segunda-feira, 22 de novembro de 2010

George Michael - "Cowboys And Angels"

"That scar on your face, that beautiful face of yours..."



É sabido que George Michael sabe escrever uma balada como ninguém. Temas como "Careless Whisper", "Jesus To A Child", ou "Last Christmas" são algumas das melhores baladas da história da Pop e apenas alguns exemplos do vastíssimo reportório de George Michael neste registo.

O que não se sabia em 1990, é que George Michael sabia escrever muito mais que simples "baladas Pop". E foi quando George lançou a sua obra-prima "Listen Without Prejudice Vol.1" que se percebeu que o seu talento e o seu ecletismo iam muito para além do registo Pop, que já tinha explorado largamente nos Wham! e no seu álbum de estreia a solo "Faith".

O problema é que este desvio do registo habitual de George Michael, aliado à recusa de George em aparecer nos seus vídeos e promover o álbum (como tinha feito com "Faith"), fez cair as vendas a pique e enfureceu a Sony, que bloqueou o lançamento de "Listen Without Prejudice Vol.2".

Mesmo sendo este o 6º (!!!) single retirado de "Listen Without Prejudice Vol.1", um álbum com promoção praticamente nula, "Cowboys And Angels" foi o único tema de George Michael a falhar a entrada no Top 40 de singles no Reino Unido.

O que George Michael mostra neste "Cowboys And Angels" é uma "balada Jazz", um single com 7:14 (o mais longo da sua carreira), que é um dos seus momentos mais brilhantes. Tudo parece estar no lugar certo: a lindíssima letra, o piano, os sopros, o ritmo, a produção... Uma obra-prima.

"Please be stronger than your past, the future may still give you a chance"

domingo, 21 de novembro de 2010

Bruce Springsteen - "The Promise" (I)

"When the promise was broken, I cashed in a few of my own dreams"
"A promessa". "A promessa" é um tema que fala de uma história de desilusão, traição e isolamento. É um tema que descreve a situação que Bruce Springsteen passava naquela altura.

Quem quebrou "a promessa" foi Mike Appel, o manager de Bruce Springsteen na época. Em 1972, Mike deu a assinar a Bruce um contrato, que estipulava que este recebesse uma ínfima parte dos direitos de autor das suas músicas e que os direitos de publicação fossem exclusivamente da editora. Reza a lenda que este contrato foi assinado por Bruce Springsteen num parque de estacionamento em New Jersey, sem sequer o ler.

Só em 1976, quando Bruce Springsteen decidiu que Jon Landau estivesse envolvido nas suas decisões artísticas e Landau aconselhou-o a analisar este documento, Bruce se apercebeu do que tinha feito. Na sequência, Bruce despede Mike Appel e dão início a uma longa batalha jurídica que se arrastou pelos tribunais até 1977, sem que Bruce pudesse voltar ao estúdio, uma vez que Mike o tinha impedido de gravar com Landau.

"When the promise was broken I was far away from home, sleeping in the back seat of a borrowed car"
"A promessa". "A promessa" não só é um dos melhores temas que Bruce Springsteen nunca lançou (e são muitos), como também é dos momentos mais brilhantes da carreira de Bruce. Um momento tão brilhante e ao mesmo tempo tão pessoal, que Bruce tinha receio de o submeter ao juízo do público e da crítica. Medo esse que, em boa verdade, nunca terá perdido, uma vez que mais de 30 anos depois do lançamento do álbum, a versão mais aclamada deste tema continua sem ver a luz dia, em forma oficial:



"I followed that dream just like those guys do up on the screen"

A performance vocal de Bruce Springsteen neste take específico é tão profunda e tão emocional, que consegue materializar o sentimento de desilusão como nenhum outro tema que eu já ouvi. E parece-me que foi o seu cunho pessoal na interpretação do tema, que o impediu de lançar este take nas várias oportunidades que teve ao longo dos anos.

Vejamos: em 1978, Bruce deixa "The Promise" de fora do álbum "Darkness On the Edge of Town", muito embora este tema se encaixe na perfeição no espírito do álbum. Em 1998, Bruce deixa-o de fora da caixa "Tracks", a qual pretendia reunir em 4CD, os melhores temas de Bruce que tinham ficado de fora dos álbuns. Em 1999, pressionado pelos fãs que ficaram surpreendidos com a exclusão de "The Promise" da caixa, Bruce lança finalmente o tema em "18 Tracks", uma compilação com o melhor de "Tracks". No entanto, Bruce volta a surpreender, ao lançar uma regravação de 1999, excluindo os vários takes existentes no arquivo, de 1976 a 1978. Esta regravação é nomeada para um Grammy, mas voltou a não deixar os fãs satisfeitos. Finalmente, em 2010, Bruce lança um duplo álbum com os melhores temas gravados entre 1976 e 1978, que ficaram de fora de "Darkness On the Edge Of Town". A compilção chama-se "The Promise" e finalmente é incluído um take gravado na época. Mas ainda não não foi desta que "o take" que os fãs querem viu a luz do dia.



