acid attacks on women by bullies and perverts and hacks; The rigging of ballots and the buying of power; Lies from the pulpit; Rape in the shower; Mute, indifferent; Feeling no shame; Portly, important; Leering, deranged; Sat in the corner; Watching TV; Deaf to the cries of children in pain; Dead to the world, just watching the game Watching endless repeats; Out of sight, out of mind; Silence, indifference; The ultimate crime.
But when I met you, that part of me died
Roger é uma besta e ele sabe disso. E como vemos, já não tem pudor em confessá-lo de todas as maneiras possíveis. Literalmente.
Mas até ele fecha o seu álbum mais niilista com um laivo de esperança:
Bring me a bowl to bathe her feet in, bring me my final cigarette
It would be better by far to die in her arms than to linger in a lifetime of regret

domingo, 18 de junho de 2017

Roger Waters - "Picture That"

"Picture a leader with no fucking brains"


Faz-me muita confusão ler as opiniões quase unanimemente complacentes e moderadas relativamente ao novo álbum de Roger Waters. Condescendentes, diria até. Parece que ouviram uma vez — se ouviram uma vez sequer — escreveram meia dúzia de banalidades e siga para bingo. Mas que caralho, pá. Aceito todas as reacções, mas se há uma coisa que Roger Waters não provoca é indiferença. Preservem a dignidade do homem, por favor. Na minha óptica, esta condescendência constitui maior ofensa ao Roger do que de lhe dissessem na cara que o álbum é uma valente merda. Mas que nova moda é esta de não ter opinião para não magoar ninguém? Pela minha parte, até posso nem dar a minha opinião, mas se me perguntam, eu digo. Costumo ter opiniões. Vamos agora todos pintar as nossas palavras de cinzento porquê? Para agradar aos outros? Citando o Roger, fuck them.

"Is This The Life We Really Want?" é um álbum difícil. Podemos começar por aí. É uma audição extenuante, tal o negativismo que assola a música do princípio ao fim. "I'm still ugly, you're still fat", começa Roger por dizer logo no primeiro tema. "Our parents made us what we are. Or was it God? Who gives a fuck? It's never really over."
Também é um álbum fatalmente político, não há volta a dar. Eu costumo ser apologista que os meus artistas se mantenham longe da política, mas a verdade é que "Animals" era político ("The Final Cut" idem) e não deixa de ser uma obra-prima por isso. Roger tem opiniões fortes e quer expressá-las; e ainda bem. Se ao menos o fizesse mais vezes. Foi preciso ir o Trump para a Casa Branca para o fazer sair da toca.


O tom é agressivíssimo, mesmo para a bitola de Roger. Para terem uma ideia da violência das palavras, vou citá-lo no niilista "Picture That": "Picture a courthouse with no fucking laws / Picture a cathouse with no fucking whores / Picture a shithouse with no fucking drains / Picture a leader with no fucking brains". Bem, por onde começar? Comecemos pelo fim: Trump, obviamente. Ele aparece várias vezes ao longo do álbum, quer neste tipo de referências, quer em discurso directo ("This is a fine tuned machi.."). É ele o alvo principal de todo o fel que Roger despeja ao longo destes 54 minutos. Depois, "Picture a cathouse with no fucking whores"?! Uma tradução possível disto será "imaginem uma casa de putas sem as putas das putas".

Mark Twain disse um dia que em determinadas circunstâncias de urgência e desespero, um palavrão é capaz de proporcionar um alívio negado até pela oração. Roger faz uso deste alívio profusamente ao longo do álbum, como um velhote a gritar obscenidades à televisão. À custa disto, Roger foi avisado pela editora que se não fizesse uma versão limpa, o seu álbum não iria ser vendido no Walmart e noutras cadeias mais "sanitizadas" nos Estados Unidos. Em resposta, Roger gritou sem pensar duas vezes: "FUCK WALMART! Se não quiserem vender o meu álbum, não vendem! FUCK THEM!". Grande Roger. É por estas coisas que te amo.

