quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Oasis - "Rock 'n' Roll Star"

"Tonaaaaaaaaaaaaaaaa-a-ait, I'm a rock n' roll staaaaar"



"I've pretty much summed up everything I wanted to say in "Rock 'n' Roll Star", "Live Forever" and "Cigarettes & Alcohol", after that I'm repeating myself". 
Noel Gallagher

Hoje vou contar a história de um rapaz. Era uma vez um rapaz que, sem o querer, entrava na adolescência. Contudo, não sabia bem lidar com isso; não estava preparado para todas aquelas mudanças. E assim vivia no medo: num medo pueril de não ser fixe; medo de não ser aceite por aquilo que era; medo de que as miúdas não gostassem dele.

Esse rapaz era diferente dos outros. Enquanto os outros se esforçavam para ser iguais aos demais e crescer o mais rapidamente possível, ele não se importava muito com isso. Enquanto os outros ouviam as merdas techno que lhes era impostas pelos idiotas que se achavam rebeldes (mas eram apenas idiotas), ele ouvia a música do seu Pai. Era disso que ele gostava, era isso que o fazia sentir bem, protegido.
Nada do que os amigos lhe garantiam ser buédafixe fazia sentido, nada ressoava na sua cabeça.

Até que um dia esse rapaz descobriu uma banda chamada Oasis. E mais tarde ouviu um álbum chamado "Definitely Maybe". E tudo mudou.


Ao ouvir temas como "Rock 'n' Roll Star", "Cigarettes & Alcohol" e "Live Forever", deu-se uma explosão na sua mente, que definiria aquela que seria a banda mais importante da sua adolescência.
De repente, tudo fazia sentido.
Como um pré-adolescente de classe média, a viver numa remota cidade do interior, o rapaz ouvia Liam cantar sobre tudo o que ele não conhecia, mas ficou com a certeza que queria conhecer.
Gajas, bubadeiras e Rock selvagem. Liam Gallagher falava de tudo aquilo que ele queria ouvir (na verdade era Noel que falava, mas pela voz do irmão). 

A partir desse dia, ele percebeu que não precisava de ser igual aos outros para ser fixe; que não precisava de pertencer ao grupo; que sozinho, poderia enfrentar o Mundo e vencer; que na sua diferença residia o ónus que o poderia tornar mais fixe que os outros todos. Bastaria para tal que ele assumisse... que era mais fixe que os outros todos.
E esse rapaz nunca mais teve medo.

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"Everyday, you get up in the morning, you should live your life like a fookin' rock n' roll star!" 
Liam Gallagher

O impacto que "Definitely Maybe" teve no rapaz que serve de sujeito à história em cima foi bombástico. Não só na forma, como também no conteúdo.
(Acho que já posso revelar que esse rapaz é quem vos escreve)

Depois de ouvir e interiorizar o álbum de estreia dos Oasis, comprei todos os álbuns e os vídeos da banda (não eram muitos) e converti-me. Ouvia os álbuns, via e revia os concertos e os videoclips até à exaustão. Comecei a vestir-me como os irmãos Gallagher e a ostentar alguma (há quem diga que muita) da sua mania.

"In my mind my dreams are real"

Os últimos 2 posts representam as 2 primeiras partes da minha própria Trilogia da Glaciação. O último capítulo desta saga deveria sair agora, mas decidi, adequadamente, não a terminar. E decidi interrompê-la da mesma forma que fiz há mais de 15 anos: com "Definitely Maybe".
(Edit: se atendermos aos últimos 3 posts ("God"/"I Appear Missing"/"Love Is Blindness"), já temos aqui completa a Trilogia, nem era preciso mais nada)

Se há uma lição que se pode tirar de "Definitely Maybe" (e porque não, de toda a discografia dos Oasis) é que a nossa vida é o que fazemos dela; que andar aqui é do caralhão; que estar vivo é do caralhão. "These could be the best days of our lives", indeed.
Às vezes esquecemo-nos disso.
Ontem, como hoje, "Definitely Maybe" está aqui para nos recordar.
As ondas vão e vêm e a vida de quem vive com o coração hasteado num mastro (no pun intended) é uma árdua sinusoidal, cheia de altos e baixos. Mas chegar ao fim do dia e saber que tudo o que se fez, se fez com o coração, é condição suficiente para querer acordar no dia seguinte e fazer tudo de novo.
Porque estar cá é mesmo do caralhão.

