quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Bruce Springsteen - "We Take Care of Our Own"

"I been knocking on the door that holds the throne
I been looking for the map that leads me home"



Silêncio...
Já lá vai algum tempo. Tempo a mais de silêncio, para quem gosta de escrever.
E que melhor forma de quebrar o silêncio, do que com uma grande notícia? É o que se pode chamar um regresso LIKE A BOSS!


E quem diz Like a Boss é como quem fala em... Bruce Springsteen.
Foi há exactamente 3 semanas, pouco passava do meio-dia de 19 de Janeiro, que Bruce quebrou o seu silêncio e largou a "bomba" na sua página do Facebook: vem aí novo álbum de originais e uma nova digressão com a E Street Band.

O anúncio foi acompanhado de um tema novo e dos detalhes do álbum.


O 17º álbum de estúdio de Bruce chamar-se-á "Wrecking Ball", terá 11 faixas (13 na sua edição especial) e será lançado no próximo dia 6 de Março, dentro de menos de 1 mês. O alinhamento será o seguinte:

1. "We Take Care of Our Own" (3:53)
2. "Easy Money" (4:00)
3. "Shackled and Drawn" (6:20)
4. "Jack of All Trades" (3:23)
5. "Death to My Hometown" (5:00)
6. "This Depression" (2:57)
7. "Wrecking Ball" (5:40)
8. "You've Got It" (4:18)
9. "Rocky Ground" (3:19)
10. "Land of Hope and Dreams" (7:03)
11. "We Are Alive" (4:23)
12. "Swallowed Up (In the Belly of the Whale)" (Bonus track) (3:24)
13. "American Land" (Bonus track) (4:00)

Olhando para este lote de temas, alguns nomes saltam à vista, como familiares para os fãs de Bruce Springsteen.
Desde logo o tema-título do álbum "Wrecking Ball", que foi alvo de um lançamento especial em vinil, aquando do Record Store Day, em Abril de 2010. A versão incluída nesse single foi uma gravação ao vivo no Giants Stadium, na Working On A Dream Tour, em 2009. O tema teria sido composto por Bruce, propositadamente para os espectáculos de regresso a New Jersey.
Reconhece-se também "American Land", que foi escrito durante as Seeger Sessions, em 2006, (as quais deram origem ao álbum "We Shall Overcome") e foi presença assídua nos concertos de Bruce desde então.
Por fim, "Land of Hope and Dreams", que foi composto em 1998, estreado ao vivo na Reunion Tour com a E Street Band em 1999, mas nunca viu a luz do dia num álbum de originais.
O restante material de "Wrecking Ball" terá sido escrito em 2011.

Várias notícias ao longo dos últimos meses já apontavam para novidades no mundo de Bruce Springsteen. No dia anterior ao anúncio do álbum, um artigo na Rolling Stone dava conta que o novo álbum combinava elementos da sonoridade clássica de Bruce e da sua experiência nas Seeger Sessions, com novas texturas e estilos.
Jon Landau - manager de Bruce - falou em "texturas inesperadas, loops, percussão electrónica, com influências e ritmos desde o hip-hop ao folk irlandês", num "esforço experimental com um produtor novo".
Como seria de esperar, estas foram palavras que não caíram muito bem no seio dos fãs de Bruce, adeptos naturais de sonoridades Rock e ávidos de um disco mais próximo de "Born To Run", ou "Darkness In The Edge Of Town", do que do último disco de Wyclef Jean.

Claro que estas palavras, para mim, valem o que valem, uma vez que serviram apenas para criar buzz para o novo álbum e não necessariamente caracterizam aquilo que ele nos vai trazer.
Landau disse também que "Wrecking Ball" será o álbum "mais enfurecido" que Bruce já escreveu, mas para quem ouviu "Darkness On The Edge Of Town", não posso de deixar aqui as minhas dúvidas sobre esta afirmação.

