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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

"The World That Waits Outside" | O álbum perdido de Noel Gallagher (I)

"The World That Waits Outside"
O álbum perdido de Noel Gallagher

Como o primeiro álbum a solo de Noel Gallagher se transformou no álbum mais mal-amado dos Oasis

I. "Fuckin' In The Bushes" | Cocaína e feedback
II. "Gas Panic!" | O período de glaciação
III. "One Way Road" | O álbum de um homem só
IV. "Where Did It All Go Wrong?" | O mundo que espera lá fora
V. "Solve My Mystery" | O álbum perdido

I. "Fuckin' In The Bushes" | Cocaína e feedback



Se perguntarem ao Noel Gallagher qual foi o seu apogeu enquanto compositor, de certeza que ele vos aponta o período entre 1993 e 1995, anos em que escreveu e gravou as canções que viriam a figurar nos álbuns "Definitely Maybe" e "(What's the Story) Morning Glory?". É difícil contra-argumentar com isto. Mas se a seguir lhe questionarem sobre o seu pior período, é provável que Noel indique a era do álbum "Standing On The Shoulder Of Giants", lançado no ano 2000. E aí meus amigos, o Noel está out of his fucking mind.


Vou ser directo: "Standing On The Shoulder Of Giants" (SotSoG) é não só o álbum mais underrated dos Oasis, como também é o trabalho sonicamente mais audaz da banda de Manchester, a milhas de tudo o que fizeram antes. O álbum tem dois problemas que atormentam a sua reputação: é muito dark e portanto completamente diferente do que o público estava à espera (especialmente depois do hedonismo de "Be Here Now"); e porque, de facto, está pejado de um punhado de temas do mais desinspirado que Noel já escreveu ("Put Your Money Where Your Mouth Is"? Really?).

Só pondo as mãos numa daquelas compilações menos legais de demos das sessões de 1998 e 1999 é que percebemos o que se perdeu em SotSoG. E só conhecendo a História e juntando as peças do puzzle, conseguimos ter a noção que poderíamos estar na presença da obra-prima dark de Noel Gallagher; uma espécie de Definitely Maybe negro; um Morning Glory da depressão; o grande álbum perdido de Noel Gallagher. Mas lá chegaremos. Antes disso, um pouco de História.
"Once you've written the greatest Rock N' Roll album of the 90s, what do you do?"
Noel Gallagher, "Standing On The Shoulder Of Giants" EPK

Em primeiro lugar, para perceber a (óbvia) mudança de sonoridade de "Be Here Now" para SotSoG, é preciso contextualizar a miríade de tempestades que Noel Gallagher viveu no fecho da década de 90. Depois de ocupar a cadeira dos deuses em Knebworth, em Agosto de 1996, o melhor que Noel poderia ter feito seria gozar umas merecidas férias para limpar a cabeça. Mas Noel e a Creation (a editora dos Oasis) queriam capitalizar o momentum da banda e como tal afogaram-se em cocaína para conseguirem finalizar o álbum "Be Here Now", lançado um ano mais tarde, em Agosto de 1997.

O álbum denotava clara falta de quality control: metade brilhante, metade decepcionante, mas todo ele BOOOMfull-blown, in your face e outros anglicanismos que tais. Uma horda de layers de feedback desnecessário que nuns casos tentavam disfarçar canções insossas, mas noutros apenas asfixiavam temas ao melhor nível de Noel ("Don't Go Away" à cabeça).

O mundo recebeu "Be Here Now" em euforia, mas rapidamente se apercebeu que não era assim tão bom como ansiava (e precisava). Entretanto, Spices, Backstreets, Britneys e Robbies continuavam a sua ascensão até ao topo e rapidamente o mundo se esqueceu dos Oasis, tão depressa como tinha sido sacudido com a sua chegada em 1994/1995. De repente, todos duvidavam das capacidades de Noel, o mesmo homem que durante dois anos escrevera hits atrás de hits que haviam povoado as tabelas britânicas. Noel via-se obrigado a provar o seu valor outra vez.

Amanhã, a História dos anos negros de Noel Gallagher ou, como eu lhe gosto de chamar, o seu período de glaciação.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Oasis - "Columbia" (Live At Knebworth)

Nunca fui a Knebworth Park. Com muita pena minha, nunca tive oportunidade de ir ao local sagrado onde os Pink Floyd enterraram o "The Dark Side Of The Moon" em 1975, os Led Zeppelin enterraram os seventies em 1979 e os Queen se enterraram em 1986. Por alguma razão, Knebworth parece estar sempre associado a uma imagem bipolar de apogeu e fecho de ciclo.
Qual acaso profético, foi também o local escolhido pelos Oasis para celebrar o pináculo da Britpop, com um fim-de-semana de concertos esgotados em Agosto de 1996. Sem saberem, os Oasis estavam também a enterrar a Britpop. Mas já lá vamos.

E eis que ontem, num acaso não-sei-se profético, sem que eu soubesse ou esperasse, o Universo me fez cair nas mãos um bilhete para o evento mais importante dos anos 90:


Fuck me, por esta não estava à espera.

