quinta-feira, 30 de junho de 2011

Lifehouse - "Hanging By A Moment"

"There's nothing else to lose, there's nothing else to find"



O pontapé de saída para o Verão aqui no blog é dado por "Hanging by a Moment" dos Lifehouse.

Hoje recuamos ao início dos anos 00 para um dos muitos grandes temas Soft-Rock que povoavam as ondas de rádio da época. Confesso que não sou muito revivalista da última década, uma vez que a maioria da cultura que consumia (música, filmes e até televisão) não era actual e por isso não me identifico com o que se foi passando nos mass media dos anos 00.

No entanto, vinha eu há uns dias da praia e surge este tema na rádio.
Não pude deixar de sorrir e de me transportar para as quentes tardes do Verão de 2000, a trabalhar e a ouvir a boa música que passava na rádio. Este tema dos Lifehouse é um bom exemplo disso. É um tema Soft-Rock despretensioso, mas que cumpre a sua função. Certeiro.


"Hanging by a Moment" foi o single de estreia dos Lifehouse, promovendo o seu primeiro álbum "No Name Face". O tema teve um sucesso retumbante nos Estados Unidos, atingindo o 1º lugar em diversas tabelas da Billboard e foi mesmo nomeado o 25º Single Rock mais bem sucedido de sempre pela própria Billboard.
O problema é que, depois de um início que excedeu todas as expectativas, a partir daqui foi sempre a descer para os Lifehouse...

"There's nothing else..."

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Wham! - "The Edge Of Heaven"

"One last time might be forever!"



Ao ler as novidades de hoje no Facebook, cruzei-me com este brilhante artigo no fantástico blog "The Second Disc" e assim dei conta que fez ontem 25 anos que os Wham! deram o seu último concerto (apropriadamente chamado "The Final Concert") para um esgotado Estádio do Wembley, com uma assistência entre as 80 e as 100 mil pessoas. Estávamos a 28 de Junho de 1986.
Desde então que os fãs dos Wham! esperam ansiosamente por algum documento desta noite histórica, mas essa vontade acaba invariavelmente esbarrada na casmurrice de George Michael, que se recusou a lançar qualquer registo ao vivo ao longo da sua carreira. As únicas excepções foram o vídeo "Wham In China: Foreign Skies" de 1986 (nunca lançado em DVD) e o DVD/Blu-Ray "Live In London" de 2009, gravado em 2008 no Earls Court. GM terá mesmo afirmado que este seria o último documento ao vivo que ele lançará.

Muito oportunamente, o blog sugere uma edição de luxo para o álbum de despedida dos Wham!, também apropriadamente baptizado de "The Final" ("Music From The Edge Of Heaven" nos EUA). A sugestão indica que o álbum se deve fazer acompanhar de um registo áudio e/ou vídeo do "The Final Concert" no Estádio do Wembley. Embora duvide que tal seja possível, devido à irredutibilidade de George Michael, apoio totalmente a sugestão!
Apenas acrescento que se deve completar o alinhamento do álbum com as correspondentes versões 7'' e 12'' dos temas, sempre que tal seja aplicável.

É por isso altura de recordar aquele que foi promovido como o single de despedida dos Wham! em 1986 e que é também o meu tema preferido da banda: o vibrante "The Edge Of Heaven". O single acompanhou a álbum "The Final" e foi um tremendo sucesso em todo o mundo, atingindo naturalmente o 1º lugar no Reino Unido.
Aliás, o registo dos Wham! no Reino Unido é verdadeiramente avassalador: de 1982 a 1986, os Wham! lançaram 9 singles (não contando com "Club Fantastic Megamix") e todos, repito TODOS, entraram para o Top 10 das tabelas britânicas, sendo que 4 deles chegaram ao #1. Impressionante!




"The Edge Of Heaven" é um tema upbeat, com mais espaço para a guitarra de Andrew Ridgeley (ou que ele finge tocar) que o normal nos Wham!, o que dá um travo mais agressivo ao tema, em relação ao seu restante reportório.

Na minha opinião, foi desta fase da carreira de George Michael, que saíram os seus melhores temas pop, marcados pela irreverência e despreocupação da sua juventude. "The Edge Of Heaven", "Freedom" (o original), "I'm Your Man", "Everything She Wants"... são apenas alguns exemplos que provam nos temas upbeat, os Wham! são imbatíveis.
Quando seguiu uma carreira a solo e juntou, entre outras, as influências Jazz à sua música, George Michael tornou-se indiscutivelmente um artista mais maduro e mais completo, mas nalguns aspectos, discutivelmente melhor.
Nos anos 90, George Michael esteve "quase lá" com "Too Funky", "Fastlove" e "Outside", temas liricamente muito mais evoluídos, mas sem aquela alegria dos temas pop dos Wham!.

