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domingo, 21 de outubro de 2012

Guns N' Roses - "Out Ta Get Me" (Live At The Ritz '88)

‎"I don't know, what by chance, the television audience will see... what anyone will see.
But what we'll see tonight..."



"We want to dedicate this song to the people that try to hold you back!
The people that tell you how to live!
People that tell you how to dress!
People that tell you how to talk!
People that tell you what you can say, and what you can't say...
I personally don't need that! I don't need that shit in my life!
Those are the kind of people that get me down. They make me feel like somebody, somebody out there... is OUT TA GET ME!"

Para lá das minhas bandas preferidas de sempre - os Queen e os Pink Floyd - bandas de quem sou fã desde que me lembro de existir e que acompanharam o meu crescimento como Homem e como ouvinte, houve 3 artistas/bandas que revolucionaram a minha vida: nos despreocupados anos de adolescência, pré-faculdade, houve os Oasis; mais recentemente, quando comecei a provar os sabores amargos da vida, apareceu Bruce Springsteen; e entre estes dois, vivia eu os meus revoltados anos de faculdade, os Guns N' Roses. Foram estes os artistas que maior impacto tiveram em mim.



Nos árduos anos do Técnico, o impacto dos Guns N' Roses na minha vida foi completamente transversal. A música dos Guns trouxe-me o ímpeto da revolta: fez-me virar contra o estado das coisas que passavam à minha volta e, mais importante que isso, tomar atitudes nesse sentido.

Mudou a música que ouvia.
Os Guns foram o ponto de partida para toda a música mais pesada que comecei a ouvir a partir daqui, desde o Heavy dos clássicos Deep Purple, Black Sabbath, ou Led Zeppelin, até ao Thrash Metal dos Metallica.

Mudou a roupa que vestia.
A partir do momento em que mergulhei na tecnosfera dos Guns, defini um estilo de roupa que me acompanha até hoje: calças de ganga, T-shirt, casaco de cabedal preto e óculos Ray-Ban Aviator. Basta olhar para a foto no meu perfil para se perceber a ideia.
O estilo acompanha-me até hoje, sim, mas desde que saí da faculdade apenas aos fins-de-semana. Durante a semana, outro estilo mais formal se desenvolveu, mas sempre pincelado com o original, nunca prescindindo do casaco de cabedal, nem dos óculos.
You are what you wear, já diz o ditado.

Mudou o penteado que usava.
Esta foi uma das maiores revoluções, que o diga a minha namorada da altura. Do corte "jovem" de cabelo espetado e moldado com gel, passei a usar longos cabelos ondulados. Ah e barba comprida, também. De barba e cabelos compridos, se vestisse um manto branco e aparecesse sem aviso nas instalações do antigo cinema Império, era capaz de confundir algumas cabeças.
Infelizmente este penteado não foi muito duradouro; depois de muitos desgostos às minhas avós, acabaria por desaparecer poucos dias antes de começar a trabalhar. Contingências da sociedade.

Mudou a minha forma de pensar.
Dentro das certezas que compõem o motor que move a nossa vida, todos temos as nossas dúvidas. Nesta fase, algumas foram colocadas de cima da mesa.
Tudo foi posto em causa na minha vida. O que é que eu andava a fazer? Os estudos universitários eram o caminho correcto? Era feliz? Era preciso romper com algo que se passava na minha vida? Os dogmas que carregava faziam algum sentido?

Neste ímpeto de revolução, passou mesmo pela minha cabeça deixar os estudos de Engenharia e enveredar pela... rádio. Depois de uma chamada telefónica ébria com a minha mãe, a ideia foi obviamente abortada. Mas ficou para sempre implantada no sub-consciente...

Em suma, a música dos Guns N' Roses mudou a música que eu ouvia, mudou a roupa que eu vestia, mudou o penteado que eu usava e mudou até a forma como eu pensava relativamente a alguns assuntos.
Se isto não encarna o poder da música numa pessoa, então não sei o que será.