Knebworth Park, 11 de Agosto de 1996; Noel Gallagher entra no palco cheio de si, perfeitamente ciente que naquele momento morava no topo do mundo; e grita:
"THIS IS HISTERAY! THIS IS HISTERAY! Right here, right now, THIS IS HISTERAY!"


Ao seu lado, Liam podre de bêbedo, como sempre. Na sua cabeça, ele já morava no topo do mundo desde que cantava para dez bifes saídos das obras nos bares de Manchester "Tonaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa-ite I'm a Rock N' Roll staaaaaaaaaaaar". Knebworth Park era por isso somente o cumprimento do óbvio para Liam. "Hoje embebedo-me aqui, amanha embebedo-me na casa de uns mates", terá pensado, enquanto reclamava que a cerveja não estava suficientemente fresca.

Mas Noel sabia da efeméride que Knebworth encerrava. Depois de ditar que todos os que estavam ali, naquele momento, presenciavam História, Noel dá as boas vindas oficiais com um "Good evening planet Earth"... e arranca para um eufórico "Columbia", do álbum de estreia "Definitely Maybe". Ouçam os gritos de Noel, lá atrás nas backing vocals de "Yeah-yeah-yeah!!! Yeah! Yeah! YEAAAAAH!" e meçam por vocês, de zero a Knebworth, o quanto ele estava a flutuar acima do chão.

11 de Agosto de 1996 foi o clímax da bebedeira da Britpop. O problema é que nessa mesma semana, tinha saltado para o primeiro lugar das tabelas no UK e na Irlanda o tema "Wannabe", de umas tais Spice Girls, uma "banda" desconhecida que, mal sabiam Noel e os seus pares, iria mudar tudo. Depois vieram as Britneys e os Backstreets e nada nunca mais seria o mesmo. No dia da sua maior bebedeira, a Britpop começara o seu rápido declínio.


P.S.: Sim, a foto também mostra o último álbum do Noel autografado pelo próprio. Também me chegou às mãos por acaso. Mas não digam nada ao Noel que, até ver, ainda estamos zangados.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Oasis - "Rock 'n' Roll Star"

"Tonaaaaaaaaaaaaaaaa-a-ait, I'm a rock n' roll staaaaar"



"I've pretty much summed up everything I wanted to say in "Rock 'n' Roll Star", "Live Forever" and "Cigarettes & Alcohol", after that I'm repeating myself". 
Noel Gallagher

Hoje vou contar a história de um rapaz. Era uma vez um rapaz que, sem o querer, entrava na adolescência. Contudo, não sabia bem lidar com isso; não estava preparado para todas aquelas mudanças. E assim vivia no medo: num medo pueril de não ser fixe; medo de não ser aceite por aquilo que era; medo de que as miúdas não gostassem dele.

Esse rapaz era diferente dos outros. Enquanto os outros se esforçavam para ser iguais aos demais e crescer o mais rapidamente possível, ele não se importava muito com isso. Enquanto os outros ouviam as merdas techno que lhes era impostas pelos idiotas que se achavam rebeldes (mas eram apenas idiotas), ele ouvia a música do seu Pai. Era disso que ele gostava, era isso que o fazia sentir bem, protegido.
Nada do que os amigos lhe garantiam ser buédafixe fazia sentido, nada ressoava na sua cabeça.

Até que um dia esse rapaz descobriu uma banda chamada Oasis. E mais tarde ouviu um álbum chamado "Definitely Maybe". E tudo mudou.


Ao ouvir temas como "Rock 'n' Roll Star", "Cigarettes & Alcohol" e "Live Forever", deu-se uma explosão na sua mente, que definiria aquela que seria a banda mais importante da sua adolescência.
De repente, tudo fazia sentido.
Como um pré-adolescente de classe média, a viver numa remota cidade do interior, o rapaz ouvia Liam cantar sobre tudo o que ele não conhecia, mas ficou com a certeza que queria conhecer.
Gajas, bubadeiras e Rock selvagem. Liam Gallagher falava de tudo aquilo que ele queria ouvir (na verdade era Noel que falava, mas pela voz do irmão). 

A partir desse dia, ele percebeu que não precisava de ser igual aos outros para ser fixe; que não precisava de pertencer ao grupo; que sozinho, poderia enfrentar o Mundo e vencer; que na sua diferença residia o ónus que o poderia tornar mais fixe que os outros todos. Bastaria para tal que ele assumisse... que era mais fixe que os outros todos.
E esse rapaz nunca mais teve medo.

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"Everyday, you get up in the morning, you should live your life like a fookin' rock n' roll star!" 
Liam Gallagher

O impacto que "Definitely Maybe" teve no rapaz que serve de sujeito à história em cima foi bombástico. Não só na forma, como também no conteúdo.
(Acho que já posso revelar que esse rapaz é quem vos escreve)

Depois de ouvir e interiorizar o álbum de estreia dos Oasis, comprei todos os álbuns e os vídeos da banda (não eram muitos) e converti-me. Ouvia os álbuns, via e revia os concertos e os videoclips até à exaustão. Comecei a vestir-me como os irmãos Gallagher e a ostentar alguma (há quem diga que muita) da sua mania.

