sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Bruce Springsteen: Guess the song!

"O quê? Mais um post sobre o Bruce Springsteen?" perguntarão alguns de vós. Se estão surpreendidos, é porque não vêm cá muitas vezes.
Porém, hoje não vou dissertar sobre a música do Bruce, ou sobre os seus épicos concertos. Hoje o assunto hoje é outro. Vamos testar o vosso conhecimento do Bruce Springsteen com um desafio: a cada pictograma em baixo corresponde um tema do Boss, façamos então a correspondência. Quem consegue acertar em mais? Alguém consegue acertar em todos?



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GO GO GO

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Wham! - "I'm Your Man"

"If you're gonna do it, do it right! Do it with me!"


Este fim-de-semana foi de reflexão. Olhei à minha volta e pensei, o que é o Mundo precisa?
A resposta estava logo ali, naquele CD azul que entrou pela minha casa no Inverno de 1997 e que tornou a minha adolescência numa fase bastante menos penosa: o Mundo precisa de mais Wham!.

Apanhando o balanço dos últimos anos, que viram a edição de várias edições de luxo fabulosas, incluindo uma versão expandida de "Faith" - o 1º álbum a solo de George Michael, a Sony deveria mergulhar nos arquivos dos Wham! e fazer uma campanha completa de reedições dos álbuns da banda.
Com isto, aproveitaria também para lançar uma série de pérolas que nunca mais viram a luz do dia, depois dos lançamentos originais em vinil ou em VHS.

O formato de "edição de luxo" já nem é estranho aos Wham!. Em 1986, a banda lançou o seu álbum de despedida "The Final" (um álbum duplo, com um disco de êxitos e outro de material novo) e para os seus fãs mais devotos, os Wham! projectaram uma edição limitada - de 25 mil unidades - de "The Final":


A caixa incluía o duplo LP de "The Final" em vinil dourado, um calendário, uma T-Shirt, um lápis e um bloco de notas, tudo alusivo aos Wham!. Numa era diferente da música e da sua indústria, em que o formato de "edição de luxo" ainda não existia, os Wham! foram pioneiros.

Escusado será dizer que esta edição mora orgulhosamente na minha colecção. Não acreditam? Ora vejam aqui o je, com o duplo LP dourado nas mãos. Sweet.


Mas já me estou a afastar do assunto do post: a reflexão.
Nesta minha onda de meditação, decidi ajudar a Sony a compilar um documento abrangente e definitivo sobre a história dos Wham! e assim nasceu a caixa de 8 discos: "The Final Collection!"(obviamente inspirado na nomenclatura cheia de pontos de exclamação, normalmente utilizada pela banda).

Após uma pesquisa exaustiva nos últimos dias, por sites "especializados" nos Wham! (por razões que me escapam, há muito poucos), pela Wikipedia e pelo Youtube, apresento-vos:

WHAM! - "The Final Collection!" [4CD+4DVD] (2013)

Disco 1 (CD): "Fantastic" (1983)
LP original:
1. "Bad Boys" (3:19)
2. "A Ray Of Sunshine" (4:43)
3. "Love Machine" (3:19)
4. "Wham Rap! (Enjoy What You Do?)" (6:41)
5. "Club Tropicana" (4:28)
6. "Nothing Looks The Same In The Light" (5:53)
7. "Come On!" (4:24)
8. "Young Guns (Go For It!)" (3:55)
Singles + Extras:
9. "Wham Rap!" [7'' Mix - 1982 Single] (3:30) - "Wham Rap! (Enjoy What You Do)" 7": Innervision (UK)
10. "Young Guns (Go For It)" [UK 12'' Mix] (5:10) - "Young Guns (Go For It)" 12": Innervision / IVL A13 2766 (UK); "The Final" Album
11.  "Bad Boys" [12'' Mix] (4:52) - "Bad Boys" 12": Innervision / TA 3143 (UK)
12.  "Wham Rap! (Enjoy What You Do) (Special US Remix Part 1)" [12'' Mix - 1983 Single]  (6:43) - "Wham Rap! (Enjoy What You Do)" 12": Innervision (UK)
13. "A Ray of Sunshine" (Live on The Tube) (4:58) - "Wake Me Up Before You Go-Go"   12": Epic / TA 4440 (UK); Columbia US
14. "Going For It!" (Instrumental) [US 12'' Mix] (4:49) - "Young Guns (Go For It)" 12": Columbia/Innervision 44-03501 (US)
15. "Wham Rap! (Unsocial Mix)" [1982 Single] (6:36) - "Wham Rap! (Enjoy What You Do)" 12": Innervision (UK)