Mas calma, que isto ainda fica pior. Voltemos a "Picture That" e atentemos na estrofe seguinte: "Follow me filming myself at the show / On a phone from a seat in the very front row / Follow Miss Universe catching some rays / Wish You Were Here in Guantanamo Bay" — mais um punhado de estalos à nossa realidade. Roger começa por apontar aos próprios fãs e à porra dos telemóveis hasteados nos concertos; não há paciência, de facto. Depois àquela nossa mania de seguir a Miss Universo, a Miss Portugal e a Miss Israel no Instagram. Para quê, ao certo? Não sei, mas todos o fazemos e não há inocentes. Mas o pior vem a seguir: "Wish you were here in Guantanamo Bay"?! A referência ao álbum dos Pink Floyd é óbvia e representa uma desconstrução de tudo de bom que Roger já teve. É que "Wish You Were Here" é tão somente o álbum mais pacífico da História dos Floyd e aquele normalmente apontado por toda a banda como o melhor esforço colaborativo de todos. Um produto de amizade, portanto. Mas aqui parece que toda a luz em Roger foi ensombrada pela escuridão e tudo de bom que passou cheira a podre.

"Is This The Life We Really Want?" é pesadíssimo. O desconforto é uma sensação provocada deliberadamente no ouvinte e por diversas vezes no limite do suportável ao longo do álbum, como na secção média de "Bird On A Gale". Roger está tão fodido aqui como estava em "Animals", com a diferença fundamental que agora já não tem o David nem o Rick para complementar a sua raiva com música. Tem o Nigel Godrich (produtor dos Radiohead) para tentar emular isso, mas nem sempre chega.

Goste-se ou não, Nigel Godrich teve um papel importantíssimo na criação deste álbum e arrisco dizer que se não fosse ele, "Is This The Life We Really Want?" não teria sido possível. Pelo menos não assim. O objectivo de Nigel parece ter sido tripartido: focar Roger nas suas canções e obrigá-lo a abandonar (na medida do possível) as suas megalomanias; destacar ao máximo as valências de Roger (nomeadamente a mensagem); e fazer soar o álbum "à Pink Floyd" (os callbacks à música dos Pink Floyd são intermináveis). Nigel assumiu responsabilidades e correu riscos. E meteu a cabeça no cepo quando avisou os fãs que não havia solos de guitarra em "Is This The Life We Really Want?". Passado o choque inicial, hoje creio que esta medida veio em tudo beneficiar Roger. Senão vejamos: nos três primeiros álbuns a solo, Roger convidou Eric Clapton, Andy Fairweather Low e Jeff Beck para tentar compensar a falta de David Gilmour. Nenhum deles conseguiu. Melhor assim então.

É um exercício interessante comparar "Is This The Life We Really Want?" a "Rattle That Lock", álbum de David Gilmour de 2015. O álbum de David é leve e despreocupado, o reflexo de alguém que está bem com a vida. Por outro lado é também um álbum demasiado relaxado, que não levanta muita poeira e não corre riscos (e quando corre é mal sucedido e sim, estou a falar do terrível "The Girl In The Yellow Dress"). O álbum de Roger mostra exactamente o oposto: um homem amargurado e revoltado, oblívio a tudo de bom que já lhe aconteceu (e foi muito) e a todo o mundo que o ama.

Gostava um dia de dizer ao Roger que it's all right. Que ele não precisa de carregar todo o peso do mundo em cima dos ombros e que não será ele, sozinho, a resolver os males da humanidade. Mas não posso. E mesmo que lhe dissesse tudo o que quero, sei que ele não me iria ouvir. E talvez ainda bem, porque é assim que eu gosto do meu Roger. Fodido.

Tenho a perfeita noção que pintei um cenário tão negro que, se chegaram até aqui, já não sabem se devem ou não ouvir o novo álbum do Roger. Devem, pois claro que devem. "Is This The Life We Really Want?" é o álbum mais niilista da carreira de Roger Waters e se isso não chega para atrair a vossa atenção, não sei o que fará. Ouçam, mas tenham um copo de vinho à mão, de preferência. Sempre é uma anestesia para o vazio que vão sentir.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Roger Waters - "Smell The Roses"

Roger Waters está de volta. Regozijemos.

