"She works hard for the money, so you better treat her right!"
RIP Donna Summer, a proclamada "Rainha da Disco".
Fica aqui o meu tema preferido da Donna: "She Works Hard For The Money".
O tema tem uma clara injecção Rock, com um proeminente solo de guitarra. Talvez ainda ecos do álbum Disco que mais marcou os anos 80, lançado no ano anterior pelo, na época, também proclamado "Rei da Disco" Michael Jackson. Falo, obviamente, de "Thriller" e de temas como "Beat It", onde Eddie Van Halen foi chamado para um solo de guitarra que "fez" o tema.
Citando o sempre eloquente Slash:
"Although I pretty much loathed Disco, I always thought she was pretty cool."
Tal como para o Slash, o Disco não é bem a minha praia. Mas isso não significa que não consiga apreciar alguns trabalhos neste registo.
Como vimos, "She Works Hard For The Money" chegou apropriadamente numa fase já pós-disco. É 80's em estado puro. E é óptimo.
"Double talkin' jive, get the money motherfucker 'cos I got no more patience.
Double talkin' lies! No more patience, man... You dig what the fuck I'm sayin', old fuck?"
Todos os anos é a mesma coisa. Chega o sol, o termómetro sobe e as minhas colunas são invadidas pelos Guns N' Roses. Os Guns ou, alternativamente, algo também num panorama mais pesado.
E sabe tão bem.
Hoje deixo aqui "Double Talkin' Jive", um tema de Izzy Stradlin, originalmente no álbum "Use Your Illusion I", mas cuja versão no álbum está longe de lhe fazer justiça, talvez por casmurrice do próprio Izzy.
Axl Rose queixava-se que Izzy não queria trabalhar nas suas canções em estúdio, aquando das sessões dos álbuns "Use Your Illusion", preferindo que os seus temas se mantivessem "o mais simples possível", em contraponto com a visão grandiosa que Axl tinha para o quádruplo álbum que aí vinha.
Com Izzy fora da banda, pouco depois do muito aguardado lançamento de "Use Your Illusion I" e "Use Your Illusion II", os Guns tiveram oportunidade de desenvolver "Double Talkin' Jive" para a dimensão épica que Axl desejava. A chave foi uma longa coda, ao ritmo da batida latina das congas de Dizzy Reed e do pausado solo de Slash, com algum improviso à mistura.
Este lento definhar é a despedida perfeita da explosão de raiva e revolta que é "Double Talkin' Jive".
Depois da erupção, a morosa acalmia. É isto.
O vídeo remonta a uma célebre actuação no Hipódromo de Paris em 1992, que teve transmissão um pouco para todo o Mundo. Na introdução, Axl descarrega em cima de Warren Beatty, um actor que alegadamente andava a "rondar" Stephanie Seymour - a namorada de Axl na época (podemos condená-lo?).
A raiva de Axl nesta noite faz com que esta actuação, em especial, se tenha materializado numa das melhores versões que já ouvi de "Double Talkin' Jive".
É também uma das minhas escolhas, quando me apetece fazer um pirete para o Mundo.
"Standing at the crossroads, trying to read the signs
To tell me which way I should go to find the answer and all the time I know, Plant your love and let it grow."
"Plant your love and let it grow", ou a história da vida de Eric Clapton. Um homem apaixonado, um homem que fez uma estranha mistura de uma vida de excessos, com um registo low profile de um homem afável.
Apaixonado. Seja pela guitarra, pela música, ou pelas mulheres, Eric Clapton foi plantando ao longo da sua vida o amor e deixando-o crescer, tal como profetizou em 1974, no tema "Let It Grow".
"Let It Grow" foi incluído no álbum "461 Ocean Boulevard", o 2º álbum a solo de Eric Clapton, imediatamente a seguir ao turbulento período do projecto com os Derek and the Dominos, de onde havia nascido o álbum "Layla And Other Assorted Love Songs".
A primeira metade da década de 70 foi, aliás, uma autêntica novela trágica para Eric Clapton, com duas temáticas centrais: o triângulo amoroso com George Harrison e a sua primeira mulher Pattie Boyd e a dependência da heroína.