Disco 2 (CD): "Make It Big" (1984)
LP original:
1. "Wake Me Up Before You Go-Go" (3:50)
2. "Everything She Wants" (5:01)
3. "Heartbeat" (4:42)
4. "Like a Baby" (4:12)
5. "Freedom" (5:20)
6. "If You Were There" (3:38)
7. "Credit Card Baby" (5:08)
8. "Careless Whisper" (6:30)
Singles + Extras:
9. "Freedom" ("The Final" Mix ft. trumpets) (5:20) - "The Final" album 
10. "Everything She Wants" (12" Remix) (6:34) - "Everything She Wants" 12": Epic / QTA 4949 (UK)
11. "Wake Me Up Before You Go-Go (Instrumental)" (4:03) - "Wake Me Up Before You Go-Go" 7" / 12": Epic / A / TA 4440 (UK); Columbia US
12. "Hearbeat" (Instrumental)" (4:42) - "Freedom" 12" Maxi Single: Columbia / 44-05238 (US)
13. "Freedom (Long Version)" (7:14) - "Freedom" 12": Epic / TA 4743 (UK)
14. "Everything She Wants (Live in China)" (6:32) - "Foreign Skies" video 
15. "Careless Whisper (Jerry Wexler Special Version)" (5:34) - "Careless Whisper" 12" Maxi: Epic / QTA 4603 (UK) - Special Edition


Disco 3 (CD): "Music from the Edge of Heaven" (1986)
LP original:
1. "The Edge of Heaven"   (4:37)
2. "Battlestations"   (5:25)
3. "I'm Your Man" (6:05)
4. "Wham Rap '86" (6:33)
5. "A Different Corner" (4:33)
6. "Blue (Live in China)" (5:43)
7. "Where Did Your Heart Go? " (5:43)
8. "Last Christmas" (6:44)
Singles + Extras:
9. "I'm Your Man" [7'' Mix] (4:05) - "I'm Your Man" 7": Epic / A 6716 (UK)
10.  "Blue (Armed With Love)" (3:54) - "Club Tropicana" 7": Innervision / A 3613 (UK)
11. "Last Christmas" [1991 Solo Version (Extra Verse)] - "Don't Let The Sun Go Down On Me" (ft Elton John) 12" (US/UK)
12. "I'm Your Man (Extended Stimulation)" (6:53) - "I'm Your Man" 12": Epic / TA 6716 (UK)
13. "A Different Corner (Instrumental)" (4:13) - "A Different Corner" 7" / 12": Epic / A / GTA 7033 (UK)
14. "I'm Your Man (A Cappella)" (4:17) - "I'm Your Man" 12": Epic / TA 6716 (UK)