Abram as garrafas de champanhe. Vinte e cinco anos depois do último álbum, Roger Waters está de volta com música nova, este furioso "Smell The Roses". O veredicto? É do caralho.



Eu disse música nova? Mais ou menos. O tema é basicamente um rip-off directo de "Have A Cigar", com algumas texturas de "Dogs" e de "Pigs (Three Different Ones)" lá pelo meio. É uma reciclagem do seu próprio material antigo com nova roupagem, mas e depois? É o Roger. Ele está fodido com o mundo e como sempre que isso acontece, tem coisas para dizer. Muitas coisas. Como não lhe dão a devida atenção nas entrevistas, resolveu então dizer tudo da melhor forma que sabe: com música. Para isso, foi buscar Nigel Godrich - produtor dos Radiohead -, que o manteve focado a produzir um álbum que tivesse uma estrutura e sonoridade "à Waters" e que o fizesse abandonar a ideia da radio-novela sobre um avô e a sua neta, que investigavam por que tantas crianças morrem no médio-oriente. Louvado seja Nigel. Até ver, acertou em cheio.


O novo álbum chama-se "Is This The Life We Really Want?" e foi gravado ao longo dos últimos 7 anos. O disco será editado dia 2 de junho e terá o seguinte alinhamento:

1. "When We Were Young" (1:38)
2. "Déjà Vu" (4:27)
3. "The Last Refugee" (4:12)
4. "Picture That" (6:47)
5. "Broken Bones" (4:57)
6. "Is This The Life We Really Want?" (5:55)
7. "Bird In A Gale" (5:31)
8. "The Most Beautiful Girl" (6:09)
9. "Smell The Roses" (5:15)
10. "Wait For Her" (4:56)
11. "Oceans Apart" (1:07)
12. "Part Of Me Died" (3:12)

Algumas das faixas que já tinham sido confirmadas por Roger - "Crystal Clear Brooks", "Safe and Sound" e "Lay Down Jerusalem (If I Had Been God)" -, afinal não aparecem no álbum. Obra de Nigel, aposto. Esperemos que o novo álbum esteja (pelo menos) à altura deste furioso "Smell The Roses". E não, não me importo com reciclagens.

sábado, 12 de julho de 2014

Roger Waters - "The Ballad Of Bill Hubbard"



Ainda "Amused To Death" - o álbum mais essencial da discografia a solo de Roger Waters. Dizia ontem que apesar da falta de melodias, isso não significa que este álbum não seja capaz de nos tocar.

A história de Bill Hubbard, que abre e fecha o "Amused To Death", consegue sempre deixar-me arrepiado. A história passa-se num campo de batalha durante a 1ª Guerra Mundial e é contada por Alf Razzell - um antigo soldado dos Royal Fusiliers (exército britânico).
Alf tinha a missão de ir à terra de ninguém depois de um combate e retirar a carteira aos cadáveres do seu exército que ia encontrando, de modo a serem identificadas as baixas. Com um trabalho destes, era normal Alf encontrar corpos desmembrados, decapitados e sabe-se lá mais o quê. O cúmulo dos horrores.
Um dia, na Batalha do Somme, os alemães levaram Alf à terra de ninguém e este encontrou um soldado com feridas profundas e em grande sofrimento, mas ainda com vida. Esse soldado era Bill Hubbard.