"In my mind my dreams are real"

Os últimos 2 posts representam as 2 primeiras partes da minha própria Trilogia da Glaciação. O último capítulo desta saga deveria sair agora, mas decidi, adequadamente, não a terminar. E decidi interrompê-la da mesma forma que fiz há mais de 15 anos: com "Definitely Maybe".
(Edit: se atendermos aos últimos 3 posts ("God"/"I Appear Missing"/"Love Is Blindness"), já temos aqui completa a Trilogia, nem era preciso mais nada)

Se há uma lição que se pode tirar de "Definitely Maybe" (e porque não, de toda a discografia dos Oasis) é que a nossa vida é o que fazemos dela; que andar aqui é do caralhão; que estar vivo é do caralhão. "These could be the best days of our lives", indeed.
Às vezes esquecemo-nos disso.
Ontem, como hoje, "Definitely Maybe" está aqui para nos recordar.
As ondas vão e vêm e a vida de quem vive com o coração hasteado num mastro (no pun intended) é uma árdua sinusoidal, cheia de altos e baixos. Mas chegar ao fim do dia e saber que tudo o que se fez, se fez com o coração, é condição suficiente para querer acordar no dia seguinte e fazer tudo de novo.
Porque estar cá é mesmo do caralhão.

"I live my life for the stars that shine"

"Definitely Maybe" não é hoje o meu álbum preferido dos Oasis. Mas foi, no seu tempo, sem dúvida, o mais importante.
Obrigado Noel. Obrigado Liam. Obrigado Oasis.

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Já me esquecia: os Oasis anunciaram hoje que "Definitely Maybe" vai ser lançado em Maio em edição de luxo, daquelas que eu devoro como o Liam Gallagher bebe whisky (ou eu...). Mas mais sobre isso mais tarde...


"It's just rock n' roll!
It's just 
rock n' roll!
It's just 
rock n' roll!
It's just 
rock n' roll!
It's just 
rock n' roll..."

segunda-feira, 25 de março de 2013

Blur - "Tender"

"Love's the greatest thing that we have"


"I hate that Alex [James] and Damon [Albarn]. I hope they catch AIDS and die."
Noel Gallagher - guitarrista dos Oasis, em entrevista para o The Observer (1995)


"I can't make up with Noel. Britpop would be over!"
Damon Albarn - vocalista dos Blur (2007)

O dia em que a Britpop morreu? Foi no último Sábado, 23 de Março de 2013, que se enterrou definitivamente o machado entre os Oasis e os Blur, em pleno Royal Albert Hall - sala emblemática de Londres, cidade onde a rivalidade entre as bandas foi alimentada nos últimos 20 anos, dentro das redacções da NME e outras publicações musicais do género.

A rivalidade entre os Oasis e os Blur está já bem documentada (inclusivamente aqui no blog), atingindo o seu pináculo em Agosto de 1995, com a "Batalha do Britpop". Acusações e insultos foram trocados; jornais, revistas e muitos, muitos discos foram vendidos. Milhões deles. O fenómeno foi brilhantemente capitalizado pela "indústria" discográfica britânica e a febre foi transmitida para (quase) todo o Mundo. (menos os EUA, que estavam ainda a levar com doses industriais de Grunge e depois passaram directamente para o fenómeno das Boysband / Girlsband dos late 90's e assim saltaram o melhor dos anos 90... o Britpop)

A relação entre Damon e Noel foi amenizando com os anos e terá sido alegadamente sanada depois de um encontro fortuito num bar, onde terão trocado piadas sobre o fenómeno que os juntou e terão chegado à conclusão de que o que os une é muito maior do que os separa.

A reconcialiação não foi fácil, principalmente para Damon Albarn, a parte mais negativamente afectada com o confronto. Veja-se o desconforto de Damon no documentário "Live Forever", de 2003, a falar sobre a rivalidade com os Oasis e sobre as diferenças sociais que ambas as bandas representavam (Classe operária - Oasis / classe média - Blur).

Em 2007, apesar das reticências de Damon relativamente a uma reconciliação (leia-se a citação no início do texto), Noel já mostrava um discurso substancialmente diferente dos anos 90:
"I've got a lot of respect for Damon, I really do mean it. Because I'm indifferent to Damon, he thinks that I think he's a cunt.
Our Liam will talk to him, I won't because he's just another singer in a band to me, but I don't think he's a cunt.
Good luck to him!"
Noel Gallagher, em entrevista para a NME (2007)

A parte em que Liam Gallagher (vocalista dos Oasis e irmão de Noel) iria falar com Damon Albarn para fumar o cachimbo da paz é obviamente fantasiosa (quiçá sarcástica...), mas a intenção parecia estar lá.

Foi assim em estado de (meio) choque que Noel deixou o Mundo, quando em Dezembro anunciou a presença de Damon Albarn e Graham Coxon (vocalista e guitarrista dos Blur, respectivamente) no evento promovido pelo próprio: o Teenage Cancer Trust 2013. Recorde-se que a actuação de Noel nesse evento, em 2007, fora documentada no álbum "The Dreams We Have As Children - Live At The Royal Albert Hall", lançado em 2009.
Mais do que anunciar a presença de Damon e Graham, Noel chocou o Mundo ao revelar que tencionava tocar com eles e que até já aprendera "Tender", tema que tocava em casa.



