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domingo, 22 de abril de 2012

Elton John - "Are You Ready For Love"

"Are you ready, are you ready for love? Yes I am!"




"I'll write a symphony, just for you and me, if you let me love you!"

Hoje termino a Semana Elton com o 5º e último tema que "ninguém ouviu" de Elton John e mais um dos que fazem dele muito mais do que aquilo que é ventilado na nossa paupérrima imprensa. Aliás, depois de ouvir estes 5 temas (e tantos outros de que queria falar, mas que terão que ficar para próximas oportunidades), isso nem deveria ser posto em causa.

O tema que aqui deixo é este uplifting "Are You Ready For Love", mais uma incursão de Elton por terrenos desconhecidos.
"Are You Ready For Love" é um dos temas resultantes das Thom Bell Sessions, gravado por Elton John na segunda metade de 1977. Mas já lá chegaremos.

Entre o lançamento do álbum "Elton John" em 1970 e de "Blue Moves" em 1976, Elton John cumpriu uma esgotante rotina de 2 álbuns por ano (!!), com infindáveis digressões pelo meio.
Estúdio / Estrada / Estúdio / Estrada... e por aí fora. Durante 6 anos, Elton foi exprimido até ao tutano e isso teve um reflexo natural na qualidade do seu trabalho.

Chegado a 1977, Elton estava decidido a mudar a sua rotina e a procurar outras formas de trabalho. Nesse sentido, influenciado pelo sempre absorvente paradigma americano, Elton decidiu ir ao Soul procurar inspiração, tal como David Bowie tinha feito em 1975 (sem grande sucesso comercial) no seu álbum "Young Americans".
Para isso, Elton deixou a sua banda, bem como Bernie Taupin e o seu produtor Gus Dudgeon e chamou o lendário compositor e produtor R&B Thom Bell.
Nasciam assim as Thom Bell Sessions.

O problema é que Elton não se sentiu confortável com os métodos de trabalho de Thom Bell e a relação entre ambos rapidamente fez fricção. Embora Elton estivesse entusiasmado com a ideia de trabalhar no registo do Philadelphia Soul, as sessões foram abortadas antes que se conseguisse angariar material suficiente para um álbum.

Elton ficou desolado com esta primeira tentativa falhada de afastamento do seu registo habitual e em Novembro de 1977 anunciou, pela primeira vez, a sua decisão de se retirar dos palcos. Essa seria apenas a primeira de muitas vezes que Elton tomaria tal decisão, mas como sabemos hoje, tal nunca teve resultados práticos.

Mas nem tudo foi perdido nas Thom Bell Sessions.
Durante as gravações com Thom Bell em Seattle, ainda houve tempo para produzir 6 faixas, 3 delas lançadas em em Junho de 1979, no EP "The Thom Bell Sessions".
Para além disso, Elton revelaria mais tarde que Thom Bell foi a premeira pessoa que lhe deu lições de colocação de voz, encorajando-o a cantar num registo mais grave, algo novo para Elton e que podemos ouvir perfeitamente nas faixas resultantes destas sessões.

No EP "The Thom Bell Sessions" podemos encontrar a "versão original" de "Are You Ready For Love" (numa versão que atinge os 8 minutos e meio!), o single "Mama Can't Buy You Love" (que chegou ao Top 10 nas tabelas americanas) e o tema "Three Way Love Affair". Todos os temas foram compostos pela super-equipa Soul LeRoy Bell / Thom Bell / Casey James.


Curiosamente, "Mama Can't Buy You Love" tinha sido rejeitado pela editora em 1977, quando Elton propôs o tema para single. Só em 1979, numa fase muito menos profícua de Elton, é que estes temas viram a luz do dia.

Só mais de 10 anos depois das gravações originais, em 1989, é que a editora MCA decidiu reunir todo o material resultante das Thom Bell Sessions, num CD com as 6 faixas adequadamente intitulado "The Complete Thom Bell Sessions".


