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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

George Michael - Listen Without Prejudice 30

"And if these wounds, they are self inflicted. I don't really know how my poor heart could have protected me" 

Nestes dias, sempre que decido escrever sobre um dos meus heróis, sinto que já não tenho mais nada a dizer sobre ele. Não admira. O blog já tem 10 anos e já escrevi (quase) tudo o que tinha para escrever sobre os artistas que marcaram, mudaram e salvaram a minha vida. Não resta nada, penso sempre.

Até que acontece um dia como este, um dia que o meu saudoso avô Artur chamaria sabiamente de um "dia de um filha da puta", um dia em que tudo corre mal, tudo sai ao contrário. Chego a casa com a cabeça em papa, abro o Facebook e vejo que faz hoje exactamente 30 anos que foi lançado o meu álbum favorito de 1990 — "Listen Without Prejudice Vol.1". Nem de propósito, era mesmo este o disco que eu precisava de ouvir. E tal como aconteceu em tantos outros momentos da minha vida, o George apareceu outra vez. Sempre para me salvar o coiro. Sempre quando mais precisava dele.

É por isso que amo o George. Ele esteve lá sempre que eu precisei e a única coisa que pediu em troca foi um pouco de atenção e que eu lhe fosse comprando os (poucos) discos que ia lançando. Nunca lhe faltei com a minha parte.

"Listen Without Prejudice Vol.1" é um álbum pivotal na vida do George. Marca a sua passagem de artista mercantilizado como sex symbol, de boy toy, para o que ele achava ser um artista sério.  George queimou as suas roupas no clip de "Freedom '90" e deixou de aparecer nos próprios vídeos. George já tinha tido a sua Beatlemania e queria agora o seu Imagine. E tal como John, George buscou a sua afirmação artística na procura pelas emoções mais viscerais, na aposta na estética minimalista e adicionou-lhe infusões de Jazz e Bossa Nova que atiraram o álbum "Listen Without Prejudice Vol.1" para um patamar de excelência raramente alcançado na Pop. Não admira que o público americano não o tivesse compreendido.


(Review hilariante do álbum Older, a pedir o George de Faith de volta. Em suma, gente que não gosta do George.)

Lançado a 3 de Setembro de 1990, "Listen Without Prejudice Vol.1" foi um sucesso no UK, onde vendeu ainda mais cópias que "Faith". No US, foi um suicídio artístico. Quem é que o George pensava que era? Armado em Bob Dylan, ou Leonard Cohen? O público americano conhecia o George de calças de ganga, casaco de pele e crucifixo na orelha esquerda e queriam mais. Mas o George estava mais preocupado em ser levado a sério. Sempre demasiado preocupado com o que os outros achavam dele, o nosso George. As putas das inseguranças que o atemorizavam e que o levaram daqui. E que ele deixou tão explícito no tema de fecho do disco, "Waiting (Reprise)": "All those insecurities that have held me down for so long, I can't say I've found a cure for these, but at least I know them, so they're not so strong.". Ninguém escrevia sobre inseguranças como tu, George. Que saudades.

"Please be stronger than your past, the future may still give you a chance"

Fiquem, pois, com um cheirinho late night da obra-prima maior da carreira do George, última faixa do Lado A de LWPv1 — "Cowboys And Angels":


P.S.: Tenho há anos em rascunho um post sobre o nunca lançado "Listen Without Prejudice Vol.2", cancelado devido ao conflito do George com a sua editora, a Sony. Afinal ainda há mais umas coisinhas para escrever.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Nirvana - "Sliver"




Vi o "Supernanny". Não fiquei assim tão chocado


Quem já me leu mais que uma vez, especialmente quando trato de assuntos sociais, sabe que eu sou um libertário por natureza. Creio piamente nas liberdades individuais e apoio qualquer decisão de um indivíduo, seja ela gostar do mesmo sexo, mudar de sexo, recusar sexo, seja ela qual for, desde que venha de um adulto e que não prejudique directamente terceiros. Este princípio serve para tudo e elimina a esmagadora maioria dos argumentos em favor da censura, invariavelmente frutos de insegurança, medo e ignorância. A educação é a chave de tudo, não a censura. Só há uma restrição a este princípio libertário: é que serve unicamente e como refiro em cima, para os adultos.

