"I'm here to remind you of the mess you left when you went away"
É uma pergunta que me fazem frequentemente (leia-se muito raramente, a tender para o nunca): porque é que dou tão pouca atenção à música cantada por vozes femininas?
A resposta a esta pergunta é muito simples: entre outras motivações, uma das principais razões pelas quais eu ouço música é porque me identifico com ela (a música). Isto implica que seja estabelecida uma ligação não só com o conteúdo lírico de um tema, mas também com a voz que o canta. Nesse sentido, é muito mais fácil identificar-me com a voz de homem, do que com a de uma mulher.
Posto isto, de facto, em 4 anos de blog, não me lembro de ter escrito muitos posts sobre temas cantados por uma voz feminina. Mas parece-me apropriado que o faça agora. Especificamente este tema.
"You Oughta Know" foi a mola que catapultou a então quase desconhecida Alanis Morissette para o estrelato em 1995. Nesta altura, Alanis já contava com 2 álbuns na sua discografia, mas só este tema - incluído no seu 3º álbum "Jagged Little Pill" - conseguiu chamar a atenção do mundo para a sua voz.
"You Oughta Know" é um cometa na carreira de Alanis Morrissette - uma cantautora (detesto esta expressão) de musiquinhas light rock, formatadas para a reprodução nas rádios mainstream dos anos 90.
Contudo, de musiquinha leve, "You Oughta Know" não tem nada.
Embora escrito por Alanis, o tema foi entregue apenas com a faixa vocal aos membros dos Red Hot Chili Peppers - Flea (no baixo) e Dave Navarro (que na época substituía John Frusciante na guitarra) - que o tornaram num monstro do Rock alternativo. O tema ganharia os Grammys para Melhor Tema Rock e Melhor Performance Feminina, superando o favorito Michael Jackson (no Álbum do Ano, entenda-se).
Depois disto, a carreira de Alanis não mais deixaria o rótulo do rock alternativo, mas esse epíteto não mais voltaria a ter grande significado.
A ferocidade que Alanis despeja aqui é justamente acompanhada pelo pulsante baixo de Flea e a guitarra berbequim de Navarro.
Na prática, quase se pode dizer que "You Oughta Know" é um tema com a música dos Red Hot Chili Peppers, que conta com a voz e a alma de Alanis Morissette. A alma, justiça seja feita, é dela.
A raiva, o motivo, o dolo, é inteiramente de Alanis. Ela foi fodida, está fodida e isso ouve-se.
"I'm not gonna fade as soon as you close your eyes, and you know it"
Alanis queria atacar o homem que rasgou o seu coração e fê-lo da forma mais nobre e aplaudível com que tal se pode fazer: com a sua arte.
Será que é possível transformar uma horrenda traição numa coisa bonita? Com a ajuda de Flea e Navarro, Alanis prova que sim.
"When the seventh son of the seventh son comes around and breaks the chain..."
Quando que me perguntam qual é a minha música preferida de sempre (na verdade, não me lembro de alguém me perguntar isto, eu é que gosto de fazer estas reflexões nerdicas), há meia dúzia temas que me vêm imediatamente à cabeça. Entre temas como "High Hopes" dos Pink Floyd, "The Show Must Go On" dos Queen, ou "Champagne Supernova" dos Oasis, está... (como já devem ter adivinhado por esta introdução) "Raoul And The Kings Of Spain" dos Tears For Fears.
Tenho uma amiga que me costuma dizer que as nossas preferências musicais se devem a 3 factores: "Opiniões, gostos e vivências", porque "muitas vezes gostamos ou não de uma música pela vivência que temos com ela".
É uma teoria com fundamento.
Separar opiniões e gostos, é algo que não é fácil, mas que é possível. Por exemplo, se me perguntarem qual e a minha banda preferida (a que eu mais gosto), a resposta seriam os Queen. Por outro lado, se me perguntarem qual a melhor banda de sempre (a que na minha opinião, é a melhor), a minha resposta já seriam os Pink Floyd. Em qualquer dos casos, obviamente que gosto de ambas.