Quanto a "The Edge Of Heaven", este acabaria por não ser o último single dos Wham! nalguns países, cabendo essa honra ao fabuloso cover dos Was (Not Was) "Where Did Your Heart Go?", com sucesso bem mais reduzido.

terça-feira, 22 de março de 2011

Pink Floyd - "Comfortably Numb" (Live at Earls Court '80/'81)

"The child is grown, the dream is gone... I have become comfortably numb"



Volvidas 24 horas, ainda estou siderado com o espectáculo "The Wall Live" de Roger Waters em Lisboa.
Faltam-me as palavras. Todos os superlativos me parecem redutores. A língua portuguesa é muito rica, mas não sei se o suficiente para descrever o que presenciei ontem no Pavilhão Atlântico. E mesmo tendo essa riqueza, seria preciso chamar um Fernando Pessoa para obter uma imagem fiel do que se passou.

De forma muito simples e directa, afirmo que "The Wall Live" foi o maior espectáculo Rock que já assisti em toda a minha vida. Ponto. Pode não ter sido o melhor concerto (aí Roger Waters terá que dar o flanco a outro Pink Floyd - David Gilmour ao vivo no Grand Rex em Paris ainda é o concerto da minha vida), mas ficou muito perto disso. Mas em termos de espectáculo, foi simplesmente avassalador. Porcos a voar (tive um porco gigante diante dos meus olhos durante vários minutos), aviões a despenhar-se, guitarristas em gruas, pirotecnia, projecções em vídeo e o muro... o muro! Um muro físico em frente ao palco, escondendo a banda da audiência durante metade do concerto. Sublime.
Tudo isto acompanhado da maravilhosa música de um dos meus álbuns preferidos de sempre: "The Wall", o qual já abordei ontem.

Como referi, ainda estou a digerir tudo o que vi e por isso ainda me faltam as palavras. Pode ser que dentro de algum tempo consiga estruturar um texto com o retrato do que foi o espectáculo "The Wall Live".
Para já, enquanto procuro recuperar o fôlego do carrossel de emoções da última noite, deixo aqui "Comfortably Numb" ao vivo na mítica digressão original de "The Wall", em 1980/1981. Esta digressão terá mesmo dado prejuízo, tal a extravagância do conceito e a dificuldade de aplicação e rentabilização naquela época.


A versão que aqui fica é assim uma mistura das gravações de "Comfortably Numb" ao vivo no Earls Court em Londres, nos dias 9 de Agosto de 1980 e 15 de Junho de 1981, figurando no álbum oficial "Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980–81", que eu recomendo vivamente.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Roger Waters - "One Of My Turns" / "Don't Leave Me Now" (Live in Berlin)

"...we came in?"
"Run to the bedroom, in the suitcase on the left you'll find my favorite axe"



Hoje chega a Lisboa aquele que é um dos maiores, se não o maior, espectáculo da História do Rock: a majestosa apresentação ao vivo do álbum "The Wall".
"The Wall Live" não é um espectáculo de divertimento qualquer. Não é bem disposto, não é alegre e não faz sorrir a plateia. A magia de "The Wall Live" está na profundidade da mensagem e na forma extravagante como é transmitida. Conteúdo e forma.

A forma traduz-se pela construção de um muro físico entre a audiência e o palco durante a primeira parte do espectáculo, sendo que a segunda parte é feita integralmente com o muro à frente da audiência.
O conceito pode ser estranho, mas tem muito que se lhe diga. Desde projecções em vídeo, lasers, bonecos insufláveis gigantes, porcos voadores, destruição de mobílias, guitarristas em gruas... Não faltam elementos para manter os sentidos do público em constante hiperactividade.

O conteúdo é de uma enorme complexidade, mas pode ser dissecado em diversos tópicos simples. O álbum é essencialmente uma obra auto-biográfica de Roger Waters, primeiro abordando os seus problemas de infância, com a dificuldade de adaptação à sociedade, mas principalmente devido à falta do seu pai, morto na 2ª Guerra Mundial, que nunca chegou a conhecer; e depois abordando os conflitos internos resultantes da adaptação à vida de uma estrela Rock.