"They’ll be playing Blur songs, I would think. I’ll be playing mine. Will we share the stage together? I hope so. I’m up for it. It’s always good to have a little jam.


10 years ago, who’d have thought it?"
Noel Gallagher, em promoção do Teenage Cancer Trust 2013 (2012)

De facto, há 10 anos atrás, quem ousaria pensar tal coisa?
Mais em choque ficou o Mundo, quando viu os 2 históricos arqui-rivais abraçados na cerimónia dos Brit Awards 2012, no mês passado. Depois de partilhar uma mesa com Damon, Noel revelou o seu desencanto pela falta de bandas Rock no evento (sentimento que terá aproximado ainda mais ambas as partes), adiantando que até poderiam tocar juntos na cerimónia do próximo ano.


"Tender is the day the demons go away"
O momento por que todos esperavam chegou no Sábado passado.
Noel Gallagher, Damon Albarn, Graham Coxon e Paul Weller (outra lenda da música britânica, de bandas como The Jam, conhecido como "The Modfather") juntaram-se em palco e tocaram "Tender" dos Blur, enterrando, em público, de uma vez por todas, o machado da Britpop.
Vejam com os vossos próprios olhos, porque palavras não chegariam para descrever isto:



O machado estava finalmente enterrado. Alívio é o que se vê nas caras de Damon, Noel e Graham.

A escolha do tema foi perfeita. À falta de Liam para cantar um tema dos Oasis, a escolha deveria cair num tema dos Blur. E qual é o tema dos Blur que melhor materializa a alegria da amizade, do amor e, no caso, da reconciliação? "Tender", pois claro. O tal tema que Noel até já tocava em casa.
Na minha opinião, a melhor alternativa seria "Don't Look Back In Anger" dos Oasis, originalmente cantada por Noel e cujo título assenta que nem uma luva à ocasião. Mas nem esse tema teria o impacto do Gospel de "Tender".



"Tender" é o grande sing-along dos Blur. Historicamente, é o tema da reconciliação. Senão vejamos:
Em 1999, "Tender" foi o tema que reconciliou Graham e Damon, na altura em clivagem criativa, na composição do tema mais ecuménico da banda, incluído no álbum "13".
Aquando da reunião dos Blur em 2009, "Tender" foi o tema que pôs Glastonbury a cantar a plenos pulmões a parte escrita por Graham ("Oh my baby, oh my baby! Oh why! Oh my!"), naquele que foi o momento de reconciliação definitiva entre os Blur e entre os Blur e a sua audiência.
Reconciliação, portanto. Aqui:




Nota importante: Na guerra entre os Oasis e os Blur, eu sempre favoreci os Oasis.
Não porque fossem a banda da classe operária, mas porque em adolescente me identificava mais com a sua música e com a sua atitude. Para um adolescente , cantar "Tonaaaaaaaaiiiiiiiiiite I'm rock n' roll star!!!" ("Rock N' Roll Star" dos Oasis) fazia mais sentido do que "Girls who want boys, who like boys, to be girls..." ("Girls And Boys", dos Blur). Foram duas bandas que me marcaram, mas a marca dos Oasis foi muito mais carregada.
Mas o que é que isto interessa? Será que estive pelos Oasis e a favor da dissolução dos Blur, na "Batalha do Britpop"? Obviamente que não. Arrisco dizer que hoje em dia, ninguém está. Quem gosta de um, normalmente gosta do outro.
A excepção é obviamente feita a... Liam Gallagher.
Liam já reagiu à reunião do irmão com os membros dos Blur e, como se esperaria, não se mostrou muito contente:
"Don’t know what’s worse RKID [Noel Gallagher] sipping champagne with a war criminal or them backing vocals you’ve just done for BLUE!"
Liam Gallagher, no Twitter (25 de Março de 2013)

...sendo que "BLUE" é obviamente uma dupla referência aos Blur e à Boysband britânica Blue, com o intuito de rebaixar os Blur. O que dizer? Liam Gallagher no seu melhor.

Será que a Britpop morreu mesmo? Não sei, mas se morreu, de certeza que não foi com este episódio.
Infelizmente, o movimento musical mais profícuo dos últimos 20 anos parece já estar morto há muito tempo.
Quanto muito, o histórico evento de Sábado serviu para lembrar as pessoas que, nos anos 90, surgiram no Reino Unido duas bandas que fizeram música que preencheu a vida de milhões de pessoas (eu incluído). E quem sabe, fizeram ver essas pessoas que o ódio deve ser dissolvido e como é dito em "Tender":
"Love's the greatest thing that we have"

Edit: Adicionado um vídeo pro-shot da actuação, cortesia do The Sun e uma reportagem do evento:

segunda-feira, 4 de março de 2013

The Smiths - "Heaven Knows I'm Miserable Now"

"I was happy in the haze of a drunken hour, but heaven knows I'm miserable now"


Ainda os The Smiths e ainda o imbatível legado musical britânico. Hoje para um pequeno paralelismo entre duas bandas britânicas pivotais, nos anos 80 e 90: os The Smiths e os Oasis, respectivamente. E também para um mais que merecido reconhecimento da indústria musical, para com um dos ícones da música do Reino Unido.

