segunda-feira, 4 de junho de 2012

Bruce Springsteen & The E Street Band - "Spirit In The Night" (Live in Lisboa 2012)

‎"Trust some of this, it'll show you where you're at, or at least it'll help you really feel it"

Nota prévia: Se não estão preparados para (mais) um texto cheio de superlativos e loas a Bruce Springsteen e à sua E Street Band, devem abandonar desde já este espaço. Aqui, sempre se adorou, adora-se e vai continuar a adorar-se o Boss.

Segunda nota prévia: Por volta das 21:30 de ontem, a meio do concerto dos James no Palco Mundo, o vocalista da banda - Tim Booth - deu o mote para o que se passaria umas horas mais tarde. Com aquele seu ar sério de ex-presidiário na tentativa de reinserção na sociedade, Tim Booth contou uma história que se passou com ele e que terá marcado o fim da sua adolescência "rebel without a cause":

"I was a 16 years old punk rocker, all my role models were self destructive.
I was into the Sex Pistols and Iggy Pop and a 100 other tortured artists who wished to come on stage and cut themselves for people's entertainment.
And then... when I was 17, a friend of mine bought me a ticket to see a concert in Birmingham, in England. I didn't wanna go, because I didn't like the guy's music. And they dragged me along to this guy's concert in Birmingham and after the 3rd song, I was standing up with the biggest smile on my face.
That was Bruce Springsteen & The E Street Band. That was the "Born To Run" tour.
They showed me another kind of artist that doesn't have to burn himself out... That doesn't have to cut themself for people's entertainment.
They showed me a new way of being onstage.
So it's a great pleasure to be here this evening, with you and with them.
We need more role models like Bruce Springsteen.
I needed one."

Bruce Springsteen & The E Street Band ao vivo, como uma life changing experience. Onde é que eu já ouvi isto?
De uma maneira ou de outra, esta é uma história cujos contornos são comuns a milhares de pessoas em todo o Mundo e que ontem foi partilhada por muitas outras.

Isto ignorando o facto que Tim Booth se trocou todo nas datas e/ou nos locais, uma vez que a E Street Band tocou pela primeira vez em Birmingham (UK) em 1981, na digressão de promoção ao álbum "The River". Na digressão de "Darkness On The Edge Of Town" (1978-1979), Bruce não saiu do espaço EUA / Canadá, por falta de verbas. Nas digressões de "Born To Run" (1974-1977), Bruce foi, efectivamente ao Reino Unido (Tim fez 17 anos em 1977), mas tocou apenas em Londres, no lendário Hammersmith Odeon.


Loas a Bruce Springsteen? Este espaço está longe de estar sozinho.
Especialmente desde ontem à noite, quando Bruce Springsteen trouxe finalmente a lendária E Street Band a Portugal. Depois do espectáculo sensaborão de Alvalade em 1993, com a Other Band (sim, a "outra" banda de Bruce foi mesmo baptizada de... Other Band), havia uma clara onda descrente em relação ao Boss no nosso país. Até ontem. Ou melhor, até hoje, porque o Boss demorou a chegar e quando entrou no Palco Mundo do Rock In Rio Lisboa 2012, já passavam das 0:00 de 4 de Junho.

Bruce demorou, mas quando chegou, não defraudou as expectativas e deu aquele que para mim foi o MELHOR (e mais longo?) concerto do festival. Como já esperava, foi mais que um concerto, foi uma experiência.

Por onde é que eu hei-de começar? Vou ter que escrever qualquer coisa sobre o que presenciei, mas não sei ao certo o quê, uma vez que ainda estou em êxtase pós-orgásmico.
Foram 2 horas e meia de masturbação emocional colectiva. Um turbilhão de emoções. Milhares de vidas que nunca mais serão as mesmas. Porque a partir de ontem, para essas pessoas houve qualquer coisa lá dentro que mudou, uma emoção que acordou.
Tal como aconteceu com Tim Booth, na sua juventude. Tal como aconteceu com o meu melhor amigo que, tal como acontecera com Tim Booth, também eu "arrastei" para o concerto de ontem. E tal como Tim, também ele, ao fim do 3º tema, deu por ele com um sorriso idiota na cara.
São muitos anos a arrancar sorrisos a carrancudos.
É o Boss. É inigualável.

