segunda-feira, 19 de setembro de 2011

James Brown - "Living In America"

"You might not be looking for the promised land, but you might find it anyway!"



O post de hoje é integralmente dedicado a um grande amigo meu. Um grande amigo que, tal como profetizou James Brown, inadvertidamente encontrou sua a terra prometida em solo americano, mesmo sem estar à procura.

"When there's no destination, that's too far and somewhere on the way, you might find out who you are"

Por vezes a vida tem disto. Andamos às voltas à procura do nosso destino, até que ele vem ter connosco, ao enviar-nos para uma terra distante e aí nos mostrar a verdade. A nossa verdade, claro está. Porque para cada diferente indivíduo existe um conceito diferente de verdade.
A verdade do meu amigo de que vos falo foi encontrada na América - a sua terra prometida.

"Super highways, coast to coast, easy to get anywhere!"

E como é possível fugir ao charme americano? É tudo em grande: os campos, as cidades, os menus, os edifícios, os casinos, a vida boémia... Enfim, tudo.
Eu próprio pude confirmar este ímpar charme americano com os meus olhos, quando os dois fizemos uma viagem "costa a costa" neste ano e sob o aroma do alcatrão americano nos aventurámos, literalmente, por estradas completamente desconhecidas.

"On the transcontinental overload, just slide behind the wheel! How does it feel?"

O tema que aqui fica visa homenagear o seu regresso (provavelmente fugaz) a terras portuguesas. Celebrando o seu encontro com a terra prometida, haverá tema mais adequado do que "Living in America", da banda sonora do épico filme de 1985 "Rocky IV"?

"Living in America" foi composto em 1985 por Dan Hartman e Charlie Midnight e é, nesta versão, interpretado pelo lendário "avô do Soul" - James Brown. O tema foi lançado como o single de promoção da banda sonora de "Rocky 4" em 1985, mas só chegaria aos lugares cimeiros das tabelas (tanto dos EUA, como do UK) no início de 1986, onde permaneceu durante várias semanas. A versão completa de "Living in America" apareceria no álbum a solo de James Brown "Gravity".

Curiosamente, "Living in America" acabaria mesmo por se tornar no single com mais sucesso da (na época já respeitável) carreira de James Brown. Para além disso, o tema daria ainda a James Brown o Grammy para Melhor Interpretação Masculina R&B, sendo ainda nomeado para o Grammy de Melhor Canção R&B.

"Living in America - I feel good!"

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Scorpions - "Hey You"

‎"Hey you, I'm in love with your eyes"



Depois de muita expectativa, hoje foi finalmente anunciado o concerto de despedida dos Scorpions em palcos portugueses.
Desde o lançamento de "Sting On the Tail", em Março de 2010, que os Scorpions embarcaram naquela que promoveram como a sua última digressão, em promoção ao seu último álbum de originais - precisamente "Sting On the Tail". Segundo a banda, a última digressão dos Scorpions teria que, no mínimo, os levar de volta a todos os locais do Mundo por onde já tinham passado.
Assim, espera-se que a digressão "Get Your Sting and Blackout" só termine lá para 2013.
Em todo o caso, eu não contaria com mais nenhum concerto em Portugal, para além do que foi anunciado hoje: 11 de Novembro no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.

Os Scorpions põem assim um ponto final a uma História que tem tanto de longa como de rica. Com uma discografia que atravessou décadas, gerações e registos musicais (sempre de volta do Rock e do Metal), houve sucessos e falhanços. Houve um grande lote de bons trabalhos, alguns deles brilhantes, mas também alguns terríveis. Houve até diversas mudanças da formação. Enfim, em mais de 45 anos, houve um pouco de tudo.
Os Scorpions foram trilhando o seu caminho e souberam sobreviver a tudo isso.

Para marcar a data do anúncio do concerto que põe fim ao capítulo português desta História (capítulo onde figura a gravação de um álbum acústico no Convento do Beato), deixo aqui um tema muito antigo, um dos MUITOS temas que adoro dos Scorpions - "Hey You".


"Hey You" foi lançando em single em 1980, durante a promoção ao álbum "Animal Magnetism", mas foi surpreendentemente excluído nesse álbum. É um tema atípico dos Scorpions, uma vez que é o guitarrista rítmico Rudolph Schenker quem canta os versos, aparecendo o vocalista Klaus Meine apenas no refrão, deixando o mote:

"You're driving me wild! I really die!
I'm in love 100 times! To be your answer..."