O tema novo é o primeiro single retirado de "Wrecking Ball": "We Take Care Of Our Own". Este é um tema que, embora efectivamente mais "enraivecido" do que a tarimba jovial de "Working On A Dream", poderia figurar num dos últimos álbuns de Bruce. Isto é, em termos de sonoridade, não se ouve a revolução propalada por Landau.
Esperemos então pelo álbum, já falta muito pouco.

domingo, 23 de outubro de 2011

Daryl Stuermer - "Urbanista" (Live)



Já foi há mais de uma semana, mas só hoje tive tempo para escrever umas linhas sobre o concerto de Daryl Stuermer na Sexta-Feira, dia 14 de Outubro, na Aula Magna.

Muitos perguntarão quem é, afinal, este Daryl Stuermer?
Muito sucintamente, Daryl Stuermer é um músico americano, que ficou famoso por tocar guitarra e baixo ao vivo com os Genesis e por ser o guitarrista principal que acompanhou Phil Collins, ao longo da sua carreira a solo.
Um sideman, portanto.
O próprio reconhece este desconhecimento geral acerca da sua pessoa, uma vez que a sua digressão foi promovida como "Daryl Stuermer of Genesis".


Foi assim, naturalmente, uma plateia de fãs de Genesis e Phil Collins que acorreu à Aula Magna, para ver a estreia de Daryl Stuermer a solo, fora dos Estados Unidos. Não contando com os concertos em que Daryl Stuermer tocou com os Genesis, nunca ninguém na sua banda tinha tocado ao vivo fora de portas, o que tornou esta noite muito especial para os artistas no palco.
Infelizmente, a crise, a falta de promoção do espectáculo, ou simplesmente a falta de apelo para ver um sideman dos Genesis, fez com que a plateia estivesse a apenas 1/3 da lotação esgotada.
Não deixa de ser surpreendente para quem, como eu, foi há 2 anos à Aula Magna ver os The Musical Box - uma banda de covers dos Genesis - para uma sala a rebentar pelas costuras.

Aparentemente, a falta de adesão do público não afectou a prestação, nem o bom humor, de Daryl Stuemer, que esteve bem disposto e comunicativo ao longo de todo o espectáculo.
Quanto à música, foi Genesis e foi por isso fabuloso.

A setlist completa foi a seguinte:

- "Duke's Intro" ("Behind the Lines" / "Duke's End") [Instrumental] (Genesis - Album: "Duke")
- "Just A Job To Do" [Instrumental] (Genesis - Album: "Genesis")
- "Throwing It All Away" (Genesis - Album: "Invisible Touch")
- "No Son of Mine" (Genesis - Album: "We Can't Dance")
- "Land of Confusion" [Instrumental] (Genesis - Album: "Invisible Touch")
- "Heavy Heart" (Daryl Stuermer - Album: "Go")
- "Deep In The Motherlode" (Genesis - Album: "…And Then There Were Three…")
- "Your Own Special Way" (Genesis - Album: "Wind And Wuthering")
- "...In That Quiet Earth" / "Ripples" [Instrumental] (Genesis - Album: "Wind And Wuthering" / "A - Trick Of The Tail")
- "Urbanista" (Daryl Stuermer - Album: "Go")
- "Squonk" (Genesis - Album: "A Trick Of The Tail")
- Drum Solo
- "Los Endos" / "The Cinema Show" / "Firth of Fifth" / "Squonk" (reprise) / "Los Endos" (reprise) [Instrumental] (Genesis - Album: "A Trick Of The Tail" / "Selling England By The Pound")
- "Something Happened On The Way To Heaven" (Phil Collins - Album: "…But Seriously")
- "Invisible Touch" (Genesis - Album: "Invisible Touch")

Encore:
- "I Can't Dance" (Genesis - Album: "We Can't Dance")
- "Turn It on Again" (Genesis - Album: "Duke")

Como se pode verificar, com a excepção de dois temas a solo, um tema de Phil Collins (que Daryl escreveu com Phil e que, segundo o que ele disse no concerto, lhe permitiu comprar uma casa nova), só deu Genesis na Aula Magna!