A influência dos The Smiths na música britânica é imensa. Todo o Rock alternativo que apareceu a partir de meados dos anos 80 na Grande Ilha tem qualquer coisa de Smiths. Na música e no estilo. Basta olhar para Noel Gallagher, guitarrista dos Oasis - banda britânica "chave" dos anos 90 - para se perceber a analogia.


Desde o penteado até à escolha da guitarra - a Gibson ES-355 - Noel Gallagher fez questão de imitar Johnny Marr, um dos seus heróis:


Noel começou a utilizá-la em 2002, na digressão de promoção ao álbum "Heathen Chemistry" e desde então que se tornou na sua guitarra de eleição.
Já antes disso, Johnny Marr tinha servido como uma espécie de mentor dos Oasis, oferecendo uma Gibson Les Paul Sunburst a Noel, antes da gravação de "Definitely Maybe", bem como estadia livre num dos seus apartamento em Londres. Os tempos eram outros, na altura Noel estava à procura de sucesso e não tinha dinheiro para usufruir de luxos como uma Les Paul. Johnny teve fé em Noel e apostou nele.

O problema é que o mau feitio de Noel foi descarregado na lindíssima Les Paul, quando um fã dos Oasis invadiu o palco em Newcastle, em 1994, e Noel o "aviou" com a guitarra, destruindo-a. Sem a guitarra de Noel, a digressão dos Oasis estava em risco e foi aí que Johnny interveio novamente, oferecendo mais uma Gibson a Noel.


A propósito da sua nomeação, este mês, para o prémio Godlike Genius da revista NME (prémio que, curiosamente, foi entregue a Noel Gallagher no ano passado por... Johnny Marr), Marr pegou na lendária guitarra Gibson ES-355 e contou a história de como ela foi parar originalmente às suas mãos:



No vídeo, Johnny Marr conta a história do dia 2 de Janeiro de 1984 - o dia em que lhe chegou às mãos a icónica Gibson ES-355 e em que escreveu o êxito dos The Smiths "Heaven Knows I'm Miserable Now".
Umas semanas antes, quando os The Smiths iam assinar com a Sire Records, para a distribuição dos seus discos nos EUA, Seymour Stein (presidente da editora) levou a banda a jantar. No meio de uma série de histórias do meio musical, Seymour contou que uma dia tinha comprado uma guitarra a Brian Jones dos Rolling Stones, em Nova Iorque. Johnny viu aí uma oportunidade de lucrar com isso e disse que se o levasse também a Nova Iorque para comprar uma guitarra, como fizera a Brian Jones, que os The Smiths assinavam com a sua editora. Num momento de fraqueza, Seymour concordou e no dia 2 de Janeiro de 1984, Johnny e Seymour foram à Rua 48, em Nova Iorque, para cumprir a promessa. Já cansado de esperar e com medo da hora tardia, mesmo antes do fecho das lojas, Johnny Marr escolheu a icónica guitarra vermelha Gibson ES-355. A mesma guitarra vermelha onde escreveria, nessa mesma noite, no hotel, "Heaven Knows I'm Miserable Now" e "Girl Afraid".

"Heaven Knows I'm Miserable Now" foi lançado em single em Maio de 1984 e atingiu o 10º posto nas tabelas de singles britânicas - a posição mais alta durante o tempo de vida dos The Smiths. O tema seria mais tarde incluído na compilação "Hatful Of Hollow".



No vídeo em cima, Johnny pega na Gibson ES-355 e toca os acordes de "Heaven Knows I'm Miserable Now", tema que já não tocava há 25 anos. Muito tempo passou, mas a música dos The Smiths (principalmente dos primeiros anos) continua fresca, parece nada ter envelhecido.
Enquanto houver um adolescente deprimido, trancado no seu quarto, com necessidade de carpir as suas mágoas, a música dos The Smiths será sempre actual.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Noel Gallagher - "(It's Good) To Be Free" (Semi-Acoustic Live)

"The little things, they make me so happy. Well, it's good... Yes, it's good... It's good to be free"



"Head like a rock spinning round and round"
Volvido praticamente um mês, hoje voltei a ouvir no carro o "álbum do acidente". O álbum é "The Dreams We Have As Children", uma gravação semi-acústica de Noel Gallagher, ao vivo no Royal Albert Hall, no concerto de beneficiência para Teenage Cancer Trust.
Chamo-lhe o "álbum do acidente", mas sem quaisquer ressentimentos. Ao ouvi-lo, obviamente me lembrei do acidente, mas acho que isso vai ficar para sempre. O meu primeiro acidente de viação (muito menos grave que este, só "chapa") foi há quase 4 anos e deu-se ao som de "Candy's Room" de Bruce Springsteen. Não há vez nenhuma que eu ouça o tema e eu não me lembre dessa manhã azarada...
Mas dizia eu que não guardo ressentimentos da música de Noel Gallagher. Afinal, o acidente foi muito mais que um simples azar, foi uma chamada de atenção, um wake up call.

