"So I look in your direction, but you pay me no attention, do you?"
A grande notícia do dia de hoje foi a do regresso dos Coldplay a Portugal, para encabeçar o cartaz do dia 6 de Julho do festival Optimus Alive 2011. Ausentes desde 2005, quando apresentaram "X & Y" no Pavilão Atlântico, já não era sem tempo que os Coldplay regressavam ao nosso país!
Por isso, hoje trago "Shiver" do álbum "Parachutes" de 2000, o primeiro álbum dos Coldplay e um dos melhores daquele ano e, porque não, um dos melhores álbuns rock dos "anos 00".
Se nos anos 90 surgiu o conceito de "banda de garagem" (aquela banda que fazia a vida negra aos vizinhos com muito barulho e por isso eram expulsos para uma divisão exterior), os Coldplay inserem-se mais no que eu chamo o conceito de "banda de sótão": uma banda que toca muito baixinho, que não precisa da distorção para fazer Rock e que baseia a sua música na melodia. E é isto mesmo que os Coldplay trazem com "Parachutes", na minha opinião ainda hoje o melhor álbum da carreira dos Coldplay.
Lembro-me perfeitamente da 1ª vez que ouvi (e vi) "Yellow" no "Top Rock", um programa que dava aos Sábados de manhã na TVI, patrocinado pela antiga Rádio Comercial - "A Rádio Rock". Na altura foi anunciado como o tema da banda que estava a revolucionar o panorama musical no Reino Unido. Confesso que não dei grande importância na altura, parecia-me apenas mais um "one hit wonder"... (alguém se lembra dos Train e "Drops Of Jupiter"?) Mas quando tive a oportunidade de ouvir o álbum "Parachutes" a minha opinão mudou. "Shiver", "Spies", "Trouble", "Everything's Not Lost", "Don't Panic", "Yellow"... a lista de grandes temas que este álbum traz é enorme.
É um dos álbuns obrigatórios dos anos 00, de uma banda que iria popular a rádio nesse período.
Aqui fica então "Shiver", uma balada fantástica onde, para além da melodia, Chris Martin ainda mostra os seus dotes vocais de falsetto. "Shiver" foi o single de avanço de "Parachutes" e o 2º single lançado na carreira dos Coldplay, tendo atingido "apenas" o Top 40 no Reino Unido e nos EUA.
Depois do lançamento do seu 2º álbum - "Trespass" - em 1970, os Genesis eram uma banda ainda à procura da sua identidade. Os álbuns não tinham grande sucesso e a banda não encontrava a sonoridade que procurava. Assim, depois da saída do guitarrista Anthony Phillips e do despedimento do baterista John Mayhew, os restantes membros procuraram quem pudesse inserir na banda os elementos que faltavam.
E encontraram.
Em 1971, foram admitidos nos Genesis Steve Hackett para a guitarra e Phil Collins para a bateria. Steve Hackett diferenciava-se dos outros guitarristas não pela capacidade de debitar múltiplas notas por segundo, mas sim pela sua enorme criatividade e objectividade dos solos. As suas frases eram curtas, tinham uma estrutura premeditada e acima de tudo sabia valorizar e gerir... os silêncios. Sabia quando aparecer e quando se resguardar no espaço do som da banda.
Phil Collins foi escolhido entre dezenas de bateristas e a banda imediatamente sabia que tinha encontrado alguém muito especial. Aos 17 anos, Phil Collins já tinha gravado com George Harrison, no seu 1º álbum pós-Beatles "All Things Must Pass". Tal como Hackett, Phil Collins também se distinguia dos outros bateristas. Ele juntava o virtuosismo à criatividade e assim tornar-se-ia num dos mais influentes bateristas da História do Rock, tanto pelo seu trabalho no rock progressivo com os Genesis, como mais tarde na criação da sonoridade "no cymbals", que usaria (com o sucesso reconhecido) em "In The Air Tonight" e que iria marcar toda a década de 80.
