terça-feira, 27 de setembro de 2016

"The World That Waits Outside" | O álbum perdido de Noel Gallagher (II)

"The World That Waits Outside"
O álbum perdido de Noel Gallagher

Como o primeiro álbum a solo de Noel Gallagher se transformou no álbum mais mal-amado dos Oasis

I. "Fuckin' In The Bushes" | Cocaína e feedback
II. "Gas Panic!" | O período de glaciação
III. "One Way Road" | O álbum de um homem só
IV. "Where Did It All Go Wrong?" | O mundo que espera lá fora
V. "Solve My Mystery" | O álbum perdido

II. "Gas Panic!" | O período de glaciação



Só há uma coisa que o mundo gosta mais que a ascensão de uma estrela — a sua queda. Qual estrela cadente, Noel foi atirado para o esquecimento das últimas páginas dos tablóides no fim dos anos 90. Dos anos hedonísticos da Britpop, sobraram os problemas com a droga e a bebida e as tensões na banda e no casamento. Ao mesmo tempo, Noel teve que lidar com um divórcio, com a saída de dois membros fundadores da banda (Guigsy e Bonehead), com a sua própria saída das drogas e claro, com a sempre tempestuosa relação com o irmão mais novo. Noel refugiou-se na música e ali despejou os seus tormentos.


Noel Gallagher teve entre 1998 e 2000 o seu período de glaciação, em analogia ao período equivalente de Neil Young entre 1973 e 1975. Curiosamente, à semelhança de Neil, Noel também não gosta deste período decadente, presumo que devido às memórias traumáticas a que está associado e à dor de lidar com o mundo sóbrio ("I wanna get high but I never could take the pain") depois de anos de festa rija.

No espaço de apenas um ano, a escrita de Noel passou de "stay young and invincible", para "I'm just getting older"de "you know it's gonna be okay", para "where did it all go wrong?"; de "it's getting better, man!", para "I could give a hundred million reasons to build a barricade"; de "all my people right here, right now" para "all alone in a one way road"; os exemplos são inúmeros.

A mudança radical no estado de espírito de Noel num par de meses apenas é sintomática e não se vê só na lírica. Basta olhar para a imagery da banda. De uma tarde soalheira britânica na capa de "Be Here Now", passamos para uma skyline fria e cinzenta em NY. Nos vídeos, passamos das cores beatlescas de "All Around The World", para o deserto em "Who Feels Love" e a chuva em "Go Let It Out". Os Oasis mergulharam na escuridão.



"We should have never made Standing on the Shoulder of Giants, I’d come to the end. At the time, I had no reason or desire to make music. I had no drive. I had no inspiration and couldn’t find inspiration anywhere."
Noel Gallagher, grantland.com

My ass. É frequente ouvir estas tretas do Noel, que tudo o que escreveu por esta altura era merda. Pois é precisamente ao contrário. O material escrito entre 1998 e 1999 representa "apenas" o mais profundo, mais sincero e mais REAL lote de canções do seu espólioFoi aqui que Noel deitou tudo cá para fora. Não é por acaso que acabaria por servir de filão para muitos anos de repescagens para os seus álbuns ("Let There Be Love", "Little By Little" e "Force Of Nature", para além de inúmeros lados B, remontam a esta altura).


Para além dos temas "glaciares" sobre drogas e isolamento, há aqui um segundo lote de canções mais bem dispostas, escritas em dias em que, presumo, Noel se sentia melhor; talvez depois de sair à rua, talvez depois de assistir ao filme "Message To Love" sobre o festival Isle Of Wight, o que lhe terá dado uma outra visão mais madura sobre o seu próprio consumo de drogas (Noel usaria uma série de excertos de testemunhos do filme em "Fuckin' In The Bushes"). Infelizmente foram estes temas "mais seguros", mais "à Oasis", que apareceram maioritariamente no disco.

