"Come on, rise up!"
Reza a História que logo a seguir aos atentados de 11 de Setembro de 2001, enquanto os orgulhosos Estados Unidos da América tentavam colar os cacos de um país despedaçado, alguém viu Bruce Springsteen na rua e gritou:
"Bruce, we need you now!"
Bruce respondeu à chamada e reuniu a lendária
E Street Band, para gravar o seu primeiro álbum desde "Born In The U.S.A." de 1984. Naquele momento, mais do que nunca, os EUA precisavam de Bruce Springsteen e o
Boss não os desiludiu. O resultado foi "The Rising" - um álbum que serviu de catarse para o orgulho americano, um álbum que serviu não só para carpir as mágoas de todos os que perderam os seus entes queridos, mas também para lhes apontar um caminho.
Na ressaca dos atentados de 9/11, muitos foram os artistas que se inspiraram naqueles acontecimentos e lançaram álbuns sobre essa temática… e depois houve Bruce Springsteen.
"The Rising" é uma das mais cabais obras sobre a perseverança, é uma ode à esperança. Bruce convoca aquela força interior que desconhecíamos até nos depararmos com uma situação adversa, seja essa situação uma tragédia como a perda de um familiar ou de um amigo num atentado (como o 9/11), um acidente, ou a dissolução de uma relação. Ao longo de todo o álbum percorre-se um sentimento de perda. Mas "The Rising" é uma receita de como
dar a volta por cima, rogar a verdadeira natureza humana, a força necessária para dobrar uma situação.
"My City Of Ruins" foi escrito em Novembro de 2000 para um evento de beneficência em Asbury Park, bairro natal de Bruce, que havia baptizado o seu primeiro álbum "Greetings From Asbury Park, NJ". O significado original do tema era o abandono a que o seu bairro tinha sido vetado, mas depois do 9/11, "Ruins" ganhou todo um novo significado.
Bruce tocou o tema no
America: A Tribute to Heroes - o concerto de apoio aos familiares das vítimas do
11 de Setembro - apenas com a sua guitarra e a sua harmónica. "My City Of Ruins" serviu de abertura do programa, com Bruce a introduzir como "uma reza pelos nossos irmãos e irmãs perdidos". Foi um dos pontos altos da noite.
"Now tell me how do I begin again?"
Como é que eu começo de novo? O que é que eu faço? "The Rising" não se limita a fazer as perguntas, os dilemas que nos colocamos depois de uma tragédia. Mais do que isso, este álbum dá as respostas.
Com "The Rising", Bruce mostra também a sua faceta de messias, alguém que para além de saber apontar os problemas da sociedade (como fez ao longo da maior parte da sua carreira), sabe igualmente apontar as suas valências e mostrar o seu lado mais humano, mais redentor.
Áfinal, Bruce também sabe fazer canções de esperança.