"We're gonna take it all and throw it all away"

sábado, 20 de novembro de 2010

Pink Floyd - "Sorrow" (Live in Venezia)

"A silence that speaks so much louder than words of promises broken"



Hoje fica aqui "Sorrow", um dos meus temas preferidos dos Pink Floyd, do álbum de 1987 "A Momentary Lapse Of Reason". O vídeo documenta um concerto histórico em 1989 na baía de Veneza, com um palco flutuante e a audiência em gôndolas.

Estima-se que, entre os milhares nas gôndolas e na Praça de S.Marcos (no lado oposto da baía) estavam 200 000 pessoas para assistir a este evento histórico. O concerto foi ainda objecto de uma mega operação televisiva, com transmissão em directo para 23 países (entre eles a URSS, a Alemanha de Leste, a Jugoslávia e... Portugal) e uma estimativa de mais de 100 milhões de telespectadores.

Apesar de congregar diferentes povos a assistir, numa época de conflitos internacionais complicados, este esteve longe de ser um evento consensual. A 2 dias do concerto, o seu cancelamento esteve iminente, devido a protestos em como as vibrações poderiam fazer estragos nos monumentos da cidade e nas fundações dos edifícios. As suspeitas confirmaram-se na ressaca do concerto e o Ministério da Cultura demitiu-se em bloco.

O Presidente da Câmara de Veneza garantiu que este seria o último evento deste tipo a ter lugar na cidade.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Phil Collins - "In The Air Tonight"

"The hurt doesn't show, but the pain still grows... it's no stranger to you or me!"



Dizer que Phil Collins foi um dos melhores bateristas da sua geração é redutor, para descrever o impacto de Phil, como artista.

Phil foi pioneiro de vários estilos diferentes e influenciou os colegas de instrumento como muito poucos o fizeram. Foi pioneiro no estilo progressivo nos anos 70 (o seu álbum de estreia nos Genesis - "Nursery Crime" - é uma pérola no que à bateria diz respeito), onde usou o seu único sentido melódico para criar um estilo muito próprio.

Foi também pioneiro no estilo no cymbals (isto é: sem pratos) dos anos 80, que ele próprio inventou em conjunto com Peter Gabriel e Hugh Padgham. Em 1979, Peter procurava uma nova sonororidade para a bateria no seu álbum "Melt" e convidou o "mestre" para uma participação especial no seu disco. Sem saber, Phil Collins inventara um estilo que marcaria toda a música dos anos 80 (nomeadamente as famosas "power ballads") e a primeira amostra disso seria com o seu smash hit "In The Air Tonight".

Mas não foi só na bateria que PC foi genial... Quando saltou para o microfone em 1976 deu aos Genesis uma nova vida, universalizou a banda com êxitos atrás de êxitos e ainda teve tempo para embarcar numa carreira a solo de que poucos se podem orgulhar.

É claro que isto foi feito através de uma mudança de estilo, mas alguém esperaria álbuns progressivos no mainstream dos anos 80 ou 90? Nem o próprio Peter Gabriel voltou ao Prog.
Na minha opinião, a música pode ser "Pop" e ter qualidade e os Genesis são a prova disso mesmo.

Espero com isto transmitir que o aspecto técnico na música não é tudo, nem sequer é o mais importante. Os The Beatles iniciaram a sua carreira com temas com 3 acordes e não é por isso que são maus. Como em tudo, há pop boa e má, como também há rock progressivo bom e mau.
A música é um veículo de emoções e Phil tem o ónus de ter conseguido ao longo da sua longa carreira utilizar esse veículo de diversas formas.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Roger Waters - "5:06 AM - Every Stranger's Eyes"

"I recognize myself in every stranger's eyes"



Depois do megalómano projecto "The Wall" e do álbum de despedida "The Final Cut", Roger Waters saiu dos Pink Floyd, na certeza de que os restantes elementos não teriam condições para continuar com a banda. A história provaria que Waters estava enganado...
Foi então que Waters embarcou num ambicioso projecto a solo, o mesmo que tinha sido dado a escolher aos Pink Floyd em detrimento de "The Wall": "The Pros and Cons of Hitch Hiking". Uma vez que o conceito tinha sido rejeitado pelos Pink Floyd, tornou-se no 1º álbum a solo de Roger Waters em 1984.