Um dos episódios mais lendários desta novela aconteceu quando Eric mostrou a Pattie a gravação de "Layla" (música que lhe era dedicada) e lhe lançou a ameaça: ou Pattie se rendia ao seu amor, ou então Eric mergulhava as frustrações no vício da heroína. Perante a intransigência de Pattie e depois de se envolver com a sua irmã, Eric cumpriu a sua promessa e sucumbiu à dependência da heroína, que por pouco não o destruiu em definitivo. "Plant your love and let it grow", sem dúvida.
Voltarei a esta novela noutra oportunidade.
"Love is lovely, let it grow."
Na primavera de 1974, Eric já estava livre da heroína (mas começava a abusar no álcool...) e já tinha conquistado Pattie (embora só se casassem em 1979). Assim, Clapton juntou uma banda mais calma e gravou um álbum mais relaxado, mais focado, com menos solos de guitarra e até um cheirinho de um (na época) determinado emergente estilo jamaicano: o Reggae. Isto sem nunca perder as raízes de Eric, fundadas no Blues.
Eric Clapton vivia na altura em Golden Beach, perto de Miami, numa casa alugada no endereço de... 461 Ocean Boulevard. O álbum foi gravado em Miami e, como sempre acontece, a localização do artista durante as gravações tem uma contribuição decisiva na forma que o álbum toma.
Eric gravou mesmo um cover de "I Shot The Sheriff", um tema de um artista de Reggae que começava a ganhar estatuto... Bob Marley.
Por influência dos restantes membros da sua banda, "I Shot The Sheriff" foi lançado em single por Eric Clapton e foi o primeiro (e até hoje, único) tema de Eric a chegar a número 1 das tabelas americanas, tornando-se também num dos grandes responsáveis pela divulgação do Reggae a um público mais vasto.
"Let It Grow", por seu turno, nunca foi lançado em single, mas é na minha opinião um dos melhores temas de Eric Clapton, apenas atrás da sua obra-prima "Layla". O solo final é fabuloso... é um daqueles solos tocados com tal fluidez, que desejamos que nunca acabe.
Liricamente, "Let It Grow" é um tema simples, mas lapidar: define a atitude que deveríamos ter perante o tempo, o amor e a vida.
"Plant your love and let it grow", ou a história da vida de qualquer homem, por natureza, apaixonado.
"Time is getting shorter and there's much for you to do.
Only ask and you will get what you are needing,
The rest is up to you.
Plant your love and let it grow."
"Are you ready, are you ready for love? Yes I am!"
"I'll write a symphony, just for you and me, if you let me love you!"
Hoje termino a Semana Elton com o 5º e último tema que "ninguém ouviu" de Elton John e mais um dos que fazem dele muito mais do que aquilo que é ventilado na nossa paupérrima imprensa. Aliás, depois de ouvir estes 5 temas (e tantos outros de que queria falar, mas que terão que ficar para próximas oportunidades), isso nem deveria ser posto em causa.
O tema que aqui deixo é este uplifting "Are You Ready For Love", mais uma incursão de Elton por terrenos desconhecidos.
"Are You Ready For Love" é um dos temas resultantes das Thom Bell Sessions, gravado por Elton John na segunda metade de 1977. Mas já lá chegaremos.
Entre o lançamento do álbum "Elton John" em 1970 e de "Blue Moves" em 1976, Elton John cumpriu uma esgotante rotina de 2 álbuns por ano (!!), com infindáveis digressões pelo meio.
Estúdio / Estrada / Estúdio / Estrada... e por aí fora. Durante 6 anos, Elton foi exprimido até ao tutano e isso teve um reflexo natural na qualidade do seu trabalho.
Chegado a 1977, Elton estava decidido a mudar a sua rotina e a procurar outras formas de trabalho. Nesse sentido, influenciado pelo sempre absorvente paradigma americano, Elton decidiu ir ao Soul procurar inspiração, tal como David Bowie tinha feito em 1975 (sem grande sucesso comercial) no seu álbum "Young Americans".
Para isso, Elton deixou a sua banda, bem como Bernie Taupin e o seu produtor Gus Dudgeon e chamou o lendário compositor e produtor R&B Thom Bell.
Nasciam assim as Thom Bell Sessions.
O problema é que Elton não se sentiu confortável com os métodos de trabalho de Thom Bell e a relação entre ambos rapidamente fez fricção. Embora Elton estivesse entusiasmado com a ideia de trabalhar no registo do Philadelphia Soul, as sessões foram abortadas antes que se conseguisse angariar material suficiente para um álbum.