"Two things that have haunted me most are the days when I had to collect the paybooks; and when I left Bill Hubbard in no-man's-land.
I was picked up and taken into their trench. And I'd no sooner taken two or three steps down the trench when I heard a call, 
'Hello Razz, I'm glad to see you. This is my second night here,' and he said 'I'm feeling bad' and it was Bill Hubbard, one of the men we'd trained in England, one of the original battalion.
I had a look at his wound; rolled him over. I could see it was probably a fatal wound.
You could imagine what pain he was in, he was dripping with sweat; and after I'd gone about three shellholes, traversed that, had it been...had there been a path or a road I could have done better.
He pummelled me,
 'Put me down, put me down, I'd rather die, I'd rather die, put me down.' I was hoping he would faint.
He said 
'I can't go any further, let me die.' I said 'If I leave you here Bill you won't be found, let's have another go.' He said 'All right then.'
And the same thing happened. he couldn't stand it any more, and I had to leave him there, in no-man's-land."
Alf Razzell em "The Ballad Of Bill Hubbard" - "Amused To Death"


Para quem não percebe inglês, Alf Razzell encontrou Bill Hubbard com feridas mortais e tentou levá-lo às suas costas ao longo das trincheiras, com a esperança do salvar. Mas as dores por que Bill passava eram insuportáveis e este obrigou Alf a deixá-lo ali, a morrer, em terra de ninguém.

"[Alf:] Years later, I saw Bill Hubbard's name on the memorial to the missing at Aras.
And I...when I saw his name I was absolutely transfixed; it was as though he...he was now a human being instead of some sort of nightmarish memory of how I had to leave him, all those years ago.
And I felt relieved, and ever since then I've felt happier about it, because always before, whenever I thought of him, I said to myself, 'Was there something else that I could have done?'
And that always sort of worried me. And having seen him, and his name in the register - as you know in the memorials there's a little safe, there's a register in there with every name - and seeing his name and his name on the memorial; it sort of lightened my...heart, if you like."
[woman:] "When was it that you saw his name on the memorial?"
[Alf:] "Ah, when I was eighty-seven, that would be the year, ninete...eighty-four, nineteen eighty-four."
Alf Razzell em "Amused To Death" - "Amused To Death"


Ainda estou para perceber qual é, afinal, o fundamento de mandar os homens de um país para a morte num campo de batalha.
Se no fim de qualquer guerra os generais se sentam à mesa e chegam a um acordo, porque é que não fazem isso antes da guerra?

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Roger Waters - "Amused To Death"

"No tears to cry, no feelings left. This species has amused itself to death."


Depois de falar nos Pink Floyd de David Gilmour (na prática, é isto) e de Richard Wright, chega a vez de Roger Waters.

Eu sei, nos últimos tempos tenho batido muito no tio Roger aqui no blog e ainda não dei a devida atenção à sua obra a solo. Mas isso não quer dizer que não goste dele.
Falar em Roger Waters é falar num dos maiores génios da história do Rock, criador dos álbuns conceptuais mais superlativos algumas vez gravados. É da cabeça deste génio criativo que saíram as ideias (não necessariamente toda a música) que resultariam em "The Dark Side Of The Moon", "Animals" e "The Wall". Não é de somenos.

Roger Waters é, de facto, um génio criativo. O problema de Roger é que o título de génio criativo lhe foi atribuído... por ele próprio. Reza a História que esta auto-indulgência pode ser extrapolada toda a sua personalidade.
Para ser friamente honesto, Roger era - pelo menos até há bem pouco tempo - o tipo de pessoa com quem nenhum de nós gostaria de se cruzar.
Se há um adjectivo que vemos repetidamente atribuído a Roger, esse será o de Prick (tradução livre: anormal/idiota/cabrão). "Roger is a prick", disse um dia David Gilmour, para explicar porque é que não falava com ele há 15 anos. "Just another prick in the wall" (esta tem piada), chamou-lhe recentemente este colunista, devido às suas posições anti-Israel.
Eu sou mais simpático e chamar-lhe-ia o maior egomaníaco da história do Rock, com tanto de mérito, como de idiota. Não poderá ter sido fácil trabalhar com ele, especialmente na sua fase mais obnóxia, durante a 2ª metade da década de 70 e 1ª da década de 80.