"I live my life for the stars that shine"

"Definitely Maybe" não é hoje o meu álbum preferido dos Oasis. Mas foi, no seu tempo, sem dúvida, o mais importante.
Obrigado Noel. Obrigado Liam. Obrigado Oasis.

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Já me esquecia: os Oasis anunciaram hoje que "Definitely Maybe" vai ser lançado em Maio em edição de luxo, daquelas que eu devoro como o Liam Gallagher bebe whisky (ou eu...). Mas mais sobre isso mais tarde...


"It's just rock n' roll!
It's just 
rock n' roll!
It's just 
rock n' roll!
It's just 
rock n' roll!
It's just 
rock n' roll..."

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

U2 - "Love Is Blindness"

"A dangerous idea that almost makes sense."



Do amor.
Porque o amor é uma doença.

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"Love is blindness. I don't want to see."
Da cegueira. 
Porque o amor é a venda que nos tapa os olhos para a realidade que não queremos ver.
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"Won't you wrap the night around me? Take my heart... Love is blindness."
Da rendição. Da mentira.
Porque o amor é a aceitação voluntária de uma ilusão, um ideal que não existe.
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"In a parked car, in a crowded street, you see your love made complete."
Do terrorismo. 
Porque não existe mais cruel forma de terrorismo, do que destroçar um coração.
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"Thread is ripping, the knot is slipping... Love is blindness."
Do descontrolo.
Porque o amor é a corda de sanidade que rompe, a loucura que nos rouba o auto-controlo.
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"Love is clockworks and cold steel. Fingers too numb to feel."
Do desespero. 
Porque o amor é a vida a ferro e fogo, uma bomba-relógio que não sabemos quando vai rebentar.
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"Squeeze the handle, blow out the candle... Love is blindness."
Da escuridão.
Porque o amor é a entrada num quarto escuro de emoções fora do nosso controlo.
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"A little death, without mourning."
Da morte.
Porque morremos um pouco, sempre que o amor não é correspondido.
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"No call and no warning."
Do medo.
Porque o amor não avisa quando ataca.
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"A dangerous idea that almost makes sense."
Do perigo. 
Porque as ideias mais catastróficas são aquelas que quase fazem sentido.
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"Love is drowning in a deep well..."
Do fundo do poço.
Porque o amor nos pode atirar para a mais escura das profundezas.
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"All the secrets, and no one to tell."
Do isolamento.
Porque o amor é uma doença solitária, que mais ninguém pode compreender.
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"Take the money, honey... It's blindness."
Do vazio. 
Porque de nada serve ter os bolsos cheios, quando se tem o coração vazio.

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"Love Is Blindness" é uma canção que fala do amor, mas não de um amor qualquer. 
Fala da cegueira, da rendição, da ilusão, do terrorismo, do descontrolo, do desespero, da escuridão, da morte, do medo, do perigo, do fundo do poço, do isolamento, do vazio, de todos os estilhaços que nos atingem quando o amor rebenta na nossa cara. 
É uma ode ao amor cortante, ao amor atormentado.


Todo o álbum "Achtung Baby" explora a ideia do amor como uma fraqueza, uma deficiência. 
Para trás ficam as visões idílicas do amor que a banda deixara em temas como "All I Want Is You", onde Bono gritava a plenos pulmões que ela era tudo o que queria. Em "Achtung Baby", os U2 afirmam-se como uma banda adulta e retratam o lado escuro do mais complexo conceito da humanidade, da única forma de loucura socialmente aceitável: o amor.

"My heart is where it's always been, my head is something in between"  

"Even Better Than The Real Thing"

Em "Achtung Baby", os U2 mostram a natureza potencialmente destrutiva do amor, como uma força que nos desfigura, nos atemoriza (o medo de voltar a tentar), nos tenta pelo proibido ("Mysterious Ways") e nos leva ao limite do desespero.

