quarta-feira, 30 de maio de 2012

Lenny Kravitz - "Let Love Rule"

"We got to let love rule!"



aqui referi que o momento que aguardo com mais expectativa neste Rock In Rio é a chegada de Bruce Springsteen, ao leme da sua E Street Band.
Mas nem só de Bruce se fará o Rock In Rio... Se Domingo é do Boss, Sábado é do Master (Soul)Blaster (lá chegarei brevemente!) e Sexta... Sexta é do Lenny!
Finalmente Lenny Kravitz! Finalmente, porque desde a digressão de promoção ao álbum "Lenny", em 2002 (já lá vão 10 anos!), que tento apanhar um concerto dele, mas por alguma razão, tal nunca se concretizou.

Desde o primeiro álbum ("Let Love Rule") lançado em 1989, Lenny já leva uma carreira de respeito, com mais de 20 anos. Quando Lenny apareceu, numa altura em que o paradigma musical se polarizava entre as bandas de hair metal e o Europop / Eurodance (que iria dominar as tabelas nos early 90's), Lenny estava claramente deslocado da onda das massas. Mas mesmo assim conseguiu o seu espaço.

A crítica achou que Lenny não trazia nada de novo e o seu estilo foi classificado de derivativo.
De facto, tudo o que ouvíamos nos primeiros álbuns de Lenny parecia familiar: as guitarras soavam como Jimi Hendrix, o baixo tinha o groove do Funk e os instrumentos de sopro pareciam directamente saídos de um disco da Motown. Tudo isto fundido no Rock, com uma produção retro, que reproduzia a sonoridade dos discos dos anos 60 e 70.
Tudo isto era familiar, mas tudo isto era novo. Tal mistura não era, de todo, habitual e só podia estar ao alcance de um grande músico.
Lenny era, nesta fase, claramente um peixe fora de água.

O sucesso mainstream veio um pouco mais tarde com o álbum "Are You Gonna Go My Way" (o riff do tema-título é fantástico, um momento abençoado de Lenny) e com o Rock mais "puré de batata" do álbum "5" no final dos anos 90, que o propagou pelas ondas de rádio, um pouco por todo o Mundo.

Os anos passaram e Lenny nunca mais recuperou o edge do início da sua carreira.
Ele chega agora ao Rock In Rio e a minha maior expectativa reside, obviamente, nos clássicos.
É o caso de "Let Love Rule", o tema-título do primeiro álbum de Lenny. Um hino ao amor. "Let Love Rule" indeed, Lenny. Subscrevo. É a única maneira de viver.

"Love transcends all space and time..."

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Bruce Springsteen & The E Street Band - "Working On A Dream" (Live Hyde Park 2009)

"I'm working on a dream, though sometimes it feels so far away"



Começou na passada 6ª feira o Rock In Rio Lisboa 2012. São dois fins-de-semana de grande concertos, que culminam naquele que é, para mim, o mais esperado concerto ano. Falo obviamente de Bruce "The Boss" Springsteen, que traz a Portugal, pela primeira vez, a E Street Band. Infelizmente tarde demais para o público português ver o saxofonista Clarence Clemons e o teclista Danny Federeci, membros originais da banda, já falecidos entretanto.
Mas isso não parece abalar a energia do Boss.

Bruce têm andado a espalhar a sua magia pela Europa e nos últimos dias deu concertos que quase bateram a marca das 3 horas e meia. Leram bem: 3 horas e meia!! Para um rockeiro que já conta com 62 anos, isto é um feito, no mínimo, notável.

É fácil perceber que as minhas expectativas estão a bater nos limites.
Porque um concerto de Bruce Springsteen & The E Street Band é muito mais que um concerto: é uma life changing experience. E, acreditem, não sou só eu que o digo. Basta fazer uma simples pesquisa na internet para perceber que este é o mais comum dos relatos após o "baptismo" da E Street Band.