Mas reitero: desde as 2:30 de hoje, que este espaço deixou de estar sozinho em Portugal.
Ao longo do dia, a imprensa multiplicou-se em loas ao Boss, elegendo a sua actuação como o grande concerto do Rock In Rio 2012. Mas não só. Hoje já li críticas que vão desde “o concerto do Rock In Rio”, passando pelo “concerto do ano”, até ao “concerto da década”.
Para ver alguns exemplos: aqui, aqui, aqui, aqui, ou aqui.
Como disse ontem Bruce, após arrancar um surpreendente "Twist And Shout" para fechar o concerto (até ontem "Tenth Avenue Freeze Out" tinha sido sempre o último tema): "You've just experienced the legendary E Street Band!". Indeed we did.

Ninguém se pode queixar que não foi avisado.
No início do concerto, como é seu hábito, Bruce profetizou a missão da E Street Band. Na introdução de "Spirit In The Night" - um dos meus temas preferidos de Bruce, do seu álbum de estreia de 1973: "Greetings From Asbury Park, NJ" - Bruce revelou ao que vinha:

"The E Street Band has come thousands of miles, just to be here in Lisbon tonight.
And we've come here on a mission!
We're gonna bring the power! We're gonna bring the glory! We're gonna bring the fun! We're gonna stimulate your sexual organs, with the power of Rock N' Roll!
Can you feel the spirit? Can you feel the spirit now?"



E assim foi.
Depois de 3 dias consecutivos de Rock In Rio, hoje estou de rastos. Sem voz, com a garganta rebentada e já não sinto pernas, pés e costas.
Estou mais morto que vivo, mas estou feliz. Com o tal sorriso idiota na cara.

Obrigado por tudo, Bruce. Vemo-nos por aí, numa estrada qualquer. De preferência brevemente.

"Together we move like spirits in the night!"

domingo, 3 de junho de 2012

Bruce Springsteen - "Land Of Hope And Dreams"

"You don’t know where you’re goin’ now, but you know you won’t be back"



É HOJE!
E pronto, é hoje que o Rock In Rio chega ao fim, despedindo-se da melhor forma, com o regresso do Boss a Portugal, pela primeira vez com a sua E Street Band. É o mais esperado (por mim, obviamente) concerto do Rock In Rio.

Como não poderia deixar de ser, as minha expectativas estão em alta.

‎Começo por dizer que Bruce Springsteen é o meu "artista a solo" (por oposição a "banda") preferido. Não só pela sua música per se, mas mais até pela poder da mensagem que ele transmite. Porque a música é um veículo de emoções, ninguém sabe transmitir melhor uma emoção que Bruce Springsteen.

Bruce Springsteen toca-me em especial porque a sua música descreve situações reais, emoções reais, com as quais eu (e milhões de outras pessoas) me posso identificar. E não é para isso que a música serve?

Acima de todas as outras qualidades que Bruce, como artista, pode carregar, esta é a que o distingue de todos os outros: a capacidade de materializar o sofrimento de um homem, as suas dúvidas e fraquezas, os seus anseios e dilemas, num pedaço de música. Com Bruce, é possível agarrar num disco e dizer "aqui mora a verdadeira dimensão do sofrimento de um homem".

Há um tema em particular, do qual eu já falei aqui, que ilustra a minha argumentação. Chama-se "The Promise" e é o meu tema preferido de Bruce.
É este o tema que eu desejo, em especial, que Bruce toque hoje à noite. Há muitos outros, como é óbvio, mas esta é especial. É o fecho de um ciclo.

Mas nem só de sofrimento vive a música de Bruce Springsteen.
A música de Bruce Springsteen é também sinónimo de redenção e de esperança.
E é isso que ouvimos em "Land Of Hope And Dreams": a celebração da redenção e dos sonhos de uma reviravolta para um futuro mais risonho.