É um contra-senso, mas o critério de Noel na escolha de material para este álbum parece ter sido definido pela selecção dos temas que mais o distanciavam do seu próprio período negro. Só assim se explica que alguns dos melhores temas que já escreveu fossem atirados para Lados B ("One Way Road", "Let's All Make Believe) e outros nem sequer vissem a luz do dia ("Solve My Mystery", "It's A Crime"). Noel repudia frequentemente "Be Here Now" com o pretexto que "tempos felizes não fazem bons álbuns", mas depois nem quer ouvir falar dos tempos de SotSoG. Decide-te, Noel.

Nenhum período mostra uma visão caleidoscópica do interior da mente de Noel como o seu período de glaciação. A única lástima é que, enquanto o período análogo de Neil produziu 3 álbuns ("Time Fades Away", "On The Beach" e "Tonight's The Night"), Noel materializou apenas um álbum - "Standing On The Shoulder Of Giants". E que álbum pobre para representar esta época. Não foi por falta de canções que Noel não foi mais profícuo, foi só falta de coragem em lançá-las ao mundo.

Amanhã, como este lote de canções pessoais se transformou num álbum dos Oasis.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

"The World That Waits Outside" | O álbum perdido de Noel Gallagher (I)

"The World That Waits Outside"
O álbum perdido de Noel Gallagher

Como o primeiro álbum a solo de Noel Gallagher se transformou no álbum mais mal-amado dos Oasis

I. "Fuckin' In The Bushes" | Cocaína e feedback
II. "Gas Panic!" | O período de glaciação
III. "One Way Road" | O álbum de um homem só
IV. "Where Did It All Go Wrong?" | O mundo que espera lá fora
V. "Solve My Mystery" | O álbum perdido

I. "Fuckin' In The Bushes" | Cocaína e feedback



Se perguntarem ao Noel Gallagher qual foi o seu apogeu enquanto compositor, de certeza que ele vos aponta o período entre 1993 e 1995, anos em que escreveu e gravou as canções que viriam a figurar nos álbuns "Definitely Maybe" e "(What's the Story) Morning Glory?". É difícil contra-argumentar com isto. Mas se a seguir lhe questionarem sobre o seu pior período, é provável que Noel indique a era do álbum "Standing On The Shoulder Of Giants", lançado no ano 2000. E aí meus amigos, o Noel está out of his fucking mind.


Vou ser directo: "Standing On The Shoulder Of Giants" (SotSoG) é não só o álbum mais underrated dos Oasis, como também é o trabalho sonicamente mais audaz da banda de Manchester, a milhas de tudo o que fizeram antes. O álbum tem dois problemas que atormentam a sua reputação: é muito dark e portanto completamente diferente do que o público estava à espera (especialmente depois do hedonismo de "Be Here Now"); e porque, de facto, está pejado de um punhado de temas do mais desinspirado que Noel já escreveu ("Put Your Money Where Your Mouth Is"? Really?).

Só pondo as mãos numa daquelas compilações menos legais de demos das sessões de 1998 e 1999 é que percebemos o que se perdeu em SotSoG. E só conhecendo a História e juntando as peças do puzzle, conseguimos ter a noção que poderíamos estar na presença da obra-prima dark de Noel Gallagher; uma espécie de Definitely Maybe negro; um Morning Glory da depressão; o grande álbum perdido de Noel Gallagher. Mas lá chegaremos. Antes disso, um pouco de História.
"Once you've written the greatest Rock N' Roll album of the 90s, what do you do?"
Noel Gallagher, "Standing On The Shoulder Of Giants" EPK

Em primeiro lugar, para perceber a (óbvia) mudança de sonoridade de "Be Here Now" para SotSoG, é preciso contextualizar a miríade de tempestades que Noel Gallagher viveu no fecho da década de 90. Depois de ocupar a cadeira dos deuses em Knebworth, em Agosto de 1996, o melhor que Noel poderia ter feito seria gozar umas merecidas férias para limpar a cabeça. Mas Noel e a Creation (a editora dos Oasis) queriam capitalizar o momentum da banda e como tal afogaram-se em cocaína para conseguirem finalizar o álbum "Be Here Now", lançado um ano mais tarde, em Agosto de 1997.