Elton ficou desolado com esta primeira tentativa falhada de afastamento do seu registo habitual e em Novembro de 1977 anunciou, pela primeira vez, a sua decisão de se retirar dos palcos. Essa seria apenas a primeira de muitas vezes que Elton tomaria tal decisão, mas como sabemos hoje, tal nunca teve resultados práticos.
Mas nem tudo foi perdido nas Thom Bell Sessions.
Durante as gravações com Thom Bell em Seattle, ainda houve tempo para produzir 6 faixas, 3 delas lançadas em em Junho de 1979, no EP "The Thom Bell Sessions".
Para além disso, Elton revelaria mais tarde que Thom Bell foi a premeira pessoa que lhe deu lições de colocação de voz, encorajando-o a cantar num registo mais grave, algo novo para Elton e que podemos ouvir perfeitamente nas faixas resultantes destas sessões.
No EP "The Thom Bell Sessions" podemos encontrar a "versão original" de "Are You Ready For Love" (numa versão que atinge os 8 minutos e meio!), o single "Mama Can't Buy You Love" (que chegou ao Top 10 nas tabelas americanas) e o tema "Three Way Love Affair". Todos os temas foram compostos pela super-equipa Soul LeRoy Bell / Thom Bell / Casey James.
Curiosamente, "Mama Can't Buy You Love" tinha sido rejeitado pela editora em 1977, quando Elton propôs o tema para single. Só em 1979, numa fase muito menos profícua de Elton, é que estes temas viram a luz do dia.
Só mais de 10 anos depois das gravações originais, em 1989, é que a editora MCA decidiu reunir todo o material resultante das Thom Bell Sessions, num CD com as 6 faixas adequadamente intitulado "The Complete Thom Bell Sessions".
Note-se que a "versão original" (incluída no EP de 1979) e a baptizada "versão longa" (incluída no álbum "The Complete Thom Bell Sessions") de "Are You Ready For Love" têm a mesma duração, mas são resultados de misturas diferentes. Em baixo, podemos ouvir a "versão longa", onde Elton partilha a voz com os The Spinners:
Os anos passaram e algumas das faixas das Thom Bell Sessions nunca puderam ter o reconhecimento que mereciam. Primeiro devido aos conflitos entre Elton John e Thom Bell, depois devido à intransigência da MCA em lançar um tema de Elton fora da sua praia e culminando num esquecimento generalizado, temas como "Are You Ready For Love" e "Mama Can't Buy You Love" passaram sempre ao lado do mainstream. Até 2003.
No ano de 2003, 26 anos depois das Thom Bell Sessions, "Are You Ready For Love" foi remisturado por Ashley Beedle e lançado em Single. O tema teve finalmente a atenção que merecia, atingindo o primeiro lugar nas tabelas do Reino Unido, a última vez que tal aconteceu até hoje.
Este é o vídeo que acompanhou o single de 2003 e que eu apanhei em alta rotação no VH1, nos anos dourados do cabo.
A referida "versão original" é bastante rara (para além do EP de 1979, só pode ser encontrada num single promocional de 2003) e apresenta apenas Elton na voz. Em baixo, podemos ver um vídeo com a equipa das Thom Bell Sessions, numa audição da "versão original" de "Are You Ready For Love".
"Catch a star, if you can, wish for something special... Let it be me, my love is free..."
"Born and raised a proper, I guess life just bugged him He found faith in danger, a lifestyle he lived by... A running gun youngster in a sad restless age"
Mais um dia na semana Elton e hoje chegamos a um dos meus temas preferidos. Se tivesse que escolher 5 temas de toda a carreira de EJ (segundo o Eltonography são mais de 620 temas!), com certeza que "The Ballad of Danny Bailey (1909-34)" estaria presente nesse lote. E no entanto, fora da fanbase de Elton, não é dos temas mais populares, uma vez que não foi promovido como single.
“The Ballad of Danny Bailey (1909-34)” faz parte do álbum “Goodbye Yellow Brick Road”, a obra-prima de Elton John e segue o mesmo padrão lírico que Bernie Taupin já tinha explorado no álbum "Tumbleweed Connection" de 1970: o Faroeste Americano.
O tema conta a história da curta vida errante do gangster Danny Bailey, um pistoleiro no Oeste americano. Danny Bailey é um personagem criado por Berie Taupin, na linha de outros célebres foras-da-lei como John Dillinger, ou Pretty Boy Floyd.