Relativamente às vivências, é uma relação que dispensa exemplificações. A música fica associada a momentos da nossa vida. Os bons e os maus. É inevitável. E se tivermos em conta o efeito terapêutico da música, nem é preciso ficar associada a bons momentos, para que crie um elo de ligação connosco.
Pensem nos vossos temas preferidos, ou nos vossos álbuns preferidos e avaliem, caso a caso, se eles estão associados a tempos de bonança, ou a tempos de provação. Pode ser que tenham uma surpresa.
Mas se é verdade que já risquei determinados álbuns, por me levarem para lugares para onde eu não quero ir; há outros que puxo sempre que preciso de navegar para o meu porto seguro. São os álbuns que passam mais tempo empilhados junto ao leitor de CD's, do que devidamente arrumados na prateleira. São os álbuns que me teleportam para um lugar de segurança e despreocupação, a maioria deles associados a momentos da minha infância.
Este é o caso de "Raoul And The Kings Of Spain", dos Tears For Fears - um disco que marcou a minha vida, um dos meus álbuns preferidos de sempre.
Viajemos então no espaço e no tempo.
Fim de semana alargado, de 6 a 9 de Abril, de 1996. A família Bento decide fazer a sua primeira grande viagem de carro ao estrangeiro, no seu Lancia Dedra branco. O roteiro compreendia o Sul de Espanha, com passagens por Sevilha, Gibraltar, Algeciras, Granada e a Serra Nevada.
No auto-rádio Alpine do carro, uma cassete:
Mas a cassete não tinha o álbum todo. Numa geração diferente da pirataria, muito antes do mp3 e dos downloads, esta ainda se fazia com a gravação indevida em formato Compact Cassette, abreviado de MC (MusicCassette). Nas cassetes, gravava-se o que se podia, tendo em conta a limitação de espaço na fita. No caso de "Raoul", com pouco mais de 50 minutos, o álbum caberia em qualquer cassete de 60 minutos - as mais banais naquela altura.
O problema é que, quem quer que tenha gravado a cassete, gravou duas vezes o mesmo "lado", isto é, o mesmo conjunto de temas nos dois lados da fita. Graças ao inovador sistema auto-reverse do auto-rádio, o resultado foi um loop contínuo de 25 minutos que se repetiu ad aeternum ao longo da viagem, durante 4 dias, dentro do carro:
1. "Raoul and the Kings of Spain" (5:16)
2. "Falling Down" (4:56)
3. "Secrets" (4:42)
4. "God's Mistake" (3:47)
5. "Los Reyes Católicos" (1:44)
6. "Sorry" (4:48)
Uma viagem destas, cheia de paisagens novas e cheiros desconhecidos, teria que marcar indelevelmente a impressionável mente de um miúdo de 10 anos. Colado às imagens da neve na Serra Nevada, da chuva copiosa de Gibraltar, ou da miragem de África lá ao fundo, para lá do intenso nevoeiro, estará para sempre um grito:
Aos 10 anos, a minha percepção da língua inglesa ainda não era grande coisa, mas para cantar a plenos pulmões o refrão de "Raoul And The Kings Of Spain" com Roland Orzabal, tal não era necessário.
Colados à música, ficaram estes momentos, estas vivências. Daí em diante, "Raoul" ficaria sempre como um bilhete directo para os bancos de trás do Lancia Dedra branco, onde eu podia dormitar em segurança, despreocupadamente, enquanto olhava pela janela, para paisagens nunca vistas.
Dentro em breve, voltarei inevitavelmente a "Raoul And The Kings Of Spain", da mesma forma que já voltei imensas vezes ao longo da minha vida. Voltarei a "Raoul", porque muito mais fica por dizer sobre este álbum, na minha opinião uma das obras primas da curta, mas concisa, carreira dos Tears For Fears.
Em homenagem ao concerto de ontem dos Radiohead no Alive (que eu, com muita pena, não assisti), hoje regresso ao álbum "The Bends" para "Street Spirit (Fade Out)", o tema que fechou o alinhamento de ontem.