Como o próprio Daryl confessou, habituado a tocar o baixo com os Genesis (Michael Rutherford fica, na maioria das vezes, com a guitarra principal), esta foi uma oportunidade para ser ele a tocar as partes de lead dos Genesis, a música que ele mais admira e mais gosta.

O vídeo que aqui fica é de um dos temas a solo que Daryl Stuermer tocou: "Urbanista", retirado do álbum "Go" de 2007, o qual Daryl ainda está a tentar promover e vender nos stands das salas de espectáculos onde actua.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Genesis - "Duchess"

"Yes times were hard, too much thinking about the future and what people might want"



"Times were good, she never thought about the future, she just did what she would"

A saída de Peter Gabriel dos Genesis, em 1975, obrigou a banda a procurar um novo rumo. Inicialmente, a ideia era procurar um novo vocalista, mas a maioria dos que se apresentaram para audição pareciam aspirantes a cópias de Peter Gabriel, tentando a todo o custo mostrar a sua excentricidade. Mal eles sabiam que era exactamente isso que os restantes membros dos Genesis queriam evitar.

Quem dava as indicações de como cantar as músicas nestas audições era Phil Collins, até então baterista e backing vocals dos Genesis. Com o álbum seguinte praticamente pronto, faltando apenas acrescentar as faixas vocais, a banda decidiria desistir das audições e aproveitar os inegáveis dotes vocais de Phil.
E foi assim que Phil Collins saltou para a frente do palco dos Genesis e nasceria uma carreira brilhante no Rock e Pop das décadas seguintes.

O álbum "A Trick Of The Tail" - o primeiro dos Genesis com o quarteto Banks/Rutherford/Collins/Hackett - foi um sucesso de vendas, superando todos os trabalhos anteriores dos Genesis, incluindo "Selling England By The Pound". No entanto, Steve Hackett e a restante banda pareciam estar a mover-se em direcções diferentes e após a digressão de "Wind And Wuthering", Steve deixaria a banda.
Estava então completa a formação mais duradoura dos Genesis: o trio Banks/Rutherford/Collins. O álbum seguinte chamar-se-ia, apropriadamente, "...And Then We Were Three".

"And she dreamed that every time that she performed, everyone would cry for more"

Porém, "...And Then We Were Three" foi um tiro ao lado, um álbum onde se notava que o trio Banks/Rutherford/Collins já não estava muito à vontade com o Prog. Para além disso, em 1978 a banda estava exausta depois de uma década de constantes gravações em estúdio e digressões.
Naquele cenário, o trio não iria longe e à chamada de aviso de Phil Collins, que queria voltar a casa para salvar o seu casamento, Banks e Rutherford responderam-lhe com uma proposta irrecusável: 1979 seria um ano de férias para os Genesis.

"She battled through, against the others in her world, and the sleep, and the odds"

Mas as coisas não correram bem para a vida pessoal de Phil Collins.
Enquanto o seu casamento desmoronava, Phil vivia nesta altura uma das fases mais prolíficas da sua carreira. Durante o aftermath do casamento, Phil escreveu "Face Value" - o seu primeiro álbum a solo e ainda hoje o mais aclamado da sua discografia a solo - e ainda emprestou aos Genesis dois temas para o novo álbum: "Misunderstanding" e "Please Don't Ask". Tudo isto no mesmo ano.

Em 1980, depois de um ano de hiato, os Genesis voltaram ao estúdio e assim nasceu o superlativo "Duke".

"Duke" representa o ponto alto da formação em trio dos Genesis. É a fusão perfeita entre o Rock Progressivo que ficara para trás em "...And Then We Were Three" e o Pop Rock que viria a seguir, mais influenciado por Phil Collins e cristalizado no álbum "Invisible Touch" de 1986. Em "Duke", os Genesis juntaram peças longas reminiscentes dos seus anos progressivos, mas também usaram Drum Machines, um instrumento proibitivo do Rock Progressivo.