Foram precisos muitos anos para amansar a fera. Só recentemente parece ter enterrado o machado de guerra com David, tendo até marcado presença num evento de caridade promovido por Gilmour, favor que este retribuiu ao aparecer num concerto de Roger, para uma lendária rendição de "Comfortably Numb".

Mas o facto de eu o criticar e de até me pôr ao lado dos seus companheiros dos Pink Floyd devido à sua personalidade detestável, nada disso significa que eu não me identifique com o que escreveu Roger. Porra, se há alguém que conseguiu pôr em disco os meus medos, os meus dilemas e as minhas lutas internas, esse alguém é Roger Waters (e Bruce Springsteen, obviamente).

E ainda assim, nunca dediquei grande atenção à obra a solo de Roger Waters aqui no blog. Poderia ser obra do acaso, mas não é. O problema é que a obra a solo de Roger não é assim tão boa quanto isso.

Em meados dos anos 80, Waters estava deserto por se ver livre dos restantes membros dos Pink Floyd, por achar que eles já não contribuíam nada para as suas criações. Saiu assim dos Pink Floyd em 1984, alegando que estes eram já uma "força esgotada" (estou a citar) e ingenuamente presumiu que a banda tinha terminado, por não fazer sentido sem a sua presença. A vaidade sair-lhe-ia cara, uma vez que o futuro provaria que não poderia estar mais enganado e os Pink Floyd lançariam mais 2 3 álbuns de grande sucesso.

Se houve alguém que sofreu com a separação dos Pink Floyd, esse alguém foi Roger Waters. Sem David Gilmour, sem Richard Wright, músicos que ele considerou dispensáveis e esgotados, as ideias de Roger nunca mais puderam ser materializadas em música que o público quisesse ouvir.
Roger foi buscar Eric Clapton, Jeff Beck e Andy Fairweather Low para fazer de David Gilmour, mas nenhum deles tapou os buracos que ele próprio abrira com o seu ego. Uma pena. E por que não, uma lição para a vida de todos nós.

Nesta matéria eu falo à vontade, uma vez que a discografia de Roger Waters foi a primeira que eu conheci a fundo, de todos os membros dos Pink Floyd a solo.
No meu top de álbuns a solo dos Pink Floyd (vá lá, não façam essa cara, é óbvio que eu tenho isto categorizado e ordenado), em primeiro vêm "On An Island" de David e "Wet Dream" de Rick, quase ex aequo e só depois surge "Amused To Death" de Roger.



"Amused To Death" é o 3º álbum a solo de Roger Waters (o 4º, se contarmos com a colaboração com Ron Geesin em 1970) e o último a ser lançado até hoje; já remonta a 1992, já lá vão 22 anos.

Esqueçam as melodias. Em "Amused To Death", elas são inexistentes, ou estão tão difusas na quantidade torrencial de efeitos sonoros (explosões, comentadores, telefones, entrevistas, etc etc), que são praticamente imperceptíveis. Valham-nos um Jeff Beck e um Patrick Leonard em grande forma, que nos vão dando alguns laivos de musicalidade aqui e ali.

Na maior parte do tempo, o tio Roger tem coisas para dizer e quer que vocês ouçam. Estamos no início dos anos 90 e a televisão assume um papel mais importante que nunca na sociedade.
A Guerra do Golfo é transmitida em directo para grandes audiências, Roger Waters não concorda e, como não poderia deixar de ser, quer falar sobre isto. Mais uma vez, muita política.

"Amused To Death" marca o culminar de um ciclo que começou em "The Wall", continuou em "The Final Cut" e prolongou-se pela discografia a solo de Waters ("The Pros And Cons Of Hitchicking" e "Radio K.A.O.S."), ciclo esse que eu chamo de purificação de Waters (grande trocadilho). À medida que Roger foi ganhando poder, a sua música foi ficando cada vez mais insípida, com cada vez mais foco nas palavras e menos (ou nenhum) na melodia.

Faltam as melodias, mas isso não significa que este álbum não seja capaz de nos tocar. E mais: que este não seja um grande álbum; que é. Mas poderia ser muito melhor e esse é que é o problema.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Pink Floyd - "In The Flesh?"