Estava assim encontrada a "formação clássica" dos Genesis. O seu 1º álbum foi "Nursery Cryme" em 1971, de onde saiu este "The Musical Box". Neste álbum foi também revelada
a sonoridade que marcaria os Genesis ao longo dos anos 70.
Na minha opinião, é em "The Musical Box " que os Genesis, como banda de "rock progressivo", atingem o seu apogeu.
"The Musical Box" é um daqueles temas onde todos os elementos da música parecem combinar na perfeição: a melodia, a história contada, a estrutura, os solos, a colocação dos instrumentos... Tudo encaixa no crescendo da música, que relata a história de Henry; da sua curta vida e da sua reencarnação, até ao fabuloso clímax final, onde revela o seu desejo por Cynthia:
"I was the one that let you know, I was your sorry ever after '74/'75"
Hoje vou ao baú dos êxitos obscuros dos anos 90 para recolher este "'74-'75", uma pérola dos The Connels, da qual todos nos recordamos. Faz-me também lembrar que o mainstream dos mid-90's / late 90's estava repleto destes temas melódicos e despretensiosos, de fácil audição. Eram temas que tinham um apelo tão simples e ao mesmo tempo tão abrangente, que assentavam que nem uma luva nas ondas FM das rádios generalistas.
"'74-'75" foi o único grande êxito dos The Connels, fazendo deles um exemplo de um One Hit Wonder (banda ou artista conhecidos por um único êxito). O single foi lançado originalmente em 1993, como promoção ao álbum "Ring", mas atingiu o sucesso apenas em 1995 e apenas na Europa, ganhando também enorme difusão em Portugal. Curiosamente, nos EUA, país de origem dos The Connels, o single nunca ganhou notoriedade.
Volvidos mais de 15 anos desde o seu sucesso, hoje "'74-'75" é um clássico. Como já referi, é um tema simples e despretensioso, mas não deixa de ser um grande tema. Destaco principalmente as harmonias no refrão.
Também um clássico é o vídeo de apresentação deste tema, com alta rotação no VH1. O vídeo mostra fotos de uma turma de 1975 da terra natal dos The Connels e contrasta as mesmas com imagens de 1993, ano em que o vídeo foi filmado.
Tendo em conta a letra e o vídeo, é fácil perceber que "'74-'75" é um tema revivalista, que relembra os tempos de escola, particularmente os erros cometidos nessa época.
A linha "I was your sorry ever after '74/'75" é um jogo de palavras (sorry ever after / happy ever after), o que significa que o narrador não deverá ter encontrado a felicidade com a miúda de quem gostava em '74/'75.
"I don’t know what it is I’m feeling
A four letter word really gets my meaning
Nothing ever lasts forever"
Para começar o ano em grande, fica aqui o novíssimo tema dos Beady Eye - a nova banda dos antigos membros dos Oasis: Liam Gallagher, Andy Bell e Gem Archer.
Este tema é "Four Letter Word" e vai ser lançado em single dia 17 de Janeiro. Vai estar também incluído no álbum "Different Gear, Still Speeding", que só chegará a 28 de Fevereiro.
"Four Letter Word" parece-me um esforço mais satisfatório que "Bring The Light", o primeiro single do álbum que, apesar de interessante, "soube-me a pouco".
Para já, mantenho praticamente intactas as minhas expectativas para o álbum do próximo mês. A verdade é que muitos dos meus temas preferidos dos últimos 2 álbuns dos Oasis ("Don't Believe The Truth" e "Dig Out Your Soul") foram escritos pelos actuais membros dos Beady Eye. Veremos então.
"When I was all messed up and had opera in my head, your love was a light bulb hanging over my bed"
E pronto. Hoje chegamos ao fim da linha de 2010. Terminado que está 2010, fica aqui hoje o tema que mais me marcou este ano. O tema é "Ultraviolet (Light My Way)" dos U2, retirado do álbum "Achtung Baby" de 1991.
Sometimes I feel like I don't know
Sometimes I feel like checkin' out
I want to get it wrong
Can't always be strong
And love it won't be long...