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"Love Is Blindness" é uma das mais dilacerantes faixas de toda a carreira dos U2. O tema fecha "Achtung Baby" e resume na perfeição o ambiente escuro e sombrio para onde o álbum nos transporta. Escrito originalmente para Nina Simone, a banda não quis abrir mão do tema e decidiu incluí-lo no seu álbum de transformação. 
The Edge separou-se da sua mulher durante as gravações de "Achtung Baby" e o que ouvimos neste tema é o que o guitarrista dos U2 tinha para dizer sobre o assunto.
Reza a lenda que na gravação do solo presente no álbum, The Edge rebentou várias cordas da sua guitarra. O resultado foi de tal forma estrondoso, que a banda decidiu manter o solo tal como foi gravado.

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Para além de fechar o álbum, "Love Is Blindness" foi também utilizado para fechar os concertos da lendária digressão dos U2 - a ZooTV Tour (amplamente considerada como a melhor da banda, até hoje).


Ao tocar este tema no fim de um espectáculo enérgico como ZooTV, os U2 despediam-se do público da forma mais anti-climática possível. Porém, quando a digressão passou para os estádios, a banda decidiu acrescentar mais uma canção. Mas uma canção especial. Uma canção que fecha o arco de "Achtung Baby" da forma mais mais humana e verdadeira possível:


U2 - "Can't Help Falling In Love"

"Wise men say: 'Only fools rush in'. But I can't help falling in love with you"

Do amor.
Porque por pior doença que o amor seja, não conseguimos viver sem ele.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Queens Of The Stone Age - "I Appear Missing"

"A spitting image of me, except for the heart-shaped hole where the hope runs out"

Foi preciso chegar o 2º mês de 2014 para eu descobrir o melhor álbum de... 2013. Dizia-me um amigo que eu tenho andado a dormir. Tinha razão. Para deixar escapar "...Like Clockwork", só podia mesmo andar a dormir.
Honra seja feita à Rita - a amiga em quem eu mais confio para me apresentar música nova (recente, ou não). Ela raramente falha e aqui, acertou em cheio.



Faz agora uma semana, desde que ela introduziu o tema "I Appear Missing" na minha órbita e desde aí, fiquei agarrado.
Para terem uma ideia da dimensão do impacto sobre mim, segundo os registos do iTunes, já ouvi o tema mais de 30 vezes, isto sem contar com as visualizações no Youtube. Mas não ficamos por aqui: o meu mergulho no álbum mais recente dos Queens Of The Stone Age foi total e segundo os referidos registos, já foi ouvido na íntegra pelo menos 15 vezes. O frenesim absoluto, portanto.
Já não tinha um entusiasmo tão grande por um álbum novo desde 2011 e "Noel Gallagher's High Flying Birds".

Para Josh Homme - o vocalista, letrista e força motriz dos Queens Of The Stone Age - "...Like Clockwork" foi o produto de um processo de gestação muito complicado.
Para percebermos melhor a génese deste álbum, um pouco de História (esta foi também uma semana de estudo): desde 1998 até 2009, entre os QotSA, os Eagles Of Death Metal (que me foram apresentados como Pigeons Of Shit Metal através de um dos famosos rants de Axl Rose), os Them Crooked Vultures (que juntou Josh a Dave Grohl, dos Foo Fighters e John Paul Jones, dos Led Zeppelin) e os The Desert Sessions (que juntou Josh a um sem número de artistas, num projecto experimental), Josh lançou pelo menos um álbum por ano. Este ritmo de trabalho alucinante é inusitado nos dias de hoje e só comparável aos históricos artistas Rock nos anos 60 e 70. Porém, desde 2009, só se tem ouvido silêncio do músico californiano.
Em 2010, complicações durante uma operação ao joelho deixaram Josh Homme agarrado à cama durante 3 meses, atirando-o para uma depressão profunda. Consta que Josh terá até ponderado retirar-se da música.

O que se passou entre 2010 e Agosto de 2012 - quando os Queens Of The Stone Age regressaram ao estúdio para gravar este álbum - ninguém sabe ao certo. Mas terá sido esse o tempo que levou Josh Homme a marinar um audaz lote de canções, do mais catártico, profundo, honesto e revelador que já ouvi. Falo em audácia, porque contrariando a postura alfa que o caracteriza, Josh abre o livro neste álbum e mostra-nos os capítulos mais obscuros da sua vida.