Todo este poder teve como base não só a música dos Guns N' Roses, mas também a sua imagem. Principalmente a imagem do concerto que deram no Ritz Hotel, em Nova Iorque, na noite de 2 de Fevereiro de 1988. O DVD deste concerto foi tocado tantas vezes pelo meu leitor, que praticamente gastou o disco.
A música que os Guns tocavam, a maneira como eles se vestiam, a forma como eles se mexiam... Para um jovem que acabara de chegar sozinho à grande cidade, tudo ali puxou o gatilho da mudança na minha vida.

O tema que aqui fica é "Out Ta Get Me", parte do superlativo "Appetite For Destruction", álbum epitomador da revolta contra a sociedade. Antes de Izzy e Slash arrancarem com o riff de "Out Ta Get Me", Axl Rose faz um dos discursos mais inflamados que já ouvi num concerto rock, combustível para os ouvidos de um jovem revoltado. Puro veneno.


Na crista da crescente onda de sucesso do álbum "Appetite For Destruction" (lançado a Julho de 1987), os Guns mostraram-se aqui na sua forma pura e crua: um gangue de miúdos rebeldes, cheios de álcool e drogas no corpo; a tocar Rock pesado, reminiscente das bandas dos anos 70, mas com o cabelo das bandas de Hair Metal de então.
O mais electrizante os concertos Rock em filme. Pode mudar uma vida. A minha mudou.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Chris Rea - "Driving Home For Christmas"

"Oh, I got red lights on the run, but soon there'll be a freeway
Get my feet on holy ground..."



O próximo tema de Natal é "Driving Home For Christmas" de Chris Rea.
"Driving Home For Christmas" foi lançado originalmente em 1988, como um single fora de um álbum. Não é uma das músicas de Natal mais conhecidas, mas é uma das minhas preferidas, uma vez que relata algo que nos é familiar a todos: a viagem para casa no Natal.



"Driving home for Christmas... with a thousand memories"

E porque já estamos perto da data, é exactamente isto que eu vou fazer agora.

"I take look at the driver next to me, he's just the same"

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Freddie Mercury & Montserrat Caballé - "The Fallen Priest"

"Mercurial more wayward by the hour... The shackles fall away, I'm in your power!"



No dia em que faz 19 anos que Freddie Mercury nos deixou (bem como outras efemérides a nível pessoal), deixo aqui um tema do fabuloso álbum "Barcelona" de 1988, em dueto com Montserrat Caballé.

Segundo consta, em 1987 Freddie Mercury já sabia da sua doença e que não tinha muitos anos de vida, pelo que quis começar a fazer tudo aquilo que sempre havia desejado, antes de morrer. Foi neste espírito que Freddie procurou Montserrat Caballé, enviou-lhe um disco com o tema "Exercises In Free Love" e assim a convenceu a marcar um encontro.

Este encontro resultou numa longa noite de improviso, ao piano, em casa de Freddie Mercury, no fim da qual Montserrat concordou não só gravar um tema com Freddie, mas sim um álbum inteiro! E assim nasceu o projecto "Barcelona", que mais tarde seria a banda sonora dos Jogos Olímpicos de 1992.

Tratando-se do "Rei", não é fácil escolher um tema. Como todos já conhecem o tema-título "Barcelona", fica aqui "The Fallen Priest", uma opereta escrita por Freddie e Mike Moran, com letra de Tim Rice. Tanto Mike Moran, virtuoso pianista e famoso produtor, como Tim Rice, aclamado letrista de ópera, foram chamados para ajudar Freddie Mercury, que queria fazer ópera "a sério", ao contrário da maioria dos artistas rock que tentavam experiências dentro deste género e que Freddie achava que faziam trabalhos embaraçosos.

Este tema relata a história de amor proibido de um padre (ao bom estilo da ópera) e tem diversos momentos de cortar a respiração, mas para mim há um que sobressai: quando no meio do diálogo entre o padre (Freddie) e Montserrat, Freddie canta a plenos pulmões:

"I am a man of God, I should not be here with you!"

Imperdível.