Só os adultos têm bases comportamentais e cognitivas para tomar decisões responsáveis, ou pelo menos para serem responsabilizados por isso. As crianças, por seu turno, devem ser protegidas e devidamente educadas, de forma a poderem chegar a adultos informados, capazes de tomar decisões com pleno conhecimento do mundo que os rodeia, ou pelo menos para não votarem no Trump ou outras parvoíces como impedir a vacinação dos filhos.

Serve esta longa introdução para contextualizar a polémica do novo programa da SIC. O "Supernanny" é muito basicamente um spinoff o "Pesadelo na Cozinha" com crianças, em que o Stanisic é uma milf. E começo por dizer que na televisão, como no resto, sou igualmente defensor da liberdade total. Acho que todos os conteúdos televisivos devem ser permitidos, desde que, mais uma vez, seja salvaguardada a protecção das crianças.
Exemplo concreto: a pornografia deve ser transmitida em televisão? Deve. (não pode). Mas só a partir da meia-noite. Ao garantir isto, a TV está a zelar pelos interesses da criança. Se houver uma criança a ver TV a partir da meia-noite, a responsabilidade já é dos pais, que já deviam ter posto a criança na caminha àquela hora.
See? Simples.

O caso da "Supernanny" cai numa área cinzenta muito interessante, uma vez que é um programa para adultos (dá às 21:40, 40 minutos depois da hora de lavar os dentes e a 20 minutos da hora em que já eu já me arriscava a uma palmada se não estivesse na caminha), não devendo por isso ser sujeito ao mesmo critério que a programação do Canal Panda. Por outro lado, é um programa com crianças e tem como conteúdo a exploração da sua imagem. Estamos aqui a salvaguardar o superior interesse da protecção das crianças? Nem por isso. Volto ao exemplo de há pouco: a pornografia deve ser transmitida em televisão? Deve. A pornografia infantil deve ser transmitida em televisão? NÃO. Nem o Senhor Televisão se lembrou de uma dessas.

Portanto, a "Supernanny" explora a imagem das crianças? Explora. Isso é condenável? É. Mas não é mais condenável que todos os outros reality shows que também exploram a imagem de crianças. Todos os programas que põem os miúdos a cantar, dançar, ou cozinhar perante um júri, tantas vezes cruel e impiedoso para com as crianças são tão ou mais nocivos e traumáticos que o "Supernanny". E os miúdos na publicidade, com os paizinhos a encher o bolso? E já nem falo nos child actors, que em tantos casos descendem para uma adolescência de drogas e comportamentos desviantes. Mas esse é o preço de vermos o "Sozinho em Casa" no Natal (a propósito, não deixem de ler o artigo "Kevin McCallister is a sexist pig"; a sério, googlem) e de termos aqueles filmes com animais que falam no Domingo à tarde, não é?

Tanto alarido porquê, então? Porque os pais reconhecem muitas das figuras tristes que têm em casa? Provavelmente. As imagens incomodam? Claro que sim. É essa a ideia. Eu não sou pai, por isso talvez não incomode tanto. Mas faz-me muita confusão ver tanto moralista, tão chocado com o "Supernanny" e tão oblívio ao Masterchef Junior e programas derivados. Se é para discutirmos a exploração da imagem das crianças, então discutamos o essencial e proibimos tudo e deixemos o acessório.

P.S.: Relativamente ao último programa. Então a mãe, coitada, não lhe chegava ter que fazer tudo em casa, ainda tem a responsabilidade de educar e disciplinar sozinha os filhos? Depois de uma sessão de insultos e pontapés do fedelho à mãe, o pai chega a casa e ainda tira autoridade à mãe? É só festinhas? Que coninhas de primeira.

P.P.S.: Dispensa-se a perseguição mediática à psicóloga do programa. Que merda de hábito é este de nos focarmos no acessório, em vez do conteúdo. O que é que interessa a vida a vida pessoal da senhora?

P.P.P.S.: A música do post é uma birra de um puto. Foi obviamente escolhida à pressão, por isso não me fodam a cabeça.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

George Michael - "Waiting (Reprise)"

"All those insecurities that have held me down for so long, I can't say I've found a cure for these, but at least I know them, so they're not so strong.
You look for your dreams in heaven, but what the hell are you supposed to do when they come true?"