"This train, dreams will not be thwarted
This train... Faith will be rewarded
This train... The steel wheels singing
This train... Bells of freedom ringing"

Agora impõe-se a questão... O que é que nos espera no concerto de hoje do Boss?
A verdade é que é extremamente difícil prever a setlist de um concerto de Bruce Springsteen, uma vez que este nunca repete um alinhamento e estreia temas novos todas as noites.
O conceito de um concerto de Bruce é tocar à medida da resposta do público, tanto em termos de duração do espectáculo, como na escolha dos temas. Ora, tendo em conta que o seu reportório é muitíssimo vasto, torna-se virtualmente impossível adivinhar o que se vai passar a seguir.
Porém, existem alguns padrões e só mediante uma análise estatística podemos (vagamente) prever o que se vamos ouvir hoje à noite.

Até ao momento, na digressão de promoção ao álbum "Wrecking Ball", Bruce já deu 29 concertos, 9 dos quais na Europa (as setlists integrais estão aqui). Esta distinção é fundamental, uma vez que há determinados temas que Bruce toca preferencialmente nos EUA e na Europa.
Assim, no conjunto da digressão, estes foram os temas que Bruce mais tocou:


Desde que chegou à Europa, Bruce abandonou muitos dos habitués americanos, como é o caso de "American Skin (41 Shots)" (felizmente, uma vez que é dos poucos temas de Bruce que não aprecio). Na Europa, os temas que Bruce mais tocou foram:


Olhando para ambas as tabelas, nota-se que há uma viragem para temas mais comerciais, com especial ênfase no álbum "Born In The U.S.A.", de 1984. Isto é visível analisando a estatística do número de vezes que temas de cada álbum foram tocados, no conjunto da digressão e apenas na Europa:


Com isto, voltamos à pergunta inicial: o que esperar do concerto de Bruce?
Como podemos ver nas tabelas em cima, há uns temas que ele toca sempre e outras quase sempre. A base é o novo álbum ("Wrecking Ball"), complementado com alguns êxitos no fim e uns fan favorites pelo meio.

Esta é a minha aposta para o que vamos ouvir hoje, com a escala cromática do vermelho (slots de maior variabilidade, impossíveis de adivinhar), passando pelo amarelo torrado (alguma probabilidade), o amarelo (muito provável), até ao verde (temas que vão ser tocados com quase toda a certeza).


Ao lado está a setlist que eu, realisticamente, gostaria de ouvir. Escusado será dizer, que se fosse eu a escalar o alinhamento, este seria muito mais leve em temas do novo álbum e muito mais pesado em álbuns como "Darkness On The Edge Of Town" e "Born To Run".
Mas a verdade é esta: nunca se sabe. E esse é um dos factores mágicos de um concerto do Boss.

É HOJE!!!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Lenny Kravitz - "Let Love Rule"

"We got to let love rule!"



aqui referi que o momento que aguardo com mais expectativa neste Rock In Rio é a chegada de Bruce Springsteen, ao leme da sua E Street Band.
Mas nem só de Bruce se fará o Rock In Rio... Se Domingo é do Boss, Sábado é do Master (Soul)Blaster (lá chegarei brevemente!) e Sexta... Sexta é do Lenny!
Finalmente Lenny Kravitz! Finalmente, porque desde a digressão de promoção ao álbum "Lenny", em 2002 (já lá vão 10 anos!), que tento apanhar um concerto dele, mas por alguma razão, tal nunca se concretizou.

Desde o primeiro álbum ("Let Love Rule") lançado em 1989, Lenny já leva uma carreira de respeito, com mais de 20 anos. Quando Lenny apareceu, numa altura em que o paradigma musical se polarizava entre as bandas de hair metal e o Europop / Eurodance (que iria dominar as tabelas nos early 90's), Lenny estava claramente deslocado da onda das massas. Mas mesmo assim conseguiu o seu espaço.