O álbum denotava clara falta de quality control: metade brilhante, metade decepcionante, mas todo ele BOOOMfull-blown, in your face e outros anglicanismos que tais. Uma horda de layers de feedback desnecessário que nuns casos tentavam disfarçar canções insossas, mas noutros apenas asfixiavam temas ao melhor nível de Noel ("Don't Go Away" à cabeça).

O mundo recebeu "Be Here Now" em euforia, mas rapidamente se apercebeu que não era assim tão bom como ansiava (e precisava). Entretanto, Spices, Backstreets, Britneys e Robbies continuavam a sua ascensão até ao topo e rapidamente o mundo se esqueceu dos Oasis, tão depressa como tinha sido sacudido com a sua chegada em 1994/1995. De repente, todos duvidavam das capacidades de Noel, o mesmo homem que durante dois anos escrevera hits atrás de hits que haviam povoado as tabelas britânicas. Noel via-se obrigado a provar o seu valor outra vez.

Amanhã, a História dos anos negros de Noel Gallagher ou, como eu lhe gosto de chamar, o seu período de glaciação.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

David Gilmour - "Smile"

"Leaving is a better way to find my way home to your smile"


Adeus, David Gilmour (outra vez)

Esta é mesmo a última vez, agora é que é, a sério

Estive no primeiro (Pula), no segundo (Verona) e no terceiro (Firenze). Depois fui ao primeiro americano (Hollywood #1) e ao segundo americano (Hollywood #2). Depois presenciei o mais importante de todos (Pompeii) na primeira fila e prometi que seria o último. Menti.



Sou de impulsos, é certo. Mas isto é mais do que só um impulso. Sabem quando se vêem subjugados pelo peso da vida e sentem que têm que fazer alguma coisa? Pois, nessas situações, eu tenho duas coisas que nunca falham: Londres e David Gilmour. Quando as duas se juntam e cai no colo a oportunidade de ficar num lugar de luxo, numa sala lendária, numa ocasião irrepetível (the very last date of the tour), numa altura em que é exactamente disto que eu preciso, como recusar?

Chocada com a notícia, a minha mãe já me perguntou por que eu não me caso com o David Gilmour. Eu disse-lhe que apesar do amor não escolher idades, até ele é demasiado velhinho para mim. Bem sei que lhe disse adeus em Pompeia, mas depois de ter estado em todos os concertos importantes da Rattle That Lock Tour, não podia faltar ao último dos últimos. É um fecho de ciclo perfeito.

Agora sim, pela última vez, adeus David Gilmour. E obrigado por tudo. I love you.

P.S.: Para celebrar este momento, fiquem com "Smile" que, qual coincidência, acabei de encontrar, imaginem, numa mixtape velhinha.

P.P.S.: A minha mãe já está descansada. Depois de dizer que ia a Londres, disse-lhe que a escolha era isto, ou apanhar um avião para Denver (🎶é um dinossauro🎶) e ver os Tears For Fears em Red Rocks. Ficou logo mais aliviada.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Eurythmics - "I Saved The World Today"

"There's a hurting thing inside, I've got everything to hide"


Restaurar cópia de segurança?

A música como máquina do tempo

Sabem quando instalam um novo sistema operativo no telemóvel, mas depois de uns tempos de utilização, vêem que nada funciona como queriam e após muito batalhar, chegam à conclusão que a única maneira de corrigir a merda que fizeram é restaurar as configurações gravadas na última cópia de segurança? Sabem? É o mais próximo da máquina do tempo que o homem já inventou. Desse a vida para restaurar a última cópia de segurança e seria tudo tão mais fácil. Máquinas do tempo não existem na Fnac e provavelmente não viverei até ver essa secção ao lado dos televisores a cores. Mas tenho a música.