Disco 4 (CD): "The Edge Of Extras" (2013)
1. "Careless Whisper" (Radio Edit) (5:04) - "Careless Whisper" 7": Epic / A 4603 (UK)
2. "Last Christmas" (Single Mix) (4:24) - "Last Christmas" / "Everything She Wants" 7": Epic / QA 4949 (UK)
3.  "Wham Rap! (Club Mix)" [1982 Single] (4:02) - "Wham Rap! (Enjoy What You Do)" 7": Innervision (UK)
4. "Young Guns (Go For It)" [US 12'' Mix] (6:53) - "Young Guns (Go For It)" 12": Columbia/Innervision 44-03501 (US)
5. "Bad Boys (Instrumental)" (3:25) - "Bad Boys" 7" / 12'': Innervision / A / TA 3143 (UK)
6.  "A Ray Of Sunshine (Instrumental Remix)" (5:40) - "Club Fantastic Megamix" 12": Innervision / TA 3586 (UK)
7.  "Love Machine (Instrumental Remix)" (3:28) - "Fantastic" CD / Cassete 
8.  "Club Tropicana (Instrumental)" (3:31) - "Club Tropicana" 12": Innervision / TA 3613 (UK)
9.  "Nothing Looks The Same In The Light (Instrumental Remix)" (6:40) - "Fantastic" CD / Cassete 
10. "Going For It" (Instrumental) [7'' Mix] (3:40) - "Young Guns (Go For It)" 7": Innervision / IVL A2766 (UK)
11 "Freedom (Instrumental)" (5:10) - 7" / 12'': Epic / A / TA 4743 (UK); 12" Maxi Single: Columbia / 44-05238 (US) 
12. "Do It Right"  (Instrumental) (4:05) - "I'm Your Man" 7" / 12": Epic / A / TA 6716 (UK)
12 "Careless Whisper (Instrumental)" (5:02) - "Careless Whisper" 7": Epic / A 4603 (UK)
13. "Club Fantastic Megamix" [12'' Mix] (8:35) - "Club Fantastic Megamix" 12": Innervision / TA 3586 (UK)
14.  "Soul Boy" [Inédito]
15. "Message from Wham!" - "Everything She Wants" 7": Epic / 07-5p-336 (Japão)


Disco 5 (DVD): "Fantastic Videos"
Videoclips:
1. "Wham Rap! (Enjoy What You Do?)"
2. "Young Guns (Go For It!)"
3. "Bad Boys"
4. "Bad Boys" (alternate)
5. "Club Tropicana"
6. "Wake Me Up Before You Go-Go"
7. "Everything She Wants"
8. "Freedom"
9. "Careless Whisper"
10. "Last Christmas"
11. "I'm Your Man" (Long version)
12. "Where Did Your Heart Go?"
13. "The Edge Of Heaven"
14. "A Different Corner"
Bonus:
15. "Careless Whisper" (Motown at the Apollo 1985.05.04)


Disco 6 (DVD): "Make It Big On The TV"
"Top Of The Pops": 
1. "Young Guns" (1982.11.04)
2. "Wham Rap!" (1983.02.17)
3. "Bad Boys" (1983.05)
4. "Club Tropicana" (1983.08.04)
5. "Wake Me Before You Go-Go" (1984.05.24)
6. "Wake Me Before You Go-Go" (1984.06.07)
7. "Careless Whisper" (1984.08.23)
8. "Freedom" (1984.10.11)
9. "Everything She Wants" (1985.01.03)
10. "Last Christmas" (1985.12.12)
11. "Where Did Your Heart Go?" (1986)
12. "The Edge Of Heaven" (1986)
13. "A Different Corner" (1986)
"The Tube":
1. "Ray Of Sunshine" (1983)
2. "Love Machine" (1983)
3. Entrevista no "The Tube" (1983)
4. "Wham! Wrap" ("The Tube" 1986 special) (Parte 1; Parte 2)
Outros programas: 
1. "Blue (Armed With Love)" ("The Russell Harty Show")
2. "Wham Rap!" ("Disco Ring" TV Show)
3. Entrevista no programa "Show Business" (1983)
4. "Wham! Special - Fantastic Tour!!" (Parte 1; Parte 2)
5. "Freedom" (Tony Wogan 1984 performance)
6. Entrevista no programa de Tony Wogan (1984)
7. Saturday Superstore (November 1984 Appearance)


Disco 7 (DVD): "Foreign Skies - Wham! In China"
1. "Bad Boys"
2. "Club Tropicana"
3. "Blue (Armed With Love)"
4. "Wake Me Up Before You Go-Go"
5. "A Ray Of Sunshine"
6. "Young Guns (Go For It)"
7. "Careless Whisper"
8. "Everything She Wants"
9. "Like a Baby"
10. "If You Were There"
11. "Runaway"
12. "Love Machine"