"...Like Clockwork"  documenta a dobra de Josh Homme. Isto não é Rock pelo Rock, é Rock pela redenção, é Rock pela salvação da sanidade mental.
É aqui que "...Like Clockwork" fala fundo e bate forte no coração do ouvinte. No meu bateu com certeza e bateu com toda a força.
"Where are you hiding, my love? Cast off like a stone.
Feelings, raw and exposed when I'm out of control."

Também não sei o que se terá passado entre Josh e a sua mulher nesta época, mas boa coisa não pode ter sido. Se em "I Appear Missing", Josh descreve as suas lutas internas e os seus problemas de identidade, o que se ouve em "I Sat By The Ocean" parece induzir que a depressão que caía sobre Josh terá cavado uma distância entre ele e a sua mulher.
"Boy if you want love, you’ll have to go find it with someone new.
Do you know who you really are? Are you sure it’s really you?
Lies are a funny thing.
(...)
Silence is closer"
Quem escreve assim não anda na música para brincadeiras.
Este ângulo mais pessoal imprimido por Josh Homme foi acompanhado por uma abordagem mais melódica à música dos Queens Of The Stone Age. Certamente mais melódica do que aquela que os fãs estavam habituados, pelo que "...Like Clockwork" não foi recebido com o entusiasmo que merecia.



O processo de gravação do álbum foi, também ele, muito atribulado, com o baterista da banda Joey Castillo a ser despedido e substituído em metade das faixas por Dave Grohl. Para além de Grohl, o álbum conta ainda com as paticipações especiais de Trent Reznor (Nine Inch Nails), Alex Turner (Arctic Monkeys) e... Elton John. Exactamente, the legend himself, o enorme Elton John também está aqui e definiu "...Like Clockwork" como um dos melhores álbuns Indie Rock (o que quer que isso signifique) de todos os tempos.

Pela minha parte, enquanto tento evitar os superlativos absolutos (defini para mim próprio limitações nesse sentido, à falta de programas de reabilitação para o efeito), sem rodeios vos digo que estamos na presença de um álbum fenomenal, que condensa várias dimensões, musicais e emocionais, do melhor que o Rock nos pode proporcionar. Obrigatório.
Bastou-me uma audição para ficar completamente rendido a "...Like Clockwork". Imediatamente percebi que este foi, hands down, o melhor álbum de 2013 (vá, os superlativos absolutos ainda valem). Essa é uma característica das grandes obras-primas: é fácil reconhecê-las.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

John Lennon - "God"

"God is a concept by which we measure our pain"


A propósito do dia de hoje, mundialmente definido como o dia da celebração (comercial) do amor, deixo aqui a minha visão actual do fenómeno. É um desabafo que vai contra tudo aquilo que eu sempre defendi, tudo o que acredito, mas que reflecte o meu actual estado de espírito: a descrença. Espero que por pouco tempo.

Para tal, recordo "God" - o tema que John Lennon usou para negar todos os ídolos, heróis e messias da cultura popular (entre os quais, os The Beatles).
"I don't believe in magic
I don't believe in I-Ching
I don't believe in Bible
I don't believe in tarot
I don't believe in Hitler
I don't believe in Jesus
I don't believe in Kennedy
I don't believe in Buddha
I don't believe in mantra
I don't believe in Gita
I don't believe in yoga
I don't believe in kings
I don't believe in Elvis

I don't believe in Zimmerman
I don't believe in Beatles (demarco-me desta parte, a música, particularmente a música dos Beatles é das poucas coisas em que ainda acredito)
I just believe in me
Yoko and me
 (aqui acho que não preciso dizer nada)
...and that's reality
 
The dream is over"

"God" foi escrito para "Plastic Ono Band" - o álbum-catarse de John Lennon, o pote onde ele despejou todos os seus traumas, com temas como "Isolation", "Mother", "Working Class Hero", ou "My Mummy's Dead". É o primeiro e o grande álbum a solo de John e é de audição obrigatória.



Fim de desabafo.

Para aliviar, fiquem agora com "Woman", do álbum de despedida de John - "Double Fantasy".



domingo, 9 de fevereiro de 2014

Bruce Springsteen - "Because The Night" (Live at Agora)

Na minha interminável busca pelo concerto perfeito de Bruce Springsteen, há meses que andava à procura da versão perfeita de "Because The Night".