"Ultraviolet (Light My Way)" é um tema sobre amor e a dependência que o amor pode causar. Relata o desespero de um homem cuja vida está na escuridão, à espera de encontrar uma luz que o guie.
É a história de um homem que cometeu erros no passado, erros que o levaram à situação actual. E que está disposto a tudo para encontrar esta luz.
"I guess that's the price of love, I know it's not cheap"
Este é o tema que faz a transição entre as sonoridade dos U2 dos anos 80 e dos anos 90, combinando elementos de ambas as partes. A estrutura básica da música, com o inconfundível riff de The Edge, é semelhante ao que os U2 faziam nos 80's. Já os arranjos e a produção do tema é característica da inovação vincada no álbum "Acthung Baby".
Os U2 revolucionaram a sua música em 1991. E essa revolução não foi nada pacífica. Influenciados pela música de dança que proliferava no início dos anos 90 e pela cena Industrial, Bono e The Edge queriam inovar a música dos U2, experimentando novas sonoridades. Por outro lado, Mullen e Clayton estavam satisfeitos e confortáveis com o tipo de música que a banda fazia nos 80. Assim, os conflitos no seio da banda não se fizeram esperar e os U2 estiveram mesmo à beira da separação, devido a diferenças criativas.
Alegadamente, o consenso chegou quando The Edge estava a tentar escrever a bridge para "Ultraviolet (Light My Way)" e começou a tocar aquele que viria a ser o riff de "One". Ao ouvir esta descoberta de The Edge, todos concordaram que essa seria a nova sonoridade dos U2.
Uma das grandes novidades que os U2 trouxeram em 1991 foi a digressão de promoção a Acthung Baby: a espectacular "ZooTV Tour".
"Ultraviolet (Light My Way)" tinha um papel chave nos concertos da légua americana desta digressão: o tema figurava no encore da setlist e antes da entrada da banda, Bono telefonava para a Casa Branca e pedia para falar com o então Presidente dos EUA George Bush.
Ao ser confrontado com a indisponibilidade do Presidente, Bono responde:
"The President of the United States is not available TO ME?!
Oh... Well, I guess I mustn't be so important as I thought I was..."
"Ultraviolet (Light My Way)" esteve sempre lá. Mas encadeado pelo brilho dos singles dos U2, nunca tinha prestado particular atenção a este tema, até ver a sua performance no Blu-Ray "U2 360° at the Rose Bowl".
É impossível ficar indiferente à performance de "Ultraviolet (Light My Way)" na "360º Tour". Aqui, este tema volta a ter um papel fundamental na setlist, mais uma vez no encore. Depois de uma longa sequência em vídeo, Bono entra em palco usando um casaco de lasers (também quero um destes!) e canta para um volante iluminado que desce do cimo da estrutura. Espectacular.
Eu próprio pude testemunhar tudo isto, quando vi os U2 em Coimbra no dia 3 de Outubro deste ano, naquele que para mim foi o concerto do ano.
Rapidamente "Ultraviolet (Light My Way)" se juntou ao lote dos meus temas preferidos dos U2, juntamente com outras malhas como "Where The Streets Have No Name", "The Fly" , ou "Pride (In The Name Of Love)". Mais do que isso, o tema teve alta rotação durante um longo período de tempo. O suficiente para fazer "Ultraviolet (Light My Way)" o tema mais importante de 2010.
"Some people call it a one night stand but we can call it paradise"
Aproximamo-nos do fim do ano e por isso já só restam 2 temas nesta retrospectiva de 2010. Nesta fase, começa a ser difícil não só a escolha dos temas, mas também a sua ordenação. Não que esta seja vinculativa, mas procurei ordenar vagamente os temas, de modo a terminar o ano com aquele que teve mais importância ao longo de 2010.