Disco 8 (DVD): "The Final Concert - Live At Wembley"
1. "Everything She Wants"
2. "Club Tropicana"
3. "Heartbeat"
4. "Battlestations"
5. "Bad Boys"
6. "If You Were There"
7. "The Edge Of Heaven"
8. "Candle In The Wind" (com Elton John)
9. "Credit Card Baby"
10. "Like A Baby"
11. "Love Machine"
12. "Where Did Your Heart Go?"
13. "Why" (Carly Simon cover)
14. "Last Christmas"
15. "Wham Rap!"
16. "A Different Corner"
17. "Freedom"
18. "Careless Whisper"
19. "Young Guns (Go for It!)"
20. "Wake Me Up Before You Go-Go"
21. "I'm Your Man" (com Simon Le Bon)

Eliminando as redundâncias, está aqui quase tudo o que os Wham! lançaram em vinil (LP e singles 7" e 12"), CD, cassete e VHS, ao longo da sua curta existência. Para além disso, está ainda o vídeo do lendário concerto de despedida da banda (apropriadamente chamado The Final Concert), no Estádio do Wembley, desde sempre desejado pelos fãs dos Wham! e de George Michael.

O Mundo já merecia uma caixa assim.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Bruce Springsteen - "The Rising"

"Come on up for the rising"


Hoje a cidade de Santiago de Compostela está nas notícias e está pelas piores razões.
Santiago não merecia tal tragédia. Adoro a Galiza e esta cidade em particular. Foi lá que vivi uma das melhores noites da minha vida, quando assistir ao concerto de Bruce Springsteen & The E Street Band no Monte do Gozo. Mais do que um concerto, foi uma experiência, como aqui descrevi no ano passado.



À conta deste dia e de muitos outros que passei em terras galegas, desenvolvi uma relação especial com aquele lugar e com aquelas pessoas. Não mereciam tal provação. Força para eles; que juntem as mãos, como Bruce cantou em "The Rising" e que recuperem rapidamente deste fatídico dia.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Metallica - "Sad But True"

"I'm your dream, I'm your eyes, I'm your pain. You know it's sad but true"



Hoje senti que algo falta na minha vida.
Ao longo dos anos, todos ganhamos rotinas, hábitos cujo somatório resultam num estilo de vida. O nosso estilo de vida.
Pequenas coisas, como olhar para o telemóvel quando estamos aborrecidos, como verificar se o carro está fechado depois de o trancarmos, ou como...


...um concerto dos Metallica no Verão.

Hoje senti que algo falta na minha vida. E o que falta é rebentar-me todo, com 2 horas de mosh num concerto dos Metallica.
Desde 2008, ano em que os vi pela primeira vez no festival Rock In Rio, que já apanhei a banda de thrash metal americana por 4 vezes:

2008/06/05 - Parque da Bela Vista, Lisboa [Rock In Rio] - 2008 European Vacation Tour
2009/07/09 - Passeio Marítimo de Algés, Oeiras [Alive] - World Magnetic Tour - 4ª légua europeia
2010/05/10 - Pavilhão Atlântico, Lisboa - World Magnetic Tour - 6ª légua europeia
2012/05/25 - Parque da Bela Vista, Lisboa [Rock In Rio] - 2012 European Black Album Tour

Por calhar na véspera de um exame do Técnico, perdi tragicamente o grande concerto de 2007 no SBSR, mas desde então que não voltei a falhar nenhuma passagem dos Metallica por Portugal.

O meu concerto preferido até hoje foi, curiosamente, o último.
Para comemorar 20 anos do lançamento de "Metallica" (mais conhecido como "The Black Album", devido à capa integralmente preta), a banda lançou-se numa digressão onde tocava de trás para a frente (literalmente) o icónico álbum.  O álbum lançou os Metallica para a estratosfera do sucesso e apesar de não figurar nas preferências dos fãs mais puristas (que perderam o ónus da exclusividade da banda com este álbum), continua a ser um dos trabalhos mais populares da banda e também um dos meus preferidos.


O concerto foi fabuloso, com uma banda em grande forma, uma grande setlist e grandes condições sonoras. Foram 2 horas de mosh quase contínuo, apenas interrompido pelas baladas presentes no álbum (que muito irritam os tais puristas), como "Nothing Else Matters", ou "The Unforgiven".