George, o que foste fazer? A minha namorada ligou-me há uma hora com a notícia que te tinhas ido embora e desde então que me tranquei no quarto e não consigo parar de chorar. Só penso em tudo o que te queria ter dito mas nunca tive a oportunidade. Escrevo-te aqui para te contar tudo o que não pude; para falar na tua importância, em como eras amado e em como te preocupavas demasiado. Esta é a carta do que nunca te disse.

Estou em choque, devastado, no meu velho quarto da casa dos meus pais, a tentar processar que já cá não estás. Calhou receber a notícia aqui porque te foste embora no Natal, logo no Natal, época em que todo o mundo ouve a tua música. Aqui, neste quarto, a tua música sempre se ouviu todo o ano.
Foi dentro destas paredes que eu cresci ao som dos teus álbuns: foi aqui que dancei despreocupadamente com os Wham!, foi aqui que me revi nas tuas inseguranças — essas malditas inseguranças que te perseguiram e te levaram — e foi aqui que me senti protegido pela tua voz. Por me teres ajudado quando precisei, sempre te defendi acerrimamente. Fi-lo na escola, quando não havia nada mais uncool do que gostar de ti e fi-lo até agora, que ainda subsiste esse estigma idiota. Acredita, sempre fiz tudo o que pude para te defender.

Ainda assim, não consigo deixar de pensar que podia ter feito mais. Queria ter tido a chance de te dizer que te amava, que meio mundo te amava e que todos te amávamos incondicionalmente porque eras o George Michael. Não era preciso preocupares-te em ser outra coisa qualquer, estava tudo bem em seres "apenas" o George Michael. Tinhas ganho esse direito. Eras teimoso, mas talvez as coisas pudessem ter sido diferentes se me ouvisses.

Conhecia-te bem.  Sabia dos teus traumas, dos teus fantasmas e dos teus vícios. Sabia que eras um homem complexo, cheio de vícios adultos, mas no fundo só um menino perdido e frágil. Sabia do teu medo de envelhecer. Quando me mandei para Madrid sozinho só para te ver e tu sacaste de um tema obscuro do teu amigo Elton — "Idol", um dos meus preferidos dele —, eu percebi que estavas a cantar sobre ti e as tuas inseguranças. E pensei que aquilo podia ser sobre mim também. E desatei ali a chorar compulsivamente.

A minha vida foi cheia de ti. A primeira grande viagem que fiz foi quando peguei corajosamente no carro e fui de Lisboa a Coimbra para te ver. A primeira vez que viajei para fora do país sozinho foi quando apanhei um avião para Madrid para te ver. A minha namorada, só o é, por causa de ti; porque na noite em que nos conhecemos lhe disse que gostava de Wham! e ela me desafiou a nomear o meu tema preferido da banda. Quando lhe cantei o refrão do "The Edge Of Heaven", ganhei a miúda. Era esta a importância que tinhas na vida das pessoas. O teu legado é imortal.

Agora que já cá não estás e que o mundo chora o teu desaparecimento, estou convicto que já estamos preparado para reconhecer o génio que foste e enfim apreciar a tua obra conforme tu nos aconselhaste: "ouvir sem preconceitos". 

Love you, George. The world is going to be a shittier, shittier place without you.

Edit: post original publicado às 4 da manhã, poucas horas depois da morte do George. Revisto em cima.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Héroes del Silencio - "Entre dos Tierras"

"Entre dos tierras estás y no dejas aire que respirar"




"Déjame!! Que yo no tengo la culpa de verte caer, si yo no tengo la culpa de ver que..."

Numa das muitas tertúlias musicais que tinha em tempos com um velho amigo, um dia mencionei esta famosa introdução de guitarra em delay ("tan (tan tan) tan (tan tan)"... e por aí fora), ao que ele sorriu e disse: "Estes espanhóis sabem o que fazem".
E sabem mesmo.

O tema é o fabuloso "Entre Dos Tierras" dos Heroes Del Silencio, um hino Rock latino, que me acompanhou ao longo de várias fases da minha vida.
Aquando do seu lançamento, em 1990, como single de avanço do álbum "Senderos de Traicion" (que foi recentemente eleito pela Rolling Stone como o 2º melhor álbum espanhol de sempre), "Entre Dos Tierras" foi um smash hit não só em toda a Espanha, mas também nas rádios locais de onde eu cresci. Durante um longo período de tempo, não havia dia nenhum que não ouvisse este tema inadvertidamente, pelo menos uma vez.