Assim, para a penúltima escolha do ano, fica aqui o tema de uma banda que decobri mais profundamente este ano. Não que eu não conhecesse o essencial do trabalho dos Duran Duran, mas faltava-me dissecar os álbuns e a sua história para ter uma noção mais concreta da importância e da qualidade do seu trabalho. Ambas são imensas. Mas já lá vamos.
O tema que fica aqui hoje é "Save A Prayer", uma irresistível e sedutora balada retirada de "Rio" - o álbum de referência dos Duran Duran. Um tema que marcou os meus fins de tarde no Verão.
O single de "Save A Prayer" foi lançado em Agosto de 1982, como o 3º single de promoção de "Rio" e rapidamente despoletou um estrondoso sucesso à escala global. Chegou a nº 2 no Reino Unido, não atingindo o lugar cimeiro devido a "Eye Of The Tiger" dos Survivor.
Nesta altura, os Duran Duran eram a banda da moda. Faziam capas de revista, as suas músicas tocavam na rádio em alta rotação e os seus vídeos cosmopolitas serviam como pão para a boca da então embrionária MTV.
Dizia-se nos anos 80 que "Se a MTV gostasse de ti, o Mundo gostava de ti". E a MTV adorava os Duran Duran.
O motor de toda esta atenção dos media? Os Duran Duran aliavam a boa música, integrada nos então emergentes movimentos New Romantic e New Wave, à apresentação de uma imagem atraente. Eles sabiam disso e tinham intenção de explorar a sua imagem para impulsionar a promoção da música.
Para se ter uma dimensão da importância da banda nesta época, os Duran Duran eram então apelidados de "Fab Five", em alusão aos The Beatles. A banda tinha assim todos os dados para para conquistar o Mundo, pelo menos na sua faixa etária mais jovem.
Deste modo, para a gravação do vídeo de "Save A Prayer", os Duran Duran contrataram o consagrado realizador Russel Mulcahy e viajaram para o Sri Lanka, onde aproveitaram os cenários exóticos para criar vídeos pioneiros, completamente diferentes de tudo o que se fazia naquela altura. Os media adoraram e o público também.
"You don't have to dream it all, just live a day"
"Save A Prayer" é uma balada romântica e melancólica, que carrega na sua música e na sua lírica um simbolismo... um significado próprio. O tema basicamente relata a história de um amor efémero, mas segundo Simon Le Bon é muito mais que isso. É um tema sobre a liberdade individual, sobre o conceito filosófico que o que importa é o momento presente. Para Simon, a linha mais importante deste tema é aquela que está no início do post:
"Some people call it a one night stand but we can call it paradise"
A explicação, pela palavras do próprio Simon: "Não vamos pensar no que significa, não vamos pensar no que vai ser amanhã... Vamos pensar no que vai ser este momento. É a única coisa que importa."
A verdade é que há muito mais em "Save A Prayer" do que uma mensagem. A estrutura deste tema é de uma complexidade extraordinária, mas é soberanamente organizada por um trabalho de produção magistral de Colin Thurston. Segundo o baixista John Taylor, o tema é composto por 4 faixas diferentes de sintetizador, 4 faixas de guitarra, 2 faixas de baixo, para além da bateria e das faixas vocais. Estonteante.
É fascinante a quantidade de coisas que acontecem simultaneamente em "Save A Prayer".
Mais do que isso, para alguém com algum treino de ouvido, é uma delícia identificar as diferentes partes que vão surgindo nos vários espaços da cortina sonora deste tema. Não estou a falar um muro de som, no sentido da wall of sound de Phil Spector ou do brickwalling de Owen Morris. Falo de uma cortina fina e delicada, produzida com a minúcia de um bordado.
A base da música é um loop de sintetizador que entra no início do tema e se estende até ao fim, quando sai em fade-out. Ao fim de dois loops, entra mais uma faixa de sintetizador com a melodia base do tema, uma faixa de guitarra acústica com os acordes básicos e a restante secção rítmica (bateria e baixo). Na verdade, a estrutura do tema é tão complexa que confesso que nem sequer consigo identificar algumas das faixas que referi em cima.