Obviamente, eu também tenho a minha estória de baptismo.
Foi no dia 2 de Agosto de 2009, no Monte do Gozo, a poucos quilómetros de Santiago de Compostela, que eu assisti a um dos melhores concertos da minha vida. Foi muito mais que um concerto, foi uma experiência, foi o meu baptismo da E Street Band.

O concerto marcava o ponto final da longa digressão europeia, de promoção ao álbum "Working On A Dream". Bem... De promoção ao álbum, o concerto teve pouco, uma vez que Bruce despachou "Outlaw Pete" e o tema-título "Working On A Dream" logo no início e depois foram mais de 3 horas de clássicos, sobre clássicos. Um must.
Nessa noite ameaçada pela chuva, eu carregava uma gripe já em fase implacável, mas nada disso impediu que se tornasse uma das noites mais memoráveis da minha vida.

Foi ali, naquele belíssimo auditório natural do Monte do Gozo (onde não puderam entrar milhares de pessoas com bilhete na mão, porque os organizadores foram gananciosos e venderam mais 10 000 bilhetes do que podiam), que eu percebi do que se tratava. Qualquer pessoa que goste de ver um concerto Rock não deve viver sem ver pelo menos uma vez a E Street Band em acção.
É qualquer coisa de inexplicável.

O vídeo que eu deixo aqui hoje foi filmado num concerto um mês antes de Compostela, no festival Hard Rock Calling em Londres. Nesta interpretação de "Working On A Dream", o tema mais forte do álbum que Bruce promovia na altura, o Boss faz um longo interlúdio onde explica quem são a E Street Band e ao que vêm.
O momento é arrepiante e eu deixo aqui a transcrição do discurso, que ilustra a missão a que a E Street Band se propõe:

“The E Street Band has come thousands of miles to fulfil their solemn vow to ROCK THE HOUSE!
But we didn’t come all this way tonight just to ROCK the house… We came here tonight because we wanna BUILD a house!
We’re gonna take the FEAR that’s out there and we’re gonna build a house of LOVE!
We’re gonna take the DOUBT and we’re gonna build us a house of FAITH tonight!
We’re gonna take the DESPAIR and we’re gonna build us a house of HOPE!
We’re gonna take all the BLUES that’s out there and that’s in you and we’re gonna build us a house tonight of JOY and HAPPINESS! Because that’s our job…
And we’re gonna take the COOLING OFF and we’re gonna build a house of SEXUAL HEALING!
That’s right, oh yes we will! And we got all the tools we need right here on this stage and on this lawn tonight… And when we build that house, we’re gonna use the bad wood and we’re gonna use the good wood! And we’re gonna use the bad news that’s out there tonight and we’re gonna use the good news that’s in here tonight…
Now, to build a house out of music and out of spirit and out of noise… Well, the mighty E Street Band is here tonight and we’re gonna bring down the power of the music on you!"


Pela minha parte, cá os espero no Domingo, com as expectativas nos píncaros.
Vem, Boss! Vem e traz tudo! Eu estou preparado. :)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Donna Summer - "She Works Hard For The Money"

"She works hard for the money, so you better treat her right!"



RIP Donna Summer, a proclamada "Rainha da Disco".

Fica aqui o meu tema preferido da Donna: "She Works Hard For The Money".
O tema tem uma clara injecção Rock, com um proeminente solo de guitarra. Talvez ainda ecos do álbum Disco que mais marcou os anos 80, lançado no ano anterior pelo, na época, também proclamado "Rei da Disco" Michael Jackson. Falo, obviamente, de "Thriller" e de temas como "Beat It", onde Eddie Van Halen foi chamado para um solo de guitarra que "fez" o tema.

Citando o sempre eloquente Slash:

"Although I pretty much loathed Disco, I always thought she was pretty cool."