"So ya, thought ya, might like to... go the show!"




Quem conhece os cantos à casa aqui do blog, já decerto terá reparado no makeover a que ele foi submetido. Esta nova (temporária?) face do tasco deve-se à comemoração de uma efeméride deveras importante.

Passo a anunciar:
Acabei de comprar bilhetes para ir a Londres, ao Estádio do Wembley, ver o espectáculo "The Wall Live" de Roger Waters.

É isto. Escusado será dizer que estou nas nuvens! :)



Em primeiro lugar, ir ao estádio do Wembley, ver um concerto, sempre foi um sonho para mim. Se eu sou assim, quem sou e como sou, muito o devo àquele maravilhoso concerto dos Queen no velhinho Wembley - o "Live At Wembley '86" - com o qual eu cresci.
Foi a exposição numa idade tão tenra (segundo o meu Pai, com apenas 3 anos) àquele filme, em incessantes repetições numa (hoje decrépita) cassete de VHS (mais uma vez recorrendo ao meu Pai, a exposição era praticamente diária) que me fez chegar até aqui.
Não fosse aquele filme e hoje, mais que provavelmente não escreveria neste blog. Em vez de torrar dinheiro em música (desde concertos, a CD's, DVD's, Vinyl e por aí fora...), talvez o meu hobby fosse filatelia ou numismática e seria certamente uma pessoa bem mais aborrecida. O meu obrigado ao meu Pai, por me expor àquela maravilhosa cassete.
Mas já estou a divagar.

A verdade é que o Estádio do Wembley sempre fez parte do meu imaginário, desde criança, até aos dias de hoje. Até a minha banda de adolescência - os Oasis - tocaram ali e lançaram um álbum (e correspondente vídeo) ao vivo para marcar a ocasião.



É verdade que já lá não está o velhinho e mítico Estádio do Wembley. Já não é o mesmo edifício onde tocaram os Queen, ou onde o Rei Mercury brilhou no Live Aid. Mas o local é o mesmo e o misticismo mora todo ali. O novo estádio, inaugurado em 2007 por George Michael, é uma infraestrutura moderna, ainda mais megalómana que a anterior (com capacidade até 105 mil (!!) espectadores para concertos) e mais bem preparada para este tipo de eventos.



Agora pensem comigo: partindo do princípio que é impossível eu ver os Queen de volta ao Wembley (e lamento, mas o somatório Brian May + Roger Taylor + um vocalista amigo, não qualifica como Queen), que melhor ocasião poderia haver para cumprir o sonho de ver ali um concerto, que aquele que é provavelmente o espectáculo mais majestoso da História do Rock, como pude comprovar na visita de Roger Waters ao Pavilhão Atlântico no dia 21 de Março de 2011?

Quando é que vou voltar a ter a chance de ver ao vivo, no emblemático Estádio do Wembley, o Roger Waters, a tocar um dos meus álbuns preferidos e (já agora arrisco), com a provável "aparição especial" de David Gilmour para tocar o solo de "Comfortably Numb" (conforme fez no o2 Arena, em Maio do ano passado)?

Só de pensar em toda esta conjugação de factores, já estou com um orgasmo mental!
Venha daí o 14 de Setembro de 2013!!!! :)


terça-feira, 22 de março de 2011

Pink Floyd - "Comfortably Numb" (Live at Earls Court '80/'81)

"The child is grown, the dream is gone... I have become comfortably numb"



Volvidas 24 horas, ainda estou siderado com o espectáculo "The Wall Live" de Roger Waters em Lisboa.
Faltam-me as palavras. Todos os superlativos me parecem redutores. A língua portuguesa é muito rica, mas não sei se o suficiente para descrever o que presenciei ontem no Pavilhão Atlântico. E mesmo tendo essa riqueza, seria preciso chamar um Fernando Pessoa para obter uma imagem fiel do que se passou.