Os anos passaram e eu deixei de ouvir "Entre Dos Tierras" com tanta frequência.
Passara para a época eu que teria que ser eu a procurar a música que queria ouvir. E assim surgiu novamente "Entre Dos Tierras", que adoptei como uma espécie de hino da noite na juventude.
Neste sentido, costumo dizer que há sempre uma maneira de salvar uma noite, mesmo as mais amorfas: é com Heroes Del Silencio e este imperdível "Entre Dos Tierras". Não sendo propriamente um êxito recente, é por isso inevitável que este seja um dos temas que mais requesitei a DJ's ao longo dos anos.

Para mim, "Entre Dos Tierras" não só o melhor tema que conheço do Rock espanhol (diria até do Rock não falado em inglês), como também um dos melhores temas Rock de sempre.
Mais do que isso, "Entre Dos Tierras" tornar-se-ia também num dos temas preferidos do meu Pai, o que faz com que aquela entrada com as guitarras em delay signifique muito mais do que a chegada de mais um tema Rock... mas sim uma experiência familiar.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Roger Waters - "One Of My Turns" / "Don't Leave Me Now" (Live in Berlin)

"...we came in?"
"Run to the bedroom, in the suitcase on the left you'll find my favorite axe"



Hoje chega a Lisboa aquele que é um dos maiores, se não o maior, espectáculo da História do Rock: a majestosa apresentação ao vivo do álbum "The Wall".
"The Wall Live" não é um espectáculo de divertimento qualquer. Não é bem disposto, não é alegre e não faz sorrir a plateia. A magia de "The Wall Live" está na profundidade da mensagem e na forma extravagante como é transmitida. Conteúdo e forma.

A forma traduz-se pela construção de um muro físico entre a audiência e o palco durante a primeira parte do espectáculo, sendo que a segunda parte é feita integralmente com o muro à frente da audiência.
O conceito pode ser estranho, mas tem muito que se lhe diga. Desde projecções em vídeo, lasers, bonecos insufláveis gigantes, porcos voadores, destruição de mobílias, guitarristas em gruas... Não faltam elementos para manter os sentidos do público em constante hiperactividade.

O conteúdo é de uma enorme complexidade, mas pode ser dissecado em diversos tópicos simples. O álbum é essencialmente uma obra auto-biográfica de Roger Waters, primeiro abordando os seus problemas de infância, com a dificuldade de adaptação à sociedade, mas principalmente devido à falta do seu pai, morto na 2ª Guerra Mundial, que nunca chegou a conhecer; e depois abordando os conflitos internos resultantes da adaptação à vida de uma estrela Rock.

Assim, "The Wall" retrata a vida de Pink, uma estrela Rock que tem uma infância muito perturbada, atormentada por professores tirânicos e uma mãe sobre-protectora. Quando adulto, Pink também sofre com a dificuldade para lidar com a pressão de ser uma estrela e as suas relações invariavelmente se dissolvem em rasgos de violência, infidelidade, ou abuso de drogas.
A forma que Pink tem de se defender de todos estes traumas é procurando o seu próprio isolamento, confinando-se ao abandono, à margem do resto do Mundo.
Metaforicamente, estes traumas são associados a tijolos no muro (bricks on the wall) e é assim que Pink vai construindo o muro ao longo da primeira parte de "The Wall".

A construção do muro é acompanhada pela espiral de auto-destruição de Pink (levando mesmo à auto-mutilação, vista no filme) e da sua descida à loucura, completa no fim da primeira parte de "The Wall", quando se despede do Mundo ("Goodbye Cruel World") e o último tijolo é colocado no muro.
Pink pensa que finalmente está protegido.

Já do lado de lá do muro, isolado do Mundo, na segunda parte de "The Wall" a crise psicológica de Pink dispara. Pink é assolado por uma letargia ("Comfortably Numb") que o leva a um estado alucinogénico, onde se depara com as suas lutas internas de identidade. Isto culmina num julgamento no seu subconsciente ("The Trial"), onde Pink é acusado de má conduta por todos os personagens da sua vida, nomeadamente de mostrar sentimentos, um crime que teria cometido ao se expor ao Mundo. O veredicto do juíz é a queda do muro, que devolve Pink ao Mundo, completando o seu processo de luta interna.