Note-se que a "versão original" (incluída no EP de 1979) e a baptizada "versão longa" (incluída no álbum "The Complete Thom Bell Sessions") de "Are You Ready For Love" têm a mesma duração, mas são resultados de misturas diferentes. Em baixo, podemos ouvir a "versão longa", onde Elton partilha a voz com os The Spinners:



Os anos passaram e algumas das faixas das Thom Bell Sessions nunca puderam ter o reconhecimento que mereciam. Primeiro devido aos conflitos entre Elton John e Thom Bell, depois devido à intransigência da MCA em lançar um tema de Elton fora da sua praia e culminando num esquecimento generalizado, temas como "Are You Ready For Love" e "Mama Can't Buy You Love" passaram sempre ao lado do mainstream. Até 2003.


No ano de 2003, 26 anos depois das Thom Bell Sessions, "Are You Ready For Love" foi remisturado por Ashley Beedle e lançado em Single. O tema teve finalmente a atenção que merecia, atingindo o primeiro lugar nas tabelas do Reino Unido, a última vez que tal aconteceu até hoje.
Este é o vídeo que acompanhou o single de 2003 e que eu apanhei em alta rotação no VH1, nos anos dourados do cabo.


Are You Ready For Love? - Elton John

danny bailey | Myspace Video


A referida "versão original" é bastante rara (para além do EP de 1979, só pode ser encontrada num single promocional de 2003) e apresenta apenas Elton na voz. Em baixo, podemos ver um vídeo com a equipa das Thom Bell Sessions, numa audição da "versão original" de "Are You Ready For Love".



"Catch a star, if you can, wish for something special... Let it be me, my love is free..."

domingo, 2 de outubro de 2011

Red Hot Chili Peppers - "Can't Stop"

"The world I love, the tears I drop, to be part of the way I CAN'T STOP, ever wonder if it's all for you?!"



Os Red Hot Chili Peppers têm aquela sonoridade muito própria, de quem trouxe um cheirinho Funk ao Rock. Não é um original deles, mas é algo que não havia muito no mainstream, quando explodiram em 1991 com "Give It Away".

A procura do ritmo, do groove, é algo que sempre assumiu grande importância nas música dos Red Hot. Tanto nos seus trabalhos mais antigos, nos anos 80 e 90, como nos álbuns mais recentes.
É o caso deste "Can't Stop", do álbum "By The Way" de 2002.

O álbum "By The Way" foi escrito no período mais feliz da banda, na sequência do mega-sucesso de "Californication", durante os late 90's e early 00's. Um mega-sucesso que não foi marcado por tragédias ou conflitos, como em outras fases da carreira dos Red Hot. "Californication" foi um álbum que marcou indelevelmente a minha geração. O seu sucesso foi tão grande, que durante 2 anos foram lançados singles de promoção ao álbum. Parecia uma mina sem fim para as rádios.

A recepção de "By the Way" foi assim feita com grandes expectativas, não só pelos fãs, como também pelo público em geral, que tinha sido brindado massivamente com os Red Hot na rádio e na televisão nos anos anteriores.
O primeiro single foi "By The Way" e eu confesso que, mesmo gostando, não fiquei muito impressionado. Já o segundo single - "The Zephyr Song" - revelou-se como o tema que mais abomino dos Red Hot. Não sei porquê, mas não me entrou no ouvido. Não entrou na altura e continua a não entrar hoje.

Foi só com o 3º single que o jogo mudou.
"Can't Stop" foi lançado em Janeiro de 2003, meio ano depois do lançamento de "By The Way" e fixou-se como o meu tema de eleição dos Red Hot Chili Peppers (ainda hoje o é). Mais que isso, mostrou-me que eles ainda tinham muito na manga.


Na mimha opinião, quem brilha com maior intensidade em "Can't Stop" é o guitarrista John Frusciante. John marca o ritmo com as suas simples frases na guitarra (o início até é reminiscente do Reggae, um género do qual nem gosto particularmente), mas mais que isso, confere com as suas harmonias vocais um estado de graça ao tema. Sublime.

