quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Roger Waters - "5:06 AM - Every Stranger's Eyes"

"I recognize myself in every stranger's eyes"



Depois do megalómano projecto "The Wall" e do álbum de despedida "The Final Cut", Roger Waters saiu dos Pink Floyd, na certeza de que os restantes elementos não teriam condições para continuar com a banda. A história provaria que Waters estava enganado...
Foi então que Waters embarcou num ambicioso projecto a solo, o mesmo que tinha sido dado a escolher aos Pink Floyd em detrimento de "The Wall": "The Pros and Cons of Hitch Hiking". Uma vez que o conceito tinha sido rejeitado pelos Pink Floyd, tornou-se no 1º álbum a solo de Roger Waters em 1984.

Este álbum narra um sonho de um homem em tempo real, entre as 04:30 e as 05:12. Para tentar colmatar a ausência de David Gilmour, Waters convidou Eric Clapton para a guitarra no álbum e na digressão subsequente. Mas nem assim o álbum teve grande sucesso... O álbum é muito "morno", sendo frequentemente apelidado entre os fãs como uma snoozefest.
Apesar de tudo, mesmo estando longe de ser um dos pontos altos da carreira de Roger Waters, gosto bastante do álbum e fica aqui o meu tema preferido: "5:06 AM - Every Stranger's Eyes".

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Tears For Fears - "Advice For The Young At Heart"

"While they play mothers and fathers, we play little boys and girls... When we gonna make it work?"



Hoje termino o dia com uma das minhas músicas "light" preferidas: Tears For Fears com "Advice For The Young At Heart" do álbum "The Seeds Of Love" de 1989.

Os TFF sempre foram um mistério para mim: uma banda com vários álbuns fabulosos e que no entanto são amplamente conhecidos como "Two Hit Wonders", devido ao sucesso com os dois singles mais populares do álbum "Songs From The Big Chair" de 1985: "Shout" e "Everybody Wants To Rule The World". De facto, este álbum é excelente e estes dois temas são peças fulcrais que moldaram a FM nos 80's. Mas a verdade é que os TFF são muito mais para além disto.

Talvez porque nunca foram uma banda preocupada com a promoção da imagem, não obtiveram a promoção que outros conseguiram, com muito menos qualidade (à cabeça vêm os Culture Club de Boy George, por exemplo), uma vez que os TFF "apenas" tinham a sua música para vender. A verdade é que os TFF lançaram nos anos 80 três álbuns muito bons e estilisticamente distintos. Se "The Hurting" foi um álbum severamente integrado no Synth Pop e no New Wave (com uma fortíssima carga emocional e depressiva) e "Songs From the Big Chair" foi uma evolução natural para o Pop Rock mais mainstream e alegre, em "The Seeds of Love", Roland Orzabal diz que "para criar, muitas vezes tem que se destruir e começar de novo". E isso dá a "Seeds" uma sonoridade completamente diferente de "Big Chair" e "The Hurting". É um álbum mais maduro, mais orgânico, mais cuidado na produção (só o loop de bateria em "Badman's Song" demorou 15 dias consecutivos a editar) e mais eclético. Mas nem por isso teve mais sucesso que os anteriores.

O problema é que "Seeds" foi editado 4 anos e 1 milhão de libras depois de "Big Chair", numa altura que a banda já tinha perdido o seu momentum. A descolagem do estilo de "Big Chair" também não ajudou e por isso o público não aderiu tão massivamente como no álbum anterior, atingindo "apenas" a platina em ambos os lados do Atlântico, contra a quíntupla platina nos EUA e tripla platina no Reino Unido de "Big Chair".