Esta é a leitura mais linear do conteúdo do álbum. Na prática, a construção do muro é uma técnica usada por todos nós para a luta contra os males que nos atacam, os traumas que nos assolam, os problemas que nos atravessam... O processo de construção do muro/luta interna/queda do muro é algo por que todos já passámos, mais cedo ou mais tarde nas nossas vidas, qualquer que tenha sido o motivo. É uma metáfora com a qual todos nós nos podemos identificar.
É esta a força, é esta a magia de "The Wall".


Se é verdade que este princípio funciona na perfeição para descrever um processo pessoal, não é menos verdade que também pode ser associado a fenómenos bem mais palpáveis. O Muro de Berlim é um caso paradigmático disso mesmo.
Usado para isolar Berlim Leste do Mundo Ocidental, também aqui houve um processo de luta que levou à queda do muro.

Foi na ressaca da queda do Muro de Berlim, que em 1990 Roger Waters deu um concerto na "terra de ninguém", entre Potsdamer Platz e as Portas de Brandenburgo, onde tocou o álbum "The Wall" na íntegra, replicando os concertos da digressão original. Este foi um dos maiores concertos da História do Rock, com uma assistência de aproximadamente 350 000 pessoas e também um dos mais importantes, devido à carga emocional que transportou.


Aqui vemos a sequência "One Of My Turns" / "Don't Leave Me Now", um dos clímaxes do espectáculo, em que o protagonista da história chega ao ponto de ebulição, em rumo descendente na sua espiral de loucura. Uma interpretação magnífica de Roger Waters, completa com a destruição de mobílias de um quarto.

Não sei ao certo o que vou ver, mas é mais ou menos isto que espero no concerto daqui a pouco, quando Roger Waters trouxer a Lisboa a digressão "The Wall Live".

"Isn't this where..."

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Gary Moore - "Still Got The Blues"

"So long, it was so long ago... but I still got the blues for you"



Esta semana foi-se mais um dos Grandes.
Foi no último Domingo que Gary Moore sofreu um ataque cardíaco fatal, quando se acabara de instalar num Hotel na Costa do Sol, em Espanha. Gary Moore tinha 56 anos e foi cedo. Nunca tive oportunidade de o ver...

Como sempre acontece com os grandes artistas, eles vêm e vão, mas deixam a sua marca. No caso de Gary Moore, essa marca ficou vincada em diversos lugares, em especial nos Thin Lizzy, uma das mais aclamadas bandas Glam Rock do Reino Unido.

No seu texto de tributo a Gary Moore, Roger Taylor - o baterista dos Queen - descreve-o como um "virtuoso", um "guitarrista dotado de uma velocidade estonteante" e "especialista em sequências de staccato". Um "Star Player".

Contudo, o grande predicado de Gary Moore era mesmo o Blues. Era algo que lhe estava no ADN. Influenciado por referências do Blues como John Lee Hooker ou B.B. King (com quem chegou a partilhar o palco), Gary Moore trouxe o Blues para o Rock, usando a lendária guitarra Gibson Les Paul.


Para mim, o seu momento alto foi em 1990, quando regressara a um registo mais próximo das suas raízes do Blues, com o tema (e álbum do mesmo nome) "Still Got The Blues".
Que balada. É impossível resistir ao riff deste tema.
"Still Got The Blues" será para sempre recordado, seja nos programas nocturnos da Rádio, seja nos anúncios da Televendas a compilações de Blues. É um tema que perdurará muito tempo e assim será com o seu nome.

domingo, 14 de novembro de 2010

Rui Veloso - "Não Há Estrelas No Céu" (ao vivo no Coliseu '90)

"Vou por aí às escondidas, a espreitar às janelas, perdido nas avenidas e achado nas vielas"


Ontem ao navegar tranquilamente numa loja online, soube que tinha sido lançado uma edição comemorativa do 20º aniversário do álbum ex libris do Rui Veloso: "Mingos & Os Samurais". A edição especial continha o álbum original remasterizado e um DVD com o mítico concerto gravado pela RTP no Coliseu dos Recreios em 1990. Ora, sendo este um dos meus álbuns preferidos de música portuguesa e estando há anos à procura duma gravação decente deste concerto, corri para a loja mais próxima para comprar isto! E apesar de alguns contras, valeu a pena!