É esse o caso deste fabuloso "Duchess".

"Duchess" faz parte da suposta "Duke Suite", uma sequência longa, inicialmente prevista para ocupar um lado inteiro do álbum (à imagem, por exemplo, de "Supper's Ready" do álbum "Foxtrot") e que consistia em:
- "The Duke" (mais tarde baptizado de "Behind the Lines")
- "Duchess"
- "Guide Vocal"
- "Turn It On Again" (alegadamente, mas aqui sou obrigado a pôr as minhas dúvidas, uma vez que não vejo grande relação entre "Turn It On Again" e as restantes partes)
- "Jazz" (faixas mais tarde separadas e baptizadas de "Duke's Travels" e a instrumental "Duke's End")


Deste grupo, sobressaem obviamente "Duchess" e "Turn It On Again", como faixas que se fazem valer por si só.
"Turn It On Again" foi lançado como o single de avanço de "Duke" e tornou-se num dos singles de maior sucesso dos Genesis até à data, fixando-se também como um dos temas obrigatórios em concerto.
"Duchess" seguiu-lhe como o 2º single e, embora não tenha obtido grande sucesso nas tabelas, é visto por Tony Banks como o melhor tema de sempre dos Genesis, eventualmente profetizando a História real da banda, desde o ido passado em 1980, até ao futuro que ainda aí viria.

"And all the people cried, you're the one we've waited for"

O vídeo foi gravado junto ao Liverpool Empire Theatre e mostra Phil Collins num novo visual de barba comprida, na minha opinião, o mais cool de sempre. Visual esse que eu tentei, com sucesso, imitar durante alguns meses nos meus tempos de estudante.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Héroes del Silencio - "Entre dos Tierras"

"Entre dos tierras estás y no dejas aire que respirar"




"Déjame!! Que yo no tengo la culpa de verte caer, si yo no tengo la culpa de ver que..."

Numa das muitas tertúlias musicais que tinha em tempos com um velho amigo, um dia mencionei esta famosa introdução de guitarra em delay ("tan (tan tan) tan (tan tan)"... e por aí fora), ao que ele sorriu e disse: "Estes espanhóis sabem o que fazem".
E sabem mesmo.

O tema é o fabuloso "Entre Dos Tierras" dos Heroes Del Silencio, um hino Rock latino, que me acompanhou ao longo de várias fases da minha vida.
Aquando do seu lançamento, em 1990, como single de avanço do álbum "Senderos de Traicion" (que foi recentemente eleito pela Rolling Stone como o 2º melhor álbum espanhol de sempre), "Entre Dos Tierras" foi um smash hit não só em toda a Espanha, mas também nas rádios locais de onde eu cresci. Durante um longo período de tempo, não havia dia nenhum que não ouvisse este tema inadvertidamente, pelo menos uma vez.


Os anos passaram e eu deixei de ouvir "Entre Dos Tierras" com tanta frequência.
Passara para a época eu que teria que ser eu a procurar a música que queria ouvir. E assim surgiu novamente "Entre Dos Tierras", que adoptei como uma espécie de hino da noite na juventude.
Neste sentido, costumo dizer que há sempre uma maneira de salvar uma noite, mesmo as mais amorfas: é com Heroes Del Silencio e este imperdível "Entre Dos Tierras". Não sendo propriamente um êxito recente, é por isso inevitável que este seja um dos temas que mais requesitei a DJ's ao longo dos anos.