Para mim, o momento chave de "Save A Prayer" surge durante o 2º refrão (ao segundo 2:25 no vídeo), numa altura em que Simon Le Bon canta:
"Don't say a prayer for me now, save it 'til the morning after"
...e rebenta a agressiva guitarra eléctrica de Andy Taylor com um riff arrepiante... arrebatador. É um momento único, exclusivo, irrepetível.
É um daqueles momentos raros na música que mexem profundamente connosco.
Importa frisar que a agressividade da guitarra eléctrica de Andy Taylor era, nesta altura, um dos factores mais importantes que separava os Duran Duran de todas as outras bandas Pop. Andy tinha raízes Punk e dava um edge único à música dos Duran Duran. Infelizmente, com a sua saída durante a gravação de Notorious - o 4º álbum dos Duran Duran - a banda perdeu esta faculdade e nunca mais foi a mesma.
"Don't make us some little girl's dream that can't ever come true, that only serves to hurt and make you cry like you do"
Na ressaca da dolorosa experiência da concepção e promoção do álbum "Darkness On Edge Of Town", Bruce Springsteen regressou ao estúdio em Março de 1979 para gravar o seu 5º álbum.
Desta vez, o processo de gravação parecia correr de forma menos conturbada e a CBS (editora de Bruce) já fazia planos para o lançamento natalício do novo álbum de originais de Bruce Sprinsgteen.
Até ao final de Agosto, Bruce Springsteen já tinha escrito e/ou gravado os seguintes temas:
"Roulette"
"White Lies" "Hungry Heart"
"The Ties That Bind"
"Find It Where You Can"
"Break My Heart"
"Out On The Run (Looking For Love)"
"In The City"
"The Man Who Got Away"
"Chain Lightning"
"Night Fire"
"Under The Gun"
"Mary Lou"
"I Wanna Be With You"
"Bring On The Night" "Ramrod"
"The Price You Pay"
"Ricky Wants A Man Of Her Own"
"Loose Ends"
"Cindy" "I Want To Marry You"
"To Be True" "Stolen Car"
"The River"
"You Can Look (But You Better Not Touch)"
"Dollhouse" "Point Blank"
Nem mais nem menos 27 temas.
27 temas em diversas versões diferentes, que formam um lote considerável de material de qualidade, em quantidade mais que suficiente para compôr um álbum.
O título para o álbum foi escolhido e foram seleccionadas e masterizadas 10 faixas, que formariam "The Ties That Bind", o álbum perdido de Bruce Springsteen:
LADO A
"1. The Ties That Bind" (3:37)
2. "Cindy" (2:28)
3. "Hungry Heart" (3:28)
4. "Stolen Car" (4:33)
5. "To Be True" (3:54)
LADO B
6. "The River" (4:54)
7. "You Can Look (But You Better Not Touch)" (2:12)
8. "The Price You Pay" (5:51)
9. "I Wanna Marry You" (3:31)
10. "Loose Ends" (4:08)
"The Ties That Bind" seria um álbum conceptual, o primeiro álbum de Bruce Springsteen a abordar a temática das relações entre o homem e a mulher: a responsabilidade do compromisso e a dificuldade da manutenção dessa ligação.
São usadas várias metáforas como o rio, o nó e até uma viagem de carro, para ilustrar estes sentimentos. Era um álbum com uma orientação um pouco mais leve do que "Darkness On the Edge Of Town", mas que ainda assim carregava um importante significado.
"Baby you be true to me and I´ll be true to you!"
"So how about it?"
No entanto, após a actuação em dois concertos de beneficiência, em Setembro de 1979 Bruce mudou de ideias e decidiu que queria seguir uma direcção diferente. Bruce queria incluir uma série de outros estilos musicais que ele também gostava, mas que até então tinham sempre sido estrangulados pela rigidez da matriz dos seus álbuns conceptuais. Isso já tinha ocorrido na criação do álbum "Darkness On Edge Of Town" e Bruce não queria repetir o formato para o seu 5º álbum. O significado perdera a sua importância.