“Goodbye Yellow Brick Road” foi gravado em Maio de 1973 no Château d'Hérouville, na pequena localidade de Hérouville, em França. Num espaço rústico, tranquilo e isolado da civilização, Elton e a sua banda encontraram a inspiração que precisavam para produzir um lote notável de música (em quantidade e muita, muita qualidade), num curto espaço de tempo.
O Château foi uma lufada de ar fresco para a banda de Elton, que vinha traumatizada depois de umas sessões abortadas em Kingston, na Jamaica, onde tudo correu mal. A ideia foi de Elton, inspirado pelos The Rolling Stones, que tinham acabado de gravar ali o álbum "Goats Heads Soup", mas depressa se revelou uma má ideia. Desde forças armadas na rua, falta de microfones no estúdio, a energia era claramente negativa para Elton e a sua banda.
“Goodbye Yellow Brick Road” foi também o álbum onde a Elton John Band assumiu, pela primeira vez, a sua "formação clássica" completa: Elton John, no piano; Dee Murray, no baixo; Davey Johnstone, nas guitarras; Nigel Olsson, na bateria; Ray Cooper, na percussão.
Regressados ao Château (onde já tinham sido gravados "Honky Château" e "Don't Shoot Me I'm Only the Piano Player"), no total foram 22 as faixas compostas pela dupla Elton John / Bernie Taupin, das quais 18 chegaram a "Goodbye Yellow Brick Road", materializando o primeiro duplo álbum da carreira de Elton. Segundo o produtor do álbum Gus Dudgeon, a ideia não era fazer um álbum duplo, mas a quantidade de material era tanta e com tanta qualidade, que foram se tornava impossível rejeitar tanta coisa.
No vídeo em baixo, vemos a banda de Elton no Château a ouvir uma mistura de “The Ballad of Danny Bailey (1909-34)”, imagens do documentário "Goodbye Norma Jean":
Os temas de "Goodbye Yellow Brick Road" andam à voltam do desencantamento com a fama e da nostalgia dos tempos de uma infância mais humilde, em contraponto com a vida hedonística que John e Taupin levavam na época. Chegados ao auge do sucesso, surge a velha questão: "É isto?".
"Now it's all over Danny Bailey and the harvest is in"
“The Ballad of Danny Bailey (1909-34)” vai numa direcção ligeiramente diferente. A efemeridade da vida de um herói, em oposição a uma vida longa e, na sua maioria, desinteressante. O que é preferível? Para personagens como Danny Bailey, a questão nem se coloca. A única forma de viver é mesmo nos limites.
Embora a situação óptima esteja no meio de ambos os paradigmas, é inegável que a vida efémera de um homem como Danny Bailey (morte aos 25 anos, segundo o título do tema) é sempre mais interessante.
A produção de “The Ballad of Danny Bailey (1909-34)” é do melhor que é possível ouvir num álbum Rock. Somos disparados para uma outra dimensão quando ouvimos os coloridos arranjos orquestrais de Del Newman na parte final do tema. Fabuloso.
Hoje a semana Elton segue com um pequeníssimo salto temporal, de Abril de 1970 (aquando do lançamento de "Elton John"), para Outubro do mesmo ano, data do lançamento de "Tumbleweed Connection".
Não se pense que um intervalo tão curto entre álbuns significa um decréscimo de qualidade.
Bem pelo contrário.
Se "Elton John" é um álbum brilhantemente produzido, mas ainda naive, é notável ver um amadurecimento tão grande, em tão curto espaço de tempo. Em "Tumbleweed Connection", a dupla Elton John / Bernie Taupin achou que já tinha bagagem para fazer um álbum temático, sobre um dos assuntos predilectos de Taupin: o Faroeste Americano. E assim foi.
Não foram muitos os álbuns temáticos de Elton John, mas este terá sido provavelmente o mais sólido e mais focado da sua carreira.
"Tumbleweed Connection" é um dos meus álbum predilectos de Elton John, apenas atrás do tour de force "Goodbye Yellow Brick Road". Contudo, por razões que me ultrapassam, a editora cometeu a proeza de não retirar nenhum single do álbum. A única explicação que eu encontro para este disparate é a proximidade entre as datas de lançamento dos álbuns de Elton John.