A 2ª metade dos anos 90 foram tempos gloriosos para os Radiohead, com 2 álbuns de enorme popularidade, que os transportaram para a linha da frente do indie rock britânico. Tanto "The Bends" de 1995, como "OK Computer" de 1997 são dois álbuns extremamente sólidos, duas marcas indeléveis dos anos 90. Estes foram foram os álbuns "blockbuster" dos Radiohead, que deram a conhecer ao Mundo o seu nome e levaram a sua música para as rádios mainstream. Depois disso, os Radiohead trocaram as voltas a toda a gente e lançaram "Kid A", um álbum tão afastado do registo de "OK Computer", que arrisco a chamar de comercialmente suicida. Mas a verdade é que a banda se safou com a aposta arriscada e fizeram um mergulho ainda mais profundo na electrónica nos álbuns seguintes.
"This machine will not communicate, these thoughts and the strain I am under..."
Escrito em 1993, os Radiohead deixaram "Street Spirit (Fade Out)" para o fecho do seu 2º álbum "The Bends", sendo o último single retirado deste álbum. "Street Spirit" está para o Reino Unido como "Creep" está para os EUA, uma vez que foi o 1º single a ter verdadeira atenção no país de origem dos Radiohead, chegando ao 5º lugar nas tabelas.
Thom Yorke descreve este tema como um dos mais profundos e mais pesados da banda, "rejeitando" mesmo a sua autoria. "O tema escreveu-se a si próprio", diz. Para o tocar ao vivo, Thom tem que o deixar para o fim do concerto, como fez ontem, tal a sua carga dramática... Como não consigo descrever o que Yorke quer dizer com isto, pelo menos não tão bem como o próprio, deixo aqui Thom Yorke em discurso directo, sobre "Street Spirit":
""Street Spirit (Fade Out)" is our purest song, but I didn’t write it. It wrote itself. We were just its messengers; its biological catalysts. Its core is a complete mystery to me, and, you know, I wouldn’t ever try to write something that hopeless. All of our saddest songs have somewhere in them at least a glimmer of resolve. Street Spirit has no resolve. It is the dark tunnel without the light at the end. It represents all tragic emotion that is so hurtful that the sound of that melody is its only definition. We all have a way of dealing with that song. It’s called detachment. Especially me; I detach my emotional radar from that song, or I couldn’t play it. I’d crack. I’d break down on stage. That’s why its lyrics are just a bunch of mini-stories or visual images as opposed to a cohesive explanation of its meaning. I used images set to the music that I thought would convey the emotional entirety of the lyric and music working together. That’s what’s meant by ‘all these things you’ll one day swallow whole’. I meant the emotional entirety, because I didn’t have it in me to articulate the emotion. I’d crack…
Our fans are braver than I to let that song penetrate them, or maybe they don’t realise what they’re listening to. They don’t realise that Street Spirit is about staring the fucking devil right in the eyes, and knowing, no matter what the hell you do, he’ll get the last laugh. And it’s real, and true. The devil really will get the last laugh in all cases without exception, and if I let myself think about that too long, I’d crack.
I can’t believe we have fans that can deal emotionally with that song. That’s why I’m convinced that they don’t know what it’s about. It’s why we play it towards the end of our sets. It drains me, and it shakes me, and hurts like hell every time I play it, looking out at thousands of people cheering and smiling, oblivious to the tragedy of its meaning, like when you’re going to have your dog put down and it’s wagging its tail on the way there. That’s what they all look like, and it breaks my heart. I wish that song hadn’t picked us as its catalysts, and so I don’t claim it. It asks too much. I didn’t write that song."
Neste discurso, Thom toca em 3 pontos fundamentais: "Street Spirit (Fade Out)" é o tema mais depressivo dos Radiohead e é o único que não tem nenhum laivo de esperança associado ("um túnel escuro, sem luz no fim"); esta carga depressiva faz com que o próprio rejeite a autoria do tema; Thom "atira-se" aos fãs que nos concertos rejubilam ao entoar a letra do tema a plenos pulmões, convencido que "eles não sabem do que se trata".