Tal como para o Slash, o Disco não é bem a minha praia. Mas isso não significa que não consiga apreciar alguns trabalhos neste registo.
Como vimos, "She Works Hard For The Money" chegou apropriadamente numa fase já pós-disco. É 80's em estado puro. E é óptimo.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Guns N' Roses - "Double Talkin' Jive"

"Double talkin' jive, get the money motherfucker 'cos I got no more patience.
Double talkin' lies! No more patience, man... You dig what the fuck I'm sayin', old fuck?"



Todos os anos é a mesma coisa. Chega o sol, o termómetro sobe e as minhas colunas são invadidas pelos Guns N' Roses. Os Guns ou, alternativamente, algo também num panorama mais pesado.
E sabe tão bem.

Hoje deixo aqui "Double Talkin' Jive", um tema de Izzy Stradlin, originalmente no álbum "Use Your Illusion I", mas cuja versão no álbum está longe de lhe fazer justiça, talvez por casmurrice do próprio Izzy.
Axl Rose queixava-se que Izzy não queria trabalhar nas suas canções em estúdio, aquando das sessões dos álbuns "Use Your Illusion", preferindo que os seus temas se mantivessem "o mais simples possível", em contraponto com a visão grandiosa que Axl tinha para o quádruplo álbum que aí vinha.
Com Izzy fora da banda, pouco depois do muito aguardado lançamento de "Use Your Illusion I" e "Use Your Illusion II", os Guns tiveram oportunidade de desenvolver "Double Talkin' Jive" para a dimensão épica que Axl desejava. A chave foi uma longa coda, ao ritmo da batida latina das congas de Dizzy Reed e do pausado solo de Slash, com algum improviso à mistura.

Este lento definhar é a despedida perfeita da explosão de raiva e revolta que é "Double Talkin' Jive".
Depois da erupção, a morosa acalmia. É isto.

O vídeo remonta a uma célebre actuação no Hipódromo de Paris em 1992, que teve transmissão um pouco para todo o Mundo. Na introdução, Axl descarrega em cima de Warren Beatty, um actor que alegadamente andava a "rondar" Stephanie Seymour - a namorada de Axl na época (podemos condená-lo?).
A raiva de Axl nesta noite faz com que esta actuação, em especial, se tenha materializado numa das melhores versões que já ouvi de "Double Talkin' Jive".

É também uma das minhas escolhas, quando me apetece fazer um pirete para o Mundo.

"You dig what the fuck I'm sayin', old fuck?"

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Eric Clapton - "Let It Grow"

"Standing at the crossroads, trying to read the signs
To tell me which way I should go to find the answer and all the time I know,
Plant your love and let it grow.
"



"Plant your love and let it grow", ou a história da vida de Eric Clapton. Um homem apaixonado, um homem que fez uma estranha mistura de uma vida de excessos, com um registo low profile de um homem afável.

Apaixonado. Seja pela guitarra, pela música, ou pelas mulheres, Eric Clapton foi plantando ao longo da sua vida o amor e deixando-o crescer, tal como profetizou em 1974, no tema "Let It Grow".

"Let It Grow" foi incluído no álbum "461 Ocean Boulevard", o 2º álbum a solo de Eric Clapton, imediatamente a seguir ao turbulento período do projecto com os Derek and the Dominos, de onde havia nascido o álbum "Layla And Other Assorted Love Songs".
A primeira metade da década de 70 foi, aliás, uma autêntica novela trágica para Eric Clapton, com duas temáticas centrais: o triângulo amoroso com George Harrison e a sua primeira mulher Pattie Boyd e a dependência da heroína.

Um dos episódios mais lendários desta novela aconteceu quando Eric mostrou a Pattie a gravação de "Layla" (música que lhe era dedicada) e lhe lançou a ameaça: ou Pattie se rendia ao seu amor, ou então Eric mergulhava as frustrações no vício da heroína. Perante a intransigência de Pattie e depois de se envolver com a sua irmã, Eric cumpriu a sua promessa e sucumbiu à dependência da heroína, que por pouco não o destruiu em definitivo.
"Plant your love and let it grow", sem dúvida.
Voltarei a esta novela noutra oportunidade.