Poesia anglo-germânica clássica dos Scorpions.

Tentei encontrar uma explicação para o facto de um tema com a qualidade de "Hey You" ter sido deixado de fora dos álbuns dos Scorpions, mas a minha pesquisa foi inconclusiva.
Aparentemente, o tema terá sido gravado originalmente no Inverno de 1978, nas sessões de "Lovedrive", álbum lançado no início do ano seguinte, em 1979.
Possivelmente, "Hey You" não terá sido terminado a tempo de "Lovedrive", tendo sido recauchutado nas sessões de "Animal Magnetism", mas deixado novamente de fora do álbum. Atentando ao desperdício de deixar um tema desta qualidade nos seus cofres, os Scorpions lá se decidiram pelo seu lançamento como um single "avulso" em 1980.
Note-se que este último parágrafo é apenas vagamente baseado em factos reais.

"Hey You" chegaria ao meu conhecimento apenas através das muitas compilações que os Scorpions foram lançando ao longo dos anos. Nestes álbuns, foram aparecendo alternadamente duas versões diferentes de "Hey You": uma mais curta, com 3:49; e uma mais longa, com 4:30.
A versão que eu conheci originalmente e que eu aprendi a gostar foi a mais curta e é essa que aqui é apresentada.

"Hey You" é uma das grandes malhas dos Scorpions, num registo que eu gosto de classificar como City Night Rock. Um tema perfeito para a condução em cenário urbano, numa quente noite de Verão.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Queen - "One Year Of Love"

Ainda o efeito terapêutico da música dos Queen.
Hoje sobre a terapia do amor.



"All I can do is surrender to the moment, just surrender..."

Pois é, outra vez os Queen. Eu não sou grande adepto de repetir bandas num curto espaço de tempo (se verificarem na barra do lado direito, percebem que não há muitos marcadores repetidos), mas como já aqui expliquei, os Queen são os Queen.

Hoje acordei com vontade de ouvir Queen. Até aqui nada de novo.
O que decidi colocar? O álbum "A Kind Of Magic" de 1986. Este é para mim um álbum especial, porque retirando as compilações "Greatest Hits I & II" e os álbuns ao vivo "Live Magic" e "Live At Wembley '86", "A Kind Of Magic" foi o meu primeiro álbum de originais dos Queen. Na verdade, era uma velhinha cassete, cuja fita desafiou as leis dos materiais, de tanto uso que teve. E que ainda hoje vive.


Logo depois do fabuloso "One Vision" a abrir (um single lançado a 4 de Novembro de 1985, um dia de enorme relevância para a Humanidade) e do hit "A Kind Of Magic", surge "One Year Of Love".
E o coração fica apertado.

"One sentimental moment in your arms is like a shooting star right through my heart"

Há coisas que não se esquecem. "One Year Of Love" foi a minha primeira balada, andava eu na escola primária. Foi a primeira terapia de amor que conheci.
Foi mais uma, entre tantas outras sensações, que os Queen me proporcionaram ao longo da minha vida com a sua música. Não é à toa que eram a minha banda de eleição quando eu tinha 3 anos e ainda o são hoje.

"Just one year of love is better than a lifetime alone"

"One Year Of Love" é uma das grandes baladas desconhecidas dos Queen. E até foi lançada como o 7º (!!!!!) single do álbum "A Kind Of Magic", mas apenas em Espanha e França, provavelmente aproveitando o buzz criado pelo mega-sucesso da digressão "Magic Tour", que seria a última dos Queen. Em todo o caso, não conseguiu ganhar a notoriedade de outras baladas dos Queen.


"One Year Of Love" é um tema atípico. É um dos poucos temas dos Queen que não tem a presença do seu guitarrista Brian May. No lugar da sua parte de guitarra (e do seu solo) aparece o saxofone de Steve Gregory, o mesmo que tocou o famoso riff de saxofone em "Careless Whisper" de George Michael.

Não deixa de ser cómico que "A Kind Of Magic" seja visto pela maioria da crítica e por muitos fãs, como um dos álbuns mais fracos dos Queen. Ora, um álbum com apenas 9 temas, que pretendeu ser simultaneamente um novo álbum de originais dos Queen e a "banda sonora não oficial" do filme "Highlander", de onde são retirados 7 singles (sim, leram bem: sete!), alguns deles de ENORME sucesso como o tema-título "A Kind Of Magic", "One Vision", "Who Wants To Live Forever", ou "Friends Will Be Friends" e que, mesmo assim, é considerado um produto subpar na discografia dos Queen... É no mínimo notável.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

The Beatles - "I'm Down"

"How can you laugh, when you know I'm down?!"