A única forma que tenho de fugir ao novo sistema operativo que incautamente instalei na minha cabeça, é ouvindo uma música que teleporta o meu mindset para um lugar seguro e soalheiro e assim restaurar as definições que estão gravadas na melodia do tema. Ancorar ali em segurança, nem que seja só por três minutos de sol.

Ao ouvir a música em repeat, uma, duas, três, dez vezes, a app do subconsciente irá activar o sistema de protecção e com vários pop-ups perguntar ao consciente "Tem a certeza que pretende voltar às definições gravadas quando ouviu esta música?". Como se houvesse dúvidas. O problema são os impulsos não civilizados do inconsciente - esse filho da puta - que se manifesta inexoravelmente até foder a vida a um gajo, deitá-lo abaixo com sentimentos e memórias de momentos perigosamente felizes, quais doses de heroína, instantâneas e fugazes, que fogem para dar lugar à miséria do consciente.

A minha cópia de segurança está gravada algures em 1999, altura em que passava na Rádio Comercial este "I Saved The World Today" dos Eurythmics. Nunca fui fã da banda (tirando o "Sweet Dreams (Are Made Of This)", que é uma malha do cacete), mas este tema, oh it takes me back, back to that safe place.
Tinha escrito mais um parágrafo sobre o lugar onde está a cópia de segurança e por que está ali guardada, mas temo que este post já esteja suficientemente depressivo. Descansem, os meus pulsos estão intactos e estou provavelmente a ouvir em repeat a playlist da Rádio Comercial de 1999.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Crowded House - "Weather With You"

"You can fight the sleep, but not the dream"
Estava eu a vasculhar o meu Spotify, quando dou de caras com uma das minhas bandas preferidas, a quem eu tenho feito vista grossa nos últimos tempos — os Crowded House. Outrora os Crowded House serviam para me aquecer o coração, qual cobertor quentinho que se puxa quando acordamos a tremer de frio naquelas noites em que parece que vai estar calor, só que depois não.

Numa altura em que a banda de Neil Finn se prepara para regressar aos concertos com o pretexto de celebrar as reissues de toda a sua discografia, talvez seja a hora de voltar a pegar no meu cobertor neozelandês preferido.

Lembrei-me então de uma história cutchi-cutchi de um grande amigo com o hit "Weather With You". Há uns anos, ele tinha uma "love interest" americana de nome Heather; a páginas tantas, a Heather —apaixonada — enviou-lhe por correio uma foto em formato postal dos dois juntos num barco. Romântico? Esperem. Virando o postal, no verso podia ler-se:

"Everywhere you go, always take the Heather with you"



Awwwww.
E eu, que não conhecia, nem nunca cheguei a conhecer a Heather, fiquei fã dela imediatamente.

If only he did.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Oasis - "Columbia" (Live At Knebworth)

Nunca fui a Knebworth Park. Com muita pena minha, nunca tive oportunidade de ir ao local sagrado onde os Pink Floyd enterraram o "The Dark Side Of The Moon" em 1975, os Led Zeppelin enterraram os seventies em 1979 e os Queen se enterraram em 1986. Por alguma razão, Knebworth parece estar sempre associado a uma imagem bipolar de apogeu e fecho de ciclo.
Qual acaso profético, foi também o local escolhido pelos Oasis para celebrar o pináculo da Britpop, com um fim-de-semana de concertos esgotados em Agosto de 1996. Sem saberem, os Oasis estavam também a enterrar a Britpop. Mas já lá vamos.

E eis que ontem, num acaso não-sei-se profético, sem que eu soubesse ou esperasse, o Universo me fez cair nas mãos um bilhete para o evento mais importante dos anos 90:


Fuck me, por esta não estava à espera.