Quando "Tumbleweed" foi lançado, em Outubro de 1970, ainda "Your Song" (do álbum anterior) estava a ser promovido. E a banda sonora para o filme "Friends" estava logo ali ao virar da esquina.
Note-se que Elton John tinha na época um acordo com a editora para 2 álbuns por ano, algo impensável nos dias de hoje para um artista de topo.
"Burn down the mission, if we're gonna stay alive
Watch the black smoke fly to heaven, see the red flame light the sky"
O tema que aqui fica é o épico "Burn Down The Mission" - o ponto alto do álbum de "Tumbleweed Connection", que aparece só no epílogo do álbum. É um dos melhores temas de Elton John, mas nunca foi um êxito.
A estrutura de "Burn Down The Mission" traz uma impressionante demonstração de maturidade por parte da equipa de Elton John. Num tema já carregado de Soul, as constantes mudanças de andamento injectam uma alma ainda mais cheia aos clímaxes orquestrais, mais uma vez a cargo de Paul Buckmaster.
Mais uma vez, podemos ouvir em cima "Burn Down The Mission" na versão de estúdio e em baixo ao vivo na BBC, na mesma actuação de ontem.
"Burn down the mission, burn it down to stay alive
It's our only chance of living, take all you need to live inside"
"Through a glass eye your throne is the one danger zone, take me to the pilot for control... Take me to the pilot of your soul!"
A semana Elton continua e se ontem começámos com o álbum icónico de Elton - "Goodbye Yeallow Brick Road" - hoje vamos fazer uma pequena analepse até 1970, ano em que a sua carreira começou a levantar voo.
Mas recuemos ainda mais um pouco.
Segundo o próprio Elton John, a sua carreira como artista começou "por obrigação", devido à impossibilidade de encontrar alguém que interpretasse os temas da dupla Elton John / Bernie Taupin, o primeiro na música e o segundo nas letras.
A estreia de Elton John em gravações de estúdio seria em 1969 com o álbum "Empty Sky", uma ovelha tresmalhada no cartório mais antigo de Elton. Sem grande sucesso, a dupla Elton / Taupin foi buscar Gus Dudgeon para produtor e Paul Buckmaster para os arranjos orquestrais, equipa que se manteria por muitos mais álbuns.
O resultado do trabalho da nova equipa foi o homónimo "Elton John", lançado em 1970. Um álbum fantástico, que lançou Elton John para as mais altas esferas comerciais tanto nos EUA, como no Reino Unido.
Aliás, o mais curioso é que, apesar de ser uma equipa britânica, o frisson de volta de Elton John começou na América e só daí teve feedback no UK, fazendo um "efeito boomerang", que fez com que muitos nas ilhas pensassem que Elton era americano.
Meticuloso e polido, o álbum "Elton John" está repleto de grandes canções pintadas com laivos de uma grandiosa produção. Um feito notável para um álbum de "quase-estreia" (considerando "Empty Sky" uma falsa partida), que estabeleceu uma altíssima bitola para o que viria a seguir. E Elton cumpriu essa bitola... e de que maneira. Mas voltaremos a isso mais tarde.
O grande êxito deste álbum é, claro está, "Your Song". Um tema que dispensa apresentações e que se tornaria no ex-libris de Elton.
O tema que aqui fica é "Take Me To The Pilot", o segundo single retirado de "Elton John" (o primeiro havia sido o religioso "Border Song"), cujo lado B era... "Your Song".
Claro está que "Your Song" recebeu muito mais airplay nas rádios que "Take Me To The Pilot", substituindo este como o lado A do Single e disparando para o Top 10 das tabelas no Reino Unido e nos EUA.
Apesar disso, o meu tema preferido de "Elton John" é este "Take Me To The Pilot", que podemos ouvir em cima na versão de estúdio e em baixo numa magnífica versão ao vivo na BBC, completa com uma pequena orquestra conduzida por... Paul Buckmaster.
"Take Me To The Pilot" é um tema que entra facilmente no ouvido, com o seu refrão de "na na na" 's, mas de muito difícil compreensão. Tanto Bernie Taupin (autor da letra), como Elton, já confessaram diversas vezes não fazer a mínima idea sobre o que significa o tema.
Nas palavras de Elton:
"And in the early days, there were a lot of inquiries about 'What does this song mean? What does that song mean?' and in the case of 'Take me to the pilot/Lead me through the chamber/Take me to the pilot/I am but a stranger', I have no idea! You're on your own, I tell you."