A crítica achou que Lenny não trazia nada de novo e o seu estilo foi classificado de derivativo.
De facto, tudo o que ouvíamos nos primeiros álbuns de Lenny parecia familiar: as guitarras soavam como Jimi Hendrix, o baixo tinha o groove do Funk e os instrumentos de sopro pareciam directamente saídos de um disco da Motown. Tudo isto fundido no Rock, com uma produção retro, que reproduzia a sonoridade dos discos dos anos 60 e 70.
Tudo isto era familiar, mas tudo isto era novo. Tal mistura não era, de todo, habitual e só podia estar ao alcance de um grande músico.
Lenny era, nesta fase, claramente um peixe fora de água.

O sucesso mainstream veio um pouco mais tarde com o álbum "Are You Gonna Go My Way" (o riff do tema-título é fantástico, um momento abençoado de Lenny) e com o Rock mais "puré de batata" do álbum "5" no final dos anos 90, que o propagou pelas ondas de rádio, um pouco por todo o Mundo.

Os anos passaram e Lenny nunca mais recuperou o edge do início da sua carreira.
Ele chega agora ao Rock In Rio e a minha maior expectativa reside, obviamente, nos clássicos.
É o caso de "Let Love Rule", o tema-título do primeiro álbum de Lenny. Um hino ao amor. "Let Love Rule" indeed, Lenny. Subscrevo. É a única maneira de viver.

"Love transcends all space and time..."

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Bruce Springsteen & The E Street Band - "Working On A Dream" (Live Hyde Park 2009)

"I'm working on a dream, though sometimes it feels so far away"



Começou na passada 6ª feira o Rock In Rio Lisboa 2012. São dois fins-de-semana de grande concertos, que culminam naquele que é, para mim, o mais esperado concerto ano. Falo obviamente de Bruce "The Boss" Springsteen, que traz a Portugal, pela primeira vez, a E Street Band. Infelizmente tarde demais para o público português ver o saxofonista Clarence Clemons e o teclista Danny Federeci, membros originais da banda, já falecidos entretanto.
Mas isso não parece abalar a energia do Boss.

Bruce têm andado a espalhar a sua magia pela Europa e nos últimos dias deu concertos que quase bateram a marca das 3 horas e meia. Leram bem: 3 horas e meia!! Para um rockeiro que já conta com 62 anos, isto é um feito, no mínimo, notável.

É fácil perceber que as minhas expectativas estão a bater nos limites.
Porque um concerto de Bruce Springsteen & The E Street Band é muito mais que um concerto: é uma life changing experience. E, acreditem, não sou só eu que o digo. Basta fazer uma simples pesquisa na internet para perceber que este é o mais comum dos relatos após o "baptismo" da E Street Band.

Obviamente, eu também tenho a minha estória de baptismo.
Foi no dia 2 de Agosto de 2009, no Monte do Gozo, a poucos quilómetros de Santiago de Compostela, que eu assisti a um dos melhores concertos da minha vida. Foi muito mais que um concerto, foi uma experiência, foi o meu baptismo da E Street Band.

O concerto marcava o ponto final da longa digressão europeia, de promoção ao álbum "Working On A Dream". Bem... De promoção ao álbum, o concerto teve pouco, uma vez que Bruce despachou "Outlaw Pete" e o tema-título "Working On A Dream" logo no início e depois foram mais de 3 horas de clássicos, sobre clássicos. Um must.
Nessa noite ameaçada pela chuva, eu carregava uma gripe já em fase implacável, mas nada disso impediu que se tornasse uma das noites mais memoráveis da minha vida.

Foi ali, naquele belíssimo auditório natural do Monte do Gozo (onde não puderam entrar milhares de pessoas com bilhete na mão, porque os organizadores foram gananciosos e venderam mais 10 000 bilhetes do que podiam), que eu percebi do que se tratava. Qualquer pessoa que goste de ver um concerto Rock não deve viver sem ver pelo menos uma vez a E Street Band em acção.
É qualquer coisa de inexplicável.