"Love is lovely, let it grow."

Na primavera de 1974, Eric já estava livre da heroína (mas começava a abusar no álcool...) e já tinha conquistado Pattie (embora só se casassem em 1979). Assim, Clapton juntou uma banda mais calma e gravou um álbum mais relaxado, mais focado, com menos solos de guitarra e até um cheirinho de um (na época) determinado emergente estilo jamaicano: o Reggae. Isto sem nunca perder as raízes de Eric, fundadas no Blues.

Eric Clapton vivia na altura em Golden Beach, perto de Miami, numa casa alugada no endereço de... 461 Ocean Boulevard. O álbum foi gravado em Miami e, como sempre acontece, a localização do artista durante as gravações tem uma contribuição decisiva na forma que o álbum toma.


Eric gravou mesmo um cover de "I Shot The Sheriff", um tema de um artista de Reggae que começava a ganhar estatuto... Bob Marley.
Por influência dos restantes membros da sua banda, "I Shot The Sheriff" foi lançado em single por Eric Clapton e foi o primeiro (e até hoje, único) tema de Eric a chegar a número 1 das tabelas americanas, tornando-se também num dos grandes responsáveis pela divulgação do Reggae a um público mais vasto.

"Let It Grow", por seu turno, nunca foi lançado em single, mas é na minha opinião um dos melhores temas de Eric Clapton, apenas atrás da sua obra-prima "Layla". O solo final é fabuloso... é um daqueles solos tocados com tal fluidez, que desejamos que nunca acabe.
Liricamente, "Let It Grow" é um tema simples, mas lapidar: define a atitude que deveríamos ter perante o tempo, o amor e a vida.

"Plant your love and let it grow", ou a história da vida de qualquer homem, por natureza, apaixonado.

"Time is getting shorter and there's much for you to do.
Only ask and you will get what you are needing,
The rest is up to you.
Plant your love and let it grow."

domingo, 22 de abril de 2012

Elton John - "Are You Ready For Love"

"Are you ready, are you ready for love? Yes I am!"




"I'll write a symphony, just for you and me, if you let me love you!"

Hoje termino a Semana Elton com o 5º e último tema que "ninguém ouviu" de Elton John e mais um dos que fazem dele muito mais do que aquilo que é ventilado na nossa paupérrima imprensa. Aliás, depois de ouvir estes 5 temas (e tantos outros de que queria falar, mas que terão que ficar para próximas oportunidades), isso nem deveria ser posto em causa.

O tema que aqui deixo é este uplifting "Are You Ready For Love", mais uma incursão de Elton por terrenos desconhecidos.
"Are You Ready For Love" é um dos temas resultantes das Thom Bell Sessions, gravado por Elton John na segunda metade de 1977. Mas já lá chegaremos.

Entre o lançamento do álbum "Elton John" em 1970 e de "Blue Moves" em 1976, Elton John cumpriu uma esgotante rotina de 2 álbuns por ano (!!), com infindáveis digressões pelo meio.
Estúdio / Estrada / Estúdio / Estrada... e por aí fora. Durante 6 anos, Elton foi exprimido até ao tutano e isso teve um reflexo natural na qualidade do seu trabalho.

Chegado a 1977, Elton estava decidido a mudar a sua rotina e a procurar outras formas de trabalho. Nesse sentido, influenciado pelo sempre absorvente paradigma americano, Elton decidiu ir ao Soul procurar inspiração, tal como David Bowie tinha feito em 1975 (sem grande sucesso comercial) no seu álbum "Young Americans".
Para isso, Elton deixou a sua banda, bem como Bernie Taupin e o seu produtor Gus Dudgeon e chamou o lendário compositor e produtor R&B Thom Bell.
Nasciam assim as Thom Bell Sessions.