Assim, "The Wall" retrata a vida de Pink, uma estrela Rock que tem uma infância muito perturbada, atormentada por professores tirânicos e uma mãe sobre-protectora. Quando adulto, Pink também sofre com a dificuldade para lidar com a pressão de ser uma estrela e as suas relações invariavelmente se dissolvem em rasgos de violência, infidelidade, ou abuso de drogas.
A forma que Pink tem de se defender de todos estes traumas é procurando o seu próprio isolamento, confinando-se ao abandono, à margem do resto do Mundo.
Metaforicamente, estes traumas são associados a tijolos no muro (bricks on the wall) e é assim que Pink vai construindo o muro ao longo da primeira parte de "The Wall".

A construção do muro é acompanhada pela espiral de auto-destruição de Pink (levando mesmo à auto-mutilação, vista no filme) e da sua descida à loucura, completa no fim da primeira parte de "The Wall", quando se despede do Mundo ("Goodbye Cruel World") e o último tijolo é colocado no muro.
Pink pensa que finalmente está protegido.

Já do lado de lá do muro, isolado do Mundo, na segunda parte de "The Wall" a crise psicológica de Pink dispara. Pink é assolado por uma letargia ("Comfortably Numb") que o leva a um estado alucinogénico, onde se depara com as suas lutas internas de identidade. Isto culmina num julgamento no seu subconsciente ("The Trial"), onde Pink é acusado de má conduta por todos os personagens da sua vida, nomeadamente de mostrar sentimentos, um crime que teria cometido ao se expor ao Mundo. O veredicto do juíz é a queda do muro, que devolve Pink ao Mundo, completando o seu processo de luta interna.

Esta é a leitura mais linear do conteúdo do álbum. Na prática, a construção do muro é uma técnica usada por todos nós para a luta contra os males que nos atacam, os traumas que nos assolam, os problemas que nos atravessam... O processo de construção do muro/luta interna/queda do muro é algo por que todos já passámos, mais cedo ou mais tarde nas nossas vidas, qualquer que tenha sido o motivo. É uma metáfora com a qual todos nós nos podemos identificar.
É esta a força, é esta a magia de "The Wall".


Se é verdade que este princípio funciona na perfeição para descrever um processo pessoal, não é menos verdade que também pode ser associado a fenómenos bem mais palpáveis. O Muro de Berlim é um caso paradigmático disso mesmo.
Usado para isolar Berlim Leste do Mundo Ocidental, também aqui houve um processo de luta que levou à queda do muro.

Foi na ressaca da queda do Muro de Berlim, que em 1990 Roger Waters deu um concerto na "terra de ninguém", entre Potsdamer Platz e as Portas de Brandenburgo, onde tocou o álbum "The Wall" na íntegra, replicando os concertos da digressão original. Este foi um dos maiores concertos da História do Rock, com uma assistência de aproximadamente 350 000 pessoas e também um dos mais importantes, devido à carga emocional que transportou.


Aqui vemos a sequência "One Of My Turns" / "Don't Leave Me Now", um dos clímaxes do espectáculo, em que o protagonista da história chega ao ponto de ebulição, em rumo descendente na sua espiral de loucura. Uma interpretação magnífica de Roger Waters, completa com a destruição de mobílias de um quarto.

Não sei ao certo o que vou ver, mas é mais ou menos isto que espero no concerto daqui a pouco, quando Roger Waters trouxer a Lisboa a digressão "The Wall Live".

"Isn't this where..."

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

George Michael - "Jesus To A Child"

"You smiled at me like Jesus to a child"



Hoje é dia de S. Valentim e por isso não é difícil adivinhar que o tema de hoje será uma balada. E quem melhor para nos trazer um balada do que o mestre desta arte? Falo obviamente de George Michael.

Desde "Careless Whisper" quando ainda estava nos Wham! (embora o tema seja creditado a solo), passando por "One More Try" ou "Kissing A Fool" em "Faith", até este "Jesus To A Child" em "Older", são inúmeros os exemplos de grandes baladas que George Michael foi escrevendo ao longo da sua carreira. George nunca se limitou a uma fórmula, escrevendo baladas em diversos registos diferentes e assim mostrando a sua capacidade como escritor Pop.

Só no lote que referi, temos aromas de Jazz em "Kissing a Fool", da 80's Pop em "Careless Whisper" (aquele saxofone...), do Soul em "One More Try", ou da Bossa Nova neste "Jesus To A Child". O espectro de George é impressionante.