O vídeo que eu deixo aqui hoje foi filmado num concerto um mês antes de Compostela, no festival Hard Rock Calling em Londres. Nesta interpretação de "Working On A Dream", o tema mais forte do álbum que Bruce promovia na altura, o Boss faz um longo interlúdio onde explica quem são a E Street Band e ao que vêm.
O momento é arrepiante e eu deixo aqui a transcrição do discurso, que ilustra a missão a que a E Street Band se propõe:

“The E Street Band has come thousands of miles to fulfil their solemn vow to ROCK THE HOUSE!
But we didn’t come all this way tonight just to ROCK the house… We came here tonight because we wanna BUILD a house!
We’re gonna take the FEAR that’s out there and we’re gonna build a house of LOVE!
We’re gonna take the DOUBT and we’re gonna build us a house of FAITH tonight!
We’re gonna take the DESPAIR and we’re gonna build us a house of HOPE!
We’re gonna take all the BLUES that’s out there and that’s in you and we’re gonna build us a house tonight of JOY and HAPPINESS! Because that’s our job…
And we’re gonna take the COOLING OFF and we’re gonna build a house of SEXUAL HEALING!
That’s right, oh yes we will! And we got all the tools we need right here on this stage and on this lawn tonight… And when we build that house, we’re gonna use the bad wood and we’re gonna use the good wood! And we’re gonna use the bad news that’s out there tonight and we’re gonna use the good news that’s in here tonight…
Now, to build a house out of music and out of spirit and out of noise… Well, the mighty E Street Band is here tonight and we’re gonna bring down the power of the music on you!"


Pela minha parte, cá os espero no Domingo, com as expectativas nos píncaros.
Vem, Boss! Vem e traz tudo! Eu estou preparado. :)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Donna Summer - "She Works Hard For The Money"

"She works hard for the money, so you better treat her right!"



RIP Donna Summer, a proclamada "Rainha da Disco".

Fica aqui o meu tema preferido da Donna: "She Works Hard For The Money".
O tema tem uma clara injecção Rock, com um proeminente solo de guitarra. Talvez ainda ecos do álbum Disco que mais marcou os anos 80, lançado no ano anterior pelo, na época, também proclamado "Rei da Disco" Michael Jackson. Falo, obviamente, de "Thriller" e de temas como "Beat It", onde Eddie Van Halen foi chamado para um solo de guitarra que "fez" o tema.

Citando o sempre eloquente Slash:

"Although I pretty much loathed Disco, I always thought she was pretty cool."

Tal como para o Slash, o Disco não é bem a minha praia. Mas isso não significa que não consiga apreciar alguns trabalhos neste registo.
Como vimos, "She Works Hard For The Money" chegou apropriadamente numa fase já pós-disco. É 80's em estado puro. E é óptimo.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Guns N' Roses - "Double Talkin' Jive"

"Double talkin' jive, get the money motherfucker 'cos I got no more patience.
Double talkin' lies! No more patience, man... You dig what the fuck I'm sayin', old fuck?"



Todos os anos é a mesma coisa. Chega o sol, o termómetro sobe e as minhas colunas são invadidas pelos Guns N' Roses. Os Guns ou, alternativamente, algo também num panorama mais pesado.
E sabe tão bem.

Hoje deixo aqui "Double Talkin' Jive", um tema de Izzy Stradlin, originalmente no álbum "Use Your Illusion I", mas cuja versão no álbum está longe de lhe fazer justiça, talvez por casmurrice do próprio Izzy.
Axl Rose queixava-se que Izzy não queria trabalhar nas suas canções em estúdio, aquando das sessões dos álbuns "Use Your Illusion", preferindo que os seus temas se mantivessem "o mais simples possível", em contraponto com a visão grandiosa que Axl tinha para o quádruplo álbum que aí vinha.
Com Izzy fora da banda, pouco depois do muito aguardado lançamento de "Use Your Illusion I" e "Use Your Illusion II", os Guns tiveram oportunidade de desenvolver "Double Talkin' Jive" para a dimensão épica que Axl desejava. A chave foi uma longa coda, ao ritmo da batida latina das congas de Dizzy Reed e do pausado solo de Slash, com algum improviso à mistura.

Este lento definhar é a despedida perfeita da explosão de raiva e revolta que é "Double Talkin' Jive".
Depois da erupção, a morosa acalmia. É isto.