O que dizer? Estas palavras são "clássico" Thom Yorke. Tão densas e tão profundas, que a sua análise já nos leva a um estado quase-depressivo. Este sofrimento é a base de toda a música dos Radiohead e eu acredito piamente que Thom sofra mesmo. Ele é tão fiel à sua arte, que eu não duvido que, para interpretar dignamente "Street Spirit", ele sofra um desgaste anímico tão forte, que a tenha mesmo que deixar para o fim dos concertos.
Este sofrimento, este lento caminhar na corda bamba da depressão é a base de toda a música dos Radiohead e é por isso mesmo que eu sou obrigado a consumi-los em doses pequenas, espaçadas no tempo. De outra forma, dava em maluco. Em maluco, ou em Thom Yorke, mas sem a habilidade de tocar a guitarra. Nenhuma das duas me parece saudável.
Hoje é dia de S. Valentim e por isso não é difícil adivinhar que o tema de hoje será uma balada. E quem melhor para nos trazer um balada do que o mestre desta arte? Falo obviamente de George Michael.
Desde "Careless Whisper" quando ainda estava nos Wham! (embora o tema seja creditado a solo), passando por "One More Try" ou "Kissing A Fool" em "Faith", até este "Jesus To A Child" em "Older", são inúmeros os exemplos de grandes baladas que George Michael foi escrevendo ao longo da sua carreira. George nunca se limitou a uma fórmula, escrevendo baladas em diversos registos diferentes e assim mostrando a sua capacidade como escritor Pop.
Só no lote que referi, temos aromas de Jazz em "Kissing a Fool", da 80's Pop em "Careless Whisper" (aquele saxofone...), do Soul em "One More Try", ou da Bossa Nova neste "Jesus To A Child". O espectro de George é impressionante.
"Jesus To A Child" foi lançado como o single de avanço do álbum "Older" em 1996, entrando directamente para o nº 1 da tabela no Reino Unido.
"Jesus To A Child" é sem dúvida um dos melhores trabalhos de George Michael. É uma ode a uma história de amor que foi feliz, mas que já terminou. E apesar disso, a marca que deixou foi de esperança.
Alegadamente dedicado ao seu falecido namorado brasileiro (daí a influência da Bossa Nova), o tema conta com uma interpretação delicada e ao mesmo tempo arrebatadora, numa das mais notáveis gravações vocais na História da Pop. Se dúvidas ainda houvesse sobre as capacidades vocais de George Michael (e depois de o vermos a cantar "Somebody To Love" no Tributo a Freddie Mercury em 1992, as dúvidas já eram poucas), elas foram desfeitas aqui. Lindíssimo.
"I was the one that let you know, I was your sorry ever after '74/'75"
Hoje vou ao baú dos êxitos obscuros dos anos 90 para recolher este "'74-'75", uma pérola dos The Connels, da qual todos nos recordamos. Faz-me também lembrar que o mainstream dos mid-90's / late 90's estava repleto destes temas melódicos e despretensiosos, de fácil audição. Eram temas que tinham um apelo tão simples e ao mesmo tempo tão abrangente, que assentavam que nem uma luva nas ondas FM das rádios generalistas.
"'74-'75" foi o único grande êxito dos The Connels, fazendo deles um exemplo de um One Hit Wonder (banda ou artista conhecidos por um único êxito). O single foi lançado originalmente em 1993, como promoção ao álbum "Ring", mas atingiu o sucesso apenas em 1995 e apenas na Europa, ganhando também enorme difusão em Portugal. Curiosamente, nos EUA, país de origem dos The Connels, o single nunca ganhou notoriedade.
Volvidos mais de 15 anos desde o seu sucesso, hoje "'74-'75" é um clássico. Como já referi, é um tema simples e despretensioso, mas não deixa de ser um grande tema. Destaco principalmente as harmonias no refrão.
Também um clássico é o vídeo de apresentação deste tema, com alta rotação no VH1. O vídeo mostra fotos de uma turma de 1975 da terra natal dos The Connels e contrasta as mesmas com imagens de 1993, ano em que o vídeo foi filmado.
Tendo em conta a letra e o vídeo, é fácil perceber que "'74-'75" é um tema revivalista, que relembra os tempos de escola, particularmente os erros cometidos nessa época.