Knebworth Park, 11 de Agosto de 1996; Noel Gallagher entra no palco cheio de si, perfeitamente ciente que naquele momento morava no topo do mundo; e grita:
"THIS IS HISTERAY! THIS IS HISTERAY! Right here, right now, THIS IS HISTERAY!"


Ao seu lado, Liam podre de bêbedo, como sempre. Na sua cabeça, ele já morava no topo do mundo desde que cantava para dez bifes saídos das obras nos bares de Manchester "Tonaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa-ite I'm a Rock N' Roll staaaaaaaaaaaar". Knebworth Park era por isso somente o cumprimento do óbvio para Liam. "Hoje embebedo-me aqui, amanha embebedo-me na casa de uns mates", terá pensado, enquanto reclamava que a cerveja não estava suficientemente fresca.

Mas Noel sabia da efeméride que Knebworth encerrava. Depois de ditar que todos os que estavam ali, naquele momento, presenciavam História, Noel dá as boas vindas oficiais com um "Good evening planet Earth"... e arranca para um eufórico "Columbia", do álbum de estreia "Definitely Maybe". Ouçam os gritos de Noel, lá atrás nas backing vocals de "Yeah-yeah-yeah!!! Yeah! Yeah! YEAAAAAH!" e meçam por vocês, de zero a Knebworth, o quanto ele estava a flutuar acima do chão.

11 de Agosto de 1996 foi o clímax da bebedeira da Britpop. O problema é que nessa mesma semana, tinha saltado para o primeiro lugar das tabelas no UK e na Irlanda o tema "Wannabe", de umas tais Spice Girls, uma "banda" desconhecida que, mal sabiam Noel e os seus pares, iria mudar tudo. Depois vieram as Britneys e os Backstreets e nada nunca mais seria o mesmo. No dia da sua maior bebedeira, a Britpop começara o seu rápido declínio.


P.S.: Sim, a foto também mostra o último álbum do Noel autografado pelo próprio. Também me chegou às mãos por acaso. Mas não digam nada ao Noel que, até ver, ainda estamos zangados.

domingo, 18 de setembro de 2016

The Smiths - "Reel Around The Fountain"

"I dreamt about you last night and fell out of bed twice"


Sonho #2

Estou num hotel. Em Lisboa, acho. O Morrissey vem cá e eu vou vê-lo. Como estou num hotel, talvez já não more em Lisboa, não sei. Estou à porta do quarto, num piso muito alto, num corredor envidraçado com vista panorâmica sobre uma metrópole que não se parece nada com a Lisboa que eu conheçoMas sinto que é Lisboa.

Ela vem aí. Acabámos há já muito tempo, não sei precisar quanto, mas sinto que já se passaram vidas. Morri e renasci várias vezes desde a última vez que a vira. Vejo-a chegar pelo corredor envidraçado, está igual. Ela veste rosa, um sorriso aberto e uma cara de quem esperou uma eternidade por aquele momento.

Num volte-face aparentemente randómico, explode uma gritaria ao fundo do piso. Alguém grita "vem aí o Liam!". Oi? O Liam? O Gallagher? Deve ter vindo ver o Morrissey também. O piso é invadido por uma multidão histérica que rodeia um Gallagher mais baixo que o Liam. É o Noel! Alguém o agarra e PUM, o Noel acerta-lhe com um soco mesmo no centróide do nariz. A multidão dispersa e eu penso "foda-se, será que estou a sonhar?" (estava mesmo), mas vou lá na mesma. Grito "HEY NOEL", ao mesmo tempo que levanto o punho com cara cerrada, a fazer bingo com a fúria que ele vestia debaixo dos Ray-Ban. Noel deixa escapar um sorriso no fundo da boca e acerta-me afirmativamente, punho com punho. Fizemos finalmente as pazes.


Viro-me para trás e ela estava a sorrir. Sabia da importância daquele momento. Demos as mãos, sorrimos um para o outro e fomos ver o Morrissey. Just like in the beginning.

Acordo. São 6 da manhã. É o segundo bloco de duas horas que durmo hoje.