Em primeiro lugar, os contras: acho triste que a reedição daquele que é possivelmente o melhor álbum Rock português de sempre tenha sido tão pouco promovida. Nem sequer há uma menção no site do Rui Veloso... Não se compreende.
Depois, já li que o concerto não está completo, o que a ser verdade, é pena. Mas possivelmente isto é tudo o que foi gravado... Também é pena que o concerto esteja em Mono, percebe-se pela qualidade da imagem e do som que as fitas originais não foram muito bem tratadas pelo tempo...

Agora, os prós: a qualidade da embalagem desta edição é fenomenal, digna de uma edição especial de um qualquer artista internacional. A inclusão do DVD é uma ideia fantástica, que eu já esperava há muitos anos. Parece que alguém me leu a mente... O concerto em si é excelente e só por isto vale a pena comprar esta edição, mesmo para aqueles que, como eu, já tinham o álbum original em CD.

Quanto à remasterização do álbum, ainda não a ouvi, mas confesso que não me interessa por aí além, uma vez que a edição anterior em CD tinha grande qualidade sonora.

A música faz parte do imaginário da minha infância. O álbum foi lançado quando eu tinha ainda 4 anos e teve um impacto estrondoso na cultura portuguesa. De repente, parecia que temas como "Não Há Estrelas No Céu", ou "A Paixão (Segundo Nicolau Da Viola)" tinham estado sempre ali, tal a altíssima rotação que tinham nas rádios e na televisão. Para mim, que tinha o álbum em casa, era muito mais que isso. Todo o álbum tinha sonoridades que me chamavam a atenção e me prendiam. Não sabia o que era, mas sabia que gostava. E foi assim cresci com a história da banda desconhecida mais conhecida do Porto...

Em baixo fica o press-release da EMI Portugal:

2010 é um ano de grandes datas para Rui Veloso. É o ano em que se assinalam os seus 30 anos de carreira e, simultaneamente, 20 anos sobre a edição do álbum “Mingos & os Samurais”.Para celebrar a data, “Mingos & os Samurais” será reeditado no próximo dia 08 de Novembro. Edição especial 20º aniversário em digipack do CD-duplo com o som remasterizado a que se junta um DVD-bónus inédito com o filme de um dos míticos concertos realizados no Coliseu dos Recreios em 1990, filmado pela RTP. Recuemos a 1990. O ano arranca com a concretização de um velho sonho: Rui Veloso toca ao vivo com B.B. King; concertos no mês de Março em Lisboa e no Porto. Durante este ano apresenta-se pela primeira vez ao vivo no estrangeiro, em Toronto (Canadá).Em Maio, mesmo antes da edição do disco, inicia em Lisboa a digressão “Mingos & os Samurais” no Campo Pequeno. Sala esgotada. No início de Agosto chega, finalmente, às lojas o duplo-álbum “Mingos & os Samurais”. É a realização de um sonho antigo da dupla Rui Veloso/ Carlos Tê e a materialização de um disco que começou a desenhar-se no início da década de 80.


O êxito é estrondoso: Platina no dia de edição; em pouco mais de quatro meses, chega às Sete Platinas! Mais: “Mingos & os Samurais” ocupa o 1º lugar do top durante 24 semanas! Os temas “Não há Estrelas no Céu” e “A Paixão (segundo Nicolau da Viola)” são os maiores êxitos desse ano.Em Outubro apresenta-se ao vivo em Lisboa e no Porto. Realiza seis concertos esgotados nos Coliseus de Lisboa e Porto. O impacto de “Mingos & os Samurais” é tal que o alinhamento do concerto é feito apenas com os temas do novo disco; apenas nos encores surgem músicas de álbuns anteriores.


Em Dezembro, actua para 12.000 pessoas no Pavilhão do Dramático, em Cascais, feito nunca antes alcançado por qualquer artista português. Novembro de 2010 será o mês em que as comemorações dos 30 anos de Rui Veloso atingem o seu ponto alto. A juntar-se à edição especial 20º aniversário de “Mingos & Samurais”, Rui Veloso realiza os grandes concertos comemorativos dos 30 anos de carreira nos Coliseus do Porto e Lisboa, dias 07 e 17 de Novembro, respectivamente. Concertos cuja primeira parte será inteiramente dedicada ao álbum “Mingos & os Samurais”, com a presença dos Optimistas, banda original dos espectáculos do disco. O aúdio dos CD’s “Mingos & os Samurais” foi remasterizado no Masterdisk Studios, em Nova Iorque, por Andy VanDette.