"Well, that's a question down to time"
Um pouco à imagem do que acontece com os Scorpions, os escoceses Simple Minds vivem hoje com o estigma dos dinossauros do Rock, que com o passar dos anos foram rotulados com os trabalhos mais comerciais e de menor qualidade que fizeram.
Ainda que a fase mais inventiva dos Simple Minds tenha, efectivamente, ocorrido no período de 1979 a 1982 (com apogeu no álbum New Gold Dream (81/82/83/84)"), aquele que é, para mim, o grande trabalho da banda surgiria em 1985, com o nome de "Once Upon A Time".
"Once Upon A Time" capitalizou o sucesso do single "Don't You (Forget About Me)", da banda sonora do filme de culto "The Breakfast Club", que no ano anterior tinha chegado ao topo das tabelas em todo o Mundo (incluindo os EUA). O single de avanço do álbum seria "Alive And Kicking" e este projectou, em definitivo, os Simple Minds para a linha da frente do mainstream Pop/Rock internacional.
O álbum atingiria o nº 1 no Reino Unido, vendendo 4 milhões de cópias em todo o Mundo.
Agora fica a questão que é sempre levantada sempre que certas bandas de culto, mestres num determinado registo (como eram os Simple Minds no New Wave), atingem o sucesso mainstream: a que preço é que veio o sucesso? Será que sucumbiram às regras da indústria em detrimento da sua arte?
A resposta não pode ser generalizada. Neste caso concreto, do álbum "Once Upon A Time", esse conceito certamente que não se aplica.
Apesar de terem, inequivocamente, adoptado um registo mais comercial, tal não significa que os Simple Minds perderam qualidade na sua música. Não aqui, não ainda. Bem pelo contrário.
"Once Upon A Time" mostra uma banda madura, sincronizada e com a perfeita noção das suas qualidades e limitações. Mostra uns Simple Minds inspiradíssimos, com 8 temas muitos fortes, ao mais alto nível na sua escrita.
Por outro lado, são também uns Simple Minds mais calculistas, atentos ao pormenor, com menos espaço para as divagações próprias do New Wave mais puro, que marcou os seus primeiros álbuns. Esta atenção ao detalhe não tem que ser algo necessariamente mau, quando o resultado é algo tão bem produzido e ao mesmo tempo, com tanta vida, como "Once Upon A Time".
Talvez se tenha perdido um pouco do "rasgo" nos Simple Minds. Mas o que se perdeu num lado, ganhou-se no outro.
"Once Upon A Time" é um álbum fabuloso do princípio ao fim, um casamento perfeito entre as qualidades dos Simple Minds e as premissas do sucesso.
O álbum apresenta uma consistência notável, com o seu ponto alto a aparecer logo no início, no seu tema-título. Sem paragens para baladas, são 8 faixas antémicas de coração aberto e punhos erguidos no ar. Perfeitas para encaixarem que nem uma luva nas ondas da rádio dos anos 80.
Não sei se a intenção era, declaradamente, a de produzir um álbum de sucesso em massa (algo que aconteceu também, no mesmo ano, com o amigo e inspiração da banda Peter Gabriel e o seu álbum "So"), mas a verdade é que em 1985 as estrelas se alinharam na perfeição para os Simple Minds. O sucesso lançou a banda para um patamar de tal ordem estratosférico, que na época vendiam mais discos que, por exemplo, os U2.
Com isto tudo, reafirmo que "Once Upon A Time" é a prova que para produzir música com sucesso, não é preciso comprometer a sua qualidade. Aliás, basta olhar para as carreiras dos The Beatles, ou dos Queen, para termos exemplo disso mesmo.
É claro que esta viragem comercial é um movimento perigoso e tem um preço muito alto a pagar, caso corra mal. Muito poucos são os casos em que uma banda consegue manter a sua matriz base, adaptar-se ao registo da época e manter um sucesso continuado (já dei o exemplo dos Queen). O passar dos anos provou que os Simple Minds não são um desses exemplos.
Depois de "Once Upon A Time", a banda pagou a factura da viragem comercial, vulgarizou-se a pouco e pouco (os álbuns continuaram a ter material interessante, mas cada vez em menos quantidade) e comprometeu a sua música e a sua imagem.
"God only knows, God only knows... That's time!"







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