A vida testa-nos de muitas maneiras e às vezes dá-nos um valente abanão, que no mínimo serve para nos obrigar a repensar o nosso caminho. Não estou aqui a teorizar sobre o destino, ou sobre qualquer ordem que o Universo tenha sobre os acontecimentos caóticos da nossa vida, de modo a dar algum sentido a "tudo isto". Nada disso. À parte de toda a subjectividade de tais discussões, reitero apenas que alguns destes acontecimentos caóticos nos obrigam a parar... e a pensar.
E foi o que se passou comigo.

"So what would you say if I said to you: "it`s not in what you say, it`s in what you do!"...?"
Esta manhã, ao ouvir novamente o maravilhoso órgão na introdução de "(It's Good) To Be Free" - tema de abertura de "The Dreams We Have As Children" - mais do que recordar o acidente, lembrei-me que o abanão teve resultados práticos.
Lembrei-me de como é bom ser livre para operar uma revolução na nossa vida , sempre que tal seja necessário. ("so I start a revolution from my bed", como dizia Noel em "Don't Look Back In Anger")
Lembrei-me que, volvido um mês um mês do acidente, a palavra já deu lugar a acção.
A palavra escrita vai dar lugar à palavra falada.
A palavra lida vai dar lugar à palavra escutada.

Lembrei-me de tudo isso... e esbocei um sorriso.
Porque são as pequenas coisas que me fazem feliz.

"The little things, they make me so happy. All I wanna do is live by the sea Well, it's good... Yes, it's good... It's good to be free"


P.S.: "(It's Good) To Be Free" foi originalmente lançado pelos Oasis em 1994, como um Lado B do single "Whatever". Criminoso, como é que Noel relegou um tema da tarimba de "To Be Free" para a obscuridão de um lado B... Crime esse que repetiria mais vezes ao longo da sua carreira, tanto nos Oasis, como a solo, ao deixar temas de fora dos álbuns temas como "Fade Away", "Masterplan", "Idler's Dream", "Listen Up", "Alone On The Rope" e muitos outros.
À semelhança de "Fade Away", a versão original de "(It's Good) To Be Free" era cantada por Liam Gallagher, num registo bem mais eléctrico. Ambas foram incluídas em 1998 na colectânea de Lados B "The Masterplan".


domingo, 23 de setembro de 2012

Blur - "Beetlebum"

"And when she lets me slip away..."


Em meados da década de 90, os Blur disputavam com os Oasis o domínio da cena musical do Reino Unido. Juntas (com a ajuda de mais um leque de outras bandas como os Pulp, os Suede, ou os Elastica), formavam o núcleo duro do movimento Britpop e conseguiram diluir a incessante "americanização" da música britânica, resultante da explosão do grunge e da invasão das tabelas do UK por bandas como os Nirvana, os Pearl Jam, ou os Soundgarden. Contra este tipo de música "I Hate Myself And Want To Die" do grunge (ressalvando que esta generalização não corresponde, obviamente, à totalidade da música americana da época), as bandas britânicas retaliaram com uma mensagem mais positiva e mais de acordo com as suas origens.

Damon Albarn previu que o público do seu país iria abraçar esta nova mensagem, de acordo com a sua herança, em detrimento do grunge e os Blur apostaram forte no sentimento british, com os seus álbuns "Modern Life Is Rubbish" (1992) e "Parklife" (1994). Por esta altura, surgia então a outra grande banda do Britpop, com o seu dilacerante álbum de estreia "Definitely Maybe". Falo, obviamente, dos Oasis.

Os Oasis e os Blur começaram por trocar elogios, como duas bandas do mesmo movimento a disputarem um lugar nas luzes da ribalta. Damon Albarn e Graham Coxon mostraram o seu respeito pelos Oasis quando nos Brit Awards de 1995 (que "limparam" com o seu álbum "Parklife"), lhes dedicaram o prémio de "Melhor Banda". No entanto, os irmãos Gallagher nunca foram especialmente conhecidos pela sua boa educação e começaram a olhar para os Blur como um adversário.

Alimentado pela imprensa e pela indústria discográfica britânica, ávidas de lenha para a fogueira do lucro, o conflito entre os Oasis e os Blur teve o seu apogeu na famosa "Batalha do Britpop" que, a 14 de Agosto de 1995, pôs o Mundo em expectativa para saber quem ia tomar o 1º lugar das tabelas de singles britânicas. O conflito era comparado ao dos The Beatles contra os The Rolling Stones, 30 anos antes. Escusado será dizer, que as tabelas de singles britânicas ferviam como nunca e naquelas semanas foram batidos recordes de vendas dos últimos 10 anos.

Frente a frente, estavam "Roll With It" pelos Oasis (2º single de "(What's the Story) Morning Glory?") e "Country House" pelos Blur (1º single de "The Great Escape"). Na "Batalha do Britpop", os Blur ganharam, vendendo 274 mil cópias, contra 216 mil dos Oasis. Mas se os Blur ganharam a batalha, foram os Oasis que venceram a guerra.
Depois do lançamento de "Wonderwall", o álbum "(What's the Story) Morning Glory?" tornou-se num fenómeno de vendas no Reino Unido (4 Milhões (!!!) de cópias só no UK, tornando-se no 3º álbum mais vendido de sempre nas ilhas) e obteve enorme sucesso nos EUA (chegou ao nº 4 das tabelas), algo que os Blur nunca conseguiram.