A versão perfeita de "Because The Night" chegou-me originalmente num mp3 de qualidade duvidosa, há mais de 10 anos, via Kazaa - um programa de p2p, que se usava antes do advento das torrents e que serviu para eu construir a minha primeira discografia extensiva.
Na altura, não era ainda hábito "sacar" álbuns inteiros, a velocidade da ligação de internet não o permitia. Começava então por fazer o download das minhas faixas preferidas (normalmente aquelas que ouvia na rádio) e, caso gostasse, mais se seguiriam. A honra máxima para o artista seria levar-me à loja comprar o álbum para ouvir em qualidade decente, passível de levantar o volume ao máximo. Devo relembrar, a qualidade dos mp3 na altura era bastante duvidosa (não costumava ir além dos 128kbs). O dinheiro também não abundava no bolso de um estudante do liceu, por isso a escolha tinha que der criteriosa.

Mas tal era impossível com "Because The Night (Live)". Sacado por entre um molho de temas avulsos de Bruce, esta faixa vinha órfã, que é como quem diz, na linguagem nerdi-musical, sem tags.
Sem identificação, não podia comprar o álbum, porque não sabia de onde vinha. Na altura, presumi que esta era a versão usada no álbum ao vivo mais conhecido - "Live 1975-85".
Uns anos mais tarde, já com dinheiro em caixa para transformar toda aquela discografia digital construída ao longo dos anos em discos palpáveis, comprei o álbum. E choque: não, não era aquela versão.
Qual seria, então?
Anos passaram-se e nunca dei com ela. Ouvi os bootlegs dos concertos mais conhecidos e nunca lá estava. A "versão perfeita" de "Because The Night" parecia jogar às escondidas comigo. Até hoje.

Hoje à noite, vagueando pelo Youtube e pelo espólio aparentemente infindável que lá se pode encontrar, dei sem querer com ela.
Às vezes é assim que funciona a nossa vida: procuramos em vão algo durante muito tempo e depois, sem saber como, ela vem-nos parar às mãos. No caso, aos ouvidos.


Esqueçam a versão da Patti Smith. Esqueçam a versão polida de "The Promise", com a nova faixa vocal. Esqueçam a versão condensada de "Live 1975-85".
Se querem ouvir a verdadeira, a versão perfeita de "Because The Night", ela foi gravada ao vivo a 9 de Agosto de 1978 no Agora, em Cleveland, no lendário "Darkness Tour" e está aqui:



Puxem até ao segundo 17:12 et voilá.


Notem que, à hora que Bruce Springsteen arrancou para a versão perfeita de "Because The Night, ele já levava 3 horas e meia de concerto na garganta. Impressionante.
Que o diga o jornalista de Cleveland que fez a cobertura do concerto:


sábado, 4 de janeiro de 2014

Anathema - "Empty"

"..."




Foi assim que 2013 teve início e assim começa também 2014.
Muito haveria para dizer, mas as palavras estão sufocadas pelo vazio. Hora de criar.

Bom ano para vocês.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Bruce Springsteen - "The Ties That Bind: The Story Of The River"

"Into the river we dive"




Na sequência do último post, em que dei conta da intenção de Bruce Springsteen de lançar uma edição de luxo alusiva a "The River", resolvi perder umas parcas 8 horas da minha vida (mais hora, menos hora) e ajudar Bruce na árdua tarefa de compilar uma caixa completa e satisfatória para os fãs.

Fica assim já feito o meu pedido para o Pai Natal, mesmo sabendo que ele só pode trazer para o ano.
Minhas Senhoras e Meus Senhores, mergulhem no rio comigo, num derradeiro olhar sobre "The River", com:

Bruce Springsteen - "The Ties That Bind: The Story Of The River" [5CD+4DVD] (2014) 