Voltando a "Advice", este é o tema mais alegre de "The Seeds Of Love", o único interpretado por Curt Smith neste álbum. Curt sentiu-se marginalizado na produção do álbum e na sequência de antigos conflitos com Roland Orzabal, acabaria por sair da banda e enveredar por uma carreira a solo.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Joe Cocker with the Mad Dogs & Englishmen - "The Letter" (Live in 1970)

"Give me a ticket for an aeroplane"



Na ressaca do sucesso no festival de Woodstock em 1969 e principalmente da sua cover dos The Beatles "With A Little Help From My Friends", Joe Cocker tornou-se um fenómeno nos EUA. Porém, ao experimentar o sabor da fama, perdeu a vontade de continuar e dissolveu a The Grease Band, a banda que o ajudou a encontrar o sucesso.


O problema é que nesta altura o seu agente já tinha marcado uma digressão de 50 datas nos EUA, pelo que Joe Cocker teve que juntar uma nova banda rapidamente. Foi aí que nasceram os "Mad Dogs & Englishmen", uma banda com mais de 30 (!!!) músicos que durante 2 anos percorreu os EUA com uma mistura de Rock e Soul completamente nova para a altura. Relembro que estávamos em 1969 e o Rock estava só a entrar na adolescência...

Fica aqui "The Letter", um grande tema, original de Wayne Carson Thompson, que foi nº1 nos EUA em 1967 para a banda Soul Box Tops. Aqui, o tema é reinventado por Joe Cocker e a sua banda Mad Dogs & Englishmen.

Em baixo, Joe Cocker junta na mesma banda alguns dos meus heróis para a interpretação deste tema: Phil Collins na bateria, Brian May na guitarra. A actuação teve lugar na Prince's Trust Rock Gala de 1988, que nos anos 80 juntava todos os anos a nata do Rock para um concerto de caridade e que regressa em 2010. Para já, sei que pelo menos a presença de Eric Clapton (um habitué nestas andanças) está confirmada.

domingo, 14 de novembro de 2010

Rui Veloso - "Não Há Estrelas No Céu" (ao vivo no Coliseu '90)

"Vou por aí às escondidas, a espreitar às janelas, perdido nas avenidas e achado nas vielas"


Ontem ao navegar tranquilamente numa loja online, soube que tinha sido lançado uma edição comemorativa do 20º aniversário do álbum ex libris do Rui Veloso: "Mingos & Os Samurais". A edição especial continha o álbum original remasterizado e um DVD com o mítico concerto gravado pela RTP no Coliseu dos Recreios em 1990. Ora, sendo este um dos meus álbuns preferidos de música portuguesa e estando há anos à procura duma gravação decente deste concerto, corri para a loja mais próxima para comprar isto! E apesar de alguns contras, valeu a pena!

Em primeiro lugar, os contras: acho triste que a reedição daquele que é possivelmente o melhor álbum Rock português de sempre tenha sido tão pouco promovida. Nem sequer há uma menção no site do Rui Veloso... Não se compreende.
Depois, já li que o concerto não está completo, o que a ser verdade, é pena. Mas possivelmente isto é tudo o que foi gravado... Também é pena que o concerto esteja em Mono, percebe-se pela qualidade da imagem e do som que as fitas originais não foram muito bem tratadas pelo tempo...

Agora, os prós: a qualidade da embalagem desta edição é fenomenal, digna de uma edição especial de um qualquer artista internacional. A inclusão do DVD é uma ideia fantástica, que eu já esperava há muitos anos. Parece que alguém me leu a mente... O concerto em si é excelente e só por isto vale a pena comprar esta edição, mesmo para aqueles que, como eu, já tinham o álbum original em CD.

Quanto à remasterização do álbum, ainda não a ouvi, mas confesso que não me interessa por aí além, uma vez que a edição anterior em CD tinha grande qualidade sonora.