De forma muito simples e directa, afirmo que "The Wall Live" foi o maior espectáculo Rock que já assisti em toda a minha vida. Ponto. Pode não ter sido o melhor concerto (aí Roger Waters terá que dar o flanco a outro Pink Floyd - David Gilmour ao vivo no Grand Rex em Paris ainda é o concerto da minha vida), mas ficou muito perto disso. Mas em termos de espectáculo, foi simplesmente avassalador. Porcos a voar (tive um porco gigante diante dos meus olhos durante vários minutos), aviões a despenhar-se, guitarristas em gruas, pirotecnia, projecções em vídeo e o muro... o muro! Um muro físico em frente ao palco, escondendo a banda da audiência durante metade do concerto. Sublime.
Tudo isto acompanhado da maravilhosa música de um dos meus álbuns preferidos de sempre: "The Wall", o qual já abordei ontem.

Como referi, ainda estou a digerir tudo o que vi e por isso ainda me faltam as palavras. Pode ser que dentro de algum tempo consiga estruturar um texto com o retrato do que foi o espectáculo "The Wall Live".
Para já, enquanto procuro recuperar o fôlego do carrossel de emoções da última noite, deixo aqui "Comfortably Numb" ao vivo na mítica digressão original de "The Wall", em 1980/1981. Esta digressão terá mesmo dado prejuízo, tal a extravagância do conceito e a dificuldade de aplicação e rentabilização naquela época.


A versão que aqui fica é assim uma mistura das gravações de "Comfortably Numb" ao vivo no Earls Court em Londres, nos dias 9 de Agosto de 1980 e 15 de Junho de 1981, figurando no álbum oficial "Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980–81", que eu recomendo vivamente.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Roger Waters - "One Of My Turns" / "Don't Leave Me Now" (Live in Berlin)

"...we came in?"
"Run to the bedroom, in the suitcase on the left you'll find my favorite axe"



Hoje chega a Lisboa aquele que é um dos maiores, se não o maior, espectáculo da História do Rock: a majestosa apresentação ao vivo do álbum "The Wall".
"The Wall Live" não é um espectáculo de divertimento qualquer. Não é bem disposto, não é alegre e não faz sorrir a plateia. A magia de "The Wall Live" está na profundidade da mensagem e na forma extravagante como é transmitida. Conteúdo e forma.

A forma traduz-se pela construção de um muro físico entre a audiência e o palco durante a primeira parte do espectáculo, sendo que a segunda parte é feita integralmente com o muro à frente da audiência.
O conceito pode ser estranho, mas tem muito que se lhe diga. Desde projecções em vídeo, lasers, bonecos insufláveis gigantes, porcos voadores, destruição de mobílias, guitarristas em gruas... Não faltam elementos para manter os sentidos do público em constante hiperactividade.

O conteúdo é de uma enorme complexidade, mas pode ser dissecado em diversos tópicos simples. O álbum é essencialmente uma obra auto-biográfica de Roger Waters, primeiro abordando os seus problemas de infância, com a dificuldade de adaptação à sociedade, mas principalmente devido à falta do seu pai, morto na 2ª Guerra Mundial, que nunca chegou a conhecer; e depois abordando os conflitos internos resultantes da adaptação à vida de uma estrela Rock.

Assim, "The Wall" retrata a vida de Pink, uma estrela Rock que tem uma infância muito perturbada, atormentada por professores tirânicos e uma mãe sobre-protectora. Quando adulto, Pink também sofre com a dificuldade para lidar com a pressão de ser uma estrela e as suas relações invariavelmente se dissolvem em rasgos de violência, infidelidade, ou abuso de drogas.
A forma que Pink tem de se defender de todos estes traumas é procurando o seu próprio isolamento, confinando-se ao abandono, à margem do resto do Mundo.
Metaforicamente, estes traumas são associados a tijolos no muro (bricks on the wall) e é assim que Pink vai construindo o muro ao longo da primeira parte de "The Wall".