O vídeo remonta a uma célebre actuação no Hipódromo de Paris em 1992, que teve transmissão um pouco para todo o Mundo. Na introdução, Axl descarrega em cima de Warren Beatty, um actor que alegadamente andava a "rondar" Stephanie Seymour - a namorada de Axl na época (podemos condená-lo?).
A raiva de Axl nesta noite faz com que esta actuação, em especial, se tenha materializado numa das melhores versões que já ouvi de "Double Talkin' Jive".

É também uma das minhas escolhas, quando me apetece fazer um pirete para o Mundo.

"You dig what the fuck I'm sayin', old fuck?"

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Eric Clapton - "Let It Grow"

"Standing at the crossroads, trying to read the signs
To tell me which way I should go to find the answer and all the time I know,
Plant your love and let it grow.
"



"Plant your love and let it grow", ou a história da vida de Eric Clapton. Um homem apaixonado, um homem que fez uma estranha mistura de uma vida de excessos, com um registo low profile de um homem afável.

Apaixonado. Seja pela guitarra, pela música, ou pelas mulheres, Eric Clapton foi plantando ao longo da sua vida o amor e deixando-o crescer, tal como profetizou em 1974, no tema "Let It Grow".

"Let It Grow" foi incluído no álbum "461 Ocean Boulevard", o 2º álbum a solo de Eric Clapton, imediatamente a seguir ao turbulento período do projecto com os Derek and the Dominos, de onde havia nascido o álbum "Layla And Other Assorted Love Songs".
A primeira metade da década de 70 foi, aliás, uma autêntica novela trágica para Eric Clapton, com duas temáticas centrais: o triângulo amoroso com George Harrison e a sua primeira mulher Pattie Boyd e a dependência da heroína.

Um dos episódios mais lendários desta novela aconteceu quando Eric mostrou a Pattie a gravação de "Layla" (música que lhe era dedicada) e lhe lançou a ameaça: ou Pattie se rendia ao seu amor, ou então Eric mergulhava as frustrações no vício da heroína. Perante a intransigência de Pattie e depois de se envolver com a sua irmã, Eric cumpriu a sua promessa e sucumbiu à dependência da heroína, que por pouco não o destruiu em definitivo.
"Plant your love and let it grow", sem dúvida.
Voltarei a esta novela noutra oportunidade.

"Love is lovely, let it grow."

Na primavera de 1974, Eric já estava livre da heroína (mas começava a abusar no álcool...) e já tinha conquistado Pattie (embora só se casassem em 1979). Assim, Clapton juntou uma banda mais calma e gravou um álbum mais relaxado, mais focado, com menos solos de guitarra e até um cheirinho de um (na época) determinado emergente estilo jamaicano: o Reggae. Isto sem nunca perder as raízes de Eric, fundadas no Blues.

Eric Clapton vivia na altura em Golden Beach, perto de Miami, numa casa alugada no endereço de... 461 Ocean Boulevard. O álbum foi gravado em Miami e, como sempre acontece, a localização do artista durante as gravações tem uma contribuição decisiva na forma que o álbum toma.


Eric gravou mesmo um cover de "I Shot The Sheriff", um tema de um artista de Reggae que começava a ganhar estatuto... Bob Marley.
Por influência dos restantes membros da sua banda, "I Shot The Sheriff" foi lançado em single por Eric Clapton e foi o primeiro (e até hoje, único) tema de Eric a chegar a número 1 das tabelas americanas, tornando-se também num dos grandes responsáveis pela divulgação do Reggae a um público mais vasto.

"Let It Grow", por seu turno, nunca foi lançado em single, mas é na minha opinião um dos melhores temas de Eric Clapton, apenas atrás da sua obra-prima "Layla". O solo final é fabuloso... é um daqueles solos tocados com tal fluidez, que desejamos que nunca acabe.
Liricamente, "Let It Grow" é um tema simples, mas lapidar: define a atitude que deveríamos ter perante o tempo, o amor e a vida.

"Plant your love and let it grow", ou a história da vida de qualquer homem, por natureza, apaixonado.

"Time is getting shorter and there's much for you to do.
Only ask and you will get what you are needing,
The rest is up to you.
Plant your love and let it grow."