Adorei. Mas a verdade é que os anos passam. Apesar do êxtase que levei para casa no final do concerto, levei também os hematomas de todo o arraial de pancada onde estive embrulhado durante aquelas 2 horas. O dia seguinte foi de ressaca do concerto: mal me consegui levantar da cama.
A verdade é que os anos passam e já pesam. Sad but true.

domingo, 21 de julho de 2013

Bruce Springsteen - "The Price You Pay"

"You learn to sleep at night with the price you pay"


Tinha 9 anos quando o meu Pai chegou a casa com um CD branco de um artista que nunca tinha ouvido falar. A capa mostrava um homem de costas, o que aumentava o mistério. "Vais gostar disto", assertou-me o meu Pai. Mal eu sabia que aquele álbum iria mudar a minha vida. Tratava-se do "Greatest Hits" do Bruce Springsteen:



Desde então que fui injectado ciclicamente em doses cavalares de Bruce. E ao contrário de outras bandas que adoro desde essa altura (como por exemplo, e que Freddie me perdoe a heresia, os Queen), à medida que os anos passam, eu gosto cada vez mais do Bruce. Cada vez mais o "percebo".
Quanto mais "vivo", mais sinto uma relação estreita, estranhamente próxima com o que ele escreve, com os sentimentos que ele transmite.  Porque são tais e quais os meus. Só não sei é se isso é bom ou não.

Toda a música de Bruce Springsteen reflecte essencialmente sobre 3 escolhas da nossa vida: o que fazemos; para onde vamos; com quem estamos.
A todas estas escolhas está associado um preço. É essa a consequência de "escolha". Preferimos uma opção em detrimento de outra. E pagamos um preço por isso.

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"You make up your mind, you choose the chance you take"
"The Price You Pay" fala disto mesmo. Do preço que pagamos pelas escolhas que fazemos.
Já uns anos antes, em "Darkness On The Edge Of Town", Bruce fora lapidar relativamente ao preço que se paga por determinadas escolhas:
"I'll be on that hill with everything I've got (...) and I'll pay the cost for wanting things that can only be found in the darkness on the edge of town"
"The Price You Pay" surgiu das sessões para o álbum perdido de Bruce Springsteen - "The Ties That Bind"  -, aquele que deveria ter sido o primeiro álbum de Bruce sobre a difícil relação de um casal. Infelizmente, como aqui referi, Bruce cancelou o projecto, em favor de um álbum mais variado como aquele que tivemos em "The River".

Foi uma pena. Na minha opinião, de modo a exponenciar a importância da sua música que nesta fase lhe chegava em torrentes criativas, Bruce deveria ter lançado um a dois álbuns por ano, cada um obedecendo a uma determinada matriz, tal como fez com "Darkness On The Edge Of Town". Assim, "The Ties That Bind" poderia ter visto a luz do dia no Natal de 1979 e em 1980 poderíamos ter recebido um álbum festivo com "Out In The Street", "Ramrod", "Sherry Darling", "I'm A Rocker" e todos esses temas mais upbeat que acabaram por ir parar a "The River". E quem sabe, mais um álbum introspectivo, com  temas como "Independence Day", "Drive All Night", "Point Blank", ou "Wreck On The Highway". E já nem falo na astronómica quantidade de material das sessões de "Darkness"...

O que torna esta decisão de cancelar "The Ties That Bind" ainda mais frustrante é que para trás ficaram temas-chave como "To Be True", "Cindy" e "Loose Ends", bem como versões definitivas de temas como "Stolen Car" e "The Price You Pay". Na versão que chegou a "The River", Bruce decidiu inexplicavelmente cortar uma estrofe.

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"Some say forget the past, and some say don't look back
But for every breath you take, you leave a track"
Normalmente, as escolhas da nossa vida são tomadas ao longo de um caminho que percorremos, de um processo contínuo; vamos sucessivamente chegando a diversos entroncamentos que nos obrigam a tomar decisões de vida, seja sobre a profissão, o lugar onde vivemos, a pessoa com quem fazemos este caminho.
Em raras ocasiões, este processo contínuo é interrompido, como se alguém carregasse num botão PAUSE da nossa vida; e todas escolhas concorrem num momento, numa encruzilhada que nos obriga a pensar o que, afinal, queremos fazer da vida. Depois é escolher. E pagar o preço dessa escolha.
"Now you can't walk away from the price you pay"
Não há volta a dar, não é possível fugir deste preço.
Será que podemos pagar esse preço, sem que nos arrependamos?
Será que estamos preparados para dormir com essa escolha?