"Jesus To A Child" foi lançado como o single de avanço do álbum "Older" em 1996, entrando directamente para o nº 1 da tabela no Reino Unido.


"Jesus To A Child" é sem dúvida um dos melhores trabalhos de George Michael. É uma ode a uma história de amor que foi feliz, mas que já terminou. E apesar disso, a marca que deixou foi de esperança.
Alegadamente dedicado ao seu falecido namorado brasileiro (daí a influência da Bossa Nova), o tema conta com uma interpretação delicada e ao mesmo tempo arrebatadora, numa das mais notáveis gravações vocais na História da Pop. Se dúvidas ainda houvesse sobre as capacidades vocais de George Michael (e depois de o vermos a cantar "Somebody To Love" no Tributo a Freddie Mercury em 1992, as dúvidas já eram poucas), elas foram desfeitas aqui. Lindíssimo.

"Oh the lover I still miss was Jesus to a child"

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Stereophonics - “Maybe Tomorrow”

"Maybe tomorrow I'll find my way home"



Confesso que não sou um conhecedor profundo da obra dos Stereophonics. Confesso até que, daquilo que conheço, a minha opinião é “isenta”, isto é, nunca ouvi nada que deliberadamente não gostasse, mas também nunca me levou a comprar um álbum. É um sentimento que tenho para com outras bandas Britpop/Britrock dos late 90's, como é o caso dos Travis, dos Suede, ou dos Pulp, só dando alguns exemplos. Gosto do material, mas nunca me apaixonei. Talvez com o tempo...


Com o tema “Maybe Tomorrow”, a história já é diferente.
“Maybe Tomorrow” foi lançado em 2003, como o 2º single do álbum "You Gotta Go There To Come Back" (chegou ao nº3 no Reino Unido) e conquistou-me desde a primeira audição.

O tema é excelente, em todos os níveis. Em primeiro lugar tem um grande solo de guitarra, o que desde o início dos anos 00 parece ser cada vez mais raro nas bandas Pop/Rock. É como que se os guitarristas se acobardassem e ganhassem medo de arriscar um solo num tema que possa passar na rádio. Aqui não há medo. Há um grande solo.
Liricamente, o tema retrata a luta interna de identidade que todos travamos em certo ponto na nossa vida: “Maybe tomorrow I’ll find my way home”. Quem é que não se identifica com isto?

A minha apreciação por “Maybe Tomorrow” cresceu ainda mais quando vi o filme “Crash”, onde o tema foi utilizado na cena final, assentando que nem uma luva na coda do filme.
Notem que o vídeo que aqui deixo é a versão completa do videoclip e por isso a música só começa lá para o segundo 1:30.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Gary Moore - "Still Got The Blues"

"So long, it was so long ago... but I still got the blues for you"



Esta semana foi-se mais um dos Grandes.
Foi no último Domingo que Gary Moore sofreu um ataque cardíaco fatal, quando se acabara de instalar num Hotel na Costa do Sol, em Espanha. Gary Moore tinha 56 anos e foi cedo. Nunca tive oportunidade de o ver...

Como sempre acontece com os grandes artistas, eles vêm e vão, mas deixam a sua marca. No caso de Gary Moore, essa marca ficou vincada em diversos lugares, em especial nos Thin Lizzy, uma das mais aclamadas bandas Glam Rock do Reino Unido.

No seu texto de tributo a Gary Moore, Roger Taylor - o baterista dos Queen - descreve-o como um "virtuoso", um "guitarrista dotado de uma velocidade estonteante" e "especialista em sequências de staccato". Um "Star Player".

Contudo, o grande predicado de Gary Moore era mesmo o Blues. Era algo que lhe estava no ADN. Influenciado por referências do Blues como John Lee Hooker ou B.B. King (com quem chegou a partilhar o palco), Gary Moore trouxe o Blues para o Rock, usando a lendária guitarra Gibson Les Paul.


Para mim, o seu momento alto foi em 1990, quando regressara a um registo mais próximo das suas raízes do Blues, com o tema (e álbum do mesmo nome) "Still Got The Blues".
Que balada. É impossível resistir ao riff deste tema.
"Still Got The Blues" será para sempre recordado, seja nos programas nocturnos da Rádio, seja nos anúncios da Televendas a compilações de Blues. É um tema que perdurará muito tempo e assim será com o seu nome.