A acção decorre por volta da meia noite.
O local: o parque de estacionamento de uma discoteca algures nos arredores de Gruissan, no sul de França. A noite é escura, mas nitidamente estrelada, fruto da distância a qualquer centro urbano.

Enquanto estou dentro do carro com um amigo a cheirar o ambiente da casa, toca na aparelhagem do carro uma compilação de temas antigos, mais rockeiros, dos The Beatles. Ouve-se "I Saw Her Standing There", "Twist And Shout", "Roll Over Beethoven", entre outros.
A páginas tantas, entra um tema com Paul McCartney a gritar:

"YOU TELL LIES THINKING I CAN'T SEE!
YOU CAN'T CRY 'CAUSE YOU'RE LAUGHING AT ME!
I'M DOWN!"

A adrenalina do grito de Paul atinge-me como um relâmpago e eu abro a porta do carro.
Ao sair disparado da viatura, é com enorme surpresa que encontro, lá fora, um grupo de franceses a dançar, igualmente atingidos pela força do grito melódico de Paul.
E todos dançamos e em uníssono gritamos com os The Beatles:

"HOW CAN YOU LAUGH, WHEN YOU KNOW I'M DOWN?!"

Esta história é verídica e aconteceu em 2010, 45 anos depois da gravação de "I'm Down", 40 anos depois da separação dos The Beatles. Nenhum dos presentes viveu a Beatlemania e provavelmente os seus pais são demasiado novos para se lembrarem disso.
O que é que isso interessa? Nada.
À 3ª geração, volvidos tantos anos, é esta a força dos The Beatles.
Permanece intacta.

Bem, intacta... Mais ou menos.
A época da Beatlemania já passou e momentos como os que Paul, John, George e Ringo passaram, não voltaram nunca mais. Nem para eles, nem para mais nenhuma banda, por maior que tenha sido o sucesso que obteve.
O vídeo que se segue mostra-nos o último tema da performance dos The Beatles ao vivo no Shea Stadium, em New York, numa quente noite de Agosto de 1966. O tema é precisamente "I'm Down" e a reacção do público (principalmente do público feminino) é qualquer coisa que... só visto. Ver para crer.



Esta seria a ante-antepenúltima actuação ao vivo dos The Beatles, antes da sua retirada dos palcos, para se focarem exclusivamente nos seus álbuns de estúdio. Depois disso, só mesmo a famosa actuação no tecto dos estúdios da Apple, em Londres.

Note-se que "I'm Down" foi lançado em 1965 como o lado B do single de "Help!" e nunca foi incluído num álbum dos The Beatles. Não sei se o público conhecia o tema ou não, mas dá-me a sensação que isso não interessava para nada.


Aposto que quando Paul McCartney escreveu "I'm Down", há 45 anos atrás, este não imaginava que os netos dos fãs que na época gritavam pelos The Beatles em países diferentes, se juntariam de madrugada, num parque de estacionamento perdido no sul de França, para uma vez mais gritarem com ele.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Noel Gallagher - "Fade Away" (Semi-Acoustic Live)

"Fade away while we're living the dreams we have as children"



Depois do fim dos Oasis em 2009, a carreira a solo de Noel Gallagher está neste momento a arrancar a sério.
Em Outubro teremos o lançamento do álbum homónimo da sua nova banda - os "Noel Gallagher's High Flying Birds" - e entretanto o single de avanço "The Death Of You And Me" foi lançado dia 21 de Agosto, chegando ao (discreto) 15º lugar das tabelas britânicas. Uma desilusão, tendo em conta que Noel Gallagher é ainda uma das referências do Rock britânico.
Veremos como é que o álbum será recebido no mês que vem.

No entanto, o primeiro lançamento oficial de Noel Gallagher a solo data de Março de 2009, uns meses antes da famosa discussão em Paris, que ditaria o fim dos Oasis. Trata-se de "The Dreams We Have As Children", um álbum gravado ao vivo no Royal Albert Hall em 2007, para a instituição de caridade "Teenage Cancer Trust".