Para mim, "Entre Dos Tierras" não só o melhor tema que conheço do Rock espanhol (diria até do Rock não falado em inglês), como também um dos melhores temas Rock de sempre.
Mais do que isso, "Entre Dos Tierras" tornar-se-ia também num dos temas preferidos do meu Pai, o que faz com que aquela entrada com as guitarras em delay signifique muito mais do que a chegada de mais um tema Rock... mas sim uma experiência familiar.

domingo, 2 de outubro de 2011

Red Hot Chili Peppers - "Can't Stop"

"The world I love, the tears I drop, to be part of the way I CAN'T STOP, ever wonder if it's all for you?!"



Os Red Hot Chili Peppers têm aquela sonoridade muito própria, de quem trouxe um cheirinho Funk ao Rock. Não é um original deles, mas é algo que não havia muito no mainstream, quando explodiram em 1991 com "Give It Away".

A procura do ritmo, do groove, é algo que sempre assumiu grande importância nas música dos Red Hot. Tanto nos seus trabalhos mais antigos, nos anos 80 e 90, como nos álbuns mais recentes.
É o caso deste "Can't Stop", do álbum "By The Way" de 2002.

O álbum "By The Way" foi escrito no período mais feliz da banda, na sequência do mega-sucesso de "Californication", durante os late 90's e early 00's. Um mega-sucesso que não foi marcado por tragédias ou conflitos, como em outras fases da carreira dos Red Hot. "Californication" foi um álbum que marcou indelevelmente a minha geração. O seu sucesso foi tão grande, que durante 2 anos foram lançados singles de promoção ao álbum. Parecia uma mina sem fim para as rádios.

A recepção de "By the Way" foi assim feita com grandes expectativas, não só pelos fãs, como também pelo público em geral, que tinha sido brindado massivamente com os Red Hot na rádio e na televisão nos anos anteriores.
O primeiro single foi "By The Way" e eu confesso que, mesmo gostando, não fiquei muito impressionado. Já o segundo single - "The Zephyr Song" - revelou-se como o tema que mais abomino dos Red Hot. Não sei porquê, mas não me entrou no ouvido. Não entrou na altura e continua a não entrar hoje.

Foi só com o 3º single que o jogo mudou.
"Can't Stop" foi lançado em Janeiro de 2003, meio ano depois do lançamento de "By The Way" e fixou-se como o meu tema de eleição dos Red Hot Chili Peppers (ainda hoje o é). Mais que isso, mostrou-me que eles ainda tinham muito na manga.


Na mimha opinião, quem brilha com maior intensidade em "Can't Stop" é o guitarrista John Frusciante. John marca o ritmo com as suas simples frases na guitarra (o início até é reminiscente do Reggae, um género do qual nem gosto particularmente), mas mais que isso, confere com as suas harmonias vocais um estado de graça ao tema. Sublime.

Para além das virtudes musicais de "Can't Stop", a lírica deste tema é algo com que me identifico pessoalmente. As palavras de Keidis funcionam de forma salpicada e algo arbitrária, mas inserem-se todas na mesma temática: a condição inquieta e desassossegada do ser humano.
Não de todos obviamente.
Mas para quem vive em constante urgência de resolução;
Para quem não se limita a uma vida levada pela corrente;
Para quem não consegue parar;
Para essas pessoas... este tema toca nalguns botões.

"Choose not a life of limitation, distant cousin to the reservation!"

A lírica em "Can't Stop" está exposta de forma a que o ouvinte se possa identificar com pelo menos alguns dos pontos abordados. Kiedis descreve vários factos da sua vida, mas sem especificar o seu sentido pessoal, permite ao ouvinte adoptar a canção para si mesmo, como um hino da sua própria vida.

"Can't stop the spirits when they need you, this life is more than just a read thru"

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

George Michael - "Idol" (Live)

"He was an idol then, now he's an idol here.
But his face has changed, he's not the same no more and I have to say that I like the way his music sounded before..."



Lindo. Simplesmente lindo.
É a melhor, mais simples e mais exacta definição do que foi presenciar ao vivo o concerto em Madrid, da digressão "Symphonica" de George Michael.