Discos 1 e 2 (2CD): "The River" (1983)
CD1 (LP 1 original):
1. "The Ties That Bind" (3:34)
2. "Sherry Darling" (4:03)
3. "Jackson Cage" (3:04)
4. "Two Hearts" (2:45)
5. "Independence Day" (4:50)
6. "Hungry Heart" (3:19)
7. "Out in the Street" (4:17)
8. "Crush on You" (3:10)
9. "You Can Look (But You Better Not Touch)" (2:37)
10. "I Wanna Marry You" (3:30)
11. "The River" (5:01)
CD2 (LP 2 original):
1. "Point Blank" (6:06)
2. "Cadillac Ranch" (3:03)
3. "I'm a Rocker" (3:36)
4. "Fade Away" (4:46)
5. "Stolen Car" (3:54)
6. "Ramrod" (4:05)
7. "The Price You Pay" (5:29)
8. "Drive All Night" (8:33)
9. "Wreck on the Highway" (3:54) 
Disco 3 (CD): "Deep Inside The River Vol. 1 - The River Tracks" (2014)
1. "Mary Lou" (3:24) - Gravado em 1979.05.30 - “Tracks”
2. "I Wanna Be With You" (3:25) - Gravado em 1979.05.31 - “Tracks”
3. "Bring On the Night" (2:42) - Gravado em 1979.06.13 - “Tracks”
4. "Ricky Wants a Man of Her Own" (2:49) - Gravado em 1979.07.16 - “Tracks”
5. "Dollhouse" (3:36) - Gravado em 1979.08.21 - “Tracks”
6. "From Small Things (Big Things One Day Come)" (2:42) - Gravado em 1979.09.02 - "The Essential"
7. "Where the Bands Are" (3:47) - Gravado em 1979.10.09 - “Tracks”
8. "Living on the Edge of the World" (4:21) - Gravado em 1979.12.07 - “Tracks”
9. "Take 'em as They Come" (4:32) - Gravado em 1980.04.10 - “Tracks”
10. "Restless Nights" (3:49) - Gravado em 1980.04.11 - “Tracks”
11. "Help Up Without A Gun (Live)" (1:21) - Gravado ao vivo em 1980.12.31 no Nassau Coliseum - "The Essential" 
Disco 4 (CD): "Deep Inside The River Vol. 2 - Loose Ends: The Ties That Bind Sessions" (2014)
1. "Roulette" (Rock Mix) (3:57) - Gravado 1979.04.03 - Lado B de "One Step Up"
2. "Point Blank" (Fast) (5:24) - Gravado em 1979.05.29-30 - Inédito
3. "Little White Lies" (2:42) - Gravado em 1979.06.01 - Inédito
4. "The Man Who Got Away" - Gravado em 1979.06.13 / 1979.07.05 - Inédito
5. "Night Fire" - Gravado em 1979.06.13 - Inédito
6. "Under The Gun" - Gravado em 1979.06.14 - Inédito
7. "Do You Want Me To Say Alright" - Gravado em 1979.06.14 - Inédito
8. "Stolen Car" (alternate lyrics) (4:48) - Gravado em 1979.06 - Inédito
9. "The Price You Pay" (additional verse) (5.54) - Gravado em 1979.06 - Previsto para “The Ties That Bind”
10. "Cindy" (2:18) - Gravado em 1979.07.16-17 - Previsto para “The Ties That Bind”
11. "Loose Ends" (4:05) - Gravado em 1979.07.18 - Previsto para “The Ties That Bind”
12. "To Be True" (3:43) - Gravado em 1979.07.21 - Previsto para “The Ties That Bind”
13. "You Can Look (But You Better Not Touch)" (Rockabilly)" (2:12) - Gravado em 1979.08.24-15 - Previsto para “The Ties That Bind” 
Disco 5 (CD): "Deep Inside The River Vol. 3 - Party Lights: The River Sessions" (2014)
1. "Party Lights" - Gravado em 1979.10.08 - Inédito
2. "Dedication" - Gravado em 1979.12.04/06 - Inédito
3. "A Thousand Tears (William Davis)" - Gravado em 1980.01.31-02.01 - Inédito
4. "Angelyne" - Gravado em 1980.02.01 - Inédito
5. "I Will Be The One" - Gravado em 1980.02.16/26 - Inédito
6. "Chain Lightning" - Gravado em 1980.01.17 - Inédito
7. "Help Up Without A Gun" (1:20) - Gravado em 1980.04 - Lado B de "Hungry Heart"