A música faz parte do imaginário da minha infância. O álbum foi lançado quando eu tinha ainda 4 anos e teve um impacto estrondoso na cultura portuguesa. De repente, parecia que temas como "Não Há Estrelas No Céu", ou "A Paixão (Segundo Nicolau Da Viola)" tinham estado sempre ali, tal a altíssima rotação que tinham nas rádios e na televisão. Para mim, que tinha o álbum em casa, era muito mais que isso. Todo o álbum tinha sonoridades que me chamavam a atenção e me prendiam. Não sabia o que era, mas sabia que gostava. E foi assim cresci com a história da banda desconhecida mais conhecida do Porto...

Em baixo fica o press-release da EMI Portugal:

2010 é um ano de grandes datas para Rui Veloso. É o ano em que se assinalam os seus 30 anos de carreira e, simultaneamente, 20 anos sobre a edição do álbum “Mingos & os Samurais”.Para celebrar a data, “Mingos & os Samurais” será reeditado no próximo dia 08 de Novembro. Edição especial 20º aniversário em digipack do CD-duplo com o som remasterizado a que se junta um DVD-bónus inédito com o filme de um dos míticos concertos realizados no Coliseu dos Recreios em 1990, filmado pela RTP. Recuemos a 1990. O ano arranca com a concretização de um velho sonho: Rui Veloso toca ao vivo com B.B. King; concertos no mês de Março em Lisboa e no Porto. Durante este ano apresenta-se pela primeira vez ao vivo no estrangeiro, em Toronto (Canadá).Em Maio, mesmo antes da edição do disco, inicia em Lisboa a digressão “Mingos & os Samurais” no Campo Pequeno. Sala esgotada. No início de Agosto chega, finalmente, às lojas o duplo-álbum “Mingos & os Samurais”. É a realização de um sonho antigo da dupla Rui Veloso/ Carlos Tê e a materialização de um disco que começou a desenhar-se no início da década de 80.


O êxito é estrondoso: Platina no dia de edição; em pouco mais de quatro meses, chega às Sete Platinas! Mais: “Mingos & os Samurais” ocupa o 1º lugar do top durante 24 semanas! Os temas “Não há Estrelas no Céu” e “A Paixão (segundo Nicolau da Viola)” são os maiores êxitos desse ano.Em Outubro apresenta-se ao vivo em Lisboa e no Porto. Realiza seis concertos esgotados nos Coliseus de Lisboa e Porto. O impacto de “Mingos & os Samurais” é tal que o alinhamento do concerto é feito apenas com os temas do novo disco; apenas nos encores surgem músicas de álbuns anteriores.


Em Dezembro, actua para 12.000 pessoas no Pavilhão do Dramático, em Cascais, feito nunca antes alcançado por qualquer artista português. Novembro de 2010 será o mês em que as comemorações dos 30 anos de Rui Veloso atingem o seu ponto alto. A juntar-se à edição especial 20º aniversário de “Mingos & Samurais”, Rui Veloso realiza os grandes concertos comemorativos dos 30 anos de carreira nos Coliseus do Porto e Lisboa, dias 07 e 17 de Novembro, respectivamente. Concertos cuja primeira parte será inteiramente dedicada ao álbum “Mingos & os Samurais”, com a presença dos Optimistas, banda original dos espectáculos do disco. O aúdio dos CD’s “Mingos & os Samurais” foi remasterizado no Masterdisk Studios, em Nova Iorque, por Andy VanDette.

sábado, 13 de novembro de 2010

David Bowie And The Spiders From Mars - "Moonage Daydream" (Live At Hammersmith Odeon)

"I'm an alligator, I'm a mama papa coming for you"



Roupas exuberantes, penteados extravagantes, maquilhagem, unhas pintadas e muita guitarra eram características de um estilo que teve grande projecção no Reino Unido no início dos anos 70: o Glam Rock. Bandas como os Queen, os Mott The Hoople, ou os T-Rex foram alguns dos grandes nomes deste estilo.

Juntamente com os Queen, o exemplo de maior sucesso e maior projecção do Glam Rock foi, sem dúvida, David Bowie. E o momento alto da sua carreira foi o álbum "The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars" (uff) de 1972, que criou a figura de Ziggy Stardust, um alter-ego de David Bowie e que se tornou também numa das figuras mais icónicas do Glam Rock.