Assim, o álbum "The Ties That Bind" foi cancelado por completo e Bruce Springsteen e a E Street Band regressaram ao estúdio em Outubro de 1979 para uma longa 2ª fase de sessões de gravação. Essas sessões durariam até ao Verão de 1980 e dariam lugar ao multifacetado álbum "The River", que apresentava uma diversiade de estilos à imagem do que Bruce tinha em mente. Dos 27 temas da 1ª fase de gravações, apenas 8 chegaram a "The River" (assinalados a negrito na lista em cima), alguns deles com versões drasticamente diferentes.
Volvidos 15 anos, em 1994 chegou aos fãs um cópia da master tape de "The Ties That Bind", directamente dos estúdios Power Station, local onde tiveram lugar as sessões de gravação em 1979. Os fãs puderam finalmente ouvir o álbum perdido de Bruce Springsteen.
Com isto, levantou-se a questão: será que Bruce Springsteen fez bem em cancelar o projecto "The Ties That Bind"? Será porventura "The Ties That Bind" melhor que "The River"?
Em primeiro lugar, devo sublinhar que "The Ties That Bind" é, sem sombra de dúvida, sonicamente superior a "The River". Tendo em conta que todas as prensagens já lançadas de "The River" são um verdadeiro desastre sonoro e que "The Ties That Bind" chegou às mãos dos fãs directamente da master tape original, isso não era difícil.
Quanto à comparação entre os dois projectos... São coisas diferentes.
Não diria que "The Ties That Bind" é superior a "The River", porque o primeiro é uma parte do segundo e o primeiro tem 10 faixas, contra 20 do segundo. Seria injusto comparar assim os álbuns.
No entanto, diria que Bruce Springsteen cometeu um erro em ter cancelado o lançamento de "The Ties That Bind". Este álbum, tal como foi formulado, resulta muitíssimo bem. É um álbum que, ao contrário de "The River", segue uma linha de raciocínio e que tem temas excelentes, alguns deles abortados para "The River". Isso foi uma pena.
Na minha opinião, é verdade que há algum material supérfluo em "The Ties That Bind", nomeadamente "You Can Look (But You Better Not Touch)" e "I Wanna Marry You". Contudo, ambos os temas acabaram por figurar em "The River", tal como uma série de outros temas que nada acrescentam àquele álbum.
Em suma, para mim Bruce deveria ter lançado em 1979 o mais sólido e mais coerente "The Ties That Bind" e logo depois, como era sua vontade, lançar um party album, com temas mais leves e desconexos.
O resultado em "The River" acabou por ser um cruzamento destes dois conceitos, com um conjunto de material muito bom misturado com material bastante fraco, sem se vislumbrar qualquer fio condutor.
Do conjunto de 10 temas que figuravam em "The Ties That Bind", 3 deles não foram incluídos em "The River": "Cindy", "To Be True" e "Loose Ends". Todos são grandes temas, inexplicavelmente postos de parte.
O tema que aqui fica é "To Be True", uma versão arcaica de "Be True", que seria lançado em 1980 como o Lado B do single "Fade Away", retirado de "The River". Segundo Bruce Springsteen, "Be True" ficou de fora do álbum em favor do tema "Crush On You", uma decisão que, ao fim de alguns anos, o próprio tem dificuldade em perceber.
"To Be True" é mais que um tema criminosamente deixado de lado em "The River" (seguindo a tradição de outros temas como "The Promise" em "Darkness On The Edge Of Town"), é uma das minhas gravações preferidas de Bruce Springsteen, onde destaco o fabuloso solo de saxofone de Clarence Clemons no fim do tema.
Em 2010, pelo segundo ano consecutivo, Bruce Springsteen foi o artista que mais ouvi. A descoberta da sua obra significa a entrada num túnel cheio de tesouros, que parece não ter fim à vista. A quantidade de temas que ele gravou vai muito para além da (já respeitável) quantidade que está editada.
E eu continuo fascinado na descoberta destes tesouros.