O problema é que Elton não se sentiu confortável com os métodos de trabalho de Thom Bell e a relação entre ambos rapidamente fez fricção. Embora Elton estivesse entusiasmado com a ideia de trabalhar no registo do Philadelphia Soul, as sessões foram abortadas antes que se conseguisse angariar material suficiente para um álbum.

Elton ficou desolado com esta primeira tentativa falhada de afastamento do seu registo habitual e em Novembro de 1977 anunciou, pela primeira vez, a sua decisão de se retirar dos palcos. Essa seria apenas a primeira de muitas vezes que Elton tomaria tal decisão, mas como sabemos hoje, tal nunca teve resultados práticos.

Mas nem tudo foi perdido nas Thom Bell Sessions.
Durante as gravações com Thom Bell em Seattle, ainda houve tempo para produzir 6 faixas, 3 delas lançadas em em Junho de 1979, no EP "The Thom Bell Sessions".
Para além disso, Elton revelaria mais tarde que Thom Bell foi a premeira pessoa que lhe deu lições de colocação de voz, encorajando-o a cantar num registo mais grave, algo novo para Elton e que podemos ouvir perfeitamente nas faixas resultantes destas sessões.

No EP "The Thom Bell Sessions" podemos encontrar a "versão original" de "Are You Ready For Love" (numa versão que atinge os 8 minutos e meio!), o single "Mama Can't Buy You Love" (que chegou ao Top 10 nas tabelas americanas) e o tema "Three Way Love Affair". Todos os temas foram compostos pela super-equipa Soul LeRoy Bell / Thom Bell / Casey James.


Curiosamente, "Mama Can't Buy You Love" tinha sido rejeitado pela editora em 1977, quando Elton propôs o tema para single. Só em 1979, numa fase muito menos profícua de Elton, é que estes temas viram a luz do dia.

Só mais de 10 anos depois das gravações originais, em 1989, é que a editora MCA decidiu reunir todo o material resultante das Thom Bell Sessions, num CD com as 6 faixas adequadamente intitulado "The Complete Thom Bell Sessions".


Note-se que a "versão original" (incluída no EP de 1979) e a baptizada "versão longa" (incluída no álbum "The Complete Thom Bell Sessions") de "Are You Ready For Love" têm a mesma duração, mas são resultados de misturas diferentes. Em baixo, podemos ouvir a "versão longa", onde Elton partilha a voz com os The Spinners:



Os anos passaram e algumas das faixas das Thom Bell Sessions nunca puderam ter o reconhecimento que mereciam. Primeiro devido aos conflitos entre Elton John e Thom Bell, depois devido à intransigência da MCA em lançar um tema de Elton fora da sua praia e culminando num esquecimento generalizado, temas como "Are You Ready For Love" e "Mama Can't Buy You Love" passaram sempre ao lado do mainstream. Até 2003.


No ano de 2003, 26 anos depois das Thom Bell Sessions, "Are You Ready For Love" foi remisturado por Ashley Beedle e lançado em Single. O tema teve finalmente a atenção que merecia, atingindo o primeiro lugar nas tabelas do Reino Unido, a última vez que tal aconteceu até hoje.
Este é o vídeo que acompanhou o single de 2003 e que eu apanhei em alta rotação no VH1, nos anos dourados do cabo.


Are You Ready For Love? - Elton John

danny bailey | Myspace Video


A referida "versão original" é bastante rara (para além do EP de 1979, só pode ser encontrada num single promocional de 2003) e apresenta apenas Elton na voz. Em baixo, podemos ver um vídeo com a equipa das Thom Bell Sessions, numa audição da "versão original" de "Are You Ready For Love".



"Catch a star, if you can, wish for something special... Let it be me, my love is free..."