Para além das virtudes musicais de "Can't Stop", a lírica deste tema é algo com que me identifico pessoalmente. As palavras de Keidis funcionam de forma salpicada e algo arbitrária, mas inserem-se todas na mesma temática: a condição inquieta e desassossegada do ser humano.
Não de todos obviamente.
Mas para quem vive em constante urgência de resolução;
Para quem não se limita a uma vida levada pela corrente;
Para quem não consegue parar;
Para essas pessoas... este tema toca nalguns botões.

"Choose not a life of limitation, distant cousin to the reservation!"

A lírica em "Can't Stop" está exposta de forma a que o ouvinte se possa identificar com pelo menos alguns dos pontos abordados. Kiedis descreve vários factos da sua vida, mas sem especificar o seu sentido pessoal, permite ao ouvinte adoptar a canção para si mesmo, como um hino da sua própria vida.

"Can't stop the spirits when they need you, this life is more than just a read thru"

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Stereophonics - “Maybe Tomorrow”

"Maybe tomorrow I'll find my way home"



Confesso que não sou um conhecedor profundo da obra dos Stereophonics. Confesso até que, daquilo que conheço, a minha opinião é “isenta”, isto é, nunca ouvi nada que deliberadamente não gostasse, mas também nunca me levou a comprar um álbum. É um sentimento que tenho para com outras bandas Britpop/Britrock dos late 90's, como é o caso dos Travis, dos Suede, ou dos Pulp, só dando alguns exemplos. Gosto do material, mas nunca me apaixonei. Talvez com o tempo...


Com o tema “Maybe Tomorrow”, a história já é diferente.
“Maybe Tomorrow” foi lançado em 2003, como o 2º single do álbum "You Gotta Go There To Come Back" (chegou ao nº3 no Reino Unido) e conquistou-me desde a primeira audição.

O tema é excelente, em todos os níveis. Em primeiro lugar tem um grande solo de guitarra, o que desde o início dos anos 00 parece ser cada vez mais raro nas bandas Pop/Rock. É como que se os guitarristas se acobardassem e ganhassem medo de arriscar um solo num tema que possa passar na rádio. Aqui não há medo. Há um grande solo.
Liricamente, o tema retrata a luta interna de identidade que todos travamos em certo ponto na nossa vida: “Maybe tomorrow I’ll find my way home”. Quem é que não se identifica com isto?

A minha apreciação por “Maybe Tomorrow” cresceu ainda mais quando vi o filme “Crash”, onde o tema foi utilizado na cena final, assentando que nem uma luva na coda do filme.
Notem que o vídeo que aqui deixo é a versão completa do videoclip e por isso a música só começa lá para o segundo 1:30.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Simply Red - "Home Loan Blues" (Live In Sicily)

"Just a man, good and sometimes bad..."



Hoje, espaço para a música pop “lightweight”… que é muito mais do que isso. Os Simply Red, qualquer que seja o rótulo que lhes queiram pôr, sempre se quiseram afastar das restantes bandas pop e misturar diversas influências na sua música (soul, reggae, música cubana, dance music…), beneficiando depois dos (enormes) dotes vocais de Mick Hucknall.

É precisamente isso que é oferecido em “Home”, um álbum extremamente diversificado e que, na minha opinião, representa o ponto alto da carreira dos Simply Red, pelo menos desde o álbum de estreia “Picture Book” de 1985.

A quantidade de temas de qualidade apresentados em "Home" é impressionante: desde os singles "Fake" ou "Sunrise" (com um sample de "I Can't Go for That (No Can Do)" dos Hall And Oates), passando pelo cover de Bob Dylan "Positively 4th Street", mas principalmente o tema-título "Home" e "Home Loan Blues", com o uso proeminente do piano eléctrico.

Fica aqui precisamente "Home Loan Blues", num registo ao vivo. Esta actuação remonta à digressão de promoção de "Home" e teve lugar num dos espaços mais espectaculares para concertos rock: o lindíssimo anfiteatro greco-romano de Taormina, na ilha da Sicília.