Este álbum narra um sonho de um homem em tempo real, entre as 04:30 e as 05:12. Para tentar colmatar a ausência de David Gilmour, Waters convidou Eric Clapton para a guitarra no álbum e na digressão subsequente. Mas nem assim o álbum teve grande sucesso... O álbum é muito "morno", sendo frequentemente apelidado entre os fãs como uma snoozefest.
Apesar de tudo, mesmo estando longe de ser um dos pontos altos da carreira de Roger Waters, gosto bastante do álbum e fica aqui o meu tema preferido: "5:06 AM - Every Stranger's Eyes".

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Tears For Fears - "Advice For The Young At Heart"

"While they play mothers and fathers, we play little boys and girls... When we gonna make it work?"



Hoje termino o dia com uma das minhas músicas "light" preferidas: Tears For Fears com "Advice For The Young At Heart" do álbum "The Seeds Of Love" de 1989.

Os TFF sempre foram um mistério para mim: uma banda com vários álbuns fabulosos e que no entanto são amplamente conhecidos como "Two Hit Wonders", devido ao sucesso com os dois singles mais populares do álbum "Songs From The Big Chair" de 1985: "Shout" e "Everybody Wants To Rule The World". De facto, este álbum é excelente e estes dois temas são peças fulcrais que moldaram a FM nos 80's. Mas a verdade é que os TFF são muito mais para além disto.

Talvez porque nunca foram uma banda preocupada com a promoção da imagem, não obtiveram a promoção que outros conseguiram, com muito menos qualidade (à cabeça vêm os Culture Club de Boy George, por exemplo), uma vez que os TFF "apenas" tinham a sua música para vender. A verdade é que os TFF lançaram nos anos 80 três álbuns muito bons e estilisticamente distintos. Se "The Hurting" foi um álbum severamente integrado no Synth Pop e no New Wave (com uma fortíssima carga emocional e depressiva) e "Songs From the Big Chair" foi uma evolução natural para o Pop Rock mais mainstream e alegre, em "The Seeds of Love", Roland Orzabal diz que "para criar, muitas vezes tem que se destruir e começar de novo". E isso dá a "Seeds" uma sonoridade completamente diferente de "Big Chair" e "The Hurting". É um álbum mais maduro, mais orgânico, mais cuidado na produção (só o loop de bateria em "Badman's Song" demorou 15 dias consecutivos a editar) e mais eclético. Mas nem por isso teve mais sucesso que os anteriores.

O problema é que "Seeds" foi editado 4 anos e 1 milhão de libras depois de "Big Chair", numa altura que a banda já tinha perdido o seu momentum. A descolagem do estilo de "Big Chair" também não ajudou e por isso o público não aderiu tão massivamente como no álbum anterior, atingindo "apenas" a platina em ambos os lados do Atlântico, contra a quíntupla platina nos EUA e tripla platina no Reino Unido de "Big Chair".

Voltando a "Advice", este é o tema mais alegre de "The Seeds Of Love", o único interpretado por Curt Smith neste álbum. Curt sentiu-se marginalizado na produção do álbum e na sequência de antigos conflitos com Roland Orzabal, acabaria por sair da banda e enveredar por uma carreira a solo.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Joe Cocker with the Mad Dogs & Englishmen - "The Letter" (Live in 1970)

"Give me a ticket for an aeroplane"



Na ressaca do sucesso no festival de Woodstock em 1969 e principalmente da sua cover dos The Beatles "With A Little Help From My Friends", Joe Cocker tornou-se um fenómeno nos EUA. Porém, ao experimentar o sabor da fama, perdeu a vontade de continuar e dissolveu a The Grease Band, a banda que o ajudou a encontrar o sucesso.


O problema é que nesta altura o seu agente já tinha marcado uma digressão de 50 datas nos EUA, pelo que Joe Cocker teve que juntar uma nova banda rapidamente. Foi aí que nasceram os "Mad Dogs & Englishmen", uma banda com mais de 30 (!!!) músicos que durante 2 anos percorreu os EUA com uma mistura de Rock e Soul completamente nova para a altura. Relembro que estávamos em 1969 e o Rock estava só a entrar na adolescência...

Fica aqui "The Letter", um grande tema, original de Wayne Carson Thompson, que foi nº1 nos EUA em 1967 para a banda Soul Box Tops. Aqui, o tema é reinventado por Joe Cocker e a sua banda Mad Dogs & Englishmen.

Em baixo, Joe Cocker junta na mesma banda alguns dos meus heróis para a interpretação deste tema: Phil Collins na bateria, Brian May na guitarra. A actuação teve lugar na Prince's Trust Rock Gala de 1988, que nos anos 80 juntava todos os anos a nata do Rock para um concerto de caridade e que regressa em 2010. Para já, sei que pelo menos a presença de Eric Clapton (um habitué nestas andanças) está confirmada.