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Elton John - "The Ballad of Danny Bailey (1909-34)"


‎"Born and raised a proper, I guess life just bugged him
He found faith in danger, a lifestyle he lived by...
A running gun youngster in a sad restless age"





Mais um dia na semana Elton e hoje chegamos a um dos meus temas preferidos. Se tivesse que escolher 5 temas de toda a carreira de EJ (segundo o Eltonography são mais de 620 temas!), com certeza que "The Ballad of Danny Bailey (1909-34)" estaria presente nesse lote. E no entanto, fora da fanbase de Elton, não é dos temas mais populares, uma vez que não foi promovido como single.

“The Ballad of Danny Bailey (1909-34)” faz parte do álbum “Goodbye Yellow Brick Road”, a obra-prima de Elton John e segue o mesmo padrão lírico que Bernie Taupin já tinha explorado no álbum "Tumbleweed Connection" de 1970: o Faroeste Americano.
O tema conta a história da curta vida errante do gangster Danny Bailey, um pistoleiro no Oeste americano. Danny Bailey é um personagem criado por Berie Taupin, na linha de outros célebres foras-da-lei como John Dillinger, ou Pretty Boy Floyd.

“Goodbye Yellow Brick Road” foi gravado em Maio de 1973 no Château d'Hérouville, na pequena localidade de Hérouville, em França. Num espaço rústico, tranquilo e isolado da civilização, Elton e a sua banda encontraram a inspiração que precisavam para produzir um lote notável de música (em quantidade e muita, muita qualidade), num curto espaço de tempo.

O Château foi uma lufada de ar fresco para a banda de Elton, que vinha traumatizada depois de umas sessões abortadas em Kingston, na Jamaica, onde tudo correu mal. A ideia foi de Elton, inspirado pelos The Rolling Stones, que tinham acabado de gravar ali o álbum "Goats Heads Soup", mas depressa se revelou uma má ideia. Desde forças armadas na rua, falta de microfones no estúdio, a energia era claramente negativa para Elton e a sua banda.

“Goodbye Yellow Brick Road” foi também o álbum onde a Elton John Band assumiu, pela primeira vez, a sua "formação clássica" completa: Elton John, no piano; Dee Murray, no baixo; Davey Johnstone, nas guitarras; Nigel Olsson, na bateria; Ray Cooper, na percussão.

Regressados ao Château (onde já tinham sido gravados "Honky Château" e "Don't Shoot Me I'm Only the Piano Player"), no total foram 22 as faixas compostas pela dupla Elton John / Bernie Taupin, das quais 18 chegaram a "Goodbye Yellow Brick Road", materializando o primeiro duplo álbum da carreira de Elton. Segundo o produtor do álbum Gus Dudgeon, a ideia não era fazer um álbum duplo, mas a quantidade de material era tanta e com tanta qualidade, que foram se tornava impossível rejeitar tanta coisa.

No vídeo em baixo, vemos a banda de Elton no Château a ouvir uma mistura de “The Ballad of Danny Bailey (1909-34)”, imagens do documentário "Goodbye Norma Jean":



Os temas de "Goodbye Yellow Brick Road" andam à voltam do desencantamento com a fama e da nostalgia dos tempos de uma infância mais humilde, em contraponto com a vida hedonística que John e Taupin levavam na época. Chegados ao auge do sucesso, surge a velha questão: "É isto?".

"Now it's all over Danny Bailey and the harvest is in"

“The Ballad of Danny Bailey (1909-34)” vai numa direcção ligeiramente diferente. A efemeridade da vida de um herói, em oposição a uma vida longa e, na sua maioria, desinteressante. O que é preferível? Para personagens como Danny Bailey, a questão nem se coloca. A única forma de viver é mesmo nos limites.
Embora a situação óptima esteja no meio de ambos os paradigmas, é inegável que a vida efémera de um homem como Danny Bailey (morte aos 25 anos, segundo o título do tema) é sempre mais interessante.

A produção de “The Ballad of Danny Bailey (1909-34)” é do melhor que é possível ouvir num álbum Rock. Somos disparados para uma outra dimensão quando ouvimos os coloridos arranjos orquestrais de Del Newman na parte final do tema. Fabuloso.