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Radiohead - "Pyramid Song"

"There was nothing to fear and nothing to doubt"



Falemos hoje desse polémico e malfadado género literário: a crítica musical.
Começo por referir que não é isso que eu tento fazer no blog. Aqui proponho-me, conforme escrevi no post de inauguração deste espaço, "contar uma história ou alguns factos relacionados" com música, essencialmente música que eu gosto.

As críticas das revistas e restantes publicações de música estão sempre sujeitas a um enorme grau de subjectividade. Mas o que me salta à vista é que todas estas publicações fazem as suas reviews com base num determinado bias (perdoem-me o anglicanismo, mas é o mais acertado vocábulo para este preconceito), seja ele do próprio escritor, seja ele para agradar ao público da própria revista (em linguagem técnica: o target).

Experimentem, por exemplo, pôr um hipster a falar de um álbum com espectro mainstream, qualquer que seja (desde U2 a Bon Jovi), e perceberão que ele o rejeita à partida.
Numa publicação direccionada a este público, como a Pitchfork, já se sabe que os leitores não querem ler que um álbum comercial (um álbum que potencialmente venda mais que, digamos, 1 milhão de cópias) é excelente. Porque se é comercial, é sinal que muita gente gosta e os hipsters ouvem música tendo em conta a sua exclusividade.
É imbecil, eu sei, mas é assim que funciona.

Pensem quantas vezes ouviram o vosso amigo hipster tecer loas a uma determinada banda para, meses mais tarde, se essa banda entretanto se tornar popular, a desfazerem com a mesma vontade. Neste sentido, uma crítica da Pitchfork a um álbum comercial funciona apenas como um cardápio de motivos para "desmanchar" esse álbum.

Experimentem agora pôr um escritor desta publicação, a fazer uma crítica a um álbum dos Oasis. Já se sabe que vem lá borrasca. Os Oasis são o típico exemplo de uma banda indie rock que é recorrentemente visada pelos hipsters, por se terem tornado tão populares e por gostarem e se alimentarem dessa popularidade. Nada do que façam poderá algum dia ser valorizado.

No pólo oposto está uma banda da mesma época que os Oasis, mas que trabalha num registo bastante diferente: os Radiohead.
Se colocarem o mesmo escritor da Pitchfork a fazer uma crítica dos Radiohead, é possível que por menos inspirado que seja o álbum, ele ainda assim consiga ali ver ouro de 24 quilates. É o bias que falei há pouco.

Pegue-se no exemplo do último álbum "The King Of Limbs". Eu achei o álbum penoso. Achei que a musicalidade foi comprometida em virtude do experimentalismo "for the sake of it". Tem alguns bons momentos, mas é globalmente penoso.
Para pintar correctamente a minha opinião relativamente a este álbum, faço minhas as palavras de uma amiga:

"Eu ouvi o KOL uma vez e disse mesmo: "Epá não. Não fiz mal a ninguém para ter de ouvir isto novamente""

...e, no entanto, foi um álbum aclamado quase transversalmente pela crítica.  Enfim, talvez seja eu e seja ela, que não estejamos a ver bem as coisas.
Mas depois recordo-me de um episódio que assisti no dia em que o álbum foi lançado. No Facebook, um amigo meu escreveu o seguinte:

"Os Radiohead têm um novo álbum e ainda não ouvi, mas nem preciso, porque já sei que vai ser brilhante!"


"Ainda não ouvi e já sei que vai ser brilhante"?! A sério? Digam lá se isto não é uma forma diferente de contar a história da "Roupa Nova do Rei".
Conforme podem comprovar pelo fui escrevendo ao longo dos anos, eu sou o maior fã que podem conhecer dos Queen e nunca ouviriam uma coisa destas da minha parte.

