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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

"The World That Waits Outside" | O álbum perdido de Noel Gallagher (I)

"The World That Waits Outside"
O álbum perdido de Noel Gallagher

Como o primeiro álbum a solo de Noel Gallagher se transformou no álbum mais mal-amado dos Oasis

I. "Fuckin' In The Bushes" | Cocaína e feedback
II. "Gas Panic!" | O período de glaciação
III. "One Way Road" | O álbum de um homem só
IV. "Where Did It All Go Wrong?" | O mundo que espera lá fora
V. "Solve My Mystery" | O álbum perdido

I. "Fuckin' In The Bushes" | Cocaína e feedback



Se perguntarem ao Noel Gallagher qual foi o seu apogeu enquanto compositor, de certeza que ele vos aponta o período entre 1993 e 1995, anos em que escreveu e gravou as canções que viriam a figurar nos álbuns "Definitely Maybe" e "(What's the Story) Morning Glory?". É difícil contra-argumentar com isto. Mas se a seguir lhe questionarem sobre o seu pior período, é provável que Noel indique a era do álbum "Standing On The Shoulder Of Giants", lançado no ano 2000. E aí meus amigos, o Noel está out of his fucking mind.


Vou ser directo: "Standing On The Shoulder Of Giants" (SotSoG) é não só o álbum mais underrated dos Oasis, como também é o trabalho sonicamente mais audaz da banda de Manchester, a milhas de tudo o que fizeram antes. O álbum tem dois problemas que atormentam a sua reputação: é muito dark e portanto completamente diferente do que o público estava à espera (especialmente depois do hedonismo de "Be Here Now"); e porque, de facto, está pejado de um punhado de temas do mais desinspirado que Noel já escreveu ("Put Your Money Where Your Mouth Is"? Really?).

Só pondo as mãos numa daquelas compilações menos legais de demos das sessões de 1998 e 1999 é que percebemos o que se perdeu em SotSoG. E só conhecendo a História e juntando as peças do puzzle, conseguimos ter a noção que poderíamos estar na presença da obra-prima dark de Noel Gallagher; uma espécie de Definitely Maybe negro; um Morning Glory da depressão; o grande álbum perdido de Noel Gallagher. Mas lá chegaremos. Antes disso, um pouco de História.
"Once you've written the greatest Rock N' Roll album of the 90s, what do you do?"
Noel Gallagher, "Standing On The Shoulder Of Giants" EPK

Em primeiro lugar, para perceber a (óbvia) mudança de sonoridade de "Be Here Now" para SotSoG, é preciso contextualizar a miríade de tempestades que Noel Gallagher viveu no fecho da década de 90. Depois de ocupar a cadeira dos deuses em Knebworth, em Agosto de 1996, o melhor que Noel poderia ter feito seria gozar umas merecidas férias para limpar a cabeça. Mas Noel e a Creation (a editora dos Oasis) queriam capitalizar o momentum da banda e como tal afogaram-se em cocaína para conseguirem finalizar o álbum "Be Here Now", lançado um ano mais tarde, em Agosto de 1997.

O álbum denotava clara falta de quality control: metade brilhante, metade decepcionante, mas todo ele BOOOMfull-blown, in your face e outros anglicanismos que tais. Uma horda de layers de feedback desnecessário que nuns casos tentavam disfarçar canções insossas, mas noutros apenas asfixiavam temas ao melhor nível de Noel ("Don't Go Away" à cabeça).

O mundo recebeu "Be Here Now" em euforia, mas rapidamente se apercebeu que não era assim tão bom como ansiava (e precisava). Entretanto, Spices, Backstreets, Britneys e Robbies continuavam a sua ascensão até ao topo e rapidamente o mundo se esqueceu dos Oasis, tão depressa como tinha sido sacudido com a sua chegada em 1994/1995. De repente, todos duvidavam das capacidades de Noel, o mesmo homem que durante dois anos escrevera hits atrás de hits que haviam povoado as tabelas britânicas. Noel via-se obrigado a provar o seu valor outra vez.

Amanhã, a História dos anos negros de Noel Gallagher ou, como eu lhe gosto de chamar, o seu período de glaciação.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Oasis - "Gas Panic!" (Live At Wembley 2000 - "Familiar To Millions")

"What tongueless ghost of sin crept through my curtains?"



O álbum original com maior rotação na minha aparelhagem no ano 2000 foi "Standing On The Shoulder Of Giants" dos Oasis, de onde saiu este fabuloso "Gas Panic!".
Foi a minha fase mais Britrock / Britpop, numa época em que o género povoava a rádio, estando já a pouco tempo do seu "canto do cisne". Para além dos Oasis, havia os Blur, os Pulp, os Suede, os Coldplay (no começo), os Manic Street Preachers, os Travis... Enfim a "Grande Ilha" trazia muita música boa nesta altura.

"If you hear me tap on you window, you better get on your knees and pray. 
Panic is on the way!"
Na minha opinião, este é um dos temas mais subestimados dos Oasis. Se eles são correntemente acusados de fazerem música sem profundidade (e com alguma razão), este tema é um exemplo acabado do exacto oposto. "Gas Panic!" foi alegadamente escrito numa noite de delírio, enquanto Noel Gallagher se livrava do vicío das drogas. O tema retrata o pânico associado a essa experiência, mas na verdade pode ser relacionado com inúmeras outras situações.


O vídeo que fica aqui é de uma versão gravada no velhinho Estádio do Wembley, que está no álbum ao vivo "Familiar To Millions". Recordo-me vividamente da manhã fria de Sábado em que vi pela primeira vez este clip na TV. Era a abertura do programa "Top Rock" da TVI e este era apresentado como a próxima grande aposta da Rádio Comercial na altura. O tema entrou mesmo em powerplay (o nome que davam aos temas com maior rotação) nessa rádio durante algumas semanas, mas nunca ganhou grande notoriedade, uma vez que a banda não apostou na sua promoção (não foi lançado em single, apesar de terem produzido um vídeo). Para além disso, este está longe de ser um tema com potencial para se tornar um êxito para os Oasis, nem ao nível de "Go Let It Out" (do mesmo álbum) e muito menos ao nível de "Wonderwall".

Assim, não voltei a ver o clip durante anos, mas a imagem dos Oasis no lindíssimo Wembley (palco de outros concertos que eu cresci a ver) ficou-me na retina. Pessoalmente, tenho muita pena de não ter tido a oportunidade de ver um concerto ao vivo naquele estádio, entretanto demolido.
Já ouvi muitos álbuns ao vivo de muitos artistas e tendo em conta que há vários gravados no Wembley, posso dizer há algo que distingue esses álbuns ao vivo de todos os outros: a acústica.
A arquitectura do velhinho Estádio do Wembley proporcionava um eco que conferia uma acústica única, fabulosa para os concertos ao vivo. Esta acústica foi perdida com a construção do novo estádio e não há maneira de a recuperar...
Foi-se a estrutura, ficaram as gravações. Esta é uma das que vale a pena recordar.