Como resultado, os Blur acabaram o ano ridicularizados no Reino Unido, passando do estado de graça de "banda mais fixe" do Reino Unido em 1995, para a "banda dos choninhas", um ano mais tarde. Era anunciada a vitória da classe operária do Norte de Inglaterra, representada pelos Oasis, contra a classe intelectual do Sul, representada pelos Blur.
Nos Brit Awards de 1996, um ano depois da homenagem dos Blur, os Oasis resolveram devolver o mimo de uma forma ligeiramente diferente...


(note-se na qualidade dos nomeados para álbum do ano no Reino Unido em 1996 e compare-se com o marasmo vivido nos últimos anos...)

Para Graham Coxon, guitarrista dos Blur, chegara a hora de uma mudança de estilo. Fã de sempre de música underground britânica, Graham estava então imerso no Indie Rock americano, de bandas como os Sonic Youth ou os Pavement.
Inicialmente, a mudança proposta por Coxon não foi bem vista pelos outros membros da banda, mas com o tempo, Albarn deixou-se conquistar por aquele tipo de música mais caótico, em favor da sua Pop mais meticulosa, em parte responsável pelo ridículo em que a banda tinha caído.


E foi assim, na onda desta revolução na sua sonoridade, que os Blur endureceram e nos ofereceram aqueles que são, para mim, os dois grandes álbuns da banda: o homónimo "Blur", de 1997 e "13", de 1999.
A sequência de abertura de "Blur" não fazia por menos e apresentava desde logo os 2 primeiros singles do álbum - "Beetlebum" e "Song 2" - os veículos que os levariam à outra margem e devolveriam o respeito da sua audiência. O álbum acabaria por notabilizar-se mais com o seu 2º single "Song 2", mas o grande momento dos Blur, para mim, é mesmo este "Beetlebum".
"He's on, he's on, he's on it..."
Com "Beetlebum", Damon Albarn abriu as portas dos dramas da sua própria vida. O tema é sobre o seu vício da heroína, sendo que a "Beetlebum" é ela mesmo: a heroína.
Nas palavras do próprio Damon:



Não que eu não goste do material mais antigo dos Blur, mas quando eles fizeram esta transição de Britpop, para Britrock (chamemos-lhe assim) mostraram que, afinal, não eram apenas capazes de fazer música mordaz e irónica, com narrativas satíricas sobre a sociedade britânica. Para além disso, os Blur tinham sentimentos reais e eram capazes de os mostrar, com narrativas mais terra-a-terra e música mais dura e menos polida.


Graham Coxon queria com "Blur" fazer música "que voltasse a assustar as pessoas". Aquele solo de guitarra no fim de "Beetlebum" fez-me exactamente isso quando o ouvi pela primeira vez. Missão cumprida. Estavam aí os novos Blur.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Noel Gallagher - "Fade Away" (Semi-Acoustic Live)

"Fade away while we're living the dreams we have as children"



Depois do fim dos Oasis em 2009, a carreira a solo de Noel Gallagher está neste momento a arrancar a sério.
Em Outubro teremos o lançamento do álbum homónimo da sua nova banda - os "Noel Gallagher's High Flying Birds" - e entretanto o single de avanço "The Death Of You And Me" foi lançado dia 21 de Agosto, chegando ao (discreto) 15º lugar das tabelas britânicas. Uma desilusão, tendo em conta que Noel Gallagher é ainda uma das referências do Rock britânico.
Veremos como é que o álbum será recebido no mês que vem.

No entanto, o primeiro lançamento oficial de Noel Gallagher a solo data de Março de 2009, uns meses antes da famosa discussão em Paris, que ditaria o fim dos Oasis. Trata-se de "The Dreams We Have As Children", um álbum gravado ao vivo no Royal Albert Hall em 2007, para a instituição de caridade "Teenage Cancer Trust".


"The Dreams We Have As Children" tem sido o meu álbum de eleição nas últimas semanas, tocando repetidamente em qualquer lado onde esteja: seja em casa na minha aparelhagem, ou na rua no meu Creative (sim, porque em termos de compatibilidade e de qualidade sonora, a Creative é muito melhor que a Apple e o seu iPod).

O que mais me impressiona em "The Dreams We Have As Children" é a forma como os temas clássicos dos Oasis ganham uma nova vida, uma vez submetidos à transformação semi-acústica imposta por uma banda formada por Noel na guitarra acústica, Gem na guitarra eléctrica ou nas teclas e "the mysterious Terry" na percussão.



É esse o caso deste fabuloso "Fade Away", que dá nome a este álbum numa das suas linhas.
"Fade Away" é um tema da autoria do próprio Noel, originalmente gravado em 1994 como um Lado B para o Single de "Cigarrettes And Alcohol".