A construção do muro é acompanhada pela espiral de auto-destruição de Pink (levando mesmo à auto-mutilação, vista no filme) e da sua descida à loucura, completa no fim da primeira parte de "The Wall", quando se despede do Mundo ("Goodbye Cruel World") e o último tijolo é colocado no muro.
Pink pensa que finalmente está protegido.

Já do lado de lá do muro, isolado do Mundo, na segunda parte de "The Wall" a crise psicológica de Pink dispara. Pink é assolado por uma letargia ("Comfortably Numb") que o leva a um estado alucinogénico, onde se depara com as suas lutas internas de identidade. Isto culmina num julgamento no seu subconsciente ("The Trial"), onde Pink é acusado de má conduta por todos os personagens da sua vida, nomeadamente de mostrar sentimentos, um crime que teria cometido ao se expor ao Mundo. O veredicto do juíz é a queda do muro, que devolve Pink ao Mundo, completando o seu processo de luta interna.

Esta é a leitura mais linear do conteúdo do álbum. Na prática, a construção do muro é uma técnica usada por todos nós para a luta contra os males que nos atacam, os traumas que nos assolam, os problemas que nos atravessam... O processo de construção do muro/luta interna/queda do muro é algo por que todos já passámos, mais cedo ou mais tarde nas nossas vidas, qualquer que tenha sido o motivo. É uma metáfora com a qual todos nós nos podemos identificar.
É esta a força, é esta a magia de "The Wall".


Se é verdade que este princípio funciona na perfeição para descrever um processo pessoal, não é menos verdade que também pode ser associado a fenómenos bem mais palpáveis. O Muro de Berlim é um caso paradigmático disso mesmo.
Usado para isolar Berlim Leste do Mundo Ocidental, também aqui houve um processo de luta que levou à queda do muro.

Foi na ressaca da queda do Muro de Berlim, que em 1990 Roger Waters deu um concerto na "terra de ninguém", entre Potsdamer Platz e as Portas de Brandenburgo, onde tocou o álbum "The Wall" na íntegra, replicando os concertos da digressão original. Este foi um dos maiores concertos da História do Rock, com uma assistência de aproximadamente 350 000 pessoas e também um dos mais importantes, devido à carga emocional que transportou.


Aqui vemos a sequência "One Of My Turns" / "Don't Leave Me Now", um dos clímaxes do espectáculo, em que o protagonista da história chega ao ponto de ebulição, em rumo descendente na sua espiral de loucura. Uma interpretação magnífica de Roger Waters, completa com a destruição de mobílias de um quarto.

Não sei ao certo o que vou ver, mas é mais ou menos isto que espero no concerto daqui a pouco, quando Roger Waters trouxer a Lisboa a digressão "The Wall Live".

"Isn't this where..."

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Roger Waters - "5:06 AM - Every Stranger's Eyes"

"I recognize myself in every stranger's eyes"



Depois do megalómano projecto "The Wall" e do álbum de despedida "The Final Cut", Roger Waters saiu dos Pink Floyd, na certeza de que os restantes elementos não teriam condições para continuar com a banda. A história provaria que Waters estava enganado...
Foi então que Waters embarcou num ambicioso projecto a solo, o mesmo que tinha sido dado a escolher aos Pink Floyd em detrimento de "The Wall": "The Pros and Cons of Hitch Hiking". Uma vez que o conceito tinha sido rejeitado pelos Pink Floyd, tornou-se no 1º álbum a solo de Roger Waters em 1984.

Este álbum narra um sonho de um homem em tempo real, entre as 04:30 e as 05:12. Para tentar colmatar a ausência de David Gilmour, Waters convidou Eric Clapton para a guitarra no álbum e na digressão subsequente. Mas nem assim o álbum teve grande sucesso... O álbum é muito "morno", sendo frequentemente apelidado entre os fãs como uma snoozefest.
Apesar de tudo, mesmo estando longe de ser um dos pontos altos da carreira de Roger Waters, gosto bastante do álbum e fica aqui o meu tema preferido: "5:06 AM - Every Stranger's Eyes".