O sentido crítico relativamente aos Radiohead, para algumas pessoas, críticos profissionais incluídos, desvaneceu.
Eu gosto muito dos Radiohead, não fiquem com a ideia errada. Eles são, de facto, brilhantes. Ao longo da sua carreira, conseguiram constantemente experimentar coisas novas, raramente perdendo a musicalidade.

Porém, os Radiohead têm algo que me "impede" de gostar ainda mais deles: os fãs.
Eu acho óptimo que a banda divague nas direcções que bem entender, mas não é por isso que tudo o que eles façam tenha que ser fantástico. Tenhamos calma e espírito crítico.

Um bom exemplo do experimentalismo virtuoso dos Radiohead, sem perder a musicalidade, foi a dupla pedrada no charco em 2000/2001 com os álbuns "Kid A" e "Amnesiac". Especialmente "Amnesiac", onde foram parar os temas mais melódicos das sessões de 1999/2000, como é o caso de "Pyramid Song" - um dos meus temas preferidos da banda.


Fazer crítica musical e espetar estes carimbos à música é algo que eu poderia fazer aqui no blog, mas prefiro evitá-lo. Dou a minha opinião, sim; mas prefiro falar de música que gosto, ou de artistas que gosto, mesmo que de alguns trabalhos menos bem conseguidos.
Prefiro destacar o lado positivo, porque é isso que gosto de retirar da música.
Acho que, para se fazer uma "crítica" fidedigna e imparcial, é preciso poder apreciar o artista. É preciso, no mínimo, ter a mente aberta para tal; não ter um preconceito à partida sobre ele.

É por isto que desprezo da mesma forma os fãs-cegos que idolatram tudo o que os seus artistas fétiche fazem, como aqueles que rejeitam à partida a música de alguém que é popular, porque esse alguém é popular. Ambos são ridículos na mesma medida.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Bruce Springsteen - "Badlands"

"You spend your life waiting for a moment that just won't come"



Por vezes, deparamo-nos com aquele tema que descreve minuciosamente, palavra por palavra, o nosso estado de alma.
Mais raras vezes, esse tema é cantado da mesma forma que a nossa alma liberta o sentimento estampado nessas palavras.


Há uma razão que explica a minha devoção à arte de Bruce Springsteen. Ele, como nenhum outro artista consegue fazer, condensa o meu estado de alma em música. Especialmente neste álbum - "Darkness On The Edge Of Town" - que em dias é um periscópio para as profundezas do meu sub-consciente.


Tudo o que tenho a dizer por hoje, confio-o ao Bruce. Palavra a palavra:
"Lights out tonight, trouble in the heartland
Got a head-on collision, smashin' in my guts, man
I'm caught in a crossfire, that I don't understand
But there's one thing I know for sure, girl
I don't give a damn for the same old played out scenes
I don't give a damn for just the in-betweens
Honey, I want the heart, I want the soul, I want control, right now
You better listen to me baby
Talk about a dream, try to make it real
You wake up in the night with a fear so real
You spend your life waiting for a moment that just won't come
Well don't waste your time waiting

BADLANDS, you gotta live it everyday
Let the broken hearts stand
As the price you've gotta pay
We'll keep pushin' till it's understood
and these badlands start treating us good

Workin' in the fields 'til you get your back burned
Workin' 'neath the wheel 'til you get your facts learned
Baby, I got my facts learned real good right now,
You better get it straight, darling,
Poor man wanna be rich, rich man wanna be king
And a king ain't satisfied 'til he rules everything
I wanna go out tonight, I wanna find out what I got

I believe in the love that you gave me
I believe in the faith that can save me
I believe in the hope and I pray
That some day it may raise me, above these...

BADLANDS, you gotta live it everyday
Let the broken hearts stand
As the price you've gotta pay
We'll keep pushin' till it's understood
and these badlands start treating us good

For the ones who had a notion, a notion deep inside
That it ain't no sin to be glad you're alive
I wanna find one face that ain't looking through me
I wanna find one place,
I wanna spit in the face of these...


BADLANDS, you gotta live it everyday
Let the broken hearts stand
As the price you've gotta pay
We'll keep pushin' till it's understood
and these badlands start treating us good"