8. "Time That Never Was" - Gravado em 1980.04.16 - Inédito
9. "Down In White Town" - Gravado em 1980.04.16 - Inédito
10. "Your Love" - Gravado em 1980.07-08 durante as sessões com Gary US Bonds - Inédito
11. "This Little Girl" - Gravado em 1980.06-08 durante as sessões com Gary US Bonds - Inédito 
Disco 6 (DVD/Blu-Ray): "Nassau Year's Eve" (2014)
1980.12.31 Nassau Coliseum, Uniondale, NY, USA (audio)
1. "Night"
2. "Prove It All Night"
3. "Spirit In The Night"
4. "Darkness On The Edge Of Town"
5. "Independence Day"
6. "Who'll Stop The Rain"
7. "This Land Is Your Land"
8. "The Promised Land"
9. "Out In The Street"
10. "Racing In The Street"
11. "The River"
12. "Badlands"
13. "Thunder Road"
14. "Cadillac Ranch"
15. "Sherry Darling"
16. "Hungry Heart"
17. "Merry Christmas Baby"
18. "Fire"
19. "Candy's Room"
20. "Because The Night"
21. "4th Of July, Asbury Park (Sandy)"
22. "Rendezvous"
23. "Fade Away"
24. "The Price You Pay"
25. "Wreck On The Highway"
26. "Two Hearts"
27. "Ramrod"
28. "You Can Look (But You Better Not Touch)"
29. "Held Up Without A Gun"
30. "In The Midnight Hour"
31. "Rosalita (Come Out Tonight)"
32. "Santa Claus Is Coming To Town"
33. "Jungleland"
34. "Born To Run"
35. "Detroit Medley"
36. "I Hear A Train"
37. "Twist And Shout"
38. "Raise Your Hand"
Disco 7 (DVD/Blu-Ray): "Into The River We Dive - The River Live '09" (2014)
2009.11.08 Madison Square Garden, New York, NY, USA (audio)
1. "Wrecking Ball" (com Curt Ramm)
2. "The Ties That Bind"
3. "Sherry Darling"
4. "Jackson Cage"
5. "Two Hearts" / "It Takes Two"
6. "Independence Day"
7. "Hungry Heart"
8. "Out In The Street"
9. "Crush On You"
10. "You Can Look (But You Better Not Touch)"
11. "I Wanna Marry You"
12. "The River"
13. "Point Blank"
14. "Cadillac Ranch"
15. "I'm A Rocker" (com Curt Ramm)
16. "Fade Away"
17. "Stolen Car"
18. "Ramrod"
19. "The Price You Pay"
20. "Drive All Night"
21. "Wreck On The Highway"
22. "Waitin' On A Sunny Day"
23. "Atlantic City"
24. "Badlands"
25. "Born To Run"
26. "Seven Nights To Rock"
27. "Sweet Soul Music "(com Curt Ramm)
28. "No Surrender"
29. "American Land" (com Curt Ramm)
30. "Dancing In The Dark"
31. "Can't Help Falling In Love"
32. "(Your Love Keeps Lifting Me) Higher And Higher" 
Disco 8 (DVD/Blu-Ray): "Thrill Hill Vault - The River Video Extras" (2014)
"No Nukes concert" - 1979.09.21/22 Madison Square Garden, New York, NY, USA
1. "The River"
2. "Thunder Road"
3. "Quarter To Three"
"The River Tour rehearsals" - 1980.09 Claire Brothers Audio, Lititz, PA, USA (Parte 1, Parte 2, Parte 3)
1. "Born To Run"
2. "Prove It All Night"
3. "Tenth Avenue Freeze-Out"
4. "Out in the Street"
5. "The River"
6. "Darkness on the Edge of Town"
7. "Wreck on the Highway"
8. "The Ties That Bind"
9. "The Promised Land"
10. "Thunder Road"
11. "Racing in the Street"
12. "Cadillac Ranch"
13. "Fire"
"Survival Sunday concert" - 1981.06.14 Hollywood Bowl, Los Angeles, CA, USA
1. "This Land Is Your Land"
2. "The Promised Land" (com Jackson Browne)
3. "Jole Blon" (com Gary US Bonds)
4. "Hungry Heart"
5. "Brother John Is Gone" (com todos os artistas)