A versão original de "Fade Away" era cantada por Liam Gallagher e situava-se no território mais próximo do Punk que os Oasis pisaram. Ao ouvir "Fade Away" novamente em "The Dreams We Have As Children", este tema transforma-se, de repente, numa melódica balada.
Fabuloso.

Curiosamente, "Fade Away" já tinha conhecido um tratamento semelhante, quando em 1998 foi gravada a "Warchild Version", para uma compilação de ajuda à caridade e incluída como lado B no single japonês de "Don't Go Away". Esta versão conta com Noel na voz, Johnny Depp na guitarra e Lisa Moorish e Liam nos backing vocals.



Na altura em que Noel escreveu "Fade Away", supostamente com o propósito definido de ser um lado B, era habitual este ter a arrogância de atirar grandes temas para lados B dos singles, não os guardando para futuros álbuns. Embora constantemente avisado que os temas que escrevia eram bons demais para serem relegados para lados B, Noel teimava que "se foram escritos para serem lados B, lados B devem ser". E assim foi.

"Now my life has turned another corner, I think it`s only best that I should warn you: Dream it while you can, maybe someday I`ll make you understand"

Noel julgava que a inspiração que carregava consigo nos anos dourados dos Oasis duraria para sempre. Como seria de esperar, uns anos mais tarde Noel já se confessava arrependido destas decisões.
Outro exemplo desta arrogância é o fabuloso "Listen Up", que curiosamente também foi deixado como um Lado B de "Cigarrettes And Alcohol". Estes temas, juntamente com outros lados B de qualidade semelhante, foram reunidos em 1998 para a compilação "The Masterplan" - provavelmente a mais sólida compilação de lados B da História.


O vídeo que se apresenta em cima foi gravado na Union Chapel (em Londres), em Novembro de 2006. Este foi um concerto inserido numa pequena digressão semi-acústica pela Europa, que Noel Gallagher e Gem Archer fizeram para promover a compilação "Stop The Clocks" dos Oasis.
Esta actuação na Union Chapel seria posteriormente editada para transmissão televisiva, dando lugar ao especial "Sitting Here In Silence", numa alusão a "Sittin' Here In Silence (On My Own)", outro lado B dos Oasis, também escrito por Noel Gallagher, para o single de "Let There Be Love".

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Oasis - "Gas Panic!" (Live At Wembley 2000 - "Familiar To Millions")

"What tongueless ghost of sin crept through my curtains?"



O álbum original com maior rotação na minha aparelhagem no ano 2000 foi "Standing On The Shoulder Of Giants" dos Oasis, de onde saiu este fabuloso "Gas Panic!".
Foi a minha fase mais Britrock / Britpop, numa época em que o género povoava a rádio, estando já a pouco tempo do seu "canto do cisne". Para além dos Oasis, havia os Blur, os Pulp, os Suede, os Coldplay (no começo), os Manic Street Preachers, os Travis... Enfim a "Grande Ilha" trazia muita música boa nesta altura.

"If you hear me tap on you window, you better get on your knees and pray. 
Panic is on the way!"
Na minha opinião, este é um dos temas mais subestimados dos Oasis. Se eles são correntemente acusados de fazerem música sem profundidade (e com alguma razão), este tema é um exemplo acabado do exacto oposto. "Gas Panic!" foi alegadamente escrito numa noite de delírio, enquanto Noel Gallagher se livrava do vicío das drogas. O tema retrata o pânico associado a essa experiência, mas na verdade pode ser relacionado com inúmeras outras situações.


O vídeo que fica aqui é de uma versão gravada no velhinho Estádio do Wembley, que está no álbum ao vivo "Familiar To Millions". Recordo-me vividamente da manhã fria de Sábado em que vi pela primeira vez este clip na TV. Era a abertura do programa "Top Rock" da TVI e este era apresentado como a próxima grande aposta da Rádio Comercial na altura. O tema entrou mesmo em powerplay (o nome que davam aos temas com maior rotação) nessa rádio durante algumas semanas, mas nunca ganhou grande notoriedade, uma vez que a banda não apostou na sua promoção (não foi lançado em single, apesar de terem produzido um vídeo). Para além disso, este está longe de ser um tema com potencial para se tornar um êxito para os Oasis, nem ao nível de "Go Let It Out" (do mesmo álbum) e muito menos ao nível de "Wonderwall".

Assim, não voltei a ver o clip durante anos, mas a imagem dos Oasis no lindíssimo Wembley (palco de outros concertos que eu cresci a ver) ficou-me na retina. Pessoalmente, tenho muita pena de não ter tido a oportunidade de ver um concerto ao vivo naquele estádio, entretanto demolido.
Já ouvi muitos álbuns ao vivo de muitos artistas e tendo em conta que há vários gravados no Wembley, posso dizer há algo que distingue esses álbuns ao vivo de todos os outros: a acústica.
A arquitectura do velhinho Estádio do Wembley proporcionava um eco que conferia uma acústica única, fabulosa para os concertos ao vivo. Esta acústica foi perdida com a construção do novo estádio e não há maneira de a recuperar...
Foi-se a estrutura, ficaram as gravações. Esta é uma das que vale a pena recordar.