Durante 2 anos, David Bowie vestiu literalmente a pele deste personagem, de modo a promover este álbum e o álbum seguinte "Alladin Sane". Em digressão constante, isto levou a que Bowie desenvolvesse um estigma de esquizofrenia, uma vez que em certo porto não conseguia distinguir a personalidade do seu alter-ego e a realidade.

O impacto de Ziggy Stardust foi enorme e uma vez que este se apresentava à imprensa como um extra-terrestre, houve realmente quem se convenceu disto mesmo. A polémica chegou ao limite de, em certos estados dos EUA, vários "pais" terem tentado banir o álbum, convencidos que David Bowie era um alien e por isso mesmo não queriam que os filhos fossem influenciados por um ser extra-terrestre.

Aqui fica "Moonage Daydream" ao vivo no último concerto da digressão de "Ziggy Stardust", no lendário Hammersmith Odeon de Londres. O destaque vai para o exuberante Mick Ronson - guitarrista dos Spiders From Mars - que tem aqui o ponto alto da sua carreira.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Pink Floyd - "Astronomy Domine" (Live - The Look Of The Week 1967)

"The sound surrounds the icy waters underground"


Se há um erro histórico na crítica musical é a de considerar o álbum "Sgt Pepper And The Lonely Hearts Club Band" dos The Beatles a "bíblia" do psicadelismo. Não é. Quanto muito, foi o mais influente álbum influenciado pelo psicadelismo, porque foi o que mais vendeu.

A verdadeira "bíblia" do psicadelismo, o álbum que representa em si mesmo o psicadelismo chama-se "The Piper At The Gates Of Dawn" e foi o 1º álbum dos Pink Floyd e a obra-prima do seu líder de então: Syd Barrett.

Muito antes de "Dark Side Of The Moon", "The Wall", dos milhões de discos vendidos, dos estádios cheios e até antes de David Gilmour (o "Deus" da guitarra) fazer parte da banda, nos mid-60's os Pink Floyd eram uma banda da cena underground de Londres; e uma das poucas que encontrou sucesso mais tarde.

A meio da gravação do 2º álbum, Syd Barrett começou a ter graves problemas devido a danos cerebrais causados pelo excesso no consumo de drogas e acabou por ser expulso da banda, entrando para o seu lugar David Gilmour. O resto é História...

Neste vídeo vemos os Pink Floyd a promover "The Piper At The Gates Of Dawn" no programa "Look Of The Week" na BBC, com uma performance ao vivo de "Astronomy Domine". Muitíssimo interessante é a forma como Hans Keller - o apresentador do programa - introduz os Pink Floyd, como uma banda abominável de qualidade muito fraca e som demasiado alto. Priceless!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

The Verve - "Sonnet"

"Yes, there's love if you want it, don't sound like no sonnet"



Hoje pus um álbum que já não ouvia há anos: "Urban Hymns", o multi-platinado álbum de 1997 dos The Verve. E fez-me lembrar que se fazia excelente música no UK na era do Britpop e que foi este movimento que salvou a segunda metade da década de 90.

Só neste "Urban Hymns" temos uma bateria de temas de enorme categoria: "Sonnet", "The Rolling People", "The Drugs Don't Work", "Lucky Man" e, obviamente, "Bitter Sweet Symphony", o tema que levou Richard Ashcroft a ser condenado por plágio a Mick Jagger e Keith Richards dos Rolling Stones.

"Sonnet" foi o 4º e último single retirado de Urban Hymns, lançado por pressão da editora e já contra a vontade da banda. Assim, o single foi lançado de forma a não poder entrar nas tabelas de vendas, o que não impediu "Sonnet" de ser um tema de alta rotação nas rádios de todo o mundo, tal era a popularidade que os The Verve conheciam na época.