"The Dreams We Have As Children" tem sido o meu álbum de eleição nas últimas semanas, tocando repetidamente em qualquer lado onde esteja: seja em casa na minha aparelhagem, ou na rua no meu Creative (sim, porque em termos de compatibilidade e de qualidade sonora, a Creative é muito melhor que a Apple e o seu iPod).

O que mais me impressiona em "The Dreams We Have As Children" é a forma como os temas clássicos dos Oasis ganham uma nova vida, uma vez submetidos à transformação semi-acústica imposta por uma banda formada por Noel na guitarra acústica, Gem na guitarra eléctrica ou nas teclas e "the mysterious Terry" na percussão.



É esse o caso deste fabuloso "Fade Away", que dá nome a este álbum numa das suas linhas.
"Fade Away" é um tema da autoria do próprio Noel, originalmente gravado em 1994 como um Lado B para o Single de "Cigarrettes And Alcohol".


A versão original de "Fade Away" era cantada por Liam Gallagher e situava-se no território mais próximo do Punk que os Oasis pisaram. Ao ouvir "Fade Away" novamente em "The Dreams We Have As Children", este tema transforma-se, de repente, numa melódica balada.
Fabuloso.

Curiosamente, "Fade Away" já tinha conhecido um tratamento semelhante, quando em 1998 foi gravada a "Warchild Version", para uma compilação de ajuda à caridade e incluída como lado B no single japonês de "Don't Go Away". Esta versão conta com Noel na voz, Johnny Depp na guitarra e Lisa Moorish e Liam nos backing vocals.



Na altura em que Noel escreveu "Fade Away", supostamente com o propósito definido de ser um lado B, era habitual este ter a arrogância de atirar grandes temas para lados B dos singles, não os guardando para futuros álbuns. Embora constantemente avisado que os temas que escrevia eram bons demais para serem relegados para lados B, Noel teimava que "se foram escritos para serem lados B, lados B devem ser". E assim foi.

"Now my life has turned another corner, I think it`s only best that I should warn you: Dream it while you can, maybe someday I`ll make you understand"

Noel julgava que a inspiração que carregava consigo nos anos dourados dos Oasis duraria para sempre. Como seria de esperar, uns anos mais tarde Noel já se confessava arrependido destas decisões.
Outro exemplo desta arrogância é o fabuloso "Listen Up", que curiosamente também foi deixado como um Lado B de "Cigarrettes And Alcohol". Estes temas, juntamente com outros lados B de qualidade semelhante, foram reunidos em 1998 para a compilação "The Masterplan" - provavelmente a mais sólida compilação de lados B da História.


O vídeo que se apresenta em cima foi gravado na Union Chapel (em Londres), em Novembro de 2006. Este foi um concerto inserido numa pequena digressão semi-acústica pela Europa, que Noel Gallagher e Gem Archer fizeram para promover a compilação "Stop The Clocks" dos Oasis.
Esta actuação na Union Chapel seria posteriormente editada para transmissão televisiva, dando lugar ao especial "Sitting Here In Silence", numa alusão a "Sittin' Here In Silence (On My Own)", outro lado B dos Oasis, também escrito por Noel Gallagher, para o single de "Let There Be Love".

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Freddie Mercury - "Time (Nile Rodgers 1992 Remix)"

"Time waits for nobody..."



O dia em que o Rei faz anos. É hoje.

Foi há 65 anos que, em Zanzibar, numa pequena ilha ao largo da Tanzânia, nasceu o Rei. O Rei, claro está, é Freddie Mercury. O único, o mais genial e mais completo artista da História do Rock, o meu ídolo de sempre, o Rei Freddie Mercury.

Freddie nasceu pacatamente sob a cultura Parsi, muito longe dos palcos que viria a pisar uns anos mais tarde.
Muito cedo Freddie se mudou para a Índia, onde frequentou escolas britânicas na zona de Bombaim (hoje Mumbai), as quais lhe incutiram formação musical, principalmente de piano, instrumento onde já revelava capacidades notáveis.

Aos 17 anos, Freddie e a sua família mudaram-se para o Middlesex no Reino Unido. Freddie integrou alguns projectos musicais sem sucesso, até que em 1970 se junta a Brian May e Roger Taylor dos Smile e, mais tarde com John Deacon, formam os Queen.
O resto é História. A História que todos conhecemos.

Para festejar esta data, o tema que aqui deixo é "Time", um dos meus preferidos da curta carreira a solo de Freddie Mercury. "Time" foi originalmente gravado em 1986, juntamente com "In My Defence" (outro tema fabuloso), para o musical de Dave Clark com o mesmo nome.
Para a promoção do musical e do respectivo álbum, "Time" foi lançado em single no Reino Unido, atingindo o modesto 32º lugar.