Disco 9 (DVD/Blu-Ray): "The Ties That Bind: The Story Of The River" (2014)
Documentário

São assim um total de 9 discos - 5 de áudio e 4 de vídeo - que podem mostrar finalmente a verdadeira dimensão do material que Bruce acumulou, nos 2 anos de gravações contínuas (1979 e 1980) que culminaram em "The River".
Na parte áudio, a juntar ao álbum duplo remasterizado, estão 3 discos de temas finalizados, que não couberam no álbum. Exacto. Ao contrário do que aconteceu com as faixas gravadas nas sessões de "Darkness On The Edge Of Town" (muitas delas tiveram que ser completadas para a sua inclusão em "The Promise"), todos os temas que estão nos discos 3, 4 e 5 (que baptizei de "Deep Inside The River") foram gravados nos estúdios The Power Station e estão terminados, ou em estado final de acabamento.

O Disco 3 ("Deep Inside The River Vol. 1 - The River Tracks") é uma espécie de "revisão da matéria dada", compilando os temas que já foram lançados das sessões de gravação de "The River" e que já são conhecidos na sua "versão definitiva". Estes temas apareceram na caixa "Tracks", de 1998 e na compilação "The Essential", de 2003.

O Disco 4 ("Deep Inside The River Vol. 2 - Loose Ends: The Ties That Bind Sessions") refere-se à 1ª fase de sessões de gravação, que decorreu entre Março e Setembro de 1979 e que produziram o álbum "The Ties That Bind". A 21 e 22 de Setembro, Bruce Springsteen deu 2 concertos com a E Street Band no Madison Square Garden, para apoiar os Musicians United for Safe Energy (mais conhecido por No Nukes) e por alguma razão, mudou de ideias. O álbum foi cancelado e a banda voltaria a estúdio para mais um ano de gravações.
A 2ª metade deste disco é composta, na prática, pelas faixas que não puderam ver a luz do dia em 1979.  Elas estão disponíveis em qualidade imaculada (basta carregar nos links para ouvir) e muitas delas representam as "versões definitivas"destes temas.
Pela quantidade de posts que já escrevi sobre a temática, é fácil perceber que o álbum "The Ties That Bind" tem reservado um cantinho no coração muito especial para mim.

O Disco 5 ("Deep Inside The River Vol. 3 - Party Lights: The River Sessions") refere-se à 2ª fase de sessões de gravação, que decorreu entre Outubro de 1979 e Maio de 1980 e que resultaram em "The River".  A maior parte destes temas são inéditos e desconhecidos do público, embora se saiba da sua existência pelos registos presentes nos estúdios The Power Station.

O Disco 6 ("Nassau Year's Eve") é um dos principais atractivos da caixa: um concerto completo em vídeo, da The River Tour. Para aqui escolhi a lendária noite de fim de ano (1980.12.31), ao vivo no Nassau Colisseum, onde Bruce tocou 38 (!!!) temas, num dos concertos mais longos de sempre. O áudio (pelo menos) foi gravado profissionalmente para o lançamento de um álbum ao vivo, sendo que alguns dos temas foram incluídos mais tarde na caixa "Live/1975-85" e outros apareceram noutras compilações. Se não houver vídeo desta noite e não for pedir muito, podem incluir o concerto de fim de ano nos discos 10, 11 e 12.
O único vídeo filmado profissionalmente que se conhece é de 1980.11.24 (Capital Centre, Landover, MD, USA), embora o áudio seja gravado na audiência e por isso de fraca qualidade. Espero uma agrádavel surpresa de Bruce neste capítulo.

O Disco 7 ("Into The River We Dive - The River Live '09") documenta a noite em que Bruce Springsteen tocou - pela primeira e única vez - o álbum "The River" completo e na sequência original, no Madison Square Garden, em 2009. Vale mais como registo histórico, do que outra coisa. Seria seguramente o item menos interessante da caixa.

O Disco 8 ("Thrill Hill Vault - The River Video Extras") resgata todo o vídeo "avulso" que Bruce tenha nos seus cofres. Está aqui o que sabe que existe do concerto de "No Nukes" (embora mais possa existir, quem sabe...), a sua aparição no Hollywood Bowl, para o concerto de beneficência Survival Sunday e ainda a filmagem dos ensaios para a The River Tour. Espero que Bruce nos reserve algumas surpresas para aqui também.

O Disco 9 ("The Ties That Bind: The Story Of The River") é o documentário, à imagem do que já tivemos com "Wings For Wheels" e "The Promise". Que Bruce nos conte a História, pelas suas palavras, de "The River".