Escrevo este texto já em Lisboa, com pouco mais de uma hora de sono, nesta altura apenas movido pela adrenalina que o concerto me injectou. Poucas horas de sono, mas com o coração cheio.
Porém, isto não significa, de maneira nenhuma, que o concerto foi uma experiência particularmente mexida.
Paradoxal? Passo a explicar: nesta digressão, George Michael resolveu brindar-nos com um alinhamento composto pelos temas mais calmos do seu reportório, muitos deles desconhecidos do público em geral, bem como uma série de covers.

Para o conhecedor generalista de George Michael, aquele que conhece apenas os singles da rádio e que esperava ouvir uma selecção dos seus êxitos (como foi com a sua digressão "25 Live"), esta poderá ter sido uma noite decepcionante. Para mim, que conheço o repertório de George de trás para a frente, foi o corolário de quase 14 anos a ouvir a sua música, desde que no Inverno de 1997 chegou às minha mãos a compilação "If You Were There (The Best of Wham!)".

Conforme já tinha sido veiculado pela crítica, confirmei que a voz de George Michael ainda está praticamente intacta. Não raras vezes, ele foge das notas mais difíceis que ouvimos em disco, mas é preciso lembrar que George está numa digressão longa, onde a sua voz é o instrumento frontal de uma orquestra sinfónica, por isso não é de admirar que se proteja.

Já disse que foi lindo?
Foi lindo. A música de George Michael assentou que nem uma luva nos arranjos orquestrais.
Ao longo da noite, a música pôs o meu coração repetidamente em vias de derreter. Foram tantos os momentos de êxtase: "Cowboys And Angels", "You Have Been Loved", "Understand", "You've Changed"... Poderia continuar.
Mas o momento alto da noite, o momento da estocada final, aconteceu quando George Michael sacou de "Idol", um fabuloso cover de Elton John, que George já tinha cantado algumas vezes na digressão "25 Live" (quando veio a Coimbra cantou "Ticking", também de Elton).

"Idol" é um tema retirado do duplo álbum "Blue Moves" de Elton John, em 1976. "Blue Moves" foi a última colaboração de Elton John com o seu letrista Bernie Taupin nos anos 70 e é visto como um dos álbuns mais heterogéneos de Elton, no que à qualidade diz respeito. De facto, para um álbum que estabelece uma alta bitola com temas como "Sorry Seems To Be The Hardest Word", "Tonight" e "Idol", esperava-se um pouco mais do restante material, especialmente tratando-se de um álbum duplo.
Fica a promessa de mais tarde voltar a "Blue Moves".


Voltando a "Idol", este é um tema que se encaixa na perfeição no conceito de "Symphonica" e na voz de George Michael. Minimalista e jazzy, com aquele toque urbano conferido pelo saxofone de David Sanborn, "Idol" é um tema que facilmente poderia ter entrado num álbum de GM, especialmente nos anos 90.



"He was a light star, tripping on a high wire
Bulldog stubborn, born uneven"

"Idol" fala sobre a queda de uma estrela frágil. Um homem como outro qualquer, que ascendeu ao patamar mais alto que sonhara, mas que não aguentou a vertigem dessas alturas. Um homem que triunfou no seu meio e que assim concretizou o sonho de passar para outro meio, o meio onde está a "lion's share".
"Era um ídolo então, agora é um um ídolo aqui".
O problema é que o ídolo não prosperou no outro meio. A sua música soava melhor antigamente.
Agora que o brilho da estrela já não é tão cintilante, o ídolo é um peixe fora de água em qualquer um dos meios. Já não pertence ao lugar de onde veio, mas não é bem-vindo ao lugar onde queria estar.

"But don't pretend that it won't end, in the depth of your despair"

A performance de "Idol" (que vemos em cima no concerto de inauguração do novo Estádio do Wembley, na digressão "25 Live") foi o momento em que George Michael me atingiu com maior intensidade.
Foi lindo. Já o tinha dito?

EDIT: Alguém gravou o momento de que falava! Eis a sequência "Your Have Been Loved" / "Idol" ao vivo em Madrid:

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

George Michael - "You Have Been Loved" (Unplugged)

"Take care my love, she said... You have been loved"



O ano de 2011 tem sido, como eu gosto, recheado de muitos e grandes concertos. Até ver, os pontos altos foram:
- Foo Fighters no festival Alive;
- Bon Jovi no Parque da Bela Vista;
- Slash no festival Super Bock, Super Rock;
- Curt Smith dos Tears For Fears no Whitefire Theater, em Los Angeles (onde tive o privilégio de conversar com Curt - um dos homens que mais me inspirou na adolescência);
- Roger Waters no Pavilhão Atlântico, com o espectáculo "The Wall Live".

...sendo que, deste lote, o concerto de Roger Waters entra para o restrito grupo dos melhores concertos da minha vida.
Chamem-me exigente, mas ainda não chega. Até ao fim do ano, ainda me resta:

25 de Setembro - George Michael no Palacio De Los Deportes (Madrid);
14 de Outubro - Daryl Stuermer (guitarrista dos Genesis ao vivo) na Aula Magna;
11 de Novembro - Scorpions no Pav. Atlântico;
8 de Dezembro - Smashing Pumpkins no Campo Pequeno;
11 de Dezembro - Ray Wilson (vocalista dos Genesis no álbum "Calling All Stations") no Teatro do Bairro.

É assim um ano cheio, no que a espectáculos ao vivo diz respeito.
O próximo é um dos que mais anseio. E é já dentro de poucos dias que parto para Madrid para ver George Michael ao vivo, na sua aclamada digressão "Symphonica".

A digressão "Symphonica" mostra George Michael numa viagem pelo seu reportório a solo, bem como pelo reportório dos seus artistas preferidos, acompanhado de uma orquestra sinfónica. A presença forte de covers na setlist dos seus espectáculos ao vivo não é um facto novo, uma vez que George já o tinha feito em 1991 com o "Cover To Cover Tour", na altura contra a vontade da Sony, que pretendia que George promovesse o seu álbum "Listen Without Prejudice Vol.1" da maneira mais tradicional: cantando temas do álbum ao vivo.

Desta feita, segundo a crítica, George parece querer trilhar o seu caminho para a redenção através da música, com um espectáculo onde ele mostra não ter perdido as suas qualidades como artista, pelo menos enquanto à performance ao vivo diz respeito.

Já em relação à criatividade... Veremos no álbum que está prometido para o próximo ano.
Porém, fazendo fé nas suas declarações, em como o próximo álbum terá uma forte influência House (em oposição às influências R&B e Jazz, onde ele é mestre)... Tenho as minhas reservas.

Um dos temas que espero ouvir Domingo em Madrid é este maravilhoso "You Have Been Loved", tema que faz parte da onda mais Jazz de George Michael.
"You Have Been Loved" foi o 6º (!!!) single do álbum "Older" de George Michael, um "double A-Side" com "The Strangest Thing '97". O single foi lançado em Setembro de 1997, mais de um ano depois de "Older" - o álbum de onde foi retirado. Mesmo assim, "You Have Been Loved" / "The Strangest Thing '97" chegou ao 2º lugar nas tabelas britânicas, apenas atrás de "Candle in the Wind" '97", o multi-platinado single de Elton John.
Lembro que "Candle in the Wind" '97" se tornaria no single mais vendido da História, com mais de 33 Milhões (!!!) de cópias vendidas.


No vídeo que aqui vemos, George Michael canta este tema ao vivo no programa "Unplugged" da MTV.
Esta foi uma performance histórica, que apanhou George num grande momento de forma, uma vez que ele não fez qualquer digressão para a promoção do álbum, mantendo assim a voz cristalina para esta actuação, como se de uma sessão de estúdio se tratasse.