A linha "I was your sorry ever after '74/'75" é um jogo de palavras (sorry ever after / happy ever after), o que significa que o narrador não deverá ter encontrado a felicidade com a miúda de quem gostava em '74/'75.
"Children are fantasising, grown-ups are standin' by, what a super feeling! Am I dreaming?"
"Um conto de Inverno". Chegados ao primeiro dia de Inverno, hoje vou falar de um dos mais poderosos temas sobre esta estação: o fabuloso "A Winter's Tale" dos Queen.
A verdade é que "A Winter's Tale" é muito mais que uma "Um conto de Inverno", muito mais que um tema natalício.
"A Winter's Tale" foi o último tema jamais escrito por Freddie Mercury e foi também o último tema que ele cantou antes da sua morte, dia 24 de Novembro de 1991.
As sessões de gravação dos Queen em 1991, que resultariam no álbum póstumo de 1995 "Made In Heaven", foram alguns dos mais impressionantes capítulos da História da música.
No ano de 1990, a condição de Freddie já era de tal forma debilitada, que ele temia não terminar a tempo o álbum "Innuendo", que seria lançado no início de 1991. "The Show Must Go On" seria supostamente o último tema dos Queen, uma vez que ele não acreditava ser possível trabalhar mais no seu estado. Completado o processo de gravação e promoção deste álbum (para o qual Freddie ainda se sujeitou à filmagem de alguns videoclips), Freddie decidiu que até ao seu último suspiro, iria cantar... e gravar o máximo que pudesse, com o tempo que lhe restava.
Freddie terá então dito aos restantes membros dos Queen:
"Deêm-me qualquer coisa, o que quer que seja, que eu canto!"
Nos meses que se seguiram, os Queen instalaram-se nos Mountain Studios em Montreux, à espera de Freddie. Freddie esteve este tempo entre Londres e Montreux, entre casa e os consultórios, aparecendo em estúdio sempre que se sentia em condições mínimas para entregar a sua voz à música dos Queen.
E de que maneira o fez...
Esta é a história de um homem gravemente doente, severamente debilitado nas suas capacidades mais básicas, debaixo de dores terríveis, mas que mesmo assim cantava com um poder inabalável, com uma emoção visceral, como se fosse a última vez que estaria em frente a um microfone.
No caso de "A Winter's Tale", foi mesmo a última vez... No dia 12 de Novembro de 1991, Freddie interrompeu a sua medicação (cuja reacção o impedia de executar dignamente funções básicas como comer e beber) e deslocou-se pela última vez aos estúdios de Montreux, para gravar o take definitivo de "A Winter's Tale".
Foi a última vez que o Rei cantou para um microfone.
Dois dias depois, Freddie regressaria a Londres para passar tranquilamente os seus últimos dias com a sua família e na sua casa, onde acabaria por falecer 10 dias mais tarde.
(Dreaming) So quiet and peaceful
(Dreaming) Tranquil and blissful
(Dreaming) There's a kind of magic in the air
(Dreaming) What a truly magnificent view
(Dreaming) A breathtaking scene
With the dreams of the world
In the palm of your hand
"A Winter's Tale" foi assim o último tema de Freddie Mercury. Um tema cheio de imagens de beleza, de paz e tranquilidade, algo que nada tem a ver com a dor que sentia na época. Sob o peso podre e insustentável de uma doença maldita, Freddie conseguiu completar a letra e a melodia deste lindíssimo tema.
It's all so beautiful
Like a landscape painting in the sky, yeah
Mountains are zoomin' higher, uh
Little girls scream an' cry
My world is spinnin' and spinnin' and spinnin'
It's unbelievable
Sends me reeling
Am I dreaming
Am I dreaming...?
Num só take (aquele que ouvimos no disco), algo raríssimo na sua carreira, Freddie despejou tudo o que tinha e despediu-se dos ouvintes com "Um Conto de Inverno". O seu Inverno. O Inverno da sua vida. Um Inverno que foi penoso, mas tranquilo; doloroso, mas em paz; prematuro, mas glorioso. Com a glória que só o Rei poderia desfrutar.