As versões originais de "Time" e "In My Defence" ficariam de fora dos álbuns a solo de Freddie Mercury. Em 1992, diferentes remisturas de ambos os temas apareceriam nas compilações póstumas "The Great Pretender" (lançada nos Estados Unidos) e "The Freddie Mercury Album" (lançado na Europa). Os originais apareceriam apenas mais tarde na megalómana caixa "Solo" de 2000 e na compilação "Lover of Life, Singer of Songs: The Very Best of Freddie Mercury Solo" de 2006.

A versão que aqui fica é a remistura de Nile Rodgers (dos Chic) em 1992, uma vez que foi aquela que eu sempre conheci e aprendi a gostar. E é nada menos que fantástica.

A verdade é que parece que todo o Mundo hoje presta homenagem ao Rei. Basta abrir a página do Google, para darmos com o doodle:



A equipa da banda decidiu também criar um "vídeo oficial" de homenagem ao Rei:



Aqui vemos Freddie em vários momentos ao longo da sua carreira, seja ao vivo, em entrevistas, ou mesmo em estúdio. Destaco as imagens (absolutamente inéditas) de Freddie a gravar a lindíssima balada "My Melancholy Blues", nas sessões de "News Of The World". Adorei.
Neste vídeo, Freddie profere algumas frases fortes (a maioria já conhecia), onde fala também da sua pessoa:

"I think I am a man of extremes, I don't think I have that much in the middle"

Como eu te compreendo, Freddie!

"Everybody looks at me on stage and they think that's the way I am, arrogant and all...
And you look at me now and you see that actually I'm quite boring"

E aqui está aquilo que, para muitos, pode ser uma revelação. Freddie Mercury era mesmo um homem de extremos e se em palco era a bola de fogo que conhecemos, fora dele podia ser uma pessoa calma, até mesmo enfadonha.

"When I'm dead, who cares? I don't"

I do Freddie! I still do...

domingo, 4 de setembro de 2011

Deep Purple - "Fireball"

"Oh my love it's a long way, where you're from it's a long way"



Na (longa) discografia dos Deep Purple, "Fireball" aparece entalado entre os dois álbuns mais icónicos da banda - "In Rock" de 1970 e "Machine Head" de 1972 - o que faz com que "Fireball" seja, com alguma frequência, injustamente ignorado.


A verdade é que se "In Rock" e "Machine Head" têm esse estatuto, isso não acontece por acaso, uma vez que são efectivamente álbuns mais sólidos. Mas isto não significa que "Fireball" não tenha os seus momentos. Curiosamente, seria mesmo "Fireball" o primeiro álbum dos Deep Purple a atingir o nº1 das tabelas britânicas, feito não conseguido por "In Rock".

Nesta altura, a formação MkII dos Deep Purple vivia a sua época dourada, por isso praticamente tudo o que fazia materializava-se em trabalhos inspirados e muito, muito edgy.

No caso do álbum "Fireball", o grande momento vem com o seu tema-título, que é um também dos meus temas de preferência da banda. O tema abre o álbum de forma explosiva, ao som de um dispositivo de ar-condicionado, seguido de um solo de bateria.

O tema "Fireball" foi lançado como o segundo single de promoção do álbum e foi um êxito modesto, atingindo a 15ª posição na tabela de singles britânica. O lançamento deu-se depois de "Strange Kind Of Woman" no Reino Unido e "Demon's Eye" nos Estados Unidos, sendo que ambos os temas ficaram de fora do alinhamento do álbum nos respectivos países.


"They wonder where you're from, they wonder where I found you"

"Fireball" fala de uma situação peculiar da vida e do amor: quando o amor é encontrado a uma grande distância de casa, talvez num país distante, talvez numa cultura diferente. A mulher caracterizada no tema age de forma diferente de todos em seu redor e todos querem saber de onde é, onde que é que foi encontrada. Segundo Ian Gillian, o tema é baseado numa experiência que o próprio viveu, dizendo que "é mais uma história de amor não correspondido".
De facto, quem quer que já tenha vivido toldado pelo fascínio de alguém vindo de longe sabe que não é fácil fazer face a grandes distâncias no amor, sejam elas geográficas, ou culturais.

"Oh